ANÁLISE: Dead Space 3 (PS3)

ANÁLISE: Dead Space 3 (PS3)

Quando Dead Space surgiu, pela EA e Visceral Games em 2008, ele preencheu uma lacuna que hÁ muito tempo tinha se instalado nos corações dos gamers: a falta de um bom survivor horror em que se pudesse passar por boas doses de medo enquanto enfrentava monstros horrendos com armas poderosas.

No lançamento do Dead Space 2 essas "boas doses de medo" jÁ sofreram um duro golpe e quando os fãs souberam que Dead Space 3 seria um jogo co-op, as reações foram de fúria e revolta. Os fãs não estavam errados. Depois de assistirmos tantas mortes na pele de Isaac Clarke, foi a vez de vermos o medo morrer no jogo.

Mas, porém, entretanto, todavia e contudo, não deixe o preconceito lhe tirar um bom jogo. Dead Space 3 vale a pena sim. E muito. Veja na anÁlise a seguir o porquê.

{break::História}Não é na história ainda que vou explicar porque Dead Space 3 é um bom jogo. Na verdade o enredo não é lÁ essas coisas. Enquanto explorar o planeta que pode ter sido a origem dos Markers vai atiçar a curiosidade dos fãs da série, tanto eles quanto os novos jogadores vão ter sua paciência posta à prova com o romance "sessão da tarde" do Isaac com a Ellie. Pra quem dormiu no ponto, a Ellie é o novo interesse romântico do viúvo Isaac. Ele a conhece no segundo título da franquia e, nesse, o casal começa separado: "nós tentamos e não deu certo", Ellie vai dizer a certa altura do jogo.

Nada contra romance dentro de jogos, aliÁs, quando bem feitos, são muitíssimo bem vindos. Mas a história do "mocinho e mocinha ainda se gostam, mocinha estÁ com um babaca, mas mesmo assim o mocinho não desiste dela porque ele é muito fofo" é, no mínimo, cliché. E desnecessÁrio dizer que esse enredo simplesmente não cabe num jogo como Dead Space.

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Vamos à parte da história que interessa. O mundo estÁ em colapso, existe uma verdadeira guerra civil entre o EarthGov e os Unitologistas e os fanÁticos religiosos estão ganhando, destruindo laboratórios de pesquisa em Markers e soltando seus poderes terríveis sobre a Terra (até por isso, neste jogo, você enfrenta humanos também).

  

Mas existe uma esperança. HÁ motivos para se acreditar que o segredo da destruição final de todos os Markers estÁ em Tau Volantis, um planeta distante colonizado hÁ muitos anos que pode ser a verdadeira origem do artefato alienígena. E ninguém melhor para essa missão do que o nosso engenheiro/matador-de-Necromorphs preferido: Isaac Clarke. E dessa vez ele não vai estar sozinho. John Carver é o soldado escalado para escoltÁ-lo até o planeta, ajudÁ-lo em sua missão e servir de player 2.


Agora sim a história melhorou. Tentar descobrir a verdadeira origem dos Markers é o que qualquer fã da série estÁ sempre disposto a fazer e a relação de Isaac com Carver é interessante de se assistir. São dois personagens que parecem completamente antagônicos, mas de certa forma têm mais em comum do que somente a missão.

{break::Jogabilidade}Gostaria de chamar essa seção também de "vamos falar do elefante na sala". Transformar Dead Space num co-op foi uma atitude, no mínimo, ousada e causou grande controvérsia. E agora, qual o veredicto? O medo se foi em Dead Space 3?

Sim, se foi. Infelizmente. No modo single player, um pouco menos, mas no co-op, sem dúvida. Um jogo de terror demanda um nível de imersão que outros jogos não precisam para funcionar. Para isso é importante estar sozinho, se sentir "indefeso". Ter alguém pra proteger suas costas jÁ deixa as coisas mais tranquilas. Isso se não tiver outro jogador controlando Carver e um headset, porque se os jogadores estiverem conversando é justo dizer que fica impossível sentir medo do jogo enquanto seu amigo te conta que acabou o papel higiênico na casa dele.

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Mesmo assim ainda existe um suspense no jogo. Aquela tensão que é muito peculiar ao Dead Space de que pode saltar um inimigo de qualquer lugar, a qualquer momento e quase te matar do coração. É uma experiência nova e interessante passar por momentos assim com outro jogador.

A dinâmica do co-op também ficou muito boa. Além da possibilidade de se trocar itens e de ajudar o colega se ele ficar ferido, você realmente sente que o outro jogador precisa da sua ajuda e vice-versa. São os dois lutando pela própria sobrevivência e se ajudando. Isso deu muito certo em Dead Space 3. E pra quem ficar muito fã mesmo do game, pode jogar de novo como John Carver (ou Isaac, caso tenha jogado com o Carver na primeira).

  

AliÁs, se a questão é jogar mais, um bom prolongador de horas de gameplay são as missões opcionais. Algumas muito boas, outras um pouco repetitivas, todas merecem ser executadas. Além de sempre fornecerem uma ótima quantidade de itens e alguns unlockables.

Outra mudança grande na jogabilidade é que agora a munição é única. Não existe um tipo diferente de clip para cada arma, todas gastam o mesmo. Isso é um grande incômodo e um ponto negativo para o jogo. Fica estranho usar uma arma que dispara raios elétricos e recarregÁ-la com a mesma munição da metralhadora. Acredito que isso feito dessa maneira por causa do novo sistema de customização das armas.

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{break::Customização de Armas}Todo o barulho que foi feito em torno da inserção de um segundo jogador no game acabou ofuscando um dos aspectos mais interessantes (talvez O mais interessante) do jogo: a customização de armas. Existe uma quantidade incrível de possibilidades para a construção das armas, ainda mais levando em conta que os outros games não tinham isso. É muito difícil ver uma franquia consolidada adicionar um feature novo jÁ tão completo e bem feito.

Você começa o jogo com a boa e velha Plasma Cutter, como não poderia deixar de ser. Mas logo no primeiro Bench vai dar pra ver como as coisas mudaram. AliÁs, na primeira vez que se acessa o Bench aparece um tutorial um pouco longo e chato explicando como as coisas funcionam agora que é importante ler. Nada mais de Power Nodes. Agora são chips de Upgrade que aumentam os status das armas e isso é secundÁrio. Importante (e legal) mesmo é mexer na estrutura das armas.

Funciona assim. Existem dois tipos de esqueleto: Heavy e Compact. O Heavy é para armas grandes, como a Shotgun e o Compact para as menores, como a própria Plasma Cutter. O que define o tipo de tiro é o Core e ele muda dependendo do esqueleto em que estÁ instalado. Por exemplo, você pode desmontar a Plasma Cutter, pegar o Plasma Core dela e colocar no esqueleto Heavy para ter uma arma com disparo único de Plasma, não cortante, muito semelhante à Shotgun. Além do Core colocado "em cima" pode ser colocado outro "em baixo", para disparar com o botão secundÁrio de tiro (R2 no PS3). Este segundo Core pode ser outro tipo de tiro (como um lança chamas que estÁ embaixo da minha Plasma Cutter nesse momento) ou pode ser um modificador do primeiro Core. É o caso do Rotator Cuff, que alterna entre orientação vertical e horizontal de alguns Cores.

HÁ ainda pontas diferentes para cada core que alteram o tipo de disparo e Attachments como Scopes, aumentadores de clips e até um Stasis Coating, que faz alguns disparos eventualmente causarem Stasis nos inimigos. Tudo isso é fabricado com o uso de recursos encontrados ao longo do jogo. Em vez de dinheiro, são peças avulsas, como sucata, para Isaac mostrar suas habilidades de engenheiro e reaproveitÁ-las. Mas não é só sucata que o jogador vai encontrar. Também aparecem novos Cores, chips de Upgrade e Blueprints. Os Blueprints são esquemas para se montar armas padrão do jogo, é só ter os recursos e mandar fazer. 

As opções são tantas que muitas vezes o jogador vai se ver usando uma arma que não é a melhor de todas, mas é muito divertida de se usar.

{break::GrÁficos e Som}Os grÁficos do jogo são ótimos. Desde o primeiro Dead Space, para mim, o ponto forte dos grÁficos nessa franquia é o efeito de iluminação. E em Dead Space 3 essa parte não deixou a desejar. Desde as cenas no espaço até a superfície coberta de neve de Tau Volantis, a iluminação surpreende.

Os detalhes nas roupas também são incríveis, mas o destaque fica, novamente para as armas. Agora, com a customização, elas estão constantemente mudando, mas a atenção aos detalhes continua total. Cada ponta, cada Core tem sua própria animação de funcionamento e só ver como a arma vai ficar esteticamente jÁ dÁ vontade de mexer nela.

 

A trilha sonora, ou melhor, a ausência dela a maior parte do tempo contribui para o realismo do jogo. Junto a ótimos efeitos sonoros e uma excelente interpretação dos dubladores, não tenho reclamações quanto ao som do jogo. É aumentar o volume e se preparar para alguns sustos.

{break::Conclusão}Dead Space 3 não merece e não deve ser ignorado. Ainda que essa mudança toda tenha sido uma decepção para os fãs de longa data (e até uma injustiça), o jogo continua bom. Só não é ótimo porque a história realmente deixa a desejar.

Acredito, porém, que o jogo seria melhor recebido se fosse um spin-off. Uma história nova, com personagens novos, voltada ao co-op talvez tivesse sido melhor recebida. Assim não seria necessÁrio sacrificar o medo na história original, talvez até retomÁ-lo com força total num Dead Space 3. Agora, com rumores inclusive de cancelamento, o futuro de Dead Space é um pouco incerto.

Até vermos o que vem pela frente, dê uma chance a este game. Talvez a tristeza de perder um grande survivor horror possa ser apaziguada pela alegria de ganhar um ótimo jogo de ação e co-op.

PRÓS
Co-op bem realizado
Sistema incrível de customização das armas
Suspense ainda presente
CONTRAS
Não é mais tão assustador
História fraca
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  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.

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