ANÁLISE: World of Warcraft: Mists of Pandaria

ANÁLISE: World of Warcraft: Mists of Pandaria

Mists of Pandaria é a quarta expansão de World of Warcraft, o MMORPG mais popular do mundo, com mais de 10 milhões de usuÁrios, produzido e distribuído pela Blizzard. Nela conhecemos a ilha perdida de PandÁria, lar dos pandarens, pandas humanóides com filosofia e cultura muito parecidas às da China antiga, com grandes templos, sÁbios mestres e, claro, muito kung fu.

Entre as novidades da expansão estão a possibilidade de evoluir o personagem do nível 85 ao 90, missões e dungeons para esses novos níveis (e nenhuma para quem tiver um "recém-nascido"), a classe monge e a raça neutra pandaren. Também é apresentado o sistema de Batalha de Mascotes que, apesar de não influenciar muito a evolução do personagem em si, permite algumas horas a mais de distração com seu sistema que lembra muito Pokémon.

A nova classe tem na agilidade e na força suas maiores características, criando heróis que confiam basicamente nas suas habilidades em artes marciais na hora da batalha. Os pandarens, por sua vez, inicialmente não têm lealdade com nenhum dos lados da guerra que assola o mundo de WoW, permitindo que os jogadores escolham se serão Aliança ou Horda após um breve período de introdução. Uma boa forma de aumentar um pouco a participação do usuÁrio na criação do personagem, além de evitar um desequilíbrio que a adição de apenas uma raça poderia trazer.


Como ninguém do Adrenaline era jogador assíduo do game, sobrou para mim, que joguei WoW na sua época de lançamento, a tarefa da anÁlise da sua mais nova expansão. Isto serve para mostrar se o título continua com a sua força viciante de anos atrÁs – continua – e se não foi ultrapassado em questões de narrativa ou recursos visuais – não foi. Infelizmente, isso também significa que não pudemos analisar as novas missões e dungeons, jÁ que, após um mês de jogatina, consegui levar Adrena, meu monge pandaren da Horda, apenas ao nível 50.

Confiram a seguir, então, um olhar principalmente sobre a história utilizada em Pandaria, os visuais orientais, a Batalha de Mascotes, monges e pandarens.

{break::Conheça Pandaria}Pandaria é uma ilha totalmente inspirada na cultura oriental, principalmente a chinesa. Os pandarens começam sua jornada em um templo de treinamento que lembra muito aqueles de filmes de kung fu antigos (ou, e eu juro que estava evitando fazer a comparação, Kung Fu Panda), repleto de instrutores com longas barbas brancas, grupos treinando artes marciais e até animado por uma música bem característica – e belíssima. É conhecido o capricho da Blizzard em criar mundos imersivos e belos exigindo pouco do sistema, e, em Mists of Pandaria, apostando na mitologia chinesa, ela acerta mais uma vez.


Viajando pela Área das missões de treinamento, é difícil não ficar impressionado com a ambientação e o mundo ao seu redor, e até muito das tarefas iniciais mostram a inspiração oriental. Em uma delas, o personagem deve se equilibrar em paus até alcançar seu objetivo. Tudo muito zen e sereno, mas sem deixar a desejar ao mundo de WoW.

A ilha vinha se mantendo afastada dos conflitos em Kalimdor e nos Reinos do Leste, até que um evento trouxe a guerra à pacífica Pandaria. O que falarei a seguir pode ser considerado um spoiler, jÁ que é uma revelação que me agradou bastante (mesmo que não seja nenhuma mega reviravolta), então jÁ aviso que quem não quiser ter a surpresa estragada pode pular para a próxima sessão. A ilha, seguindo alguns aspectos da mitologia oriental, é localizada no casco de uma gigantesca tartaruga, que começou a navegar fora de seu trajeto habitual após ser atingida por um barco da Aliança carregando prisioneiros. Pode-se até observar suas nadadeiras trabalhando quando se estÁ próximo ao mar.


{break::Monges e pandas}Os monges são a nova classe oferecida nesta expansão, e pode ser utilizada por quase todas as raças, excetos pelos goblins, no lado da Horda, e pelos worgen, nas linhas da Aliança. Como jÁ foi dito antes, é uma classe que se baseia no combate corpo a corpo, majoritariamente desarmado. Para ter acesso às suas habilidades mais avançadas – como o "toque da morte", que mata automaticamente qualquer inimigo com menos vida que você, exceto bosses - , os monges se utilizam do "chi", espécie de energia que é gerada durante as batalhas através de golpes mais bÁsicos.

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A classe, que pode ser escolhida apenas por quem tem a expansão – ao contrÁrio dos pandarens – pode ainda se especializar como tank, aquele que atrai a atenção dos grupos inimigos, healer, quem cura os aliados, ou DPS, que causam os danos. São uma ótima adição às tradicionais classes do jogo, se tornando os primeiros a lutarem desarmados. A classe é tão interessante que até mesmo eu, que sempre jogo com personagens relacionados a magia em RPGs, estou me divertindo bastante com meu monge.


Os pandarens podem ser criados por todos, mesmo sem a compra de Mists of Pandaria. Eles são um povo pacífico, apesar do seu forte treinamento em artes marciais, e geralmente carregam um sorriso sincero no rosto – provavelmente motivado pela cerveja, ponto central em seus costumes. Apesar de fomentar muitas brincadeiras em comparação do filme Kung Fu Panda, a verdade é que esta raça existe na mitologia de Warcraft desde 2005, quando estiveram envolvidos em uma brincadeira de 1º de abril. Ou seja, muito antes do filme da Dreamworks.


Estes pandas humanóides podem assumir qualquer classes, menos Bruxo, Druida, Paladino ou Cavaleiro da Morte. Por terem sido a raça única introduzida nesta expansão, os pandarens são os únicos que podem escolher de qual lado da guerra entrarão, dando maior liberdade às escolhas do jogador. Eu pessoalmente curti muito a ideia, não apenas por sem um admirador de longa data da cultura oriental, mas também por achar os pandas divertidos e cheios de personalidade. São grandes as chances que eu continue a jogar WoW, voltando a me viciar, por causa do jovem monge Adrena.

Apesar de fofos, ferozes e com uma cultura bela e rica, o novo povo não justifica a criação de uma expansão inteira quase que exclusiva para apresentÁ-los. Talvez a Blizzard tenha pensado que a ansiedade gerada desde os primeiros rumores sobre a sua existência, a mais de sete anos atrÁs, justificaria a dedicatória de toda uma expansão aos ursos bicromÁticos.



{break::As primeiras missões}Todos os pandarens passam por uma série de missões que funcionam como tutorial, logo após a sua criação. O maior problema desta Área é que ela consiste basicamente de um treinamento em artes marciais e outros fundamentos do tipo, como adestramento com armas ou equilíbrio, o que faz muito sentido se seu pandaren for um monge, mas que fica bem esquisito se for, por exemplo, um mago. Por que alguém que lida com magia deveria desafiar um lutador a um duelo corpo a corpo?

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Tirando isso, grande parte das missões iniciais seguem o antigo padrão de "me traga X itens" ou "mate tantos animais". Nada muito problemÁtico a princípio para os jogadores quem estão começando suas aventuras em WoW, mas que podem cansar rapidamente aqueles que resolveram testas as novidades pandas. Nesse quesito, a Blizzard, que sempre foi muito criativa e inventiva, deixa um pouco a desejar. Até mesmo aquelas em que você deve matar determinado número de ameaças parecem meio bobas, com coelhos gigantes ou coisas do gênero.

A linha narrativa é um pouco fraca, também, mesmo que tenha grande poder de envolver emocionalmente, dependendo muito do carisma de seus protagonistas peludos. Fraca por se apoiar em alguns clichês bÁsicos e que são facilmente previsíveis, como o pré-anunciado interesse amoroso entre dois monges que acompanham o jogador. Outro problema é que as motivações dos personagens não fucionam. Ao invés de simplesmente expulsar ou enfrentar os forasteiros da Horda e da Aliança, os pandarens rapidamente se aliam aos dois e decidem se unir a uma guerra gigantesca apenas porque simpatizaram com os novos amigos, nunca mais podendo falar com os antigos colegas e familiares que se uniram ao lado oposto? Pra mim, não faz muito sentido. Em contrapartida, a história ganha tons de brilhantismo quando se inspira mais descaradamente na cultura oriental, como o spoiler que revelei na sessão anterior.

{break::Temos que pegar – a Batalha de Mascotes}Uma grande novidade de Mists of Pandaria é o seu sistema de Batalha de Mascotes. As mascotes são pequenos animais que surgem aleatoriamente no cenÁrio e que podem ser capturados após duelos envolvendo até três espécimes de cada lado. Cada um pertence a uma família, que apresenta vantagens e fraquezas em relação a outras. Por exemplo, um Fera causa recebe mais danos de Mecânicos, mas é mais resistente a ataques de Humanóides. As batalhas funcionam em turnos, com os mascotes se enfrentando um a um e escolhendo sempre um entre três poderes, lembrando bastante o sistema de Pókemon.


Ao contrÁrio do game da Nintendo, o usuÁrio não é surpreendido por uma batalha, entrando em um duelo apenas se escolher.  No radar é possível avistar os mascotes selvagens, e através do sistema você também pode achar rapidamente algum outro jogador para desafiar. Para diminuir a ação de trolls, a Blizzard mantém anônimos os jogadores que se enfrentam, o que também pode prejudicar o aspecto social da função. Existem também espalhados pelo mundo Domadores de Mascotes, NPCs envolvidos em uma espécie de quest do novo sistema.

A novidade não afeta diretamente a evolução dos personagens, mas certamente é uma adição bem vinda ao game, trazendo um pouco de ar novo ao título jÁ um pouco desgastado com o tempo e com  as missões repetitivas. A grande variedade de mascotes também é um fator muito positivos, e grande parte deles demonstra que foram muito bem desenvolvidos pela equipe de criação da Blizzard.


{break::Conclusão}Mists of Pandaria busca reascender o interesse principalmente de jogadores veteranos, com missões e dungeons voltados majoritariamente a personagens acima do nível 85. Infelizmente não pudemos testar esse aspecto, mas muita coisa que a expansão trouxe de novidade agradou.

A Blizzard mantém sua reconhecida atenção aos detalhes e ambientações, adicionando territórios misteriosos, interessantes e visualmente deslumbrantes, sem nunca exigir demais do sistema. Os pandarens são um povo gracioso e interessante, mas não justificam uma expansão inteira apenas para sua introdução ao mundo de WoW. Os monges, por suas vez, são uma bem vinda e complexa adição ao sistema de classes, trazendo pela primeira vez lutadores corpo a corpo desarmados, que funcionam como tank, healers e DPS.

Outras novidades, como a Batalha de Mascotes, também ajuda a recuperar um game que jÁ vinha sofrendo críticas hÁ algum tempo pela sua repetição – ameaça externa obriga as duas facções rivais a unirem forças pela sobrevivência – com ideias que podem não ser muito originais, mas diferecem bastante do que se via nas últimas expansões.

No fim, não dÁ pra dizer que Mists of Pandaria irÁ devolver o título de líder absoluto em MMORPGs que World of Warcraft tinha conquistado na época de seu lançamento, mas contém ideias e conceitos interessantes o suficiente para merecer a atenção. Pelo menos de quem jÁ tem um personagem bem desenvolvido em Azaroth.

Eu, pelo menos, devo ter recuperado meu antigo vício pelas aventuras neste mundo da guerra. Pela Horda!

PRÓS
CenÁrios visualmente deslumbrantes
Qualidade sem exigir muito do sistema
Novidades interessantes
Pandas!
Bom uso da mitologia chinesa
CONTRAS
Narrativa fraca
A nova raça não justifica uma expansão
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  • Redator: César Massaki Teshima Soto

    César Massaki Teshima Soto

    Graduando de Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, ganhou um Mega Drive aos 5 anos, mas nunca conseguiu fazer final em Sonic 2. Navegava pelas salas de bate papo nos tempos da internet discada e até hoje procura o disquete perdido com seu jogo salvo do América-MG no Elifoot 98.

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