ANÁLISE: Limbo (PS3)

ANÁLISE: Limbo (PS3)

É bastante impressionante o que os estúdios independentes de games têm lançado no mercado. Mesmo com orçamentos bem mais modestos, equipes de desenvolvimento menores e propostas muito mais simplistas, alguns dos jogos lançados por essas companhias conseguem ter qualidade muito superior a muitas franquias de renome. Dois casos mais recentes que estampam essa realidade são "Journey" (PS3) e "Fez" (X360).

"Limbo" é um outro desses casos dignos de elogios. Produzido pela dinamarquesa Playdead, o game chegou à Playstation Network (PS3) em meados do ano passado, mas foi somente agora que tive acesso a ele. O que eu posso adiantar logo de cara é que, da mesma forma como os dois exemplos acima, o título justifica todo a euforia dos jogadores e a recepção superpositiva de vÁrios veículos especializados.

Acompanhe a anÁlise do título nas próximas pÁginas.

{break::Enredo e controles}Um garoto simplesmente acorda no meio de uma floresta, no que parecer ser um lugar que transita entre a entrada e a saída do julgamento celestial (também conhecido na teologia cristã como o Limbo). E a única informação de que se tem à vista é que o protagonista estÁ em dúvidas quanto ao destino de sua irmã. Pronto, aqui estÁ toda a história do game, e não hÁ absolutamente mais nada além disso. Nada. Nem textos, informações extras, diÁlogos, mensagens, vídeos, cenas animadas, indicações de roteiro ou detalhes.

Tudo o que é preciso fazer é tentar descobrir o porquê sua pequena irmã estÁ num lugar tão hostil e sombrio como este. Sinceramente? Esse esquema não é ruim. É, na verdade, uma medida proposital da produtora. É possível perceber isso no enfoque que é dado à aventura: uma excelente combinação de sentimentos constantes como angústia, suspense, insegurança e funebridade do protagonista em relação aos ambientes que visita. Contudo, é claro que poderia ter sido  melhor desenvolvido, pois chega a ser frustrante passar por vÁrias armadilhas para, mais tarde, decepcionar-se com a conclusão sem ao menos ter entendido o propósito lúdico de todo o sofrimento do menino.

Felizmente, nada disso chega a atrapalhar a experiência de "Limbo". E um dos principais responsÁveis por essa marca são os controles do game: extremamente simples, mas absurdamente funcionais. Os jogadores mais modernos até podem torcer o nariz pela aparente limitação dos comandos, mas só existem dois botões de ação, um para pular (X) e outro agarrar (quadrado). E esse padrão é perfeitamente sustentÁvel e capaz de tornar a aventura muito marcante, exatamente como um jogo bom do gênero plataforma deve ser.

Durante o gameplay, você irÁ se deslocar lateralmente, verticalmente, pular, correr, pendurar-se em cordas e outras estruturas, deslizar-se, ativar alavancas, interruptores, subir e descer escadas, empurrar, agarrar e puxar objetos. Falando assim, até parece tudo muito fÁcil e comum. Mas não se engane: você vai morrer, muitas vezes. ChegarÁ a um momento que você se perderÁ na conta de quantas vezes terÁ morrido. Isso porque os quebra-cabeças, embora não muito difíceis, são bem elaborados, um pouco complexos, exigem raciocínio rÁpido e precisão dos movimentos mais bÁsicos do jogador.

Você é desafiado a todo momento a se sair melhor sobre aquele errinho bobo que cometeu na jogada anterior. A questão aqui é tentar para errar e tentar novamente. Se não conseguir, meus pêsames, tente fazer melhor. Outra vez. E mais outra. Mas não se preocupe: não é frutrante ter que repetir as mesmas partes vÁrias (dezenas de) vezes. Pelo menos em 80% da aventura... A situação só começa a complicar mesmo mais para o final, quando as partes com e sem gravidade começam a interferir e influenciar no personagem como nunca vi num jogo antes. São momentos muito inteligentes que irão requerer agilidade mental e muitos calculismo sob medida para acertar toda a sequência do momento.

{break::Visual e Áudio}Um segundo destaque de "Limbo" estÁ na parte visual. Para começo de conversa, o jogo trabalha apenas com duas paletas de cores: branco e preto (e suas variações, é claro, como o cinza claro e escuro). E exatamente nessa estética artística que estÁ toda a magia grÁfica que o game esbanja. O fato de caminhar no escuro, muitas vezes às cegas, sem saber exatamente onde pisa, jÁ gera uma sensação de vulnerabilidade e suspense ímpares.

Numa hora, por exemplo, um objeto camuflado pelas sombras ou disfarçado pelo cenÁrio que estÁ ali para te ajudar num enigma pode, numa outra ocasião, estar posicionado de uma forma teoricamente inocente mas, quando é tocado, ativa uma armadilha inesperada e te mata instantaneamente. É esse tipo de surpresa, com uma certa dose de espanto, que acontece todo momento.

Associado a isso, os ambientes são propositalmente escuros, preenchidos apenas com uma névoa mais rasa, cheios de detalhes enegrecidos, fúnebres e úmidos, chegando a estabelecer uma atmosfera constante de hostilidade e incerteza quanto ao que vem na próxima tela. Receios, angústias e perturbação constantes, mesmo que nada traumÁtico, são sensações instintivas que aparecem durante toda a aventura, que também mostra alguns tipos de inseto, vegetação, estruturas e algumas construções variadas.

No Áudio, "Limbo" também não faz feio. Não se pode descrever trilhas magníficas ou momentos de pura conexão emocional porque elas simplesmente não existem. Mas nem por isso, contudo, o silêncio reina durante o jogo: os efeitos sonoros, desde as passadas do herói, das armadilhas, dos animais que circundam o local, do "breu" de algumas Áreas mais inóspitas são incríveis e aguçam totalmente com a percepção auditiva do jogador.

Numa ocasião que exemplifica perfeitamente essa característica são alguns dos momentos em que só serÁ possível ver na tela os olhos brancos do protagonista. Nada mais. A partir dali, você terÁ que prestar atenção não somente na movimentação padrão das armadilhas, seus sons de proximidade e afastamento para poder programar sua próxima ação. É esse tipo de situação que trabalha muito a sua capacidade de interpretação através dos ouvidos. E é aqui que você descobre se eles estão bem treinados ou não (os meus até que estavam). 

{break::Conclusão}A tendência moderna dos jogos independentes tem nos trazidos grandes surpresas no mundo dos games. "Limbo" é definitivamente um desses exemplos e tem seu lugar garantido no pedestal das produções mais marcantes e importantes do ramo.

Seu maior problema é ser relativamente curto (cerca de 4 horas) e não ter nenhum tipo de extra para destravar. Até existem alguns colecionÁveis, mas obtê-los não influencia em absolutamente nada no jogo (bem que poderiam, talvez, modificar o final...) Nem por isso, entretanto, "Limbo" deixa de ser imperdível e uma grata surpresa. É altamente recomendado.

PRÓS
Excelente jogabilidade de plataforma com puzzles
Visual muito carismÁtico, que mescla tons de preto com branco
Efeitos sonoros muito convincentes e devidamente planejados
Puzzles inteligentes e desafiantes
Dificuldade crescente, mas não frustra
ColecionÁveis muito bem escondidos
Área extra na versão para PS3 é muito tensa *_*
CONTRAS
Enredo vazio
Final pior ainda
Curta duração (cerca de 4 horas)
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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