ANÁLISE: Max Payne 3

ANÁLISE: Max Payne 3

Finalmente Max Payne 3 estÁ entre nós, depois de longos anos de espera desde a segunda edição. A Rockstar vem anunciando o jogo desde o ano passado com fotos mostrando "morros" de São Paulo e prometendo que o jogo teria inovações tanto grÁficas quanto em conteúdo.

Muita gente estava ansiosa e curiosa pra saber como seria o jogo, tanto na parte de jogabilidade quanto no seu visual. Mas com o anúncio dos requerimentos citando, pasmem, 16 GB de memória RAM e 35 GB de espaço no HD, as pessoas passaram a criticar a produtora.

Enfim, o jogo foi lançado e a Rockstar conseguiu surpreender todo mundo. O porquê disso? Você verÁ nesta review.

{break::História}Como jÁ é de conhecimento público, Max Payne 3 se passa em São Paulo, mas hÁ momentos de flashback que se passam nos EUA e no PanamÁ.

Por motivos de "spoiler", não irei contar muito sobre a história porque hÁ vÁrias surpresas e reviravoltas inesperadas, incluindo mortes sangrentas. O jogo mostra flashbacks de Max em New Jersey, onde se explica como e porque Max Payne foi parar em São Paulo. Essas histórias, que podem ser jogadas, aparecem ao longo do jogo inteiro.

A história começa oito anos após o segundo game, com Max Payne trabalhando como segurança de um rico empresÁrio paulista, um magnata imobiliÁrio chamado Rodrigo Branco, que em uma festa tem sua esposa seqüestrada por traficantes paulistas. Aqui começa a caçada de Max Payne aos traficantes e, conseqüentemente, o jogo.

É importante dizer que a caracterização de São Paulo não é fiel. Não existe nenhum nome real. Absolutamente tudo no jogo é inventado e na sua maioria usando nomes do folclore brasileiro, o que por vezes fica bastante estranho. Por exemplo, um carro chamado IemanjÁ ou um desenho animado onde o Saci é o vilão.

Além disso, o Rio Tietê parece mais um rio de crocodilos em meio a uma selva com casas que ficam sobre a Água, lembrando bastante a Tailândia. A única coisa que de fato lembra São Paulo são os backgrounds usados nos cenÁrios, onde foram usadas fotos reais da cidade.


É provÁvel que a história de Max Payne 3 não agrade a todos. São Paulo é mostrada como um lugar absurdamente violento e racista onde inocentes são executados por "policiais" quase que o tempo todo, pessoas são mantidas em cativeiro para trÁfico de órgãos, explosões terroristas, dentre outras coisas. O Brasil é um país violento, mas hÁ bastante exagero no jogo.


{break::Jogabilidade}A jogabilidade de Max Payne 3 segue na mesma linha dos anteriores, mas hÁ algumas facilidades como, por exemplo, a duração exagerada do efeito "Bullet Time". Para se ter uma ideia, a duração do efeito nunca chegou ao final antes que pudesse acabar com os inimigos. Por outro lado, embora nas primeiras missões o jogo seja bastante fÁcil, pouco depois da metade ele fica bastante difícil a ponto de Max morrer em apenas um único tiro. Isso deixa claro que os inimigos melhoram bastante a pontaria no decorrer da jogatina.


Existe um atenuante que deixa o jogo relativamente mais fÁcil. Trata-se de um efeito chamado "Last Man Stand", que acontece quando Max leva um tiro fatal. Quer dizer, fatal na teoria, porque na prÁtica o efeito permite a Max revidar por cerca de 3 segundos antes de morrer pra valer. Caso acerte o inimigo que atirou nele, Max recupera a energia e sobrevive. Para que isso aconteça, é necessÁrio ter pelo menos uma bala na arma em punho e um frasco de remédio. Caso contrÁrio, é morte na certa.


Max Payne 3 continua sendo jogado em terceira pessoa de uma forma quase frenética. São tiroteios imensos intercalados com cenas de ação mirabolantes que, embora sejam vídeos, foram feitas com a mesma engine do game. Com isso, o jogo passa a sensação de ser contínuo entre as missões. Apenas o jogador mais atento aos detalhes visuais vai perceber a transição entre o jogo em si e os vídeos.

O jogo possui alguns elementos "stealth" que, embora sejam poucos, são bastante convincentes. Além disso, hÁ diversas cenas com veículos: no mar com lanchas, na terra com carros e até ônibus, e no ar com helicópteros. Mas todos controlados pelo game, ou seja, sem liberdade total.


{break::GrÁficos #1}A primeira coisa que se nota é que a Rockstar de fato caprichou nas texturas. Todas as texturas do game são em alta definição - de acordo com a produtora, quatro vezes maiores do que as texturas da versão para consoles -, sem aqueles "borrões" característicos que aparecem em quase todos os jogos.

Outro destaque dos grÁficos de Max Payne 3 são as animações. Talvez estejam entre as mais realistas jÁ vistas, desde o andar dos personagens até reações diversas ao impacto de tiros, na forma de se esconder, agachar ou correr. Além disso, as missões na favela revelam ainda mais qualidade nesse quesito, principalmente pessoas dançando Funk, jogando carteado, usando drogas, jogando bola e até mesmo fazendo sexo em cenas fortes. Tudo é impecÁvel! O sistema de captura de movimentos foi extremamente detalhado.


É bom que se diga que Max Payne 3 é o jogo mais adulto que se tem notícia. A violência no jogo é absurdamente realista a ponto do jogador sentir pena, nojo e revolta com vÁrias cenas fortes que o game possui como, por exemplo, execuções sumÁrias de inocentes e até o que os bandidos chamam de "microondas", comum em favelas cariocas, onde os traficantes colocam uma pessoa viva dentro de um conjunto de pneus, jogam gasolina e acendem. As cenas chegam a ser grotescas e, como o visual é incrivelmente realista, surgem os sentimentos mais diversos possíveis.


Além disso, o jogo possui um linguajar bem forte, carregado em palavrões dos mais pesados, e isso é durante todo o jogo.

{break::GrÁficos #2}Quando se pensa em um jogo todo texturizado em alta definição, com efeitos grÁficos de última geração, funções específicas do DIRECTX 11 como Tesselation e uso de filtros avançados, a primeira coisa que vem à cabeça é que o game serÁ bastante pesado. Ledo engano! A Rockstar fez um trabalho absolutamente impecÁvel. Talvez seja um dos mais bem programados games para PC, com recursos grÁficos de última geração e, ao mesmo tempo, incrivelmente leves.

A divulgação dos requisitos para rodar o game assustou muita gente e, quando Max Payne 3 foi lançado, a maioria das pessoas não acreditava na maneira fluida que o game roda. A surpresa foi geral e o elogio à Rockstar foi imediato.


Além dessa otimização exemplar, a Rockstar resolveu de última hora disponibilizar um Patch que adiciona legendas em Português brasileiro ao game. Como foi feito de última hora - provavelmente na semana anterior ao lançamento de Max Payne 3 -, algumas falas não possuem legenda. Mas é importante dizer que são bem poucas.

Em todo caso, percebe-se claramente que ainda faltam legendas em algumas coisas, principalmente nas cenas de transição, que possuem conversas importantes. Em algumas, a legenda é somente em inglês. Isso deixa claro que não houve tempo para se criar alguns vídeos com legendas em português.


{break::Áudio}A voz de Max Payne continua inconfundível ainda feita pelo ator que dublou os dois games anteriores, James McCaffrey, cheio de raiva e melancolia e passando um "ar" de desgosto pela vida. A dublagem da voz de Max passa bem o sentimento de alguém que teve sua família inteiramente assassinada nos games anteriores. JÁ a dublagem brasileira, presente em cenÁrios ambientados em São Paulo, é totalmente o inverso. Literalmente medonha, porém engraçada.

É importante dizer que praticamente todas as falas brasileiras contém palavrões. Isso retrata literalmente o que se fala no País, sem pudor e sem censura alguma, o que gera mais realismo. Diferentemente de outros jogos dublados, a Rockstar não quis saber de amenizar as coisas. Reproduziu fielmente todos os palavrões que conhecemos e diversas gírias que se ouve pelas ruas, principalmente em periferias e comunidades.


A Rockstar não usou dubladores consagrados, e isso é um problema porque tudo fica muito superficial, sem interpretação, entonação, ou qualquer outra coisa que crie verdade nas cenas. Realmente estÁ muito abaixo do esperado. Percebe-se claramente que as falas em português foram gravadas sem que os dubladores vissem as cenas. Provavelmente apenas lendo frases aleatórias, e depois a Rockstar as encaixou no jogo.

Vale destacar que somente as falas brasileiras estão abaixo do esperado. As falas em inglês estão com qualidade bem superior, ficando claro que aí sim houve uma preocupação na hora da gravação das falas nos estúdios da Rockstar nos EUA.

Deixando de lado as dublagens, a trilha sonora do game é ótima. Tanto na escolha das músicas comerciais, com destaque para o rapper Emicida com a sua música "9 Círculos", como nas músicas incidentais que criam uma atmosfera ímpar. Detalhe: no Multiplayer, por vÁrias vezes hÁ uma música de fundo que cria uma tensão nunca antes vista em partidas desse tipo. Simplesmente fantÁstico.

{break::Multiplayer #1}O Multiplayer de Max Payne 3 é a grande novidade, principalmente por trazer modos inovadores e que estarão presentes inclusive no Grand Theft Auto V, como a Guerra de Gangues.

HÁ outros modos de jogo, como os clÁssicos Deathmatch e Deathmatch em Equipes. Além desses, hÁ também Payne Killer, onde o objetivo é matar o Max Payne que é encarnado por um dos jogadores, como o próprio nome jÁ diz.

O modo "Guerra de Gangues", que é o grande destaque, suporta até 16 jogadores divididos em equipes jogando com vÁrios objetivos em mãos. Ou seja, esse modo possui história própria dividida em 5 capítulos. Quem criar o jogo pode usar uma história jÁ pronta ou criar uma personalizada, estipulando o que deve ser feito em cada capítulo.

As Gangues podem ser criadas diretamente no site oficial, e cada jogador pode participar de vÁrias delas. Conforme for jogando, dependendo da performance do grupo, a gangue recebe mais pontos e benefícios como armamentos e acessórios. E, como dito no início, tudo isso poderÁ ser usado no Multiplayer de Grand Theft Auto V.

{break::Multiplayer #2}Jogando os modos mais simples, como deathmatches, o jogador também acumula pontos e dinheiro, e assim pode avançar no ranking, desabilitar novas possibilidades e até uma customização totalmente personalizada do seu personagem.

Falando em personagem, existem dezenas deles no jogo. E para todo gosto, desde policiais, traficantes, até X9. Praticamente todos os personagens presentes no game pode ser escolhidos.

O funcionamento do Multiplayer é através do Social Club, que foi atualizado pela Rockstar e que agora lembra bastante o Windows Live da Microsoft. A mecânica é praticamente a mesma, sendo possível gerenciar amigos diretamente pelo aplicativo dentro do jogo usando a tecla Home.


Deixando os modos de jogo de lado, o que mais chama atenção nas partidas Multiplayer é a dinâmica durante a jogatina. A Rockstar fez um trabalho impecÁvel nesse quesito, onde um jogo nunca é igual ao outro. Eu explico: hÁ diversos fatores em cada partida que fazem com que ela seja única. Por exemplo, a trilha sonora que cria um clima de suspense nunca antes vista em um jogo Multiplayer. As músicas são constantes em determinados jogos, a ponto de deixar o jogador nervoso como se estivesse de verdade no campo de batalha.


Em uma das partidas, ambientada no mapa completo da favela Nova Esperança, o jogo de deathmatch começou com um nevoeiro que encobria quase tudo. Era difícil de enxergar algo. Em um determinado momento, com uma música de tensão jÁ tocando ao fundo, um tipo de ventania começou e acabou piorando as coisas porque você não sabia mais de onde estava vindo o som de passos e tiros. Além disso, os jogadores xingam uns aos outros com "cadê você, seu Cuz..?" "TÁ com medo, seu filho da p...?" e por aí vai. Mas não dava para saber de onde o som estava vindo. Realmente, a sensação é única.

{break::Conclusão & Prós e Contras}

Conclusão

Max Payne 3 é definitivamente um jogo pesado. Não em relação à performance, mas sim em relação ao seu conteúdo cheio de violência gratuita e palavrões. Uma pena, mas nós brasileiros jÁ estamos acostumados a ver esse tipo de coisa nas ruas e em telejornais.

Indiscutivelmente, Max Payne é um jogo imprescindível para quem gosta de jogos de ação realistas. Tudo nele é impecÁvel, tanto no visual quanto na jogabilidade clÁssica. E o mais importante: ele se adequa a qualquer PC relativamente recente e roda de uma maneira suave. mesmo usando tecnologias de ponta em um PC modesto. Nesse ponto a versão PC é bastante superior a do Console.

 


PRÓS
- Visual geral maravilhoso
- Realismo das animações
- Otimização digna de nota 10
- Multiplayer excelente
- Música dÁ o tom perfeito ao jogo
CONTRAS
- São Paulo?! Haa... nem percebi!
- Retrata um Brasil absurdamente violento
- 28.3 Gigas de espaço
- Relativamente curto, durando cerca de 8 horas
Assuntos
Tags
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.