ANÁLISE: GRID 2

ANÁLISE: GRID 2

Finalmente "GRID 2" foi lançado pela Codemasters, que prometeu vÁrias inovações e tecnologias, incluindo a nova versão da sua engine patenteada com o nome de "EGO Game Technology Platform". O game é ótimo e impressiona pela qualidade visual e traz tudo que hÁ de mais avançado em efeitos grÁficos. E isso inclui uma tecnologia nova, exclusiva da Intel.

A jogabilidade usa a base dos outros games da empresa, mas com vÁrias melhorias que o torna mais simulador do que qualquer outro jogo lançado recentemente pela produtora. Se você tem um bom volante com Force Feedback, "GRID 2" é perfeito para você.


Vídeo gravado por Cole Roddy

{break::Jogabilidade #1}"GRID 2" possui uma jogabilidade diferenciada em relação aos títulos anteriores da Codemasters. Apesar de ainda ser arcade, ele traz algumas características de simulador ao usar um bom volante. Alias, vale lembrar que o jogo traz suporte total à uma série de volantes, como o G27 da Logitech, usado nesta anÁlise.



Jogando com volante o jogo muda de figura. Os efeitos de Force Feedback trazem um realismo a mais, coisa rara em jogos da Codemasters, onde esses efeitos eram apenas bÁsicos, ou seja, bem genéricos. Agora, em "GRID 2", os efeitos de Force Feedback estão na média e lembram vÁrios simuladores consagrados. É possível até mesmo diferenciar o piso em que se estÁ correndo, variando de asfalto, terra - quando o jogador erra o traçado em alguns circuitos -, paralelepípedos e até mesmo tijolinhos de cerâmica, muito comum em trechos das pistas de Dubai. Além disso hÁ efeitos sentidos nas derrapagens, ao passar em zebras e ainda quando o carro "descola" do chão, deixando o volante mole, possibilitando a perda de controle do veículo.

"GRID 2" possui vÁrios modos de jogo, todos dentro de um campeonato mundial chamado World Series of Racing. Desde corridas simples, até Drift e Tongue, que consiste em desafiar um único adversÁrio numa melhor de três em corridas ponto-a-ponto.

Mas o grande destaque é um tipo de traçado chamado Liveroute. Este tipo de trajeto muda aleatoriamente em tempo real a cada volta, ou seja, a volta seguinte nunca serÁ igual a anterior. De acordo com a Codemasters, o LiveRoute gera milhares de combinações fazendo com quem cada corrida seja sempre inédita. Além disso, não hÁ contagem de voltas, mas sim por tempo, variando de 5 a 40 minutos de corrida. Vale lembrar que o Liveroute estÁ disponível também no multiplayer, e só pode ser escolhido em circuitos de rua.

{break::Jogabilidade #2}Jogar "GRID 2" com um bom volante com Force Feedback significa ter uma dificuldade bem maior, que consequentemente aumenta o realismo. A Codemasters afirma que essa dificuldade relacionada aos volante tem um nome: TrueFeel, que foi patenteada pela companhia e possibilita um controle "total" que varia de carro para carro. De fato, correr com volante faz a diferença e possibilita fazer manobras que são impossíveis com um teclado ou controle. Por outro lado, fazer uma derrapagem (Drift) é muito mais fÁcil em um controle e/ou teclado do que com o volante.

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Um detalhe que afeta bastante a jogabilidade, tanto single quanto multiplayer, é o fato de não ter retrovisor. A Codemasters resolveu tirar o retrovisor e colocar uma seta que aparece quando o carro de trÁs chega perto. Mesmo assim isso não resolve o problema, jÁ que não hÁ como saber exatamente "como" estÁ vindo o carro de trÁs. Isso jÁ gerou discussões em partidas multiplayer, onde alguns jogadores reclamam de outros que bateram neles. Além disso, no single-player também atrapalha bastante, principalmente se alguém for ultrapassar o jogador e este não vê se o carro vem rÁpido ou se estÁ colado na traseira, dentre outras coisas. Consequentemente o jogador sofre uma colisão e perde o controle do carro, podendo perder a corrida por causa disso.

Provavelmente a desculpa da Codemasters deve ser a mesma justificativa que a produtora deu para não incluir uma câmera interna do cockpit: limitação imposta pelos consoles, que não aguentariam rodar o jogo de forma aceitÁvel com tantos detalhes na tela.

Bom, o jogo é quase que totalmente dublado em português brasileiro, o que cria um apelo bem maior para o público nacional.  Apenas nas partes onde mostra o programa de TV SportCenter, da ESPN americana, é que não possui dublagens, mas legendas. Mais detalhes sobre o Áudio pode ser visto mais adiante na review.

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{break::GrÁficos #1}A nova versão da "EGO Game Technology Platform" é de babar, devido a qualidade no visual geral. Seja pela sujeira na pista, efeitos de vento, jornais voando ou o público aleatório e incrivelmente animado. HÁ uma variação imensa de detalhes que fazem a diferença no geral como, por exemplo, faíscas em trilhos de trem, fumaça em trechos de floresta, dentre outras coisas.


Mas mesmo assim nem tudo é perfeito. Basta parar o carro perto do público e obsevar o quanto é mal feito a maioria deles, sem texturas e em apenas 2D. Claro que isso não afeta em nada quando se estÁ correndo. Pelo contrÁrio, o fato de ser simples de perto e consequentemente ser leve, possibilita que as pistas tenham bem mais público do que outros jogos de corrida. Experimente correr nas ruas de Chicago ou Miami e observe que a pista inteira é lotada de público. E eles agem de acordo com a corrida: se alguém bate no muro eles se afastam; se passam rente ao muro, aplaudem; se você fizer uma ultrapassagem bem feita, se empolgam de verdade. Isso realmente afeta o clima da corrida para melhor, criando uma atmosfera bastante realista.

Todas as pistas estão impecÁveis, sejam circuitos de rua, estradas montanhosas ou autódromos reais como o maravilhoso Yas Marina que, à noite, é de cair o queixo. Mas a estrela de um game de corrida é sempre o carro. De nada adianta as pistas serem ótimas visualmente se o protagonista for mal feito e de baixa qualidade. Em "GRID 2" os carros estão acima da média no geral se forem comparados com games de corrida mais recentes, onde tudo parece lindo, mas artificial demais. O destaque é o damage, que melhorou sensivelmente em relação aos games que usam a versão antiga da engine.

{break::GrÁficos #2}Embora estejam bem reproduzidos na parte de modelagem - leia-se polígonos -, a Codemasters ainda teima em usar algumas texturas em baixa resolução nos patrocinadores estampados nos veículos. É bem verdade que houve uma evolução enorme nesse aspecto em relação ao primeiro game onde, literalmente, tudo era em baixa resolução. Mas mesmo assim, em tempos atuais, é incompreensível ainda ter texturas ruins.


"GRID 2" possui um número reduzido de veículos, cerca de 60 carros inicialmente, podendo chegar a 70 se contar com futuros DLCs que sairão à partir de Julho. O jogo peca em não ter muitas das montadoras presentes em praticamente todos os jogos da concorrência, seja em consoles ou PC. Ferrari, Mitsubishi, Lamborguini, Porsche, dentre outros. 

A redução não atinge apenas os veículos. Os circuitos reais são bem poucos, cinco no total: IndianÁpolis, Brands Hatch, Algarve, Red Bull Ring e Yas Marina. Para piorar, dois deles, IndianÁpolis e Yas Marina, possuem traçados que vêm em DLCs.

Pistas fictícias são nove no total, e cada uma delas possui variações: Califórnia, Cote D'azur, Hong Kong, Okutama, Barcelona, Chicago, Dubai, Miami e Paris. É importante frisar que essa limitação é um problema crônico da Codemasters que vem desde "Dirt 3", extremamente criticado pela redução absurda de pistas e veículos além de lançarem pacotes de pistas via conteúdo extra.

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{break::Áudio}"GRID 2" é o típico jogo de corrida que prefere dÁ ênfase ao som dos carros, ao invés de colocar trilha musical durante as corridas. Embora algumas pessoas gostem de correr ao som de uma boa música, o ideal é correr sem ela. Ou seja, o correto é correr sem ouvir música para que não haja nenhuma distração da hora de pilotar os carangos. A única parte musical presente é quando se estÁ nos menus e, mesmo assim, é apenas uma trilha típica de "música ambiente".

Por não ter música, o ronco dos motores ficam em evidência, principalmente pela qualidade, sempre de alto nível. Vide as franquias "DIRT", "F1" e o próprio primeiro "GRID", que sempre se destacaram pela qualidade sonora.




Em "GRID 2" hÁ algumas variÁveis. Como o jogo todo é lotado de pessoas em volta das pistas, seja em circuitos, seja em pistas de ruas, e até mesmo estradas montanhosas, a variação do som é enorme. Para se ter uma ideia, pode-se ouvir as pessoas falando no idioma local, variando de chinês, japonês, espanhol e inglês. Inclusive com frases não muito educadas, caso você bata no muro onde esteja alguém. Um recurso bem interessante, pois cria uma ambientação bem mais realista.

As dublagens estão ótimas e com dicas importantes durante as corridas. Por exemplo, caso você não esteja conseguindo fazer Drift, o seu "engenheiro" explica, nos mínimos detalhes, como se faz. E isso acontece tudo durante as provas. Por vÁrias vezes as dicas me ajudaram bastante a pilotar melhor e a conseguir completar certas provas.

HÁ um detalhe interessante - que se não foi proposital ou se foi uma coincidência muito bem vinda: o "engenheiro" que sempre ajuda o jogador, é dublado pelo mesmo ator que dubla a versão americana de Top Gear no History Channel. Quem acompanha o programa mundialmente famoso, vai se familiarizar com a voz, tornando "GRID 2" bem mais interessante.


{break::Multiplayer}O modo de multiplayer online de "GRID 2" é totalmente separado do modo single-player. Isso quer dizer que, mesmo que o jogador termine o modo single-player, ele terÁ que começar do zero na parte online.

Por outro lado, o multiplayer online - existe um off-line de tela dividida, mas fica no modo single-player e o jogador tem acesso a tudo logo de início - oferece mais opções como, por exemplo, dinheiro. Com a grana que o jogador recebe a cada corrida, seja vencendo ou não, compram-se carros ou faz-se melhorias no que jÁ se tem. O problema é quanto se arrecada a cada corrida: muito pouco, obrigando o jogador a correr dezenas de vezes se quiser comprar o carro mais barato do jogo. Imagina aqueles carangos caríssimos!


Todos os modos de corrida do single-player estão presentes no multiplayer, até mesmo o inédito Liveroutes, que permite uma emoção maior nas corridas. Mas hÁ uns detalhes injustificÁveis como, por exemplo, a limitação de no mÁximo 5 voltas em corridas normais. Em todos os eventos criados no multiplayer para o review, a limitação imposta pelo jogo foi de "apenas" 5 voltas, não importando o tamanho do circuito.

Quando se cria um evento online, hÁ a possibilidade de adicionar mais etapas e assim criar um tipo de campeonato entre os amigos com pontuação e prêmios maiores em dinheiro. O problema é que o jogo não permite misturar modos de corrida. Ou seja, não pode ter uma corrida normal com 5 voltas e outra de resistência, por exemplo.

Isso tudo leva a crer que existe muita limitação no modo multiplayer online, na sua maioria injustificÁvel. Para piorar os servidores ainda não estão 100%. HÁ problemas diversos de lags, de sincronismo, e até mesmo "Erro de Rede" que ocasionalmente aparece no meio da corrida. Vale lembrar que o jogo é Steamworks e usa uma base de dados vinculada a RaceNet da própria Codemasters.

{break::Conclusão}"GRID 2" vem para ocupar o topo na lista dos melhores games de corrida lançados recentemente. O poder da nova versão da "EGO Game Technology Platform" realmente faz a diferença, principalmente na questão de ambientação de uma corrida, com um vasto e animado público e ainda os diversos efeitos especiais espalhados pelos cenÁrios. Desde faíscas nos trilhos de trem, efeitos de raios do Sol por entre as Árvores, aviões no céu, até sujeira espalhada pelo asfalto e pedaços de outros carros. E tudo isso rodando de forma leve, sem muitos problemas.

No game, a Codemasters adotou, pela primeira vez, o multiplayer separado do single-player, possibilitando dobrar o fator replay do game. E ainda criou um sistema de traçado chamado Liveroute  que cria trajetos aleatórios para cada corrida de rua.

Para quem gosta de corrida, "GRID 2" é um game fundamental, que vai agradar desde os jogadores mais casuais até aqueles que gostam de competir com os amigos. Imperdível!

PRÓS
Qualidade grÁfica chama atenção
Dublagens brasileiras
Boa variação de modos de jogo
Tecnologia TrueFeel para uso com volante é excelente
Liveroute
Multiplayer separado
CONTRAS
Sem câmera no cockpit
Falta retrovisor
VÁcuo faz muita falta
Multiplayer ainda possui bugs de rede
DLCs e mais DLCs
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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