ANÁLISE: God of War: Ascension (PS3)

ANÁLISE: God of War: Ascension (PS3)

Após quase três anos de abstinência desde a sua última jornada em "God of War III", Kratos retorna agora num prequel ao episódio original da franquia de ação. Quem lembra sabe que "God of War: Ascension" havia me gerado grandes preocupações no passado: dediquei uma coluna opinativa indicando cinco motivos pelas quais o jogo poderia não ser tão bom quanto os anteriores em termos de qualidade. Mas o talentoso estúdio Santa Monica mais uma vez mostrou que, além de eu estar parcialmente equivocado (e consequentemente parcialmente correto), é possível desenvolver um jogo brutal, lotado de ação e extremamente divertido, ainda que bem menos épico, focado numa temÁtica menos sanguinÁria do protagonista, antes dele ter se tornado o temido Deus da Guerra.


Acompanhe a anÁlise do game nas próximas pÁginas. 

{break::Enredo e jogabilidade}"God of War: Ascension" é um prequel, ou seja, um episódio que antecede todos os outros games jÁ lançados na série de ação. Kratos nem mesmo era o temível Deus da Guerra na época, mas um mero chefe do exército espartano que havia acabado de trocar sua liberdade em troca da vitória em uma batalha praticamente perdida. Agora, com alguns pesadelos rondando sua mente devido ao assassinato da sua esposa filha (que ele mesmo cometeu), o protagonista deve buscar respostas com a OrÁculo e derrotar as Fúria, um trio de irmãs poderosas cujo trabalho é fazer cumprir as vontades dos deuses do Olimpo sobre a Terra. 

  

  

Primeiro de tudo, o enredo do game é o menos elaborado em toda a franquia e definitivamente não justifica o lançamento de um episódio totalmente inédito. Apesar de possuir detalhes contados durante as cenas (que se revezam entre CG e real-time belíssimos), são bem pouco trabalhados, rasos e, nos raros momentos que chegam a empolgar, Kratos estÁ calmo até demais e suas motivações não transparecem a grandeza dos seus objetivos, que desta vez não são tão complexos ou desafiantes quanto aos dos jogos anteriores e acabam comprometendo parte da emoção da temÁtica e a conexão do jogador com o que é visto na tela.     

Quanto à jogabilidade, os fãs da série não precisam se preocupar: continua tão precisa, Ágil e brutal quanto antes. Existem novas combinações de golpes, com ataques elementais e armas temporÁrias que trazem alternativas coerentes à mecânica dos combates. Evoluir sua arma principal (Blades of Chaos) significa adquirir novas habilidades para cada um dos possíveis botões de ataque. Se você for daqueles que só usa a tradicional base do quadrado, quadrado e triângulo, fique tranquilo que você poderÁ fechar o jogo desta forma. Mas perderÁ toda a graça em aprender como e quando se deve utilizar os diferentes tipos de investidas, dependendo dos contexto momentâneo das batalhas.

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Essa vontade e dedicação constante do estúdio Santa Monica em querer trazer algum tipo de inovação à jogabilidade da série é bastante elogiÁvel. Mas isso não quer dizer, entretanto, que realmente faça alguma diferença durante o jogo. Os ataques elementais, por exemplo, interferem pouco no resultado das batalhas: se você se deparar com um adversÁrio do elemento gelo, ainda poderÁ derrotÁ-lo utilizando ataques físicos e mÁgicos deste mesmo elemento. O mesmo acontece com fogo, sombra e raios. JÁ as armas temporÁrias, por sua vez, servem apenas como alternativa de ataques de média e longa distância, pois não tendem a arrancar mais energia frente a hordas de inimigos.

Um dos pontos mais altos na franquia sempre foram as marcantes lutas contra os chefes (e sub-chefes). Infelizmente, "GoW: Ascension" também derrapa nesta parte tão essencial, responsÁvel por fazer o nome da série ser reconhecido mundialmente. Com exceção do primeiro grande confronto de abertura e do chefe final, não existe mais nenhum outro momento no game que se equipare à grandiosidade das épicas batalhas vistas nos jogos anteriores, principalmente se levarmos em conta a brutalidade marcante e insuperÁvel do terceiro episódio. Faltam ângulos de câmera mais dramÁticos, melhor contextualização dos ataques primordiais e variedade nas ações de Kratos para fazer desses encontros se tornarem inesquecíveis.     

  

  

Fora isso, os quebra-cabeças (puzzles) estão bem balanceados. Embora sejam moderadamente criativos, possuem dificuldade na medida certa, não se tornando radicalmente difíceis ou demasiadamente fäceis demais. É preciso, inclusive, usar alguns poderes especias obtidos durante alguns os eventos para solucionÁlos, de maneira que é possível criar um clone temporÁrio de Kratos ou acionar um artefato que constrói ou destrói estruturas para interligar cenÁrios, ambientes e objetos. Só assim o protagonista pode seguir à próxima Área e dar continuidade aos seus objetivos.

{break::GrÁficos e Áudio}Visualmente, "God of War: Ascension" é tecnicamente impecÁvel em todos os aspectos. Como de costume, o estúdio Santa Monica mais uma vez demonstra competência em explorar o hardware do Playstation 3 e entrega um dos títulos mais bonitos do console. O jogo definitivamente rivaliza com superproduções como "Uncharted 3: Drake's Deception", "Killzone 3" e "God of War III" pelo trono de melhores grÁficos na plataforma.

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O cuidado na produção e o capricho no polimento do jogo é percebido logo nos primeiros segundos da jornada, onde é possível presenciar a altíssima definição e nível de detalhamento das texturas de pele e superfície empregadas no corpo de Kratos. Além disso, os cenÁrios, lotados de detalhes, todos compostos com iluminação soberba em todos os tipos de materiais, com simulação de peso, volume de partículas e colisão dinâmica bastante críveis, são extremamente colossais. Fora que o design dos personagens secundÁrios, dos inimigos comuns e dos chefes continua tão ou mais convincente quanto antes.

  

  


JÁ a trilha sonora rege com maestria todos os momentos da jornada. A excelente composição das melodias combina as investidas mais agressivas do jogo com passagens mais brandas entre a resolução de enigmas e as transições de cenÁrios. Algo muito característico e marcante em todos os jogos da franquia. Os efeitos sonoros, por sua vez, complementam a dinâmica das ações com barulhos e tinidos que moldam as emoções sentidas em cada uma das cenas e batalhas. Destaque também para a ótima dublagem do jogo em português brasileiro que, na maioria das vezes, agrada em cheio e não comete deslizes para críticas maiores.

{break::Multiplayer online}"God of War: Ascension" apresenta, pela primeira vez na franquia, um multiplayer online. No começo, pelo fatos dos menus não serem muito intuitivo num primeiro momento, é preciso se acostumar com a dinâmica de um jogo de ação que acaba de receber implementações em rede. Antes da ação rolar, pode-se escolher quatro modalidades: Team Favor of the Gods (dominação de uma Área em equipe), Deathmatch (mata-mata simples), Capture The Flag (conquiste uma Área e retenha sua bandeira) e o Trial of the Gods (cooperativo). Sabendo que cada um deles possui suas próprias variações, selecione o seu preferido e mande ver na pancadaria. 

  

 

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No geral, todos os modos são desafiantes e divertidos, mas trazem ressalvas. Os combates competitivos, por exemplo, podem se tornar bastante impiedosos e irritantes caso outros jogadores se juntem ao seu redor e partam para a agressividade coordenada concentrada somente em você, configurando uma situação um tanto desequilibrada que anula qualquer chance de seguir vivo nas disputas. Às vezes, é até mesmo questão de sorte - e não de estratégia - para não ser aniquilado em poucos segundos. No cooperativo, é só chamar algum amigo e agir conjuntamente para derrotar hordas de inimigos que não param de aparecer.  

Em todos os modos, você adquire experiência, sobe de nível e pode destravar habilidades adicionais ao seu personagem. Estes extras conferem equipamentos melhores, acessórios que garantem bônus de energia, força física, potência mÁgica e resistência, entre outros atributos. Assim, parece ter acesso a recursos mais rebuscados e tentar sobreviver, serÁ preciso dedicar algumas horas de jogo para customizar o seu guerreiro de acordo com as suas preferências e, então, começar a acumular mortes alheias. 

{break::Conclusão}"God of War: Ascension" é definitivamente um episódio obrigatório para fãs da franquia. O jogo combina grÁficos estupendos com jogabilidade precisa sem se perder nos elementos de ação brutal, aventura colossal e de plataforma 3D. Contudo, o game carece de momentos épicos e de algum tipo de inovação mais substancial na mecânica, que infelizmente acabam tornando-o bem menos impactante do que realmente se espera uma aventura totalmente inédita de Kratos. Não me entenda errado: o jogo é bastante divertido e tecnicamente exemplar, mas não chega a ser tão marcante, profundo e inesquecível quanto os episódios anteriores.

  

  

PRÓS
Um dos melhores grÁficos no PS3
Jogabilidade bastante fluida, com novos golpes, magias elementais e armas
Composições musicais épicas e plÁstica sonora bem trabalhadas
Puzzles bem balanceados
Multiplayer é desafiante e diverte
CONTRAS
História serve apenas como pano de fundo e não justifica um novo jogo
Batalhas fÁceis de vencer, inclusive nos chefes, que também não são marcantes
Bem menos épico que os outros episódios (bem menos impactante)
Não traz nada de realmente novo à franquia
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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