ANÁLISE: Apple iPad mini

ANÁLISE: Apple iPad mini

Um iPad menor e mais barato sempre foi um rumor, mas, ao menos enquanto Steve Jobs estava vivo, muita gente não acreditava que um produto assim viraria realidade. Agora, o iPad mini mostra que a Apple pode, sim, fazer um tablet diminuto diferente da concorrência. Com uma tela de 7,9 polegadas, o tablet tem uma proporção mais quadrada, ideal para leitura e navegação.

As especificações técnicas é que são um pouco polêmicas. O processador dual-core Apple A5 e os 512MB de RAM tornam o aparelho um "concorrente" do próprio iPad 2, que a companhia ainda mantém à venda. Sem Retina Display, o tablet ainda deixa espaço para o lançamento de uma versão melhorada, o que pode deixar descontente quem comprou o primeiro modelo.

O produto ainda não está à venda no Brasil, mas a julgar pelo preço nos Estados Unidos (US$329, ou US$170 a menos que o iPad de 9.7 polegadas com Retina Display), é um ótimo custo/benefício. O iPad mini, apesar das especificações modestas, faz um bom trabalho no uso cotidiano e, inclusive, roda jogos como "Infinity Blade".

Com câmera traseira de 5 megapixels, o iPad mini ainda filma em 1080p, tem câmera frontal de 1.3 megapixel e reproduz vídeos em 720p (em FullHD ele até tenta, mas a reprodução dá travadinhas e não tem fluidez). Para completar a experiência, o tablet ainda tem o Siri, assistente pessoal com reconhecimento de voz.

{break::Vídeo-análise, especificações e comparativos}



Tela: 7.9" LED IPS 768x1024
Memória:
16/32/64GB de armazenamento, 512MB de RAM
Cartão SD:
Não
WLAN:
Wi-Fi 802.11 a/b/g/n
Bluetooth:
4.0 com A2DP
NFC:
Não
DLNA:
Não
HDMI:
Não
MHL:
Não
USB:  Não
Câmera traseira:
5MP (2592x1944 pixels), autofoco, flash LED
Vídeo câmera traseira:
[email protected]
Câmera frontal:
1.2MP
Sitema operacional:
iOS 6
CPU:
Apple A5 dual-core de 1GHz
GPU:
PowerVR SGX543MP2
Sensores:
Accelerometro, giroscópio, bússula
GPS:
Sim, A-GPS (somente na versão com 3G)
Bateria: 
Li-Po 16.3Wh
Dimensões:
200 x 134,7 x 7,2 mm
Peso:
308g

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iPad mini x Nexus 7 x Galaxy Tab 2


iPad mini
Nexus 7
Galaxy Tab 2
Processador
Apple A5 dual-core de 1GHz
Tegra 3 quad-core de 1.2GHz
TI OMAP 4430 dual-core de 1GHz
Armazenamento
16/32/64GB (interna)
16/32GB (interna)
8/16/32GB (interna) + 32GB (MicroSD)
Memória RAM
512MB
1GB
1GB
Sistema operacional
iOS6
Android 4.1 (Jelly Bean), atualizável para 4.1.2
Android 4.0.3 (Ice Cream Sandwich), atualizável para 4.1.1 (Jelly Bean)
Câmeras
Traseira 5MP / Frontal 1.2MP
Traseira 1.2MP
Traseira 3.15MP / Frontal VGA
Tela
LED IPS 7.9' (768 x 1024)
LCD IPS 7.0' (800 x 1280)
LCD PLS 7.0' (600x1024)
Dimensões
200 x 134,7 x 7,2 mm
198,5 x 120 x 10,5 mm
193,7 x 122,4 x 10,5 mm
Peso
308g
340g
345g
Bateria
Li-Po 16.3Wh
Li-Ion 4325 mAh
Li-Ion 4000 mAh
LTE



HDMI



Preço (01/03/13)
US$329
US$199 
US$229

{break::Design e tela}A primeira impressão que se tem ao segurar o iPad mini pela primeira vez é a de que o aparelhinho é realmente muito leve, bem diferente do iPad tradicional. Super fácil de segurar com uma só mão e uma proporção de tela mais “quadrada” (diferente de tablets widescreen como o Galaxy Tab de 7 polegadas), a sensação é praticamente a mesma que a de segurar um bloco de notas ou um caderno de 90 folhas. Pesando 312g, o tablet também é bastante fino, com apenas 7,2mm de espessura, bem mais fino que alguns smartphones da atualidade.

Uma diferença fundamental em relação ao iPad de 9,7 polegadas é o espaço que a tela ocupa na parte dianteira. No mini, as bordas são mais finas nas laterais, fazendo com que o espaço seja bem melhor aproveitado. É isso que torna o tablet da Apple tão diferente de outros tablets de 7 polegadas, que têm mais área na vertical. Com isso, a companhia conseguiu otimizar ao máximo a experiência em uma tela menor. Para leitura, principalmente, o formato é perfeito, já que se assemelha muito ao tamanho de um livro comum.


iPad mini ao lado do iPad 3 e do Galaxy Tab 7.0


A traseira também é diferente. No iPad, qualquer modelo, seja branco ou preto, tem essa parte em alumínio na cor cinza claro. No iPad mini, apesar de também ser em alumínio, a cor é a mesma da parte frontal. O modelo que analisamos, por exemplo, é todo preto. Para quem gosta de exibir a maçã por aí, isso significa que o logotipo fica bem menos visível. Outro detalhe é que marcas de dedos e sujeira ficam bem mais aparentes do que na versão em cinza.


Fora esses detalhes, o iPad mini tem tudo o que se espera de um portátil Apple. Na frente, apenas o botão Home e a discretíssima câmera frontal. Na lateral direita, os botões de volume e a chavinha para ativar ou desativar os sons (ou a rotação automática da tela, dependendo da configuração feita no iOS). A parte de cima tem o botão liga/desliga e o plug para fones de ouvido e, na parte inferior, está o conector Lightning para ligar o iPad ao computador ou ao cabo para recarregar.

A tela do iPad mini tem 7,9 polegadas, o que o torna um intermediário entre os tablets de 7 e 8 polegadas. O ganho, na prática, é na horizontal, o que proporciona maior área útil para ler e navegar na web, por exemplo. Ao comparar com o Galaxy Tab Plus, a altura é a mesma, mas o iPad mini tem a tela claramente mais larga.

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O display em IPS com retroiluminação LED é, como em todos os portáteis da Apple, excelente. Oferece cores vibrantes, ótimo contraste e nitidez o suficiente para exercer qualquer atividade sem desconforto. A cobertura oleofóbica é a melhor do mercado: apesar de sujar um pouco, como é natural com qualquer dispositivo multitouch, basta passar um paninho que tudo está limpo e brilhante de novo. Além disso, o display tem uma pequena aderência natural que faz com que os dedos deslizem na medida certa. A resposta do sistema é imediata e sem lags.

Infelizmente, o iPad mini veio com limitações que deixam óbvio que a Apple irá apostar em aprimoramentos bem específicos em uma segunda versão. A resolução de tela é de 768x1024 pixels, o que dá 162 pixels por polegada, bem longe dos 264ppi do iPad. Ou seja, nada de Retina Display. Tendo essa tecnologia já disponível e usada desde o iPad 3 e o iPhone 4, não há razão para ter mantido o iPad mini sem o recurso, se não uma já pensada atualização futura. Além disso, o hardware do portátil é um pouco fraco, equivalente ao do iPad 2, modelo atrasado em duas gerações. Mas isso nós iremos detalhar mais a seguir.

{break::Câmeras e multimídia}O iPad mini tem duas câmeras. A frontal, com 5 megapixels, pode parecer inferior a de smartphones top de linha, mas, na prática, faz ótimas fotos. Em boas condições de luminosidade, as imagens saem nítidas, com cores vivas e ótimo contraste. A granulação é mínima, quase imperceptível.


Em ambientes internos, mesmo bem iluminados, a câmera enfrenta alguns problemas. Eventualmente, encontrar o foco fica um pouco mais difícil e o nível de ruído cresce bastante. Mesmo assim, o resultado é satisfatório, mas longe de justificar a escolha do iPad mini como dispositivo preferido na hora de tirar fotos. A falta de flash dificulta ainda mais as coisas, especialmente em fotos noturnas, que saem borradas e com pouquíssima nitidez.


A câmera frontal é que surpreendeu. Com 1.2 megapixel, ela tira fotos com qualidade comparável à da frontal. Claro, o resultado não é o mesmo. As cores são menos vivas e há um pouco de granulação, mas a nitidez é bem maior que a de outras câmeras frontais de tablets e smartphones. Inclusive, as fotos saíram bem melhores que as do iPad de terceira geração.

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Em ambas as câmeras, porém, não há opções de configuração como no Android. Não é possível alterar detalhes como a resolução ou o balanço de branco, por exemplo, o que pode frustrar quem é mais detalhista nesses aspectos.

A câmera de vídeo filma em FullHD, mas o resultado é inferior ao de alguns smartphones top de linha, como o Galaxy S III. As cores são OK e a câmera tem uma estabilização bem interessante e funcional, mas o nível de granulação na imagem final incomoda. Em ambientes com baixa luminosidade, a filmagem torna-se praticamente impossível, ainda mais com a falta da luz do flash.


Um dos diferenciais dos iPads, e não é diferente no Mini, é o Photo Booth, um aplicativo para fazer alguns efeitos engraçados nas fotos, tanto na câmera frontal quanto na traseira. Você visualiza os resultados em tempo real, em forma de mosaico, e pode alterar o efeito na hora que quiser antes de salvar o arquivo.


A parte musical, como sempre, é muito bem cuidada pela Apple. A interface do player de músicas é bonita, simples e intuitiva. Não conta com o Cover Flow, que também sumiu no iTunes 11. Particularmente, era uma solução que eu achava bonita e prática. Mesmo assim, o visual é competente e muito funcional.

Os alto falantes fazem um bom trabalho, mas a potência sonora só é realmente bem aproveitada com o uso de fones de ouvido. Pessoalmente, nunca achei o iPad uma solução ideal para ouvir músicas – sequer tenho canções no meu. No entanto, o formato compacto e reduzido do iPad mini torna o tablet mais favorável que seus “irmãos maiores” nessa tarefa.

{break::Funcionalidades e desempenho}O iPad mini, em questão de recursos, não traz nenhuma novidade em relação aos mais novos iPads de 10 polegadas. Na verdade, vem com apenas alguns aplicativos básicos, que os conhecedores da Apple já devem saber: calendário, agenda, um app bem simples de notas, FaceTime, álbum de fotos, player musical e de vídeo.


O reprodutor de vídeo tem uma interface simples e intuitiva e roda bem vídeos com até 720p. Em FullHD, os vídeos até rodam, mas sem fluidez e com travadinhas constantes. O player musical cumpre bem o trabalho, tradição que vem desde os iPods.

Vale lembrar que, ao contrário dos Androids, o usuário precisa sincronizar seus arquivos com o iTunes. Felizmente, agora isso pode ser feito sem o uso de fios. O iCloud, backup na nuvem, torna as coisas ainda mais fáceis, já que salva periodicamente arquivos na web. Isso ajuda muito na hora de fazer um backup, caso algo errado ocorra com o dispositivo, ou para recuperar seus apps e arquivos em outro iPad.


Outra funcionalidade interessante é o Siri, que existe nos iPads desde o iPad 3. O assistente pessoal com reconhecimento de voz ainda não está disponível em português, mas ao menos reconhece localidades próximas no Brasil. Ou seja, você pode pedir para a Siri encontrar restaurantes perto da sua casa, mas terá que fazer a pergunta em inglês.

O desempenho do iPad mini satisfaz. O aparelho conseguiu 760 pontos no Geekbench, 902 pontos em processamento de ponto flutuante e 845 de desempenho de memória. Não é um resultado que coloca o pequeno tablet em posição para concorrer com modelos top de linha. Na verdade, ele ganha do Galaxy Tab 2 de 7 polegadas, que fez 673, mas perde feio para o Galaxy Note, com 1,2 mil. Tablets mais novos, como o Nexus 10, conseguem mais de 2 mil pontos.



Por mais que o iPad mini funcione a contento e rode até jogos mais complexos e belíssimos graficamente, como “Infinity Blade”, ficar com o sistema desatualizado pode ser bem ruim, pois várias funcionalidades novas deixam de ser oferecidas e até mesmo vulnerabilidades podem ficar sem correção. Além disso, o iPad mini não tem Retina Display, o que deixa claro que um próximo modelo com essa característica (e provavelmente um processador bem melhor) não está longe de aparecer.


{break::Conclusão}O iPad mini chega em um nicho que já tem alguns concorrentes estabelecidos, como o Kindle Fire, os Galaxy Tabs de 7 polegadas e o Google Nexus 7, que tem um preço super competitivo. Mesmo assim, consegue se diferenciar, criando praticamente uma nova categoria, graças à sua proporção de tela e suporte à conectividade LTE (apenas na versão com suporte para cartão SIM).

O desempenho, por enquanto, é satisfatório. No entanto, as configurações modestas deixam a impressão de que, muito em breve, o tablet deixará de funcionar com a fluidez que apresenta agora. Suas configurações são quase idênticas às do iPad 2, que já está obsoleto (embora ainda seja vendido, em uma atitude um tanto estranha por parte da Apple).

Para quem quer um aparelho super leve e portátil para leitura e navegação, o iPad mini é uma ótima escolha, que irá satisfazer o usuário por muito tempo. Os mais exigentes devem tomar cuidado. É melhor esperar o anúncio da próxima geração ou apostar nos modelos maiores, com configurações bem mais avançadas.

No geral, a avaliação do iPad mini é positiva. Uma dúvida, porém, permanece: será que a Apple vai manter o suporte por muito tempo? O primeiro iPad, de 2010, sequer recebeu o iOS 6. Para muita gente, a expectativa de atualizações de software é um fator crucial na decisão de compra, e é melhor a Apple não deixar os usuários do iPad mini na mão muito cedo.

PRÓS
Design bem acabado, fino e leve
A proporção da tela é ótima para leitura, navegação e jogos
Funciona com fluidez
CONTRAS
Os vídeos da câmera poderiam ser melhores
Configurações modestas demais
Sem Retina Display
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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