ANÁLISE: Aliens: Colonial Marines (PS3)

ANÁLISE: Aliens: Colonial Marines (PS3)

Depois de muita especulação e atrasos, a Gearbox Software e a SEGA finalmente lançaram "Aliens: Colonial Marines" e mostram para os jogadores que esperar nem sempre vale a pena. Os grÁficos estão completamente ultrapassados, a inteligência artificial é fraquíssima e os personagens são estereótipos militares sem profundidade nenhuma. O jogo tem versões para PC, PS3, Xbox 360 e Wii U, mas não deveria ser jogado em nenhuma delas.


Acompanhe a seguir a sofrida anÁlise deste game que é um balde de Ácido para os fãs da mitologia Alien.

{break::História e jogabilidade}Achei o começo do game interessante. Apesar da surpresa com os grÁficos decepcionantes na tela (que serão comentados mais tarde), a história parecia promissora. A primeira cutscene mostra o diÁrio em video que o soldado Hicks gravou logo depois de escapar da colônia LV-246, infestada pelos aliens, conhecidos como Xenomorfos. Para quem não assistiu ou não lembra, essa cena acontece no final de Aliens, o segundo filme da franquia e é bem aqui que a história do jogo se situa, entre o segundo e o terceiro filme.

O personagem principal é o soldado Winter, que é introduzido ao jogador à bordo da USS Sephora. Essa é a nave enviada em resgate à USS Solaco, outra nave, que conduziu Hicks e Ripley à LV-246 no filme. A embarcação, como era de se esperar, estÁ infestada de Xenos e, como era de se esperar mais ainda, Winter fica preso dentro dela. Até aqui o jogo mostrou uma nítida preocupação em se aproximar de todo o universo de conhecimento mitológico que jÁ existe em torno de Alien. Isso inclusive foi uma das maiores promessas das produtoras, que o game não só fosse ligado à história consagrada por Ridley Scott e James Cameron, mas também expandisse esse universo.

Algo que foi uma grande ideia pro jogo, por exemplo, é a introdução de um "localizador" que apita quando tem aliens por perto e mostra a localização deles quando se movimentam, à semelhança do aparelho usado nos filmes com o mesmo funcionamento. Mas não são apenas criaturas do espaço que você enfrenta em Colonial Marines. Mais à frente o jogador vai descobrir o envolvimento da empresa inescrupulosa Weyland-Yutani em todo o incidente e até enfrentar mercenÁrios contratados por ela, em tiroteios dignos de... riso.

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Não demora muito e Colonial Marines deixa a história de lado para começar a lançar hordas e mais hordas de aliens para cima do jogador. Mas nada tema, a mira desajeitada e a falta de noção do impacto das balas não te deixarão em desvantagem, pois elas são compensadas pela inteligência artificial desrespeitosa dos Xenos e dos soldados inimigos. Digo desrespeitosa porque ela é uma afronta às criaturas consagradas no cinema não só pela sua voracidade, mas também pela sua esperteza. E é um insulto aos gamers, que só precisam passar por uma porta e assistir os aliens vindo, um por um, aos pulinhos, para receber um tiro de shotgun direto na cabeça (o que dÁ um troféu, inclusive). E não pense que os corpos vão se empilhar na frente da porta, porque os inimigos mortos somem em segundos. JÁ os mercenÁrios da Weyland-Yutani correm pelo cenÁrio sempre que querem buscar uma nova cobertura, mesmo que isso signifique virar as costas para o seu personagem e correr desprotegido sem olhar pra trÁs.


Além da shotgun, ótima para o trabalho de "porteiro" no jogo, você começa equipado com uma pistola, granadas e um rifle de assalto. Essa parte dos armamentos talvez seja o ponto mais alto de Colonial Marines. Conforme cumpre as missões e os desafios extras sugeridos pelo game, Winter vai sendo promovido em sua carreira militar. É o mesmo que ganhar levels. Essa evolução do personagem libera não só novas armas, mas também equipamentos extras para customizÁ-las do seu jeito. Algumas opções são bem interessantes, principalmente os novos tipos de "disparo alternativo" de cada arma, que vão de lança-granadas a "mini" lança-chamas.


A vontade de liberar um adicional específico pra sua arma preferida e a possibilidade de testar cada novo "perk" talvez sejam os principais (se não os únicos) atrativos para jogar no modo campanha, mas não é só ganhando levels que se liberam novas armas. HÁ também as "colecionÁveis", armas especiais não customizÁveis que podem ser encontradas em lugares específicos da USS Solaco. Encontrei a shotgun do Hicks, por exemplo, enquanto estava perdido pela nave (jÁ que não hÁ mapa no menu). 

O modo campanha também pode ser jogado no co-op com até 4 pessoas online, mas não hÁ lÁ grande diferença. O jogo não tem espaço para os jogadores fazerem seus personagens interagirem, os itens encontrados pelo cenÁrio são automaticamente compartilhados e, à exceção de poder ajudar colegas caídos a se levantarem, é como se fossem 4 pessoas que estão apenas no mesmo cenÁrio, cada um por si. Se você prefere jogar com outras pessoas, mais vale o multiplayer.

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{break::Multiplayer}O multiplayer traz algo muito interessante: a possibilidade de jogar com os Xenomorfos. Sim, agora é sua vez de empalar soldados distraídos com uma cauda afiada, morder com a sua famosa língua que tem boca e banhar com Ácido quem ousar te ferir. Parece legal, né? E é. O problema é que é legal até demais. O jogo acabou ficando desproporcional em favor dos aliens. HÁ três tipos de alien para escolher: os soldados, os cuspidores e os "lurkers", que não tem muito como traduzir, é como "algo que se esconde". 


Com os Xenos o jogo fica em terceira pessoa e você pode andar em qualquer superfície, enxergar através das paredes, acessar atalhos escondidos e emboscar os outros jogadores com uma velocidade impressionante. Os humanos, por sua vez, podem atirar. E só. Isso não chega a significar um massacre completamente injusto, uma vez que os aliens não aguentam muitos tiros e precisam se aproximar pra atacar. Mas se o jogador que estÁ usando um Xeno souber o que estÁ fazendo, fica simples e divertido emboscar os humanos. Só é triste quando acaba a rodada e aí vira sua vez de jogar com os marines.

As armas customizadas que você libera no modo campanha podem ser equipadas para jogar no multiplayer e este modo, assim como na campanha, te dÁ levels. Interessante é que também são liberados "equipamentos" para os aliens, que são ataques e perks diferentes para se escolher no "loadout". O loadout é a pré-definição com que seu personagem entra no multiplayer e pode ser mudado acessando seu perfil. Ali também é possível customizar a aparência dos humanos e dos aliens com pouquíssimas opções . Algumas são liberadas ao longo do game, mas não chegam a se tornar muitas.

{break::GrÁficos e Áudio}Os grÁficos de Colonial Marines seriam bons para a época em que o jogo começou a ser produzido. Ótimos não, bons. O jogo leva o selo da NVIDIA, o que é irônico, pois foi justo a GeForce que saiu na frente em nossos testes com o monstro grÁfico que é Crysis 3, então é de se imaginar que a SEGA poderia ter feito melhor.

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A impressão que dÁ é que não houve retoques finais. A nave foi bem construída, bem imaginada, mas não tem acabamento nem detalhes. Os efeitos de luz, que são tão importantes em jogos com suspense, nem se comparam aos de Dead Space, e estou falando do primeiro mesmo, que saiu em 2008. Quando se olha de relance uma tela do jogo, só se vê um mar de cinza. Às vezes com algumas melecas alienígenas.


Pessoalmente não ligo tanto para grÁficos. Mas, se a mÁ qualidade deles chega a influenciar no jogo, não tem como relevar o problema. O game tem sérios problemas com as colisões dos objetos e eles geralmente se "atravessam".  Isso é um golpe direto no suspense do jogo, uma vez que se você estiver numa passarela e houver um alien pendurado embaixo dela pra te pegar desprivinido, a cauda dele vai aparecer através do piso e vai dar pra saber exatamente onde ele estÁ. Em vez de ser surpreendido, o jogador ri. As caudas dos Xenos, aliÁs, vivem aparecendo através de diferentes objetos do cenÁrio.


O Áudio não é ruim. Mas também não é bom. O som ambiente e a música não atrapalham na imersão do jogo, mas poderiam ter sido bem mais assustadores, para realmente dar o clima de medo. Bem como só guinchos dos aliens que não impressionam e logo se tornam muito mais irritantes do que assustadores.

{break::Conclusão}Aliens: Colonial Marines é uma decepção. O game podia ter sido muito bom. O universo de Alien é muito rico e poderia resultar num ótimo título cheio de ação, mas também com uma boa dose de suspense. Talvez grÁficos melhores e uma trilha sonora de peso salvassem um pouco esse lançamento, mas a falta de capricho e comprometimento da produção é nítida para quem joga.

Apesar do lapso de tempo entre o anúncio do game (hÁ 5 anos) e seu lançamento efetivo, a impressão que dÁ é que ele ficou engavetado todo esse tempo. Agora lançam uma versão feita às pressas, não polida à qual não dedicaram tempo nenhum pra fazer. E se os produtores não dedicam seu tempo pra criar um game, nada mais justo que você também não dedique o seu para jogÁ-lo.


PRÓS
Jogar com os Xenomorfos
CONTRAS
GrÁficos terríveis
Inteligência artificial ruim
Personagens rasos e vazios
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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