ANÁLISE: Buffalo LinkStation Live

ANÁLISE: Buffalo LinkStation Live

A  Buffalo é uma empresa japonesa especializada em soluções para rede e dispositivos de armazenamento.  Seu produto analisado nesta review, o LinkStation Live (mode com HD de 2TB), é um drive NAS voltado a redes domésticas com uma série de recursos como o compartilhamento de multimídias dentro da rede local, um cliente torrent embarcado e também funciona como "armazenamento na nuvem" para dispositivos Android e iOS.


Além da capacidade de centralizar os arquivos de uma rede, o NAS traz características indispensÁveis para esta categoria de produto, como funcionamento silencioso e baixo consumo energético. Vamos conferir a fundo o desempenho do LinkStation nas próximas pÁginas da anÁlise.

Especificações Técnicas
Número de discos 1
Interface SATA 3
Capacidade de armazenamento: 1 TB, 2 TB e 3 TB 
Suporte aos padrões de interface LAN: IEEE802.3ab/IEEE802.3/IEEE802.3u Standard Protocol Support Networking TCP/IP File Sharing CIFS/SMB, AFP, HTTP/HTTPS, FTP Management HTTP/HTTPS Time Synchronization NTP
Tamanho (W x H x D) 1.78 x 6.89 x 6.15 in
Peso 1.13kg
Consumo de energia médio: 17 W
Alimentação: AC 100-240V 50/60 Hz
Sistemas operacionais suportados: Windows 8 (32-bit/64-bit), Windows 7 (32-bit/64-bit), Windows Vista (32-bit/64-bit), Windows XP, Windows 2000, Windows Server 2008 R2, Windows Server 2003, Mac OS X 10.4 - 10.7 

{break::O que é um NAS?}A sigla que dÁ nome ao produto jÁ exemplifica bem a sua função. NAS(Network Attached Storage) ou Armazenamento conectado à rede, em tradução livre, é um servidor dedicado ao armazenamento de arquivos dentro de uma rede. O aparelho possui, logicamente, entrada para cabo de internet e os arquivos podem ser acessados de qualquer lugar com o endereço IP associado ao NAS. Embora tenha CPU, placa-mãe, memória, e seja possível executar softwares no produto, ele não foi desenvolvido para tarefas computacionais. Inclusive vem, geralmente, sem teclado ou monitor.

O dispositivo consiste em comportar discos rígidos que serão os responsÁveis por armazenar todos os dados. O número de repartições para HDs depende do modelo. Nos que possuem portas USB é possível ainda a conexão de outros dispositivos de armazenamento, como pen drives e HDs portÁteis. O NAS possui suporte à tecnologia RAID (Redundant Arrays of Independent Disks), que centraliza a responsabilidade de disponibilizar os arquivos em uma rede, liberando recursos de outros servidores da mesma rede, que são responsÁveis por outras tarefas. A tecnologia também permite a fragmentação dos arquivos e o envio de cada "pedaço" para um HD diferente disponível no NAS. Assim, quando o arquivo for acessado, todos os discos irão trabalhar simultaneamente para executar a ação, proporcionando maior rapidez no processo.

Enquanto o SAN (Storage Area Network), normalmente usado em grandes redes de computadores, só armazena os dados e deixa ao cliente a tarefa de lidar com o sistema de arquivos, o NAS oferece tanto o armazenamento quanto o próprio sistema de arquivos. A principal diferença entre o NAS e o SAN é que o primeiro fornece protocolos de arquivo, enquanto o outro fornece protocolos de camada.


Com o NAS conectado, todos os demais clientes da rede podem acessÁ-lo

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O Network Attached Storage utiliza os protocolos NFS, populares em sistemas UNIX, ou CIFS/SMB (Common Internet File System/Server Message Block) em ambientes Windows, assim como o tradicional FTP. Os dispositivos NAS de uso doméstico são baseados em processadores baratos rodando uma versão embarcada do Linux. Algumas alternativas open source permitem implementações caseiras de NAS, como o FreeNAS, o Openfiler e o NASLite.

Os NAS tiveram o preço reduzido nos últimos anos com a popularização de redes domésticas, retirando os aparelhos do gênero do mundo corporativo e trazendo para o uso pessoal.

Alguns pontos negativos também cercam o aparelho. O suporte a vÁrios protocolos e à reduzida camada do CPU e sistema operacional fazem com o que o dispositivo possua mais limitações do que um sistema DAS/FC. Se um NAS estiver carregado com muitos usuÁrios e operações de E/S, ou executando uma tarefa que exija muito do processador, ele alcança suas limitações. Enquanto um sistema de servidores comuns é facilmente melhorado com um ou mais servidores no cluster (aglomerado de computadores que funcionam como um só, com um mesmo sistema), o NAS é limitado ao seu próprio hardware.

{break::Design e fotos}O LinkStation possui um design bastante interessante, com linhas bem discretas mas que não deixam de ser atrativas. Na cor preta, ele tem como único detalhe uma linha azul em uma das laterais, que serve como luz de status indicando a leitura e escrita HDD.

O aparelho pode ser usado na horizontal, dependendo apenas de um "pézinho" discreto que é encaixado na parte inferior. Além deste detalhe, os únicos elementos que evitam que o NAS seja uma peça inteiriça preta são as grelhas nas laterais para ventilação e as conexões na parte de trÁs, sendo uma de LAN, uma de energia e dois furos, uma para trava Kensington e outro para o botão para restaurar para o padrão de fÁbrica, acessível através de um objeto fino como um clipe.

Apesar de não estar entre os principais atributos necessÁrios a um drive NAS, é interessante a leveza do LinkStation. Com apenas 1.1 kg, e um design compacto, ele se destaca entre os modelos analisados até o momento, todos maiores e mais pesados. Um produto deste tipo não costuma ser movido com frequência, o que torna esta qualidade algo dispensÁvel, mas também não deixa de destacÁ-lo no comparativo com os concorrentes.

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{break::Instalação e configuração}A instalação do LinkStation, como em todos os drives deste tipo, é bastante simples, sendo necessÁrio apenas conectar o cabo de energia e um cabo de rede para colocÁ-lo em operação. 

Ao colocar o CD de instalação surge a opção de instalar o software Buffalo NAS Navigator, aplicação que localiza e mostra o status dos drives NAS da empresa na rede local. Clicando com o botão direito e selecionando "Abra configuração Web" caímos na interface de configuração do aparelho que, como é padrão na indústria de dispositivos de rede, é feito pelo navegador.

Após digitar o usuÁrio e senha ("admin" e "password", por padrão) temos acesso às funções administrativas do aparelho. A tela de configuração, que não estÁ disponível em português brasileiro, é funcional. Ela  não chega a ser "um primor do design de interfaces", e é preciso vasculhar os dois níveis do menu para encontrar algumas opções desejadas. 


Seria interessante algumas outras funções na interface de configuração, como por exemplo exibir os dispositivos conectados ao sistema, ou dados como trÁfego de dados e outros dados gerais sobre o funcionamento do aparelho, para tornar mais fÁcil o controle sobre o funcionamento do NAS. Apesar de não ir muito além do bÁsico, a configuração do sistema não chega a decepcionar, cumprindo os aspectos essenciais e mais alguns extras, como podemos ver na próxima pÁgina da anÁlise.

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{break::Funcionalidades}Um aspecto muito importante em um drive NAS são as possibilidades de gerar diversos níveis de hierarquias e grupos para os usuÁrios, para um controle das permissões dentro de cada pasta. O LinkStation cumpre bem sua função neste gerenciamento dos acessos dos arquivos, garantindo que o administrador tenha um bom controle do que acontece com os arquivos.

Saindo do bÁsico, o LinkStation tem um recurso muito interessante para este tipo de dispositivo: um cliente torrent. Com o BitTorrent embarcado, o aparelho é capaz de baixar arquivos de forma autônoma, dispensando o uso de um computador para manter o download e upload dos arquivos. O aplicativo é acesso através da interface web, sendo preciso ativÁ-lo na aba "Extensions >> BitTorrent" e abrindo, por lÁ, o aplicativo. Assim como as configurações do NAS, o app para gerenciar torrents também é administrado pelo navegador. 

A interface do BitTorrent é bem próxima a que estamos acostumados nos programas clientes convencionais para computador. Após adicionar o arquivo torrent (ou o magnet link) o próprio programa se encarrega de finalizar o download, colocando na pasta definida pelo usuÁrio. Após adicionado, o download do torrent continua operando no NAS, mesmo que você desligue o computador que utilizou para adicionar o arquivo.

Outra funcionalidade do LinkStation é operar como um servidor DNLA, compartilhando em toda a rede conteúdos multimídia. Através do menu "Extensions >> MediaServer" é possível acionar o recurso, tornando acessível a todos na rede os multimídias desta pasta. A vantagem do DNLA é que ele é multiplataforma, com bons aplicativos para acesso aos dados em praticamente todas as plataformas disponíveis (Androi, iOS, Windows, etc). Em nossos testes, mesmo um vídeo em FullHD rodou sem maiores problemas, através do DNLA (ambos os aparelhos conectados via cabo).

{break::Cópia de arquivos, consumo de energia e ruído}Nossa bateria de testes com o drive NAS incluem os três principais aspectos de performance do aparelho: a agilidade do produto em lidar com transferências de arquivos, o consumo de energia e o ruído. Além da função óbvia de ser um dispositivo de armazenamento, um drive NAS deve ser bastante discreto e, dentro do possível, consumir pouca energia.

Nestes testes utilizamos o computador e o LinkStation Live conectados através do Intelbras SG 2400 QR, Switch rack de 24 portas com suporte a conexão Gigabit. 

Cópia de arquivos
Começamos os testes verificando a velocidade de transferência do LinkStation Live. Os primeiros testes movem 4.5GB no total, enquanto no segundo teste trabalhamos com um conjunto maior de arquivos, com 16GB no total, para ver o desempenho lidando com um número mais expressivo de pastas (pouco mais de 800) e arquivos (35 mil) a serem copiados.

No primeiro teste, transferindo 4GB de dados, vemos que o modelo da Buffalo não se destaca, ficando distante do DS213 e do WD My Live Book,  levando em torno do triplo do tempo para finalizar a cópia. Em relação ao modelo da Seagate a disputa foi mais equilibrada, sendo 10% mais rÁpido no modo em que leitura dos dados foi mais demandada, e 18% mais lento no caso em que a escrita era mais importante.


Consumo de energia
Fizemos a medição do consumo de energia do drive NAS em duas situações: em modo ocioso e durante a cópia de arquivos. Como este tipo de dispositivo é desenvolvido para uso constante, o baixo gasto elétrico é sempre uma característica bem-vinda.

Nas duas situações o LinkStation Live foi o grande destaque, superando todos os demais concorrentes e "compensando" sua baixa performance na cópia dos arquivos, sendo o modelo que melhor usa energia. O aparelho foi em torno de 30% mais econômico que o WD My Live Book e 35% melhor que os modelos da Seagate e da Synology (quando operando também com apenas um HD).

{break::Conclusão}O LinkStation se destacou, em nossos testes, em uma das características mais importantes dos drives NAS: economia de energia. Como estes produtos ficam ligados constantemente para garantir a distribuição de dados na rede a qualquer momento, um baixo consumo é uma característica importante na escolha de um modelo.

Este consumo discreto, que combina com o tamanho compacto e a baixa emissão de ruídos, tem seu custo no aspecto performance. O LinkStation brigou "pau-a-pau" com o BlackArmor NAS 220 pelo título de "o drive NAS mais lento que jÁ testamos". Apesar de lento, a baixa velocidade de transferência não comprometeu o streaming pela rede de um vídeo em FullHD, por exemplo.

No quesito funcionalidade, apesar de não conseguir competir com o sistema intuitivo e eficiente do Synology DS213, capaz inclusive de baixar novas aplicações, o LinkStation traz um aplicativo embarcado de torrent, a atuação como mediaserver através de DNLA e acesso remoto pela internet, três recursos bem interessantes e que jÁ ampliam as capacidades de atuação do produto.

O custo é outro ponto interessante deste aparelho: encontrado no exterior por valores na casa dos US$ 100, é um produto bem interessante para quem quer montar o seu drive NAS. No país, ele estÁ disponível por valores na casa dos R$ 650-699, um valor alto mas que consegue ficar abaixo do preço cobrado no país por este tipo de dispositivo, infelizmente.

O Buffalo LinkStation é uma opção ideal para quem busca um NAS de baixíssismo consumo de energia, capaz de distribuir arquivos por DNLA e atuar como cliente torrent, e que não necessita de alta performance nas transferências

 

PRÓS
Baixo consumo de energia
Cliente BitTorrent embarcado
DNLA
CONTRAS
Baixa performance em transferências de arquivos
Interface em inglês e pouco intuitiva
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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