ANÁLISE: The Cave (PS3)

ANÁLISE: The Cave (PS3)

Produzido pela Double Fine Productions, "The Cave" faz parte da ótima safra de jogos independentes dos últimos tempos que não precisam de investimentos milionÁrios para apresentarem ideias próprias, envolver e divertir com suas propostas mais simplistas. O jogo mescla os gêneros plataforma, aventura e puzzle, trazendo desafios na medida certa e alguns segredos para descobrir; mas também escorrega em alguns pontos bÁsicos de execução de gameplay, o que acaba comprometendo parte da diversão.

 

 

Leia a anÁlise do game nas próximas pÁginas.

 

 

{break::História e jogabilidade}"The Cave" conta a história de sete aventureiros que, por motivações distintas, decidem embarcar numa jornada de explorar as profundezas do local em busca de soluções para seus maiores anseios, explicações para dramas pessoais e, caso consigam chegar ao destino, encontrar respostas que auxiliem no autoconhecimento das suas vidas.

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E mesmo que não empolgue muito, pelo menos num primeiro momento até você se localizar dentro do contexto de jogo, a trama se torna interessante de acompanhar assim que suas aventuras particulares começam a deslanchar e revelam, pouco a pouco, a motivação pela qual os personagens se arriscam nos mais diversos desafios sem a certeza de sucesso no final das missões. E isso fica um pouco mais marcante quando se começa a descobrir o que aconteceu no passado de cada um deles e porque alguns desesperadamente querem consertar lembranças hostis, apagar dilemas das suas mentes ou superar medos incomuns.   

Mas é na jogabilidade onde "The Cave" mais se destaca. Logo antes do início da aventura, é preciso escolher três entre sete personagens diferentes. Não é possível trocÁ-los no decorrer da aventura, mas é necessÁrio revezar entre os escolhidos para progredir nos desafios, pois cada um deles possui uma habilidade exclusiva que influencia totalmente na forma como você resolve os quebra-cabeças. 

Os sete heróis disponíveis são: Monk (usa telekinesis para buscar itens inalcançÁveis), Adventurer (usa ganchos para se pendurar e pular Áreas inacessíveis), Hillbilly (aguenta muito tempo debaixo d'Água sem respirar), Scientist (pode hackear sistemas e abrir passagens), Twins (fazem réplica de si para sustentar), Knight (invencibilidade temporÁria) e Time Traveler (trespassa barreiras). 

Uma vez feita a sua escolha, é hora de encarar "A Caverna". Os puzzles, na maioria das vezes, são consideravelmente bem balanceados: hÁ partes mais óbvias e diretas ao ponto, e outras em que você realmente precisa parar pensar em como irÁ resolvê-los. É preciso levar em conta todos os seus recursos, contrapondo os pontos fortes e as deficiências de cada um dos seus personagens. Além disso, são diversos os itens espalhados pelos cenÁrios que também podem ajudar na resolução, mas que, algumas vezes, não chegam a ser necessÁrios realmente utilizÁ-los.

O problema aqui estÁ no modo como as fases são dispostas. Ao longo do jogo, são quatro Áreas-padrão (fixas) e outras sete particulares a cada personagem. E para usar todos os personagens, serÁ necessÁrio fechar o game pelo menos três vezes. Em questão de diversão, isso não é problema algum, jÁ que o jogo agrada do começo ao fim. Só que também serÁ obrigatório revisitar as seções fixas para poder acessar as específicas (temÁticas) para cada um deles e, com isso, repetir a solução dos mesmos enigmas. Algo meio sem sentido e que desperdiça tempo, jÁ que não traz novidade alguma.

{break::GrÁficos e Áudio}Na parte visual, "The Cave" também não faz feio. Todos os cenÁrios trazem detalhes bastante fiéis às suas propostas, com características únicas de iluminação, cores de preenchimento, vegetação e superfícies com diversos tipos de materiais. As texturas são bastante convincentes e as Áreas destinadas a cada personagem também diferem em ambientação, objetos, animação de elementos secundÁrios que compõem as fases, mÁquinas e plataformas de alcance. O próprio design de cada um dos personagens selecionÁveis também agrada bastante e convence pela personalidade e caracterização das próprias suas temÁticas. 

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No Áudio, a trilha sonora acompanha muito bem com cada um dos cenÁrios dos game. E nenhuma das melodias é exagerada demais a ponto de comprometer o envolvimento do jogador com o que acontece na trama. Por exemplo, existem circunstâncias mais sombrias, outras mais misteriosas, mais calmas, mais alegres, mais depressivas e outras mais felizes. Mas nenhuma das composições foi produzida para chegar ao extremo dessas sensações, amenizando qualquer tipo de reação ou sentimento demasiado não planejado pela produtora para o resultado final do game. 

Além disso, um dos destaques neste quesito é a caverna que dÁ nome ao jogo que - pasmem - fala e assume o posto de narrador durante toda a aventura. É como se a reunião de todos os cenÁrios, através dos estÁgios padrão e específicos para cada personagem, fosse mais um personagem do jogo. Não como algo do tipo figurante, mas como protagonista mesmo, completo e com emoções próprias. Digo isso porque você irÁ receber comentÁrios (muitas vezes nada amigÁveis), dicas (às vezes nada confiÁveis), ditados populares (outros nem tanto), ser feito de palhaço (piadinhas sarcÁsticas) e avaliado conforme suas ações (valores sobre a moral) pela gigante.     

{break::Conclusão}"The Cave" chegou para somar a outros ótimos jogos independentes como "Trine 2", "Journey" e "FEZ" e para adicionar ainda mais opções criativas e divertidas ao mercado tradicional de games, comandado sobretudo por franquias jÁ estabelecidas. O game traz uma excelente combinação de plataforma com puzzles, ao mesmo tempo em que apresenta sete personagens com características únicas e motivações pessoais bastante distintas, sempre buscando o autoconhecimento.

 

 

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Além disso, A Caverna ganha bastante destaque não apenas por ser um cenÁrio grandioso, mas porque também configura um protagonista extra a ponto de interagir diretamente com o jogador e avaliar, para o bem (detalhes sobre o enredo, elogios e dicas para os puzzles) e para o mal (sarcasmo, piadinhas e críticas às suas decisões), todas as suas ações feitas no jogo. Fora isso, os grÁficos são bastante carismÁticos e a trilha sonora complementa a aventura com passagens emocionantes, sem nunca parecer exagerado demais.

PRÓS
Puzzles desafiantes e bem balanceados
A Caverna como personagem 
7 heróis com habilidades únicas e com cenÁrios exclusivos
Visual carismÁtico
CONTRAS
Fases fixas desnecessÁrias tornam o gameplay maçante e repetitivo
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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