ANÁLISE: Ghost Recon: Future Soldier (XBox 360)

ANÁLISE: Ghost Recon: Future Soldier (XBox 360)

A última vez que vimos um jogo da série "Ghost Recon" no Xbox 360 foi em 2007, com "Advanced Warfighter 2". A Ubisoft agora retoma os tiroteios tÁticos em terceira pessoa com "Future Soldier". O game, uma produção da filial francesa da companhia, não poupou esforços em tentar trazer algo inédito para o gênero. SerÁ que esse é o melhor episódio da franquia até hoje ou, pelo menos, merece ser jogado? É o que você irÁ descobrir nas próximas pÁginas.

Agradecemos à 505 Games pelo envio da versão para Xbox 360 do jogo para anÁlise

{break::Enredo e controles}O mundo estÁ em caos. Guerras de milícias acontecem por todos os cantos. Interesses políticos e econômicos das nações mais ricas fermentam o uso de forças militares especiais em diversos pontos do planeta. Esse é o cenÁrio que você encara quando assume o comando de Kozak, um membro de elite novato do Ghost (Grupo de Operações Especiais) dos EUA. Totalmente equipados com armamentos futuristas e acessórios de última geração, sua meta principal serÁ derrotar um grupo ultranacionalista e terrorista que toma o controle da Rússia e começa a invadir países vizinhos, como Noruega, Nigéria e Paquistão, na busca por ainda mais poder político e de fogo.

A campanha, que dura cerca de 11 horas, empolga e surpreende em diversos momentos. Mais pela seriedade dos objetivos e das ocasiões que exigem mais surdina. Além disso, diferente dos outros episódios, a trama não é exageradamente patriótica do ponto de vista norte-americano. As referências ao poderio militar dos Estados Unidos ainda estão presentes, é claro, mas o foco é na tecnologia usada para livrar o planeta de uma ameaça que estÁ atualmente na crescente. 

Mas é nos controles que "Ghost Recon: Future Soldier" realmente empolga. A configuração dos botões e suas respectivas ações, pelo menos na primeira hora, não é das melhores. A impressão que se tem é a de que você estÁ muito vulnerÁvel e, se aparecer um grupo de soldados inimigos, não irÁ sobreviver. Isso realmente acontece. Mas, calma, a situação não é grave e logo você se acostuma com os comandos e começa a se sentir o dono do pedaço. Espere, então, aprender a algumas tÁticas, principalmente a de tiro combinado com os outros parceiros do seu esquadrão: a sensação de poder e controle de jogo é algo ímpar gera uma sensação de superioridade muito gratificante. Ainda mais com as respostas precisas de cada uma das suas ações.

Além disso, o game incorpora mais stealth do que as outras versões. Conforme sugere o título do jogo, a intenção aqui é ser um fantasma no campo de batalha; ou seja, você terÁ que se esconder taticamente, rastejar, infilltrar nas bases alheias, destruir as ameaças, deixar o menor número de rastros possíveis e tentar sair vivo das missões. A dificuldade, para isso, é bastante equilibrada. Algumas missões realmente exigem raciocínio de guerra e é necessÁrio dar ordens exatas, agir como um agente secreto e programar bem sua investida antes de decidir sair da sua toca. É por isso que seu soldado usa, constantemente, uma camuflagem tecnologicamente avançada. Ela disfarça seu soldado de uma maneira bastante eficaz. Mas não fica ativada permanentemente. E ainda bem que é assim; senão, os desafios seriam fÁceis até demais, o que comprometeria a experiência como um todo.

A versão para Xbox 360 conta, ainda, com compatibilidade com o Kinect, acessório que dispensa controle para jogar. Da mesma forma como foi apresentado na E3 2011, é possível controlar seu soldado, mexer na configuração das suas armas, modificÁ-las como quiser (acoplar ou retirar incrementos, munição, acessórios extras de precisão, etc), mirar, apontar, checar acampamentos ao longe e até mesmo dar ordens por fala (em inglês) ao seu time. De uma maneira geral, a opção funciona com muita naturalidade.

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É verdade que é preciso um tempo para se familiarizar com a novidade e seus comandos centrais. O problema é que, quando você jÁ estiver confiante para continuar na aventura, é possível que seus braços jÁ estejam pedindo por descanso. Isso porque é necessÁrio mantê-los constantemente empunhados, como se fosse um soldado comum segurando sua arma/equipamento de guerra. Ainda assim, vale mais pela experimentação da novidade: é uma opção que transborda inovação e traz uma opção de gameplay que tenta ser mais realista e condizente com a tendência dos controles por movimento. 

{break::GrÁficos e Áudio}Um dos outros destaques de "Ghost Recon: Future Soldier" é o visual. É elogiÁvel o trabalho dos estúdios internos da Ubisoft em recriar todos os ambientes e os cenÁrios de guerra mais modernos. Para começar, a quantidade de detalhes em todos os cenÁrios é bastante grande grande. Seja onde você estiver, serÁ possível notar diversos aspectos e características únicas de cada uma das localidades por onde o jogo transcorre. Terrenos, rochedos, areias, entulhos, construções, prédios, veículos, paisagens remodeladas por interferências climÁticas, abrigos, cavernas, matagais, desertos, morros, vidraçarias, garrafas, tijolos, pedaços de tecidos, ferragens, galhos de Árvores, montantes de areia, dunas e fumaça  são apenas algumas das atrações perceptíveis durante a aventura. Se você se desligar por alguns momentos do seu objetivo central (ir até determinado ponto) e prestar atenção com mais afinco, verÁ objetos e itens antes "camuflados" pela sua atenção à sua missão, e poderÁ se surpreender ainda mais com a versatilidade da composição grÁfica.

O design de fases e personagens também convence bastante. Cada um dos cenÁrios reproduz com bastante fidelidade a condição climÁtica e regional (relevo, aspectos populacionais e econômicos) dos locais correspondentes às regiões do globo. Dessa forma, fica muito fÁcil se envolver com os acontecimentos do enredo, que passam uma excelente simulação de guerra moderna e, ao mesmo tempo, futurista. O que acentua essa identificação é a modelagem dos personagens: seja os integrantes do seu esquadrão ou os inimigos, são bem representados de acordo com seus países de origem, incluindo uniformes e armamentos. As expressões faciais é que não aproveitam o potencial que o título esbanja. Uma pena, jÁ que também poderia contribuir à experiência.

Mas é no Áudio que o game derrapa consideravelmente. Não estou falando da qualidade do som que, aqui, é absurdamente bem feita e encaixa sem deslizes com a proposta central do jogo. Refiro-me mais à composição das melodias: embora todas remetam a uma ambientação de guerra moderna, não são muito criativas e, em certos momentos, se tornam muito repetitivas. Não é algo que abala o envolvimento do jogador com a temÁtica, mas poderia ter sido melhor trabalhado. Ainda bem que os efeitos são absurdamente bem construídos em cada cena e as dublagens foram muito bem personalizadas pelo protagonista, seus auxiliares e superiores. 

{break::Conclusão}"Ghost Recon: Future Soldier" é, provavelmente, a melhor opção no mercado para quem curte jogos de tiro tÁtico em terceira pessoa. A campanha solo prende pela seriedade militar, as missões mesclam dignamente stealth com incursões violentas e a aventura não perde o fôlego, pois o enredo e a jogabilidade (o uso do Kinect é interessante) se completam e atuam conjuntamente na ótima execução das mecânicas do jogo. 

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Além disso, o jogo ainda traz modalidades multiplayer online. Ao todo, são 4 modos (Decoy, Deathmatch, Team Deathmatch e Guerilla), 3 classes para escolher (Engineer, Scout, Rifleman), e 10 mapas nos quais até 12 jogadores simultâneos podem interagir uns com os outros, seja em partidas individuais (competitivas) ou em equipes (cooperativas). As opções, embora não revolucionem, trazem boa dose de longevidade ao game, que não traz muitos incentivos para voltar a jogar após o término da temÁtica central.

 

 

PRÓS
Jogabilidade muito responsiva e bem configurada nos botões
Ambientação de guerra tÁtica
Planejamento de tÁticas em incursões e ataques em grupo
Seriedade militar na temÁtica
Ausência do patriotismo exacerbado americano
Composição grÁfica dos cenÁrios e muitos detalhes
Efeitos sonoros transmitem realismo
Co-op, inclusive no multiplayer online
CONTRAS
Trilha sonora não é marcante
Expressões faciais fracas
Enredo superficial, raso e um pouco clichê
Uso do Kinect cansa consideravelmente rÁpido
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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