ANÁLISE: Tomb Raider (PS3)

ANÁLISE: Tomb Raider (PS3)

Ela jÁ derrotou um Tiranossauro Rex com apenas duas pistolas. Enfrentou ursos, tigres e alcateias famintas. Prendeu o mordomo na geladeira, explorou cavernas geladas só de shortinho e percorreu a Muralha da China a pé. Não foi à toa. Isso tudo é fichinha perto do que a nossa heroína Lara Croft teve que passar em sua primeira grande aventura, que é o pano de fundo do novo "Tomb Raider".


O jogo mostra uma Lara inexperiente, muito mais humana e vulnerÁvel, mas não menos habilidosa e incrível. Os perigos e as situações completamente inesperadas funcionam praticamente como uma "escola" de formação para a protagonista praticamente invencível que conhecemos desde 1996. 

"Tomb Raider" tem uma história convincente, enredo intrigante, grÁficos maravilhosos, jogabilidade realista e uma trilha sonora espetacular. Encontrar um ponto negativo nesse game vai ser uma tarefa ainda mais Árdua do que todos os percalços que a heroína precisou enfrentar. 

{break::Enredo e roteiro surpreendentes}Lara Croft sai com seus colegas em uma expedição arqueológica a bordo do barco Endurance. Tudo vai bem, os ânimos estão em polvorosa e a nossa heroína estÁ disposta a aprender muito e continuar o legado da família Croft. Até que os viajantes vão parar no Mar do Diabo, ou Triângulo do Dragão, ao sul do Japão.

Como o nome sugere, o resultado disso não é nada bom. O lugar é inóspito, o barco sofre um acidente devido a uma forte tempestade (algo bastante comum no local), e Lara acaba sozinha, pendurada de cabeça para baixo, raptada por uma gente bem esquisita, em uma caverna mais do que macabra.

A partir desse momento, é quase impossível não "entrar" na personagem e sentir as mesmas emoções e até ter os mesmos pensamentos. Lara de vez em quando "fala sozinha", exprimindo seus pensamentos e emoções, e não hÁ como não ter empatia por ela.

Ao conseguir de soltar, não hÁ como voltar atrÁs. O game segue frenético do início ao fim, com muitas reviravoltas, surpresas e sustos, intercalados por momentos de calmaria que, ao invés de deixarem o jogador respirar, provocam uma desconfiança e apreensão tão grandes, que a sensação é a de que você nunca estarÁ a salvo.

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Lara vê-se prestes a ser resgatada algumas vezes ao longo da trama, mas as tentativas sempre são frustradas por terríveis tempestades. Mas elas têm razão de existir: uma espécie de maldição, que precisa ser quebrada. Por isso, não apenas a tripulação do Endurance como todo um pessoal que estÁ preso na ilha briga para conseguir resolver a pendenga. Não vamos contar para não estragar a surpresa, mas podemos adiantar que os combates entre Lara e os habitantes do local são difíceis, cheios de emboscadas e, às vezes, parecem interminÁveis. Mas não se preocupe: a moça dÁ conta de acabar com todo mundo até mesmo com um simples arco-e-flecha.

{break::Dezenas de habilidades}Jogar o novo Tomb Raider é uma experiência divertidíssima e muito agradÁvel. Os controles respondem muito bem e são super fÁceis de aprender sem que o game precise lançar mão de tutoriais demorados e tediosos. A produção do jogo acertou muito bem: desde o primeiro minuto, a ação é envolvente e rÁpida. 

Lara é inexperiente, mas não menos habilidosa. Ela corre, salta de distâncias incríveis e agarra-se a bordas para alcançar locais mais altos. Um único botão faz Lara rolar para escapar de tiros e golpes corpo-a-corpo e, na medida em que você consegue novas habilidades, essa esquiva ainda serve de ponto de partida para um golpe fatal que sequer exige o uso de armas.


Essas habilidades são uma novidade muito bem-vinda na franquia. Na medida em que você explora as Áreas da ilha, coleta relíquias e documentos, caça animais e mata inimigos de maneiras diferentes, você consegue pontos até subir de nível. Quando isso acontece, você pode escolher uma nova habilidade para dominar. Existem dezenas delas, divididas em categorias diferentes, como combate, sobrevivência e caça. Isso ajuda cada jogador a personalizar a experiência à sua maneira. 

Quem prefere ser mais discreto, dominar o arco-e-flecha e realizar assassinatos silenciosos, pode preferir dominar habilidades de sobrevivência e caça. Quem gosta da ação ininterrupta e de tiroteios, bem como nocautear inimigos cara-a-cara, tem à disposição uma série de melhorias de combate.Os mais dedicados podem simplesmente evoluir tudo ao mÁximo.

O mais legal é que isso realmente faz diferença no jogo. Existe uma habilidade, por exemplo, que permite a você dar um golpe mortal em inimigos de armadura logo após uma esquiva. Isso torna-se muito útil mais à frente no game, porque nem sempre é fÁcil detonar inimigos que usam capacetes.

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Se você for do tipo explorador, outra habilidade útil é a que mostra a localização de todas as tumbas opcionais no mapa. Essas tumbas guardam ótimos itens que ajudam a melhorar as armas, dão experiência, e são extremamente divertidas para os fãs tradicionais da série, que podem dar um tempo nos tiroteios e ficar resolvendo puzzles à moda antiga.

{break::Um arsenal variado}Além de melhorar as capacidades da própria Lara, você também pode aprimorar seu arsenal de armas. Para isso, é preciso colher fragmentos espalhados pelos baús e peças de armas pilhadas dos inimigos mortos. Aí, você pode incluir capacidade para um maior número de balas, aumentar alcance e precisão dos disparos, instalar um silenciador, entre muitas outras possibilidades. Lara usa, além das tradicionais pistolas, um rifle, uma escopeta e o arco-e-flecha. Este, muitas vezes, consegue ser mais eficiente do que qualquer arma de fogo.

Isso porque, eventualmente, é bem melhor esconder-se e assassinar silenciosamente seus inimigos enquanto eles ainda não o viram. Em algumas ocasiões, você verÁ um único inimigo ou, no mÁximo, três. Pode parecer fÁcil e tranquilo eliminÁ-los com as armas, mas com o barulho eles acabam pedindo ajuda, o que farÁ com que você precise enfrentar, de uma vez só, dezenas de caras. Deixar Lara escondida para acabar com eles usando flechas é mais divertido e menos arriscado.

As armas não servem só para matar inimigos, mas ajudam também em alguns quebra-cabeças e também abrem passagens para Áreas com itens escondidos. O arco-e-flecha, com certeza, serÁ MUITO usado. Com o tempo, você conseguirÁ até lançar cordas com ele para criar tirolesas.

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Outra possibilidade é a de atirar flechas com fogo. Assim, você deixa seus inimigos agonizando até a morte. Ou atira em tonéis inflamÁveis para causar um tremendo estrago para acabar com vÁrios soldados de uma só vez.

Lara também sabe dar porrada e, nessas horas, o machado é seu grande aliado. Não raro, você serÁ surpreendido por um inimigo bem próximo enquanto você se preocupa em atirar nos alvos distantes. Nessas horas, o melhor a fazer é atacar na base do braço mesmo, até acabar com ele. Isso dÁ alguns pontos de experiência e até garante alguns troféus.

{break::GrÁficos incríveis, mas repetitivos}Tomb Raider, desde o primeiro episódio lÁ de 1996, sempre chamou a atenção pelo realismo (na medida do possível, de acordo com as restrições da época). Esse novo game não é diferente. A começar pela própria protagonista. Lara estÁ com feições muito mais reais, um corpo que não desrespeita loucamente a anatomia ("peitos piramidais", quem lembra?) e roupas não apelativas e totalmente de acordo com as situações que ela precisa enfrentar. Sim, dona Lara estÁ de calças compridas e coturnos. E não esperem ver peitinhos graças aos rasgos das vestimentas.

Apesar dos rostos bem modelados e realistas, em todos os personagens, as expressões faciais deixam um pouco a desejar. Às vezes, o tom de voz de Lara – em uma dublagem extremamente competente – não combina com a linguagem corporal da personagem. A voz parece muito mais alterada e brava, ou nervosa, do que a expressão e o olhar.

Os cenÁrios são deslumbrantes e vão fazer os fãs tradicionais se lembrarem dos primeiros jogos, nos quais Lara percorria ambientes abertos e selvagens. A selva esconde vÁrios perigos, mas também itens preciosos em meio às folhagens, bem como animais que você pode caçar para ganhar experiência e troféus. 

Variações climÁticas ajudam a injetar tensão no game. As tempestades constantes na ilha são apavorantes e destroem tudo, fazendo com que Lara saia quicando e rolando por rampas e morros. Tudo isso causa danos físicos à heroína, e você pode ver a progressão dos arranhões e das cicatrizes. 

Como você passa o tempo inteiro preso à ilha, os cenÁrios infelizmente não variam muito como em outros jogos da série. O primeiro Tomb Raider, por exemplo, coloca Lara Croft em cavernas repletas de neve até templos com fogo. No novo episódio, você sempre estarÁ na floresta, o que pode enjoar um pouco. A não ser por alguns ambientes internos diferentes, mas geralmente você passa pouco tempo dentro deles.

Eventualmente, a carnificina pode destoar muito do tom tradicional da série, no qual Lara precisa lidar mais com adversidades naturais e alguns poucos animais selvagens do que com hordas de inimigos armados. Em algumas finalizações corpo-a-corpo, Lara chega a dar uma rajada de tiros com o rifle à queima-roupa, o que espirra sangue para todos os lados. Em outras ocasiões, a moça usa o machado para degolar seus algozes. Isso dÁ uma nova cara à série, mas às vezes fica a impressão de que esse tipo de coisa foi incluída apenas para atender a uma nova demanda de jogadores.

{break::Sexto sentido e caça}Uma novidade muito bem-vinda neste Tomb Raider é a caça. Lara pode usar seu arco-e-flecha (ou qualquer uma de suas armas de fogo, caso o jogador seja um pouco mais cruel) para caçar animais e usÁ-los como alimento. No início do jogo, dÁ a impressão de que isso serÁ um ponto fundamental na sobrevivência da personagem, algo que, infelizmente, prova-se contrÁrio ao longo da aventura.

Você pode caçar cervos, javalis e galinhas, por exemplo. Mas, se não quiser acabar com a fauna local, também pode simplesmente ignorar esses animais. Seria muito legal se eles fossem necessÁrios para a sobrevivência de Lara, o que daria um desafio bem maior ao jogo. 


Pelo menos, a caça não é completamente inútil: ela dÁ pontos de experiência que podem ser usados para destravar novas habilidades. Além disso, se você tiver determinada habilidade, os animais mortos podem deixar alguns fragmentos para a melhoria das suas armas. Assim, a caça é totalmente opcional, mas não exatamente desnecessÁria.

Esse elemento ainda aumenta a longevidade do jogo, para os fãs mais dedicados. Caçar certos animais é um desafio à parte, porque eles têm uma certa inteligência, que dificulta um bocado as coisas. Os javalis, por exemplo, parecem calmos à primeira vista, mas na primeira flechada que você errar, eles se mostram muito arredios e Ágeis e acertar novas flechas pode ser uma tarefa bem difícil.


O mesmo vale para alguns pÁssaros. Pode ser sadicamente divertido abatê-los no meio do voo e, mesmo que não seja pré-requisito para a conclusão do game, a jogabilidade é tão divertida que dificilmente você não vai querer tentar fazer isso.

O que desanima um pouco às vezes é que o game dÁ uma facilitada para o jogador. Lara tem uma espécie de sexto sentido que mostra a você, como pontos brilhantes no cenÁrio, onde estÁ o local em que ela precisa ir e os alvos humanos. Claro que chegar lÁ nem sempre é uma tarefa fÁcil, jÁ que muitos caminhos não são óbvios. Mas se você quiser deixar o jogo mais desafiador, é interessante tentar não usar o recurso. A não ser após o término do jogo, quando você pode retornar à ilha para buscar todos os tesouros e documentos que você deixou para trÁs.

{break::Matança em rede}O reboot de Tomb Raider trouxe algo então inédito na série: o multiplayer. Essa modalidade de jogo, a princípio, não parece combinar muito com o estilo do jogo, ainda mais dentro desse contexto de solidão e sobrevivência, mas acaba se mostrando uma ótima maneira de dar uma maior longevidade ao título.

Existem quatro modalidades: duas delas são a tradicional mata-mata, mas uma é em equipes e a outra é individual. O objetivo é claro: matar todos os outros jogadores e morrer o menos possível. O interessante nesse modo é que, caso alguém mate muitas pessoas sem morrer, acaba tornando-se o "carrasco" da partida. É legal tentar persegui-lo para tirar o título, mas isso pode ser bem perigoso.

Em outro modo de jogo, uma equipe joga como os sobreviventes (Lara e seus colegas) e outra com os Solarii, os inimigos que atrapalham a heroína durante a aventura principal. Os mocinhos precisam recolher cinco kits de sobrevivência espalhados pelo mapa enquanto a outra facção precisa executar 20 mortes. Quem atingir o objetivo primeiro vence. Neste caso, jogar com os Solarii é bem mais divertido e, inclusive, parece existir um certo desequilíbrio, jÁ que é relativamente fÁcil morrer na pele dos sobreviventes. 

Por fim, o último modo também divide as equipes entre Solarii e sobreviventes, mas o objetivo é colocar baterias em torres de transmissão para pedir ajuda, enquanto o pessoal da facção inimiga tenta roubar essas baterias. 

Todos os modos permitem que o jogador escolha se quer jogar com a trupe de Lara ou com os inimigos. A jogabilidade não muda muita coisa. Por sinal, embora o multiplayer seja divertido, nenhum dos modos de jogo é grande novidade.

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O ponto positivo é que você pode cumprir alguns objetivos assim como na campanha single player para melhorar seus atributos. Nos mapas hÁ, por exemplo, vÁrias caixas com fragmentos, que você pode recolher se quiser melhorar suas armas e dar uma surra nos seus oponentes. Durante a jogatina, você também recebe algumas "medalhas" por ações que realiza. Você é "premiado", inclusive, se for surpreendido e morto muitas vezes, por exemplo.

O multiplayer é uma adição desnecessÁria ao jogo, mas parece ser algo feito para atender ao padrão atual da indústria. Felizmente, o resultado, de modo geral, é positivo. A jogatina é divertida, hÁ vÁrios personagens para desbloquear na medida em que você joga mais e mais vezes, e ainda é necessÁrio para quem quiser platinar o jogo.

{break::Conclusão}O reboot de "Tomb Raider" é, sem dúvidas, um dos melhores jogos de 2013. E para os fãs é um jogo que demonstra que, finalmente, as produtoras acertaram a mão e realmente se dedicaram ao game, após alguns episódios bem fraquinhos.

Tomb Raider consegue manter a personalidade ao mesmo tempo em que introduz elementos novos, que com certeza vão ajudar a franquia a conquistar novos fãs. Quem gosta de tiroteios alucinantes terÁ boas doses neste game, assim como quem prefere uma jogabilidade mais voltada para o stealth. O jogo equilibra muito bem esses dois elementos sem jamais ficar entediante.


As tumbas opcionais surgem como um presente para os fãs antigos, jÁ que o jogo em si não carrega puzzles complexos. Mesmo assim, esses locais são pequenos e com poucos desafios. O mesmo ocorre com a caça: trata-se de uma novidade muito promissora, mas que ainda não foi aproveitada em todo o seu potencial. Quem sabe, apareçam outros títulos da série que consigam aprimorar esses elementos. 

O jogo é curto e os maiores desafios são os tiroteios, que causam algumas mortes em sequência da protagonista. Fora isso, os poucos enigmas são de fÁcil resolução e o ambiente natural da selva, apesar de perigoso, não serÁ um problema para quem estÁ acostumado a controlar a arqueóloga. Referências à série, como quando Lara entoa um "odeio tumbas" ou empunha ao mesmo tempo as duas pistolas divertem e emocionam quem cresceu junto da série.




PRÓS
Jogabilidade excelente
Equilíbrio perfeito entre tensão e ação
Tumbas opcionais com puzzles
Muitos extras para pegar na ilha
Novo sistema de habilidades e aprimoramento de armas
História e enredo envolventes
CONTRAS
Violência excessiva tira um pouco da identidade do game
Desafio baixíssimo nos poucos puzzles que existem
Novidades que precisam ser aprimoradas, como a caça
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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