ANÁLISE: Gametel

ANÁLISE: Gametel

Quem nunca passou pelo drama de curtir um jogo legal no smartphone, mas se atrapalhar todo com os comandos na própria tela? A resposta de botões virtuais ainda é bem diferente daquela proporcionada por controles físicos e, não raro, os dedos na touchscreen prejudicam a visualização do cenÁrio, dos inimigos e até mesmo do próprio personagem.

Não são muitos aparelhos que contam com controles físicos. A linha Milestone, da Motorola, ao menos tem um teclado QWERTY deslizÁvel que pode ser configurado para servir de controle em certos jogos. O Xperia PLAY, até então, é o único aparelho no Brasil com um gamepad embutido.

O Gametel surgiu para dar uma opção a mais aos usuÁrios. Criado pela sueca Fructel e distribuído no Brasil pela Abbley, o gamepad de mesmo nome torna possível controlar vÁrios games com botões físicos, transformando o aparelho em um console portÁtil. Basta ativar o Bluetooth no smartphone e encaixar o acessório.


O Gametel é versÁtil, compatível tanto com portÁteis baseados em iOS quanto em Android. E graças ao encaixe físico que se "estica", ele pode ser acoplado praticamente em qualquer aparelho, dos maiores aos mais diminutos – ao menos aqui na redação, todos os smartphones se encaixaram sem problemas.

O acessório funciona por Bluetooth e tem uma bateria interna que precisa ser recarregada eventualmente. Nada muito preocupante: a duração é muito boa e você pode deixar o gamepad em standby durante vÁrios dias sem precisar recarregÁ-lo quando for usar novamente. E, quando precisar dar uma nova energia ao Gametel, é só conectÁ-lo a uma fonte de energia com um cabo microUSB – o mesmo que você usa para carregar seu smartphone. Pena que ele não vem com um desses incluso.


O Gametel cumpre muito bem o que propõe. Tem um direcional digital, seis botões (incluindo Select e Start) e dois gatilhos. O direcional tem aquela "superfície coplanar circular", nas palavras do nosso colega Andrei Longen, o que pode dificultar um pouco certos golpes em jogos de luta 2D. De um jeito mais fÁcil: o direcional do Gametel se parece mais com o do Xbox 360 do que com o do PlayStation 3, algo que ajuda em certos tipos de games e dificulta um pouco os comandos em outros.

Pena que nem todos os jogos são compatíveis com o acessório. "Cordy", por exemplo, funcionou super bem, mas "Assassin's Creed" sequer deu sinal de vida. Por sorte, o jogador não precisa se preocupar muito, jÁ que a própria Gametel disponibiliza, tanto em seu site quanto no próprio app instalado no smartphone, a lista de títulos compatíveis – o que inclui emuladores.

Nas próximas pÁginas você confere uma anÁlise mais detalhada. 


{break::Design e ergonomia}O Gametel mede 120 x 67 x 24 mm e, com isso, tem uma altura equivalente à média dos smartphones atuais. Assim, ele se encaixa de tal modo que smartphone e controle pareçam uma coisa só. Foi assim com o Xperia arc, por exemplo.


Só que ele é espesso, mas isso não significa que existirÁ um "desnível" entre o acessório e o telefone. Na verdade, essa diferença é crucial para que se possa fazer o encaixe do telefone na parte da frente e para que o usuÁrio possa apertar os gatilhos L e R. A espessura, aliÁs, é ideal para que o Gametel se encaixe confortavelmente e com firmeza nas mãos.

A ergonomia é perfeita. O Gametel não deixa espaços sobrando nas mãos e segurÁ-lo mesmo por longos períodos de tempo não cansa e nem causa desconforto. Some-se isso ao fato de que ele é bastante leve: mesmo com uma bateria interna de 250mAh ele pesa apenas 80g. Se você for somar o peso do Gametel mais o de um Motorola Razr Maxx, você tem 225g, mais leve que um 3DS (230g) e que um PlayStation Vita (260g, no modelo somente Wi-Fi). Perde, porém, para o Xperia PLAY. O smartphone da Sony com gamepad embutido pesa 175g.

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O Gametel é todo fabricado em um plÁstico preto fosco que, infelizmente, se mostrou muito suscetível a arranhões. Se você deixÁ-lo guardado numa bolsa ou mochila, por exemplo, verÁ pequenos riscos acinzentados depois de pouquíssimo tempo. Isso ocorre principalmente nas partes flexíveis destinadas a encaixar o smartphone. Pelo preço cobrado pelo acessório, fica a impressão de que o material utilizado poderia ser bem melhor.

Ao menos, o mais importante funciona bem: os botões. Ao todo, são seis botões (START, SELECT e quatro botões de ação, dois gatilhos L e R) e um direcional digital construído de tal forma que pode ser muito bem utilizado em games com movimentação 3D. O botão START, aliÁs, é usado para ligar o gamepad: basta apertÁ-lo por alguns segundos, até que um LED na cor verde acenda, na parte inferior, ao lado da porta microUSB.


Apesar de bem pequenos, os botões estão posicionados em uma distância decente entre um e outro, o que não atrapalha na hora da ação. A resposta é rÁpida e os botões são firmes e silenciosos. Os gatilhos fazem um "clic clic" muito baixinho, quase imperceptível. E o direcional tem um toque tão suave que dÁ a impressão até de ter algo "fofo" por baixo. Nada de botões duros, travados, ou ruidosos. Nesse quesito, o Gametel é nota 10.

{break::Modo de uso}Para encaixar o smartphone, é preciso levantar as tampinhas emborrachadas e puxar a parte retrÁtil para cima. Então, basta encaixar o smartphone nesse espaço, que as tampinhas se ajustam automaticamente para prender o aparelho. Esse "braço" pode ser esticado a, no mÁximo, 70mm, então seu smartphone não pode ser mais largo do que isso. Não é preciso conectÁ-lo a nenhum slot: a comunicação é feita por Bluetooth.


Para isso, é preciso, antes de mais nada, baixar o app do Gametel na Play Store ou na iTunes App Store. O software é gratuito e é responsÁvel por toda a configuração do aparelho, e também por mostrar jogos compatíveis com o acessório.

Uma vez instalado o Gametel, é só abrir o app e ligar o gamepad, pressionando o botão "Start" por alguns segundos, até que o LED verde se acenda na parte inferior, ao lado da micro-USB. O app vai pedir para você selecionar o "Gametel" como método de entrada (ou seja, em substituição ao teclado comum) e para ligar o Bluetooth no smartphone, caso esteja desligado.

Feito isso, o app irÁ detectar o Gametel, que vai aparecer na tela "Devices". A tomadinha desligada indica que o gamepad não estÁ pareado ou estÁ desligado. Se tudo estiver OK, a tomada vai ficar ligada. E aí é só começar a jogar.

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Se quiser, você pode editar algumas configurações, como o mapeamento dos botões, na aba "Settings". Ainda é possível conectar mais de um Gametel por dispositivo, algo sob medida para partidas multiplayer (lembrando que não é preciso conectar o Gametel fisicamente para jogar). Na aba "Games", por fim, você confere uma lista de jogos compatíveis com o acessório e, ao clicar neles, você é redirecionado ao Google Play, onde poderÁ baixÁ-los.

{break::Conclusão}O Gametel é um acessório que vai deixar muita gente feliz. Quem gosta mesmo de jogar em dispositivos móveis vai ver que a experiência melhora muito e se assemelha bastante à dos consoles portÁteis. Para jogos de plataforma, como o "Cordy", é praticamente imprescindível. Realmente, muda tudo.

Os botões são pequenos, mas bem posicionados o suficiente para não atrapalhar a jogatina. Os únicos botões que fazem barulho por causa do plÁstico são os gatilhos, mas o ruído é realmente muito discreto. Os botões não são duros, são agradÁveis de usar e respondem bem. Nesse quesito, não temos muito o que reclamar.

O problema é o preço: R$298 é muito caro para um controle relativamente simples, com um material sensível e que, ainda por cima, sequer acompanha carregador. Na pré-venda, o Gametel era vendido a R$198, bem mais acessível. O gamepad agradou todo mundo aqui na redação, mas o preço foi unanimamente desanimador. 

PRÓS
Finalmente um controle físico compatível com qualquer Android / iOS
Botões bem posicionados e com boa resposta
A bateria tem boa duração
Compatível com uma variedade de smartphones de tamanhos diferentes
Facilita a procura por games compatíveis
CONTRAS
O material é muito suscetível a arranhões
Não vem com carregador
É muito, muito caro
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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