ANÁLISE: The Adventures of TinTin: The Game (PS3)

ANÁLISE: The Adventures of TinTin: The Game (PS3)

É tão comum nos dias de hoje um jogo ser lançado junto com uma superprodução do cinema que logo caímos na ideia de que um game baseado em filme é uma porcaria. Convenhamos que a premissa é verdadeira em praticamente todos os casos. Felizmente, "As Aventuras de TinTin: O Jogo", produzido pela Ubisoft, se distancia um pouco desse abismo. Não, aqui não estÁ o melhor jogo jÁ produzido a partir de um filme. Mas nem de longe também pode ser considerado ruim. Uma das grandes proezas do game é, justamente, apoiar-se no mundo da telona dirigido por Steven Spielberg e trazer uma adaptação, embora menos profunda, ao Playstation 3.



JÁ adianto que os mirins certamente irão se divertir com a aventura. O legal é que até mesmo os veteranos poderão se identificar com proposta, pois existem situações que agradam pela maneira e simplicidade com que o game se apresenta. Quer saber que momentos são esses? Leia a anÁlise nas pÁginas a seguir. 

{break::Enredo e jogabilidade}Baseado no filme homônimo, a trama do "As Aventuras de TinTin: O Jogo" conta a história do jovem repórter belga que não perde a chance de explorar o desconhecido e descobrir mistérios ocultos. Aqui, tudo gira em torno de uma miniatura de navio, cujo pergaminho escondido no interior da carcaça revela um grande segredo secular. Com cerca de 7 horas de aventura, tudo é contado de maneira bastante direta e sem enrolações, com diÁlogos fÁceis e cenas não interativas divertidas, que muito remetem à dinâmica da obra do cinema.

Mas existem alguns momentos desenvolvidos apenas para aparecer no jogo e que não têm muita ligação com o filme. Quem o assistiu, por exemplo, deve estranhar (ou gostar da surpresa) a presença de algumas cenas inéditas e de, até mesmo, a ausência do vilão original que, no jogo, é substituído por personagens secundÁrios (capangas comuns) que não são assim tão essenciais na história como um todo. Nem por isso, contudo, o enredo parece ser deslocado demonstra-se casar com a proposta de "caça ao tesouro" de uma maneira consideravelmente convincente.  



JÁ nos controles, "As Aventuras de TinTin: O Jogo" agrada em alguns aspectos e não convence em outros. Para começar, os comandos são todos muito simples de executar, sem falhas de resposta ou confusões de posicionamento dos botões. Na maior parte do tempo, o jogo é típico de plataforma/aventura 2D (rolamento lateral) que os jogadores mais experientes logo reconhecerão por tamanha semelhança de proposta com a de clÁssicos como "Prince of Persia" e "Pitfall". É claro que novas adaptações ao 3D foram adicionadas, mas a ideia é bastante parecida.

Nos momentos em que o jogo sai dessa mecânica, é possível entender seu potencial de aventura. Muitas vezes, as ações permitidas pela jogabilidade se tornam mais divertidas porque colocam o jogador em situações mais variadas, típicas de jogos do gênero. É o caso de cenas onde TinTin foge, à pé, da perseguição de carros, abate aviões, enfrenta motoqueiros enfurecidos por desertos, escala e salta pela laterais de um navio cargueiro e escapa de uma inundação no mesmo navio com a câmera mostrando toda a fúria da Água em perspectiva de frente para o herói. São ocasiões deste tipo que revigoram o título como um todo, não deixando o pique esfriar e fazendo com que o jogador tenha curiosidade para saber o que vai acontecer a seguir, mesmo que jÁ conheça a história do filme.



Só critico aqui duas cosias: 1) muitas vezes, os objetivos começam a ficar repetitivos, assim como o design de fases. Tem-se a impressão de que, por falta de pretexto, os longos cenÁrios não conseguem defender a ideia de que não são curtos, e acabam apresentando breves pancadarias (combates simples) e jogar alguns itens contra os inimigos também os derrubam facilmente. Não entro em discussão quanto à dificuldade das missões porque o jogo é intencionalmente feito para os mirins (e jogadores iniciantes), o mesmo público do filme. Mas não existem, por exemplo, puzzles desafiantes que façam pensar em alternativas de resolução de maneira intuitiva e menos passiva.



2) Também seria muito bom se as tais variações da jogabilidade que citei ganhassem momentos mais duradouros e não fossem utilizados apenas como forma de breves minigames entre os cenÁrios principais (e nem como opção de tela de loading!). Por vezes, parece que estão ali apenas para camuflar a repetição dos desafios e do vai e vem dos estÁgios, que insistem em se interligarem por pequenas escadas e portas que se interconectam com outras nos andares superiores ou inferiores. É uma esquema que muito lembra "The Mask", só que de um jeito menos divertido e dinâmico. Ainda assim, diverte pela simplicidade e descompromisso da temÁtica. 

{break::Visual e Áudio}Nos grÁficos, "As Aventuras de TinTin: O Jogo" é idêntico à obra das telonas. Todo o estilo cartunesco que remete às produções cinematogrÁficas das animações atuais estÁ ali. Da mesma forma que o filme, todos os objetos, cenÁrios, personagens, itens e cenas não-interativas foram feitas a partir da modelagem original de cada detalhe.



 É claro que alguns detalhes foram adaptados às condições de processamentos das plataformas que recebem o jogo mas, no Playstation 3, agrada pela dosagem artística infantil que rege a aventura. Pequenos defeitos de textura, serrilhados e colisão também acontecem, mas não chegam a incomodar. 



Na parte sonora, a produtora transportou grande parte das produções da telona para o jogo. As principais composições estão ali e sempre dão o tom das cenas: na hora da ação mais rÁpida, fortes batidas orquestradas acompanham o ritmo frenético e ligeiro da jogabilidade. Em partes mais serenas, seja em hora de resolver quebra-cabeças, chegar sorrateiramente nos inimigos ou apenas farejar pistas, a calmaria impera na música do momento.

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O destaque mesmo fica para as dublagens (em inglês): são sempre bem animadas e empolgantes. Por vezes, consegue-se perceber qual a intenção do protagonista (e dos outros personagens) apenas pela maneira e entonação como falam. Todas as vozes são muito características e refletem a personalidade e aparência física de quem as possui.

{break::Conclusão}"As Aventuras de Tintin: O Jogo" diverte pela simples proposta em adaptar as aventuras do repórter juvenil dos cinemas aos videogames. O jogo é certamente mais indicado aos jogadores iniciantes (mirins), que procuram por uma aventura emocionante, e ao mesmo tempo tranquila, sem dificuldade aparente. Os veteranos podem se decepcionar com a baixíssima dificuldade dos combates e da facilidade de todos os puzzles, que raramente propõem algo realmente desafiante.




Por fim, o jogo também traz um multiplayer cooperativo local. Aqui estÁ uma boa alternativa  para aproveitar o game como um todo. A modalidade diverte em diversos aspectos e agrada pelas atividades em conjunto com um amigo. Alguns objetivos exigem coordenação entre as decisões e os controles de ambos os jogadores precisam funcionar em harmonia para se darem bem.  Ainda, é possível utilizar o acessório de movimentos Playstation Move no jogo, juntamente com o recurso 3D estereoscópico.


PRÓS
Estilo cartunesco do cinema no jogo
Momentos variantes de ação na aventura
Controles bem acessíveis
Aventura tranquila e sem enrolações
Dublagens muito cativantes
Músicas sempre combinam com as cenas
Os mirins irão adorar
Co-op local
CONTRAS
Muito fÁcil
Desafios de baixa dificuldade
Puzzles simplórios
Design de fases repetitivo
Serrilhados e alguns screen-tearings
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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