ANÁLISE: Binary Domain

ANÁLISE: Binary Domain

O criador da franquia Yakuza, game exclusivo para Playstation 3, Toshihiro Nagoshi, resolveu mudar de ares e se aventurar na ficção científica, e para isso idealizou o game que vamos falar nesta anÁlise.

A SEGA resolveu pegar esse jogo e criar uma nova franquia. Trata-se de Binary Domain, um game de ação futurística jogado em terceira pessoa com uma legítima história de ficção científica.

O fato é que a SEGA, que jÁ não anda bem das pernas, resolveu apostar tudo em Binary Domain. Mas serÁ que isso vai dar certo? SerÁ realmente o início de uma nova franquia de sucesso? Veremos no final.


História
Quem jogar Binary Domain vai se lembrar de vÁrios filmes famosos, dentre eles "Eu, Robô", "O Exterminador do Futuro 4" e até o consagrado "Blade Runner".

A história se passa em 2080 na cidade de Tóquio, onde uma corporação chamada "Amada" cria robôs diversos, e alguns deles pensam ser pessoas de verdade, chamados de "crianças ocas". O problema é que os robôs são idênticos aos humanos ficando impossível distinguir quem é quem, e isso fere uma clÁusula do Código de Genebra. Para encontrar e derrotar a Amada foi criado uma equipe com mercenÁrios de vÁrias localidades do mundo, dentre elas, Reino Unido, China, Estados Unidos e França. A equipe é comandada pelo Sargento Dan Marshall, que é o personagem controlado pelo jogador.

O interessante é que a história não se mostra superficial. Existem conflitos internos de relação humana e até mesmo amorosa além de vÁrias reviravoltas a ponto do jogador não saber mais quem é quem. Quando se acha que o jogo vai acabar, um novo acontecimento surge e, além de inesperado, é bem maior do que o anterior. É interessante observar como se desenrola a história principalmente por ser um game e não um filme.

Ao que parece, o grande intuito de se criar um enredo desses é criticar o mundo atual, como nós nos relacionamos com as mÁquinas e mostrar que esse futuro distante apresentado no jogo pode não ser tão impossível quanto parece.

Mas o grande destaque da história de Binary Domain é o seu final. Talvez um dos finais mais bem bolados e aceitÁveis dos últimos anos em termos de jogo. Com certeza daria um filme de sucesso. Dica: assista todo o crédito após terminar o game!

O game Binary Domain nos foi enviado pela XOGO Gaming Network, plataforma de vendas digitais que como diferencial aceita cartões de créditos nacionais, podendo ser parcelada a compra, e ainda boletos bancÁrios para quem não possui cartão.

{break::Jogabilidade #1}Binary Domain usa uma mecânica consagrada do clÁssico Gears of War para jogos em terceira pessoa. Embora a jogabilidade seja bÁsica, sem muitos problemas, Binary traz algumas inovações como a interação com os outros personagens.

O jogador pode conversar com cada um da sua equipe e dependendo da conversa, o relacionamento entre os personagens se altera de forma que em determinados momentos eles podem ou não te ajudar, ajudar mais ou ajudar menos. Podem até mesmo resolver todo o problema para você. O jogador pode criar uma antipatia com algum personagem e até mesmo uma relação amorosa com uma personagem feminina.

Quando se fala em conversar, é conversar de verdade. O jogo possui um sistema de voz onde se usa um microfone para se comunicar com a equipe, dando as ordens por meio de falas. Na teoria tudo parece maravilhoso, mas na prÁtica as coisas não são bem assim. Nos testes só consegui usar corretamente uma vez o recurso da fala, nas outras vezes sempre dava errado. Resumindo: tive que desabilitar esse recurso e usar o teclado.

Além dessa interação por meio de conversas, o jogador ainda pode "ajudar" cada um deles comprando upgrades de armas e "nano circuitos" para as roupas e modificando cada uma delas ao seu gosto. O interessante é que o jogador escolhe quem vai com você para as missões. Então convém fazer upgrade nos personagens que mais usa.


Engana-se quem pensa que em Binary Domain basta atirar no inimigo e pronto. Aqui precisa de certa estratégia, como em uma invasão de robôs o jogador "arrancar" a cabeça de um deles com um tiro e assim esse robô passar a atacar os outros robôs. Parece fÁcil? Sim, no início é fÁcil, mas o problema é que se você fizer muitas vezes isso, basta arrancar a cabeça de um deles que todos os outros atacam e destroem esse que estÁ sem a cabeça.

{break::Jogabilidade #2}Interessante também é o fato dos robôs terem Áreas específicas para o impacto dos tiros, cada uma com uma reação diferente, ou seja, você pode até arrancar a arma deles, ou um braço, uma perna, ou até mesmo a metade do corpo. O que acontece? Eles continuam te atacando, e por vezes se arrastando até você. As partes soltas também têm "vida" própria e te atacam. Para destruir de vez, só explodindo-os.


Obviamente como todo jogo japonês que se preza, Binary Domain também tem seus "chefes de fase". O detalhe aqui é que é preciso um jogo de equipe para que se consiga destruir alguns desses "chefes". Por exemplo, o jogador pode ordenar que cada membro da equipe vÁ para um canto e atire no robô gigante a fim de chamar a atenção dele, enquanto que o jogador o ataca por trÁs. É bem interessante, jÁ que isso faz com que existam mil maneiras de detonar o inimigo. Claro que o jogador pode encarar esses enormes robôs de peito aberto, mas assim fica bem mais difícil destruí-lo e, consequentemente, mais fÁcil de morrer.

Em Binary Domain existe um tipo de quiosque eletrônico chamado SDS (Supplies Distribution System) onde o jogador compra armas, munições e nano circuitos, além de fazer upgrades nos armamentos. Para quem gosta de algo mais desafiador, tem um lado ruim: esses SDS's estão em tudo quanto é canto, ficando ridiculamente fÁcil ter sempre armas e munições a qualquer momento. Além disso, os créditos que se ganha com a destruição dos robôs é bem alto, o que torna tudo muito mais fÁcil.

Se jÁ não bastasse, quando se usa um desses quiosques o jogo para. Em todas as grandes batalhas do game existe um SDS por perto. EstÁ morrendo? Sem munição? Basta ir ao quiosque e comprar mais. Mas não se preocupe, os robôs esperam você fazer a comprinha (!!).


{break::GrÁficos #1}O visual de Binary Domain tem seus altos e baixos. O início do jogo parece mediano, com texturas abaixo da média e efeitos relativamente toscos, o que pode afugentar muitos jogadores.

Mas a coisa muda de figura depois dessa parte inicial, que, aliÁs, é o prólogo do jogo. Após essa pequena missão em dupla, o jogo inicia de fato.

A partir daí o visual do game muda e melhora sensivelmente, com efeitos bem bacanas, texturas um pouco melhores - embora nunca em alta definição, o que é uma lÁstima - e Áreas mais complexas e detalhadas.


O grande destaque no grÁfico do jogo, sem sombra de dúvida, são os robôs. Eles são extremamente detalhados e quando "levam chumbo" o espetÁculo visual é indescritível. A quantidade de detritos que voam e caem com os impactos dos tiros é lindo e muito bem feito. Em algums momentos a quantidade é tão exagerada que por vezes faz pensar como que o jogo não fica lento. Experimente detonar uma horda de inimigos ao mesmo tempo e observe o espetÁculo visual.

A notícia ruim é que esses detritos não ficam pelo chão. Eles simplesmente desaparecem depois de alguns segundos. Uma pena.

Com o impacto dos tiros, os robôs podem ser divididos em vÁrias partes e ainda sim continuam atirando e/ou rastejando tanto para te atacar quanto para se esconder. E tudo isso muito bem animado.


{break::GrÁficos #2}Falando em animação, em Binary Domain isso é outro destaque. As animações tanto dos personagens principais quanto dos inimigos e ainda dos NPC's presentes no game, estão acima da média. A fluidez com que os personagens se movimentam estÁ entre as melhores em games desse estilo.


Uma característica marcante de jogos japoneses também estÁ presente no visual de Binary Domain. Sempre que algo grande estÁ por acontecer, a câmera foca rapidamente em close o rosto de Dan Marshall e a partir daí a ação começa. Isso é uma característica da cultura Japonesa, porque é usada tanto em games quanto em filmes, para gerar suspense.

Obviamente que para um jogo de PC faltou texturas mais definidas e a "permanência" dos detritos pelo chão usando uma API de física para isso. O motivo é que hoje hÁ uma tendência para que um jogo fique o mais "igual" possível entre a versão console e PC. Salvo raras exceções.

Apesar dessa falta de "extras" da versão de Binary Domain para o PC, ela se sai bem, e às vezes acima da média, o que jÁ é um grande ganho para uma game "consolizado" – baseado em consoles.


{break::Áudio}Binary Domain segue novamente a linha de jogos "japoneses" no que se refere a questões de Áudio, principalmente nas músicas, que tendem a ser rÁpidas e com batidas eletrônicas.

O uso desse tipo de música não agrada tanto, a ponto de tornar o jogo "infantilizado" demais quando começa a tocar. Imagina uma situação de suspense na qual após uma breve calmaria a ação frenética começa. Nesse ponto poderia ser usado uma música de suspense, mas não, é inserida uma trilha rÁpida e artificial que lembram jogos clÁssicos japoneses com tons infantis.  As músicas chegam a lembrar jogos de plataforma antigos e jogos de tiro arcade daqueles de fliperama dos anos 80/90, dentre outros. Claro, hÁ alguns momentos que a música é relativamente boa, orquestrada, mas são raros.


Por outro lado, os efeitos sonoros são ótimos e passam a sensação de metal e robôs, afinal é disso que o jogo trata. As dublagens foram caprichadas principalmente no que diz respeito ao sotaque dos personagens - observem o agente Inglês, com seu sotaque característico e sarcÁstico. O robô francês então, nem se fala.

Por falar em dublagens, o jogo se passa em Tóquio, e por esse motivo os diÁlogos dos nativos são em Japonês mesmo. Bacana essa ideia da produtora, passando uma sensação de realismo na ambientação local.

{break::Multiplayer}O Multiplayer de Binary Domain pode ser considerado uma das maiores frustrações dos últimos meses ao se tratar de jogos eletrônicos. Eu Explico:

O jogo foi criado para ser jogado em equipe, tanto que antes de cada missão o jogador escolhe seus companheiros dentre os cinco presentes no game, cada um com suas habilidades e características. Agora pense no seguinte: um jogo que é jogado em equipe e possui modo Multiplayer. O que vem a cabeça? Cooperativo!


Atualmente um jogo com modo Cooperativo é praticamente um sucesso garantido, na pior hipótese serÁ sempre melhor do que não ter o tal modo.

Aí que vem o problema: alguns lugares andam anunciando que o jogo tem modo Multiplayer cooperativo, o que leva a crer que o jogo pode ser jogado dessa forma. Não é verdade! De fato ele tem modo cooperativo, mas em times e mapas fechados como maioria dos jogos que possuem Multiplayer. Ou seja, não tem o "original" modo cooperativo no qual se joga o modo campanha com amigos.

A conseqüência disso tudo? O Multiplayer de Binary Domain estÁ vazio. Não tem jogador, até porque para partidas em equipe são necessÁrios, no mínimo, seis jogadores. Além disso, o Multiplayer é genérico, sem atrativos, com grÁficos inferiores aos do modo campanha e o pior: pouquíssimos mapas.

Aqui cabe uma pergunta: com perdão do trocadilho, porque "diabos" a produtora Devil's Details não fez um modo cooperativo "real" para se jogar a campanha do game com os amigos? A mecânica do jogo tinha tudo pra ser cooperativa. O jogo seria um sucesso estrondoso caso tivesse essa possibilidade. Realmente uma pena.

Para dizer que não foi testado o Multiplayer, o mÁximo que aconteceu foi passear pelos mapas e em uma das vezes dois jogadores apareceram, deram uma voltinha, reclamaram e saíram. Isso deixa claro que o Multiplayer de Binary Domain é bem descartÁvel.

{break::Conclusão, Prós & Contras}Binary Domain chega como uma grata surpresa e é a aposta da SEGA para criar uma franquia de sucesso. Com uma história muito acima da média, claramente rivalizando com filmes de sucesso, uma jogabilidade ótima, um visual caprichado, o jogo se destaca nesse primeiro semestre.

O lado negativo é o seu Multiplayer, que parece incompleto jÁ que poderia ter um modo cooperativo na campanha principal.

Binary Domain é um ótimo jogo e, respondendo a pergunta do início da anÁlise, faz com que a Sega comece com o pé direito na criação de uma nova franquia.


PRÓS
- História magnífica
- Destruição dos robôs é de encher os olhos, e a tela
- A ideia do recurso de usar a voz é muito bem vindo
- Ideia de interagir com a equipe é interessante e diverte
- O final do game é ótimo
- Belo início de uma franquia
CONTRAS
- Poderia ser menos "consolizado" e mais "PClizado"
- Recurso de usar a voz definitivamente não funciona
- Visual algumas vezes deixa a desejar
- Não tem modo Cooperativo na campanha
- Multiplayer simplório e descartÁvel
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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