ANÁLISE: ASUS Taichi 21

ANÁLISE: ASUS Taichi 21

ASUS Taichi é um notebook híbrido anunciado na Computex 2012, que tem como destaque uma solução bastante exótica para a transformação tablet-notebook: duas telas. Com a tela externa sensível a toques, o Taichi possui um design que lembra um tablet convencional, enquanto a tela interna, que não é touchscreen, segue o formato consolidado dos notebooks tradicionais.

As duas telas trazem algumas possibilidades novas, além da capacidade do hibridismo tablet-Ultrabook. É possível manter as duas acionadas simultaneamente, exibindo informações diferentes em cada uma, espelhando-as ou até mesmo um multitasking diferenciado.

Em aspectos gerais, o Taichi apresenta especificações técnicas bastante comuns dos aparelhos da categoria Ultrabook, como processador Core i5 com grÁficos integrados Intel HD Graphics 4000, 4GB de memória RAM e armazenamento em SSD de 120GB. Combinação de peças que entrega uma performance bastante Ágil ao sistema. 

Especificações técnicas

Processador Intel Core i5 3317U
Sistema Operacional Windows 8 Pro
Chipset Intel QS77 Express Chipset
Memória DDR3 1600 MHz SDRAM, OnBoard Memory 4 GB
Tela interna (notebook): 11.6" 16:9 Full HD (1920x1080)
Tela externa (tablet):      11.6" 16:9 com reconhecimento de toque para 10 dedos FHD (1920 x 1080)
GrÁfico Intel HD Graphics 4000
Câmera 5M com câmera Auto Focus 1080P
Armazenamento SATA III SSD 128GB 256GB

Conectividade
Networking Integrado 802.11 a/b/g/n
Bluetooth V4.0
1 x COMBO audio jack
2 x porta(s) USB 3.0
1 x RJ45 para LAN
1 x micro HDMI
1 x conector Docking
1 x Mini VGA Port
1 x Volume up/down
1 x Screen switch

Áudio Bang & Olufsen ICEpower
Bateria  35 Whrs Bateria de Polímero
Autonomia estimada de até 5 horas

Adaptador de Energia
Output:  19 V DC, A, 45 W
Input: 100 -240 V AC, 50/60 Hz universal
Dimensões: 30.66 x 19.93 x 1.74 cm (largura x profundidade x altura)

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Peso 1.25 kg

{break::Design, fotos e aquecimento}O design e ergonomia do Taichi são divididos em duas partes: o tablet e o ultrabook. Com a tela fechada, o dispositivo parece um tablet de 10 polegadas convencional, só um tanto mais pesado: 1,25kg versus 625g do iPad 4. A tela possui proteção do tipo Gorilla Glass de segunda geração, com ótima resposta aos gestos e uma empunhadura confortÁvel.


Por possuir o dobro do peso de um tablet, seu uso é também um pouco diferente: não é possível utilizÁ-lo com apenas uma mão, algo que jÁ é difícil com o iPad. O uso por longos períodos se torna uma verdadeira sessão de musculação com o Taichi. Seu uso como tablet não poderÁ ser feito sem um apoio, seja colocando ele sobre uma mesa ou mesmo no colo, ainda que por períodos curtíssimos.

 

Abrindo a tampa, alternamos para o "modo ultrabook". A ergonomia fica muito próxima do que vemos em outros modelos da marca, como o Zenbook, enquanto o design se torna bastante elegante, com a tela externa virando uma bela superfície espelhada para a tampa. Visto de fora, ele é um Ultrabook muito atraente e interessante, porém vendo a parte interna, apesar do ótimo acabamento na base do aparelho, a borda muito grossa em torno da tela traz uma sensação de "aparelho de baixo custo". 

A Asus conseguiu deixar a tampa do Taichi relativametne fina, apesar do "sanduíche" de duas telas, porém um efeito ainda é sentido: o seu peso. Como dito anteriormente, a união de duas telas, mais a proteção do Gorilla Glass, torna essa parte do Ultrabook um pouco mais pesada, superando a massa de todo o restante do aparelho. Por conta disto, dependendo do movimento feito com o aparelho a tela tende a abri mais, e creio que a Asus poderia ter "firmado" um pouco mais a articulação do Ultrabook para evitar esta mudança não intencional da tela.


Aquecimento
Colocamos o Taichi para rodar o 3DMark e medimos a temperatura do aparelho em meio aos testes.  O resultado é um aquecimento considerÁvel, sendo que o mais preocupante são as temperaturas na casa dos 40ºC na parte central inferior, algo que pode ser bem desconfortÁvel caso você decida usÁ-lo no colo.  

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Temperatura rodando 3DMark

É claro que, rodando o 3DMark, temos uma situação de alto estresse para o sistema, então é natural que haja um aquecimento. Mesmo assim, chama a atenção o aquecimento do Taichi mesmo em modo ocioso, com apenas o sistema rodando e nenhum aplicativo em ação. Só com a tela inicial do Windows aberta, o notebook chega a 37ºC na parte central inferior, aumentando para 40ºC nas saídas de ar. Tudo isto enquanto ele roda... nada.

Para não dizerem por aí que só vejo o lado negativo das coisas, podemos dizer que, com o Taichi, você compra um Ultrabook e leva duas telas e um aquecedor. 

{break::CineBench, Winscore, WinRAR e Photoshop}Iniciamos os testes sintéticos com os testes de CineBench, voltado a renderizações de grÁficos em OpenGL na CPU e GPU, a pontuação do Windows e também o WinRAR, software que demanda muito do processador.



Nos testes com o CineBench vemos um desempenho bem próximo ao visto no Folio 13, quando demandamos da CPU, mostrando que os Core i5 presentes em ambos os modelos entregam uma performance semelhante. No modo GPU, porém o Intel HD Graphics 4000 saiu à frente do HD 3000 do modelo da HP, e entregou 60% mais performance. Para alcançar os chips dedicados, ainda hÁ um longo caminho: o Nvidia Geforce GT 650M entrega o dobro de desempenho.

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Se na parte do CineBench a nova geração de CPUs Intel não mostrou um ganho, no teste com o WinRAR vemos a geração Ivy Bridge mostrando seu diferencial. O Taichi alcançou um desempenho 20% melhor que o Folio 13, ambos Core i5 ULV (operando em baixa voltagem), mas o modelo da HP é Sandy Bridge.

 

Aplicando o filtro Extrude, no Photoshop CS5, não temos um impacto muito grande da nova geração Ivy Bridge neste processo. O Taichi foi capaz de superar modelos da geração passada com vantagem de 15%, com exceção do Zenbook de primeira geração, que ainda se saiu melhor neste teste.

{break::PCMark 07, performance e autonomia}Continuamos nossos testes com o PCMark 07, um bom benchmark para anÁlise do desempenho geral da mÁquina, testando desde atividades como abrir arquivos até executar multimídias e renderizar imagens em 3D.

 

Neste aspecto, vemos que o conjunto SSD mais Core i5 e 4GB de RAM entregaram um ótimo desempenho, dando ao Taichi o topo de nosso grÁfico no comparativo com outros aparelhos portÁteis. Detalhes da pontuação podem ser vistos neste link.

O Taichi entrega um desempenho compatível com o seu hardware, com respostas muito rÁpidas graças ao seu SSD e um poder de processamento razoÁvel, dentro do esperado para uma CPU de baixa voltagem Core i5 Ivy Bridge, e os grÁficos integrados Intel HD 4000.

No uso cotidiano, como a navegação na internet, edição de documentos e exibição de conteúdos multimídia em FullHD, o Ultrabook consegue se virar muito bem, mesmo em modo de economia de energia. Mudando para o modo multimonitor, porém, o Taichi sente o peso de precisar lidar com dois monitores em 1080p e começamos a perceber perda de performance e, principalmente, um maior aquecimento. Nesta situação, é melhor manter o aparelho na tomada, para evitar a perda excessiva de potência.


Jogatina no Taichi 21
Apesar de não ter como propósito rodar games, sempre aproveitamos para testar até onde podemos arriscar "uma jogadinha" nos Ultrabooks, aproveitando o potencial dos grÁficos integrados Intel. Jogamos Counter Strike: Global Offense e Left 4 Dead 2, dois games conhecidos por não "cobrar muito do hardware".

Os dois games mostraram que o Taichi pode bater expediente na hora da recreação, conseguindo manter os dois games, com uma média superior a 30 quadros por segundo e com grÁficos em qualidade grÁfica intermediÁria. Naturalmente, os ultraportÁteis não tem como enfoque este tipo de atividade, mas ainda assim dÁ para mandar uns HS nas horas vagas.


Autonomia

Chegamos a um ponto crítico para os Ultrabooks, dispositivos portÁteis que são uma resposta dos notebooks ao grande crescimento dos tablets. De nada adianta um aparelho superportÁtil que tenha uma portabilidade limitada até "a próxima tomada". Por isto, nesta review, estamos adicionando o critério autonomia para a pontuação, dada a importância que este aspecto representa nestes modelos.

No teste de autonomia dividimos em dois perfis: no primeiro, rodamos o Powermark no modo produtividade, em que o aplicativo se limita a navegar na internet e editar documentos de texto, com o brilho da tela no mínimo e o sistema operacional configurado para economizar o mÁximo de energia. No segundo, mais exigente, colocamos a tela em brilho mÁximo, alteramos o gerenciador de energia do sistema para modo alto desempenho, e configuramos o Powermark para realizar o benchmark no modo "entretenimento", em que pode-se alternar entre executar vídeos e renderizar animações em 3D. 

E nossa estreia é péssima. O Taichi surpreende pela baixa duração longe da tomada. No modo com maior consumo de energia, o aparelho da ASUS até se saiu bem, mas na hora de ligar o modo produtividade, e pegar leve para ver o aparelho ir ao seu limite, o Taichi durou apenas 3 horas e 40 minutos, apagando em uma altura que o Folio 13, aparelho com tela maior, ainda tinha mais de 50% de bateria e mais umas quatro horas de autonomia pela frente.

{break::Tela, Áudio e armazenamento}Os displays são, possivelmente, o grande atrativo do Taichi. Ambos os monitores operam em resolução FullHD e impressionam pelos ótimos contrastes, boa saturação e, principalmente, pelo amplo ângulo de visão que proporcionam.


Além de reflexos, a tela externa é bem suscetível as famigeradas "marcas de dedos" 

A tela interna é do tipo fosca, o que reduz bastante os incômodos reflexos. A externa segue outra lógica: equipada com Gorilla Glass, ela é do tipo brilhante e, por conta disto, bastante reflexiva, infelizmente. É um custo facilmente justificado pelo benefício de um produto muito mais resistente, afinal donos de notebooks sabem o quão fÁcil é riscar a tampa destes dispositivos. Pior ainda se a tampa for, também, uma tela.

Áudio
Dispositivos compactos como Ultrabooks costumam não se destacar neste aspecto, jÁ que o Áudio fica bastante comprometido pela "falta de espaço" para uma caixa acústica maior, algo que impacta especialmente nos tons mais graves.


Caixas de som do Taichi, nas laterais inferiores do aparelho

Considerando as limitações de nosso formato, o Taichi não se sai mal, mérito da tecnologia ASUS SonicMaster em conjunto com o Bang & Olufsen ICEpower. Os tons agudos e intermediÁrios se saem bem e, naturalmente, o Ultrabook "faz o que pode" nos tons mais graves, se saindo bem acima da média dos ultraportÁteis, neste aspecto. A intensidade acústica é mais que o suficiente para um ambiente de porte médio, e as distorções não chegam a comprometer a experiência de quem prefere "socar o volume no mÁximo".


Armazenamento
A ASUS equipou o Taichi com um SSD de 120GB, logo esperamos uma ótima performance deste elemento de hardware.

 

O Ultrabook não decepciona, superando a maioria dos aparelhos jÁ testados por aqui. Um dispositivo de armazenamento Ágil traz bastante impacto na experiência de uso, ao agilizar o processo de abertura de arquivos e programas, e este SSD é responsÁvel por boa parte do bom tempo de resposta do Taichi. 

{break::Operando as duas telas}O "grande barato" do Taichi são suas telas, algo que traz novas possibilidades de uso para o computador. A tela externa segue a lógica de um tablet, com Gorilla Glass e sensível em até 10 pontos simultaneamente. A interna estÁ no mundo dos notebooks convencionais: tela antirreflexo e sem o recurso touchscreen.

Infelizmente, a ausência de uma touchscreen interna empobrece a experiência com o sistema Windows 8, falha agravada pela falta de responsividade do touchpad. Por mais que o número de gestos seja menor, quando estamos em uma experiência teclado+mouse, sempre hÁ aquele comando que é melhor se feito com a tela sensível ao toque, como rolar uma tela ou os comandos específicos do novo sistema da Microsoft.

O Taichi pode ser utilizado em três formas: apenas uma tela, sendo um tablet quando fechado e um Ultrabook quando aberto, modo espelhado, onde as duas telas são ativas e ambas exibem o mesmo conteúdo, e o modo duas telas, onde o aparelho exibe duas imagens diferentes, e pode ser operado simultaneamente através de suas "duas formas".


Botão dedicado para a troca de modos de telas é identificado pelo símbolo azul

A alternância de algumas destas formas é feita por um botão dedicado, que abre o software da ASUS que administra as dualidade de displays. Cada vez que você pressiona o botão, o aplicativo muda para outro modo. Bastante simples e funcional.

Com apenas uma tela, a coisa é ainda mais simples: hÁ uma chave que habilita a segunda tela. Com ela desativada, ao fechar a tampa, o Ultrabook vai entrar no modo dormir, como faz um aparelho convencional. Se ativÁ-la, fechar a tampa irÁ acionar a tela externa, transformando-o em um tablet. É diferente, mas não é difícil de entender esta lógica.


Screenshare: à esquerda, a tela interna, à direita, a tela externa.

O Taichi também possui a função Screen Share, aplicativo que funciona na tela interna e que você pode "largar" multimídias nele, fazendo com que elas apareçam na tela externa. É possível criar uma fila de arquivos a serem exibidos, uma "mão na roda" para quem deseja fazer uma apresentação e quer ter um bom controle do que a outra tela exibe.

{break::Conclusão}A ASUS arriscou uma forma bastante exótica para entregar um produto híbrido. Enquanto a maioria das fabricantes preferiram o "contorcionismo" com uma tela, seja com o estilo slide, como o Sony Duo 11, seja girando a tela, como o Dell XPS 12, ou se dobrando todo mesmo, como o Lenovo Yoga, a ASUS colocou duas telas, resultando em um modelo bastante "sólido" tanto na forma tablet, quanto notebook.

Esta solução, porém, trouxe um alto custo final ao modelo, e limitações para ambas as telas: a interna não é sensível a toques, e a externa ficou mais exposta, precisando por isto do Gorilla Glass e não tendo o acabamento antirreflexo da tela interna. O grande aquecimento e a baixa autonomia também pesam muito na hora da aquisição deste modelo.


Um uso para as duas telas: equipe gravando o podcast, e lendo as notícias no Taichi


A tela dupla traz algumas capacidades extras, como espelhar a tela para ambos os lados ou mesmo utilizar ambas simultaneamente, como se fossem "dois computadores". Estes recursos são interessantes, mas com um público bastante restrito. Na maioria dos casos, você vai utilizar uma ou outra tela.

Por fim, o Taichi sofre do mesmo mal dos aparelhos híbridos com Windows 8 Pro: são tablets e notebooks apenas regulares, ao mesmo tempo. A experiência como notebook ficou parcialmente comprometida, pela falta da touchscreen e pelo touchpad ruim, enquanto o uso do tablet é "capado" por dois fatores: 1) o seu peso, o dobro de um tablet como o iPad e 2) a autonomia. Com toda a indústria correndo atrÁs da eficiência energética, o Taichi consegue apenas 3 horas e meia de bateria no modo mais econômico possível, algo muito baixo para os padrões dos Ultrabooks, e irrisório frente aos tablets.

O Taichi é um aparelho com telas de alta qualidade e bom acabamento, mas que pelo custo, aquecimento excessivo e baixa autonomia, só farÁ sentido para quem realmente vê alguma utilidade em seus dois displays

 

 

PRÓS
Telas de alta qualidade
Ótimo acabamento
Bom sistema de Áudio
Eficiente como tablet e Ultrabook
CONTRAS
Duas telas encarece o produto
Aquece bastante
Autonomia péssima
Tela interna não é sensível a toques
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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