ANÁLISE: Seagate BlackArmor NAS 220 (4TB)

ANÁLISE: Seagate BlackArmor NAS 220 (4TB)

Para quem estÁ de olho em um drive NAS, trazemos mais uma anÁlise deste tipo de dispositivo ao público do Adrenaline. Após a review do Synology DS213, o produto da vez é o BlackArmor NAS 220, da Seagate. Com opções de 2, 4 e 6 terabytes de armazenamento, o aparelho chega com o objetivo de se tornar a central de compartilhamentos de arquivos em uma rede complexa, repleta de dispositivos conectados.

Recebemos para anÁlise o modelo com 4TB de capacidade, equipado com dois HDs. Esta configuração possibilita duas formas de operação: em RAID 0, para quem quer ganhar performance dividindo os arquivos na metade e enviando cada "pedaço" para um HD, e em RAID 1, para quem quer ter a segurança de que não perderÁ dados através duplicação dos arquivos, armazenando o mesmo arquivo em cada HD.

O BlackArmor é uma boa opção para quem precisa de uma central para compartilhar seus arquivos, ou para realizar backups, seja dentro da rede local ou seja via internet através do protocolo FTP, sendo este um produto interessante principalmente para empresas de médio e pequeno porte.


 

- Continua após a publicidade -

{break::O que é um NAS?}A sigla que dÁ nome ao produto jÁ exemplifica bem a sua função. NAS (Network Attached Storage) ou Armazenamento conectado à rede, em tradução livre, é um servidor dedicado ao armazenamento de arquivos dentro de uma rede. O aparelho possui, logicamente, entrada para cabo de internet e os arquivos podem ser acessados de qualquer lugar com o endereço IP associado ao NAS. Embora tenha CPU, placa-mãe, memória, e seja possível executar softwares no produto, ele não foi desenvolvido para tarefas computacionais. Inclusive vem, geralmente, sem teclado ou monitor.

A função do dispositivo consiste em comportar discos rígidos, que devem armazenar todos os dados. O número de repartições para HDs depende do modelo. Nos que possuem portas USB é possível ainda a conexão de outros dispositivos de armazenamento, como pen drives e HDs portÁteis. O NAS possui suporte à tecnologia RAID (Redundant Arrays of Independent Disks), que centraliza a responsabilidade de disponibilizar os arquivos em uma rede, liberando recursos de outros servidores da mesma rede, que são responsÁveis por outras tarefas. A tecnologia também permite a fragmentação dos arquivos e o envio de cada "pedaço" para um HD diferente disponível no NAS. Assim, quando o arquivo for acessado, todos os discos irão trabalhar simultaneamente para executar a ação, proporcionando maior rapidez no processo.

Enquanto o SAN (Storage Area Network), normalmente usado em grandes redes de computadores, só armazena os dados e deixa ao cliente a tarefa de lidar com o sistema de arquivos, o NAS oferece tanto o armazenamento quanto o próprio sistema. A principal diferença entre o NAS e o SAN é que o primeiro fornece protocolos de arquivo, enquanto o outro fornece protocolos de camada.


Com o NAS conectado, todos os demais clientes da rede podem acessÁ-lo

O Network Attached Storage utiliza os protocolos NFS, populares em sistemas UNIX, ou CIFS/SMB (Common Internet File System/Server Message Block) em ambientes Windows, assim como o tradicional FTP. Os dispositivos NAS de uso doméstico são baseados em processadores baratos rodando uma versão embarcada do Linux. Algumas alternativas open source permitem implementações caseiras de NAS, como o FreeNAS, o Openfiler e o NASLite.

Os NAS tiveram o preço reduzido nos últimos anos com a popularização de redes domésticas, que retirou estes aparelhos do mundo corporativo e os trouxe para o uso pessoal.

- Continua após a publicidade -
Alguns pontos negativos também cercam o aparelho. O suporte a vÁrios protocolos e a reduzida camada do CPU e sistema operacional fazem com o que o dispositivo possua mais limitações do que um sistema DAS/FC. Se um NAS estiver carregado com muitos usuÁrios e operações de E/S, ou executando uma tarefa que exija muito do processador, ele alcança limitações. Enquanto um sistema de servidores comuns é facilmente melhorado com um ou mais servidores no cluster (aglomerado de computadores que funcionam como um só, com um mesmo sistema), o NAS é limitado ao seu próprio hardware.

{break::Especificações técnicas}O BlackArmor é um drive NAS com especificações bastante leves, com um processador de 800MHz e 128 MB de RAM, algo que impacta no consumo de energia, desempenho e na capacidade de agregar funções adicionais, como veremos no restante da anÁlise.


Especificiações Técnicas

CPU: 800 MHZ processor
Memória: 128 MB RAM
Conectividade
       2 portas SATA II
       2 portas USB 2.0
       1 conexão Gigabit de Ethernet RJ45
Tamanho (LxAxP): 160mm x 207mm x 269mm
Peso: 6.16kg

{break::Instalação e configuração}Para a instalação do drive NAS é preciso conectÁ-lo a uma fonte de energia e à rede local através de um cabo de rede. A configuração pode ser feita através da instalação do software disponível no CD que acompanha o kit, e no site oficial para download. São dois programas: o BlackArmor Discovery ajuda a localizar os dispositivos na rede, para acesso dos arquivos ou a abertura da interface de configuração, e o BlackArmor Backup tem como função configurar os backups.



A configuração é feita no navegador, com os principais configurações do aparelho feitas através deste caminho. A interface é simples, lembrando o estilo de aparelhos como roteadores. Ela possibilita alguns ajustes do funcionamento do BlackArmor, como configurações de diversos usuÁrios, permissões diferenciadas de pastas e configuração de FTP.


BlackArmor Discovery

- Continua após a publicidade -

Os dois aplicativos, o BlackArmor Discovery e o Backup possuem uma interface bastante intuitiva. Com o Backup é possível configurar e automatizar uma série de processos de cópia de segurança dos arquivos, muito importante para quem não pode ter perda de seus dados.


BlackArmor Backup

Outro ponto importante do BlackArmor é a possibilidade do acesso remoto dos arquivos através do Seagate Global Acess. Funcionando com base no sistema TappIn, o Global Acess tem como sua principal vantagem o suporte a diversos dispostivos, como smartphones e tablet com o sistema Android e iOS e computadores com Windows e MAC, sendo que os aplicativos e apps são gratuitos para download.


Global Acess para PC

{break::Cópia de arquivos, consumo de energia e ruído}Começamos os benchmarks com o teste de performance na cópia de arquivos. Neste teste, temos dois aparelhos de armazenamento externo: o NAS da Synology, o DS213, e o aparelho da Western Digital, o My Live Book, e também o comparativo com a cópia dos arquivos através da rede, entre computadores (no grÁfico, marcado como o HD Western Digital WD Caviar Blue. Tanto o modelo da Synology quanto o da Seagate, que operam com múltiplos HDs, estão operando em Raid 0.

Nos primeiro testes, transferindo 4.5GB de dados, o desempenho do NAS da Seagate não chegou a impressionar, ficando bem atrÁs do modelo da Synology e do Media Storage da Western Digital. O aparelho levou em torno de 5 a 6 minutos para finalizar a cópia.

Aumentando a quantidade de arquivos para 16GB, o tempo para realizar a transferência manteve a lógica vista com menos dados, no comparativo com os demais modelos. Um ponto interessante é observar como o NAS se sai muito melhor no modo leitura (copiando dele para o computador), com um tempo total de 27 minutos, do que no modo escrita (copiando do computador para ele), onde levou longos 40 minutos.

Testamos também o consumo de energia do aparelho em dois modos: ocioso e durante a cópia de arquivos.

Compensando o desempenho "sem brilho" na parte de performance, o BlackArmor apresentou um consumo de energia bastante baixo. No comparativo com o NAS da Synology, conseguiu manter um gasto entre 15 a 20% menor, e só não foi capaz de desbancar o My Live Book, aparelho que opera com apenas um HD.

Em relação ao ruído, o BlackArmor não faz nenhum barulho perceptível em estado ocioso. Nos momentos em que colocamos o NAS para trabalhar, porém, era possível notar os discos rígidos trabalhando, com um ruído que oscilou entre 45 dB a 50 dB, algo que não chega a ser incômodo, mas é perceptível.

FIRMWARE
O sistema não detectou as novas firmwares disponíveis mesmo com modo automÁtico autivado, dessa forma fizemos a busca de novas firmwares no website da Seagate e atualizamos manualmente. Para download da última versão do firmware e informações sobre o processo de atualização acesse esse link.

{break::Conclusão}Os aparelhos NAS trazem como grande vantagem a capacidade de compartilhar e realizar backups em redes com múltiplos dispositivos, de forma eficiente, discreta e com baixo consumo de energia. O BlackArmor foi capaz de entregar estas qualidades, atendendo muito bem a demanda de uma pequena empresa ou um domicílio com muitos aparelhos.

Com um hardware leve, o drive se destacou pelo baixo consumo de energia. Porém, usuÁrios que necessitam de um aparelho mais completo podem sentir falta de funcionalidades adicionais. Além das funções bÁsicas, como o acesso remoto aos arquivos e backups automatizados, o BlackArmor não agrega muito mais elementos, como servidor torrent ou aplicações adicionais.

Seu hardware pouco potente também não trouxe uma performance de muito destaque, sendo uns dos dispositivos mais lentos testados por aqui. Isso pode ser negativo para quem precisa fazer grandes transferências. No uso cotidiano, com cópias menores e backups incrementais, essa questão não deve comprometer a experiência de uso, que traz como bônus um consumo de energia menor que o presente em hardwares mais potentes.


Apesar do menor número de funcionalidades, quando comparado ao Synology DS213, o NAS da Seagate traz a vantagem de estar disponível por um preço mais em conta que o concorrente (lembrando que o BlackArmor jÁ possui os HDs, enquanto no DS213 é preciso adquirí-los separadamente, aumentando ainda mais o custo). Para quem não necessita destes vÁrios "extras", o modelo da Seagate faz mais sentido.

O Seagate BlackArmor NAS 220 é um bom NAS para quem necessita compartilhar seus arquivos para vÁrios dispositivos na rede interna e via internet, além de realizar backups de forma eficiente, discreta e com baixo consumo de energia


PRÓS
Baixo consumo de energia
Design discreto
Configuração simples
CONTRAS
Interface apenas em inglês
Poucas funcionalidades adicionais
Discos um pouco ruidosos
Tags
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.