ANÁLISE: Call of Duty: Black Ops II (PS3)

ANÁLISE: Call of Duty: Black Ops II (PS3)

Pelo menos nos últimos cinco anos tem sido assim: as produtoras Infinity Ward e Treyarch se revezam e lançam suas versões de "Call of Duty", que sempre acabam quebrando os recordes da versão anterior. Com "Black Ops II" não é diferente. O game mal chegou às lojas e, apenas nas 24h após o lançamento, arrecadou mais de US$ 500 milhões, tornando-se o produto de entretenimento com a melhor estreia da história

Com isso, não fica difícil entender porque a franquia é imbatível em vendas anuais e é considerada uma entre as de maior sucesso na indústria dos jogos eletrônicos. E assumindo que a Treyarch quer que o novo título mantenha esse ritmo de popularidade alucinante, serÁ que a empresa conseguirÁ fazer isso sem que a proposta pareça desgastada ou ultrapassada? É exatamente isso o que você vai descobrir nas próximas pÁginas, na anÁlise de "Call of Duty: Black Ops II".

Agradecemos à Activision Brasil pelo envio do game para anÁlise

{break::Enredo e controles}A história de "Call of Duty: Black Ops II" abrange duas frentes: uma acontece na Guerra Fria entre os anos 70 e 80 e a segunda se passa na nova - e fictícia - Guerra Fria, ocorrida num não tão longínquo 2025. Na primeira, o protagonista é Alex Mason (o mesmo do primeiro "Black Ops") e explica os motivos que fizeram o vilão Raul Menendez se transformar no conhecido psicopata. JÁ a segunda traz David Mason (filho de Alex) em meio a uma grande disputa militar entre Estados Unidos e China, a nova superpotência bélica do planeta.

Como acontece em qualquer jogo da franquia, as duas perspectivas se entrelaçam e chegam ao Ápice jÁ nos momentos finais - sendo que a primeira geralmente serve de explicação prévia para o que pode vir a acontecer na segunda. Isso porque agora, pela primeira vez, existe um sistema de escolhas que, dependendo da sua decisão no passado, pode-se interferir no que acontece anos mais tarde, o que abre novas possibilidades de desdobramento da narrativa. Não é algo muito variado ou extenso em termos de alternativas, mas é totalmente inédito na série.



Somente é uma pena que os acontecimentos vistos no game não sejam tão empolgantes assim. Eu sei que a participação de David Goyer, co-roteirista dos filmes "Batman Begins" e "Batman: The Dark Knight", deveria fazer uma diferença significativa no resultado final; mas, sinceramente, isso é sentido pouquíssimas vezes no desenrolar da trama. Embora os personagens sejam bastante característicos e únicos com suas personalidades, as passagens do jogo, em quase nenhum momento, fizeram-me torcer ou lutar pela defesa do cumprimento dos objetivos ou dos propósitos de vida de cada um deles. E eu considero ser absolutamente essencial para criar um vínculo emocional entre jogador e jogo, uma vez que é algo que inevitavelmente cria momentos marcantes, daqueles que ficam a vida inteira. Infelizmente, aqui não é o caso. ;( A menos que você jÁ esteja nas três missões finais do game, que não dura, ao todo, mais que 6 ou 7 horas para ser finalizado. 

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Fora isso, todo o tradicional estilo hollywoodiano consagrado nos games da série estÁ presente. As cenas estão lotadas de ação, violência explícita, explosões, prédios desabando, veículos de suporte, armamentos e equipamentos super destrutivos, que são potencializados ao extremo quando se joga na campanha futurista. Pelo perdão do horror que eu possa causar em qualquer jogador, afirmo que chega a ser revigorante e prazeroso, algumas vezes, fazer uma baita estrago nos adversÁrios e dizimÁ-los a pó.

Ainda bem que os controles deixam tudo isso ainda mais interessante e dinâmico. Os comandos clÁssicos continuam os mesmos e funcionam com a precisão, resposta e agilidade de sempre, sem modificações ou falhas aparentes. O que aparece de novidade aqui, entretanto, é a jogabilidade em ocasiões mais extremistas, como o controle do seu personagem enquanto ele veste uma roupa super especial por vÁrios metros à frente (Base Jumping). Ou com veículos-robôs terrestres ou aéreos, abarrotados com armas de destruição em massa, que são pesados de se controlar, mas longe de causarem qualquer confusão. 

{break::Visual e Áudio}A parte que mais gera controvérsias em qualquer "Call of Duty" é certamente o visual. Por isso, logo adianto: "Black Ops II" é o mais bonito entre todos os episódios jÁ lançados até hoje. A Treyarch reformulou parte da antiga engine utilizada nos outros games da série e o resultado, sem dúvida alguma, apresenta texturas melhor definidas, expressões faciais bem mais apuradas e elementos de cenÁrios mais vívidos e realistas, como Água, fumaça, iluminação e reflexos mais dinâmicos. Falando assim, parece que o salto de qualidade foi bem grande, certo? É aí que você se engana.

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Sim, o jogo estÁ mais agradÁvel aos olhos, mas continua apresentando velhos problemas. O primeiro deles e, talvez, o mais perceptível, são as paisagens ao fundo: parece que não receberam tanta atenção da equipe de produção, pois a definição grÁfica é menor que o geral e chega a parecer, em algumas ocasiões mais raras, papeis de parede em baixa resolução. É possível observar quando um arranha-céu, jÁ nos fins do jogo, resolve desabar bem na sua frente. O que ao longe estava em baixa resolução, começa a ganhar pixeis extras (texture pop in) para tentar disfarçar um possível descaso da produção. Além disso, algumas regiões com pedregulhos, paredes e veículos também demonstram falhas de construção, com borrões demasiados e falta de resolução adequada. Slowdowns? Com certeza acontecem, mas em raríssimas ocasiões, sendo que somente me lembro de ter notado duas vezes. 

 

 

 

No aspecto design de fases, "Black Ops II" apresenta alguma evolução na série como um todo. É claro que ainda existem os tradicionais corredores de ação, que não permitem uma rota alternativa ou caminhos diferentes para percorrer. Mas, desta vez, algumas fases são mais abertas e cruzam rotas que não passam pelo mesmo local, mas chegam exatamente ao mesmo destino indicado na tela (a tradicional marcação de quantos metros faltam para alcançÁ-lo continua presente).   

No Áudio, o grande destaque é a dublagem em português brasileiro. Na onda da crescente atenção das produtoras com o mercado nacional, essa é provavelmente um dos melhores trabalhos jÁ realizados nos consoles. A personalização de cada uma das vozes é bastante coerente com a caracterização dos personagens, modos de falar, agir e até mesmo as aparências. Legal que algumas destas mesmas vozes jÁ são conhecidas dos nossos ouvidos, pois também participaram de desenhos animados antigos e até mesmo de novelas. 

No mais, os efeitos sonoros estão definitivamente mais um pouco mais realistas, sendo que cada arma e equipamento tem sua própria resposta e vibração de sons pelos diferentes ambientes, mais ou menos ocos (abafados), dependendo da variação e composição de objetos pelos caminhos. JÁ a trilha sonora é apenas satisfatória: poucas melodias são realmente mais marcantes que outras, impondo emoções diferentes nas cenas assistidas. Entretanto, a grande maioria das composições estÁ ali apenas para preencher o pacote. Não que sejam ruins ou insignificantes, mas provavelmente não serão lembradas assim que a aventura for terminada. 

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{break::Multiplayer online e zumbis}Para quem jÁ gastou horas incontÁveis no multiplayer online da franquia, "Call of Duty: Black Ops II" retorna com a frenesi jÁ conhecida pelo público. Os tiroteios continuam tão frequentes, intensos e imperdoÁveis quanto às outras versões e, se você for um fã mais fervoroso, é bem provÁvel que também fique viciado neste novo episódio. Os tradicionais modos de jogo, como Team Deathmatch, Capture the Flag, entre outros, marcam presença e definitivamente vão agradar os mais entusiastas e se encaixam perfeitamente para jogatina em grupo, com amigos, parentes ou apenas novos conhecidos.

A novidade desta vez é que toda a modalidade passou por uma espécie de refinamento no seu sistema de evolução e de destravamento de habilidades especiais. VÁrios recursos importantes que ajudam e fazem o diferencial na hora das partidas, como vantagens, novas armas e bugigangas (ambos podem ser evoluídos e configurados como desejar), estão acessíveis mais cedo que as outras versões. Isso é extremamente bem-vindo para os novatos, que antes sofriam demasiadamente para conseguir resultados mais proveitosos nas partidas. Com essa pequena modificação, as chances de ser dar bem e batalhar de igual para igual com os mais experientes cresce exponencialmente.

 

 

Com relação aos mapas, estão bem variados e foram planejados com bastante cuidado, do tipo que uns se adaptam melhor a determinado modo e número de jogadores em relação a outros. Alguns deles, inclusive, são grandes o suficiente para evitar confrontos extremamente diretos entre jogadores desesperados que mal soltam os dedos dos gatilhos. Outros, são muito mais direcionados aos ataques surpresa, daquele que vence quem for o mais rÁpido nos comandos (ou cuja conexão com internet estiver menos defasada).  

JÁ os zumbis também retornam em "CoD: Black Ops II". Da mesma forma como na versão anterior, os mortos-vivos desafiam o jogador a sobreviver a ataques combinados - e inteligentes - por rodadas adentro, ao mesmo tempo em que constrói utensílios para abrir novas saídas. A diferença é que agora existe o TranZit, um modo campanha onde até quatro jogadores duelam em parceria contra os inimigos enquanto viajam de ônibus por locais totalmente destruídos  e infestados pelos comedores de carne humana. Assim que terminar os desafios, um outro modo chamado Grief é automaticamente desbloqueado: junte mais sete parceiros, divididos em dois grupos, passe por todas as encruzilhadas e, depois, elimine a equipe adversÁria. O mata-mata é generalizado, expandido e, sobretudo, divertido. 

{break::Conclusão}"Call of Duty: Black Ops II" chegou para continuar o legado da Activision (sob as produções da Infinity Ward e da Treyarch [responsÁvel pelo novo game]) em manter a franquia no topo das vendas mundiais. Sem concorrentes de peso e com uma legião imensa de fãs sedentos por novas versões, é bem provÁvel que isso aconteça por mais um ano.

Ainda mais porque o game tem conteúdo de sobra para fazer o maior dos fãs voltar às intensas disputas do multiplayer online ou à jogatina cooperativa e desafiante contra os zumbis. A campanha, por sua vez, agrada até o momento em que as alternativas de rotas do enredo são preenchidas. Não é algo de grande destaque ou que valha a pena ser jogado muitas vezes, a não ser que você queira completar todos os desafios extras ou correr atrÁs de todos os troféus.   

PRÓS
Narrativa bem amarrada, com personagens únicos e marcantes
Enredo traz algumas bifurcações e conclusões diferenciadas: jogue e veja todas as possibilidades
Controles tradicionais não falham, são precisos e fÁceis de manejar
Poderio militar futurista agrada em todas as ocasiões: explosões, violência e cenas hollywoodianas
Engine atualizada faz deste o mais belo Call of Duty jÁ lançado
Multiplayers online e zumbis trazem desafios constantes e muitas recompensas
Dublagem brasileira agrada e é bem composta 
CONTRAS
Campanha curta (6h), que também não empolga muito e é um bocado passiva
Missões paralelas (Strike Missions) são muito repetitivas
Trilha sonora agrada apenas com algumas composições
Defeitos inaceitÁveis no visual, mesmo com a engine reformulada
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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