ANÁLISE: NeverDead (PS3)

ANÁLISE: NeverDead (PS3)

Bizzaro. Não existe palavra melhor para definir a sensação ao jogar "NeverDead", novo jogo de ação e tiro produzido pela Rebellion Games e distribuído no Brasil pela Konami. O festival de coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo na tela muitas vezes surpreende. Não exatamente pelo lado bom da situação, digamos assim. Na maioria das vezes, é pelo descaso com o jogador e a ruindade das ocasiões.



Mas, calma, nem tudo estÁ perdido. O título nem de todo é ruim e tem seus momentos interessantes. Poucos, é verdade, mas eles existem. Só que, quando acontecem, mais parecem que a produtora deixou de aproveitar o potencial da temÁtica (imortalidade/demônios) e colocou piadinhas sem graça que até agradam num primeiro momento, mas que logo se tornam repetitivas.



Quer saber que tipos de situações são essas? Então leia as pÁginas da anÁlise a seguir. Desafio qualquer um a gostar do que lê. Mas, jÁ adianto: tenho quase certeza que quase ninguém se empolgarÁ nem darÁ "muita bola" para o jogo.

{break::Enredo e jogabilidade}HÁ 5 mil anos, após ser derrotado e ver sua mulher ser assassinada pelo demônio Astaroth, um dos mais poderosos no seu mundo, Bryce Boltzmann conseguiu a imortalidade. Para muitos, essa conquista serviria como uma benção. Não no caso do herói, que além de não poder descansar em paz, precisa conviver com lembranças de sua esposa assassinada hÁ mais de 500 anos.

Seu objetivo principal?  Caçar todos os demônios, eliminar seu inimigo e tentar recuperar sua alma a todo custo. Claro que, tudo isso, em tom de vingança numa jornada contra forças superiores cheias de ódio contra qualquer um que aparecer pela frente. No meio tempo, Bryce conhece a detetive Arcadia Maximille. Os dois juntam forças e agora devem combater uma gigantesca invasão demoníaca que estÁ prestes a destruir o tempo como o conhecemos hoje.

Aparentemente, a aventura parece bastante promissora e você logo fica esperando por revelações e momentos épicos de batalha nas cenas e na maneira como tudo isso é contado. Infelizmente, não é isso o que acontece. As CGs até são bastante bonitas e convincentes mas, fora isso, tudo ocorre de forma muito robótica. Até mesmo a relação entre os dois personagens não tem muita química, o que minimiza ainda mais o seu interesse pelo o que rola nos intermediÁrios entre um capítulo e outro.

Um dos – únicos – pontos mais fortes de "NeverDead" é certamente a jogabilidade. É muito fÁcil se acostumar com os comandos e tudo é executado sem nenhum tipo de contratempo ou falhas de respostas. Só que, do mesmo jeito rÁpido que você se familiariza com tudo, muito rapidamente você também começa a enjoar. Primeiro que a movimentação é um pouco travada. E a idéia de ter um personagem imortal, que nem se cortar a sua cabeça irÁ matÁ-lo, é bastante interessante e pode empolgar por algumas horas.



Agora, imagine que você, de repente, é dilacerado e seu corpo fica estirado no chão. Game Over, certo? Errado. No melhor estilo bizarro da situação, você ainda pode controlar (rolar) a cabeça de Bryce, completar algum objetivo com ela ou, se conseguir, reunir com os restos do seu ex-corpo e reconstrui-lo apenas por métodos de montagem! O mesmo pode ser feito com seus braços, que podem ser arrancados de acordo com suas vontades e atirados nos inimigos. Esse esquema se repete à exaustão. Por diversas vezes, inclusive, é obrigatório fazê-los para prosseguir nos cenÁrios.



A princípio, é diferente e divertido. Ao mesmo tempo, causa repulsa pela "brutalidade casual" inesperada e começa a parecer como uma baita chance desperdiçada em usar os mesmos elementos, aliados aos tiroteios por vezes frenéticos, para produzir algo realmente agradÁvel e inovador de se jogar. Os combates com espadas, ainda, também agradam momentaneamente. Além disso, os chefes de cada capítulo trazem dinâmicas de jogo que incluem os mesmos recursos, só que com algum propósito mais claro, e não uma situação com descaso da produção, que fica ainda mais evidenciado com alguns problemas de posicionamento e disposição da câmera.



Fora isso, os inimigos ressurgem incansavelmente nos cenÁrios a menos que você destrua suas fontes de vida, uma espécie de casulo mutante. Esse esquema se repete de uma forma tão frequente que é bem possível que você acabe cansando do jogo por volta do terceiro capítulo. Levado em conta que a cada nova sala ou nos ambientes ao redor a mesma enrolação volta a acontecer sem qualquer tipo de novidade ou propósito mais claro, é ainda possível que você acabe desistindo do jogo no segundo capítulo caso nada mais de "bom" o tenha chamado atenção para continuar. Nem mesmo as habilidades destravÁveis são capazes de fazer você se empolgar com o que tem em mãos e prosseguir na caçada. Uma pena! ;(

{break::GrÁficos e Áudio}"NeverDead" pouco agrada em aspectos visuais. O primeiro deles é a composição de alguns dos cenÁrios. Em locais mais abertos, por exemplo, é possível perceber detalhes mais abrangentes, como vegetação, paisagens de cidades ao fundo, construções, diferentes tipos de elementos (rochas, pedregulhos, grades, etc) e alguma manifestação rÁpida do clima.

Em compensação, a maioria das localidades do games tem design bastante repetitivo, principalmente dentro de casarões, museus, prédios e outras atrações. As cores e o brilho de cada um deles é do tipo "lavada" e pouco realista. Além disso, a produtora fez questão de fazer com que muitos objetos fossem destrutíveis e que pudessem ser quebrados (ou pouco alterados) durante a partida. Beleza, destruir coisas é divertido mesmo.

E, sabendo que faz parte da intenção do jogo e que essa possibilidade casa bem com a história, é uma atração perfeitamente entendível de fazer-se presente. Mas é exatamente a partir dela que outros problemas de execução ganham força. São eles: sistemas de física e partículas muito simplórios, colisão de objetos capenga e pouca fidelidade de texturas. Isso não seria uma crítica exclusivamente negativa se o caso não fosse muito grave. Mas é. Acredito que para os padrões que os jogos atuais apara consoles conseguem mostrar, é inadmissível que produções descuidadas nos grÁficos ganhem algum crédito. Afinal, por mais que este não seja, para mim, o principal quesito de um game, faz parte da experiência como um todo.



Além disso, o design dos oponentes também não agrada muito. São extremamente repetidos e não apresentam muitas variações. São bastante monótonos e sem graça. Nem chegam a realmente passar aquela sensação de ameaça altamente letal. Para muitos, podem parecer realmente como bichinhos de pelúcia. Prepare-se para encarar os mesmos tipinhos durante toda a aventura. Nos chefes é que a situação muda um pouco. Ganharam uma espécie de atenção diferente e garantem a veracidade do tipo de ameaça que representam. Fora isso, as expressões faciais não convencem muito e não passam quase nenhum tipo de fidelidade às cenas de interação do enredo. O descuido aqui é generalizado. Isso porque nem citei os constantes problemas de framerate, screen-tearing e carregamento retardatÁrio de alguns objetos.



No Áudio, "NeverDead" certamente agrada aos amantes do rock ‘n roll de qualidade. Isso porque a trilha sonora, além de algumas músicas aleatórias que remetem ao estilo, trazem algumas canções produzidas por Dave Mustaine, frontman da banda Megadeth. Algumas canções realmente empolgam e trazem todo o "feeling" vampírico agitado à trama, com fortes batidas e sequências de guitarra únicas. Mas a grande maioria parece não encaixar muito bem com a dinâmica do gameplay, além de possuír cortes que mais parecem não terem sido pensados com calma e paciência para um looping mais significativo e bem planejado.

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{break::Conclusão}Se chegou até aqui, você deve estar pensando em uma única coisa: jamais gastarei meu suado dinheiro num jogo destes. Sinceramente? você tem toda a razão em pensar deste jeito e existem dezenas de outros opções menos sofríveis pra investir. "NeverDead" é desajeitado, mal polido, repetitivo, enjoativo, limitado e parece querer que você engula um amontoado de clichês que, nem mesmo a rica proposta da imortalidade, consegue disfarçar.


Para os amantes do multiplayer, prepare-se para esperar por longos tempos até alguém entrar na partida, que não acontecem com muita frequência justamente porque ninguém quer perder tempo com o jogo. Mas uma vez em batalha, as modalidades se resumem a 13 missões, cooperativas (hordas de inimigos para abater ou resgate de pessoas indefesas) ou competitivas (maior pontuador vence). Não é algo que irÁ fazer falta ou trazer alguma novidade ao gênero ou aos desafios online.

"NeverDead" poderia ter ficado na incubadora por mais tempo para poder realmente fazer sentido de existir. É mais do que evidente que o investimento não foi bem aproveitado pela produtora: o jogo estÁ fadado a cair no esquecimento ou aparecer por aquelas listinhas de grandes decepções, micos ou ideias mal aproveitadas que aparecem todos os anos.


PRÓS
Habilidades destravÁveis
Primeira hora de jogo
Alguns ambientes externos são bonitos
Variação de chefes
CGs empolgantes
CONTRAS
Jogabilidade repetitiva
Enjoa rÁpido
GrÁficos cheios de problemas
Áudio agrada em pouquíssimos momentos
Falta de polimento
Potencial perdido
Multiplayer online "enche linguiça"
Enredo mal executado
Personagens não são carismÁticos
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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