ANÁLISE: inFamous: Festival of Blood (PS3)

ANÁLISE: inFamous: Festival of Blood (PS3)

"inFamous" é uma das séries de ação exclusivas para o Playstation 3. Na onda do sucesso de críticas da franquia, a produtora Sucker Punch resolveu lançar "inFamous: Festival of Blood", um pacote de expansão para o elogiado segundo episódio e que estreou em meados do ano passado.

O resultado? Cole MacGrath agora ficou mais sombrio, ganhou poderes novos e precisa se livrar de uma praga que o transformou em vampiro, tudo por causa de uma mordida de uma vampira monstrenga safadona e cheia de intenções nada boas. Acompanhe a anÁlise do título disponível apenas por download (Playstation Network) a seguir.

{break::Enredo e controles}Por ser um spin-off de "inFamous 2", o enredo de "inFamous: Festival of Blood" não segue exatamente os acontecimentos da série principal. Mas, nem por isso deixa de ser interessante. A Noite da Pira é um evento que acontece todos os anos na New Marais, a cidade do jogo, em que moradores celebram a morte da Blood Mary (Maria Sangrenta), uma antiga entidade vampírica que costumava dominar o local. Só que a chupadora de sangue retornou e usou os poderes elétricos de Cole para reviver vÁrios seguidores do mal, reaver seu espaço nos tempos modernos e seu trono como rainha.

  

O herói precisa agora se livrar da nova reencarnação da bichana e tentar recuperar sua forma humana de volta e o controle da outrora pacata cidade. E, como não se sente tão bem assim sabendo que tem que transformar milhares de outros inocentes em vampiros para manter sua saúde, Cole não irÁ economizar forças para ter sua sanidade de volta. O desenrolar dos eventos não chega a atiçar muita curiosidade, mas é diferente ver como uma história folclórica pode ser adaptada a uma trama em que o foco é nos poderes elétricos herdados pelo protagonista. O destaque aqui fica mesmo para a ambientação mais escura e sombria das cenas, em ambos momentos de interação entre os personagens ou detalhes apresentados ao jogador. 

Para quem jogou os outros dos games da série, os controles não serão problema algum. A configuração dos botões é idêntica aos títulos anteriores, bem como suas funções e especificidades. Não existe falha de comandos e muito menos de ações. Cada uma executa uma habilidade específica e saber dosar todas elas com sabedoria, de acordo com cada momento e número de ameaças na tela, é essencial para sobreviver. A novidade da vez é a possibilidade de ativar uma espécie de visão vampírica em que Cole pode sobrevoar a cidade por quilômetros, desde que sua barra de sangue acumulado esteja cheia.

Se não estiver, basta atacar alguns humanos para enchê-la de volta (faça jus à nova temÁtica!) e voltar a explorar a cidade. É uma maneira muito rÁpida de se deslocar pelo grande cenÁrio e alcançar Áreas extras sem perder muito tempo. Além disso, a mesma habilidade deixa que Cole enxergue os humanos "por dentro" e analise seus esqueletos, numa espécie de raio-x. Se houver ossos e o corpo estiver vermelho (calor), são humanos. Caso contrÁrio, são inimigos demoníacos disfarçados. Isso ajuda bastante na hora de se livrar das ameaças sem ficar enrolando muito. 

Só que esse esquema poderia ser melhor trabalhado e passar a ter alguma influência no tradicional sistema de karma da série que, aqui, infelizmente, é inexistente. EstÁ certo que Cole agora é um vampiro e se vê obrigado a assassinar pessoas para poder viver. Mas antes tínhamos duas vertentes que deixavam o jogador fazer o próprio estilo sem estar preso a uma única ponta. Talvez a Sucker Punch pudesse ter pensado melhor nisso e ter feito a aniquilação dos monstros como o karma bom, ao passo que ao tirar a vida dos humanos o lado ruim da situação. Traria uma estratégia maior aos combates, ainda mais porque certas habilidades poderiam ser destravadas se cumpridos certos requisitos propostos pela mecânica central do jogo.

{break::Visual e Áudio}"inFamous: festival of Blood" usa a mesma engine grÁfica de "inFamous 2", o que lhe confere grande quantidade de recursos visuais, como composição bastante variada de objetos pelos cenÁrios, vÁrios detalhes das imperfeições dos ambientes e bom senso de escala durante os momentos de exploração (ou passeio) na grande cidade. Os efeitos de explosão e destruição dos cenÁrios também impressionam e chegam a rivalizar com o jogo da série principal.

Uma pena que, às vezes, pelo teor mais dark da aventura, algumas Áreas são escuras até demais e não é possível aproveitar todo o recurso visual que o jogo esbanja, o que impede a visualização de detalhes mais rebuscados. Não é algo que chega a incomodar ou até mesmo fazer falta, mas poderia ser melhor trabalho ou amenizado. Além disso, o design dos inimigos e monstros continua bastante repetitivo. Algumas estruturas, prédios e casas também são, às vezes, muito genéricas e não apresentam muitas variações.

A parte que menos agrada no título, contudo, é certamente o Áudio. O título não tem músicas ou trilhas muito marcantes. Não daqueles tipos que ficam grudadas na cabeça e muitas das cenas de combate que estão ali nem mesmo apresentam uma melodia de fundo. Isso até pode ser explicado porque, como Cole abusa dos poderes elétricos, explosões e destruição acontecem o tempo todo, o que nos impede de ouvir qualquer ruído extra. De vez em quando, apenas um rock mais "pauleira" agracia os momentos mais tensos, especialmente em batalhas contra alguns monstros mais fortes ou chefes.

O destaque dessa parte fica mesmo para as dublagens. A montagem e corte de voz são muito bem feitas e, no inglês, casam muito bem com todos os personagens, que possuem sotaques diferenciados e expressões próprias bem características das raças que pertencem. No português brasileiro é que a situação derrapa um pouco. As vozes até combinam com a personalidade dos protagonistas da história mas, às vezes, muitas falas não seguem a emoção do momento e até mesmo parecem ter sido ditas rÁpidas demais apenas pelo propósito de encaixe com o movimento das bocas. Fora isso, os efeitos acentuam o dinamismo sonoro e fazem com que New Marais se apresente mais vívida do que realmente demonstra ser.

{break::Conclusão}Com cerca de 3 horas de jogo (jogando sem pressa e buscando alguns coletÁveis), "inFamous: Festival of Blood" é mais recomendado para quem jÁ é fã da série de ação. Os que aterrissarem aqui pela primeira vez poderão se sentir deslocados por não entender exatamente como o herói conseguiu poderes elétricos e todo o alvoroço que levou Blood Mary a transformÁ-lo em vampiro.

Embora não existam missões paralelas nativas para dar mais longevidade à aventura (cairia como uma luva para uma expansão), existem vÁrios itens espalhados pela cidade para colecionar. Também é possível criar e jogar novos níveis desenvolvidos por outros jogadores conectados à Playstation Network, o que traz alguma novidade ao pacote. Por fim, o título também é compatível com o Playstation Move, acessório de movimento do console, mas você irÁ preferir usar o controle tradicional à ficar rebolando la frente da TV. Tenho certeza.

PRÓS
Jogabilidade
Ótima variação de ataques e habilidades 
Grande cenÁrio para explorar
GrÁficos decentes
Interpretação da personalidade dos personagens
Missões criadas por outros usuÁrios
Preço (US$ 10)
CONTRAS
Enredo simples
Trilha sonora não é marcante
Aventura curta (cerca de 4 horas, no mÁximo)
Ausência do sistema de karma
Não tem missões paralelas
Baixo valor replay
Dublagem brasileira meio cafona
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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