ANÁLISE: The Elder Scrolls V: Skyrim

ANÁLISE: The Elder Scrolls V: Skyrim

Posso estÁ exagerando, mas para uma legião de milhões de fãs de RPG ao redor do planeta, o mundo dos jogos eletrônicos não é mais o mesmo desde 11 de novembro de 2011. Isto porque foi justamente na emblemÁtica data de 11/11/11, que a Bethesda escolheu para lançar o quinto episódio da consagrada série "The Elder Scrolls" (TES).

Confesso que fiquei extremamente empolgado com as primeiras notícias sobre o jogo. Recordo-me claramente do primeiro rumor, ainda em 2009, contando os primeiros detalhes a cerca da história do game (revelando inclusive o nome oficial – Skyrim).
Foram 5 anos de muita espera e expectativa em torno do quinto episódio da série. A Bethesda é conhecida pela "lentidão" no desenvolvimento de seus games. Entretanto, esta demora valeu cada ano, mês e dia.

Seguindo o ditado de "time que estÁ ganhando não se mexe", a Bethesda procurou não "reinventar a roda" com Skyrim, seguindo, assim, os pontos fortes presentes em "Oblivion", como a liberdade de ação, mundo imenso, batalhas empolgantes, quests envolventes, aúdio e grÁficos arrasadores, aproveitando para corrigir alguns pontos que foram merecedores de críticas, como, por exemplo, diversidade de faces e vozes dos personagens, adição de novos tipos de inimigos, melhoria no sistema de batalhas, dentre outros. Entretanto, Skyrim não ficou perfeito. Algumas críticas foram levantadas, como, por exemplo, a limitação no processo de criação e evolução dos personagens.

A seguir, você confere nossa anÁlise completa de "The Elder Scrolls V: Skyrim". Antes de prosseguir com o review, aí vai um aviso: caso não tenha muito tempo livre, recomendo parar sua leitura por aqui, uma vez que o game, além de ser viciante, te "consumirÁ muitos e muitos dias de sua vida". Ou seja, prepare-se para dizer adeus aos estudos, aos amigos (e para alguns mais viciados, até mesmo para a namorada!). Contudo, posso garantir: Skyrim não lhe decepcionarÁ em nenhum segundo!


{break::A Saga dos Dragões}

"The Elder Scrolls V" se passa duzentos anos após os eventos ocorridos em Oblivion, na província de Skyrim, ao norte de Tamriel. É uma região montanhosa, com florestas, desfiladeiros e picos nevados, lar dos Nords, guerreiros que lembram os vikings, sendo ainda habitada pelos remanescentes do Império e uma infinidade de outras raças e criaturas.

Skyrim é praticamente do mesmo tamanho que Cyrodiil, onde se passa Oblivion, fazendo fronteira ao sul com esta, ao leste com Morrowind (mundo do terceiro episódio da série) e ao norte com o mar.

Skyrim irrompeu em uma guerra civil depois que um de seus reis foi assassinado. Paralelamente, o deus Alduin ("Devorador de Mundos", também conhecido em outras partes do Império como o mais importante dos Nove, Akatosh), que assume a forma de um enorme dragão, surgiu para destruir todo o mundo. O jogador assume o papel de Dovahkiin, um dos últimos Dragonborn (Nascido do Dragão), anunciado nas antigas profecias como sendo o único capaz de usar o poder dos dragões para derrotar Alduim, e assim salvar Skyrim da destruição.


O jogo é empolgante desde o seu início. O personagem segue em uma carroça acorrentado, prestes para ser executado, quando repentinamente, surge um dragão que ataca o vilarejo, destruindo praticamente tudo e matando quase todos os aldeões. É aí que a sua jornada tem início. É neste exato momento que você terÁ o privilégio de se encantar com Skyrim!

{break::Mundo Aberto a Possibilidades!}

Assim como em Oblivion, o quinto episódio de TES é um dos games com maior cenÁrio a ser explorado da história dos jogos eletrônicos. São mais de 40 Km2 de Área livre para o jogador fazer praticamente de tudo. Como forma de acelerar o desenrolar dos acontecimentos, o usuÁrio tem a sua disposição, basicamente 3 formas de se locomover no game: a pé, a cavalo, por expedição em charrete, ou ainda através de um deslocamento rÁpido via mapa (disponível apenas para locais previamente jÁ conhecidos). No entanto, dada a riqueza dos cenÁrios, sugiro ir mesmo a pé, ou ainda a cavalo.

O "mundo" em Skyrim é formado por cinco grandes cidades e vÁrios pequenos vilarejos – cada um com a sua própria dinâmica e peculiaridades – além de grandes extensões de regiões selvagens e montanhas. Não tenho dúvidas que uma das coisas mais legais no game – além das batalhas, claro – é simples fato de explorar e contemplar a beleza dos cenÁrios. A riqueza é tamanha que a imersão e sensação de verossimilhança é algo fora do comum.


Em Skyrim, a atenção aos detalhes é fundamental. Você pode muito bem não prestar a devida atenção aos diÁlogos das quests, seguindo os objetivos pelo mapa. Contudo, deste modo, muito da "magia" do game se perde.

The Elder Scrolls V deve ser jogado com paciência. Sem pressa para atingir o objetivo, aproveitando cada momento do game. Vale a pena, por exemplo, gastar alguns minutos lendo as centenas de livros presentes na trama. É possível aprender um pouco mais das lendas e as sagas do passado, ou mesmo a utilizar melhor os recursos do jogo, como é o caso da arte e construir armas e equipamentos, ou a criar encantos e magias. AtrÁs do diÁlogo com taverneiros e transeuntes, o jogador poderÁ descobrir rumores e novos desafios.

{break::Dragões & cia.}

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Não resta dúvida que um dos grandes destaques de Skyrim são os dragões. A Bethesda não economizou no inimigo, colocando mais de 150 exemplares. E não é para menos. Eles estão diretamente ligados à história do jogo, sendo peça fundamental para o desenrolar da trama. Sem querer estragar a surpresa, mas o primeiro dragão morto pelo jogador lhe proporcionarÁ uma grata surpresa.

Além dos dragões, Skyrim possui uma vasta quantidade de inimigos extraordinÁrios, cada um a sua maneira. Dentrs de sabre, mamutes, gigantes, mudcrabs, trolls, aranhas gigantes, esqueletos... ou seja, um prato cheio em sua aventura.


Por falar em inimigos, a IA do game (Radiant AI criado para Oblivion) foi aprimorado, onde estes estão bem mais "espertos", conferindo um desafio maior na hora dos combates. Por falar nisso, Skyrim introduz o sitema Radiant Story, que governa as aventuras e como estas funcionam. Aventuras paralelas são dinamicamente alteradas baseadas nas ações do jogador, e são feitas para as habilidades e progresso do personagem no jogo.

{break::O personagem e sua interação com o meio}

Talvez os mais ortodoxos da série possam estranhar o "não controle" do jogador na construção de seu personagem. Talvez para dar mais dinâmica ao game, a Bethesda limitou o poder de intervenção do usuÁrio em vÁrios parâmetros na hora de criar o seu personagem. Não hÁ mais classes, como nos antecessores da série. Nada de barbarian, archer, spellsword, acrobat, assassin, battlemage, crusader...

O mesmo vale no momento de passagem de nível (level). Agora é possível apenas distribuir pontos para a vida, energia e mÁgica, além da Árvore de habilidades. Nada de força ou destreza, por exemplo. Em uma inovação realista para a série, o seu personagem evolui apenas habilidades que usa ou aprende através de estudo! Nada mais realista e divertido, jÁ que você só terÁ o que fez por merecer.

Nesse ponto, o conceito de personagem fica muito mais rico, jÁ que você pode aumentar suas potencialidades de jogo ao mesclar diferentes tipos de habilidades, como por exemplo, um guerreiro que usa espadas de 2 mãos (two handed weapons), mas que também sabe andar furtivamente (sneak) e também é perito nas artes da cura (heal). Ou um mago especializado em magias de dano (destruction), mas que também pode utilizar armaduras pesadas (heavy armor) e usar o arco (archery) para atacar inimigos em caso de falta de mana! Para cada grupo de habilidade (heavy armor, por exemplo), hÁ perks que são especialidades que você obtém cada vez que sobe de nível, aumentando suas possibilidades de ação.


Os combates são eletrizantes, realistas, variados, cheios de adrenalina, tensão e suspense. Além disso, a inteligência estÁ bem mais apurada. É possível, por exemplo, que inimigos combatam entre si ou com terceiros, como é o caso de gigantes se digladiando com dragões. Uma novidade bem interessante é que agora, o jogador poderÁ utilizar, por exemplo, uma arma em uma das mãos, ficando a outra livre para a prÁtica de magias.

Para quem não curte uma batalha em primeira pessoa, é possível ainda utilizar o modo em terceira pessoa possibilitando, de quebra, apreciar a beleza das armaduras e armas.

De uma forma geral a interação com os NPCs melhorou. É possível o jogador fazer praticamente qualquer tipo de atividade que este esteja realizando. Estes agora ficam alertas se os movimentos do jogador forem detectados.

A Bethesda aumentou os tipos de rostos e vozes em Skyrim, comparado com Oblivion. SerÁ agora praticamente impossível ter a velha sensação de déjà vu tão comum na versão passada. Um dos pontos negativos neste aspecto da interação com os NPCs estÁ no comércio. Não hÁ mais opções detalhadas de se conseguir estabelecer uma relação mais amigÁvel e barganhar com os vendedores e comerciantes locais. Mesmo assim, ainda hÁ a restrição realista de limite de dinheiro que você pode ganhar em um dia de venda, jÁ que leva um tempo até que o comerciante faça dinheiro outra vez para comprar produtos que você oferece a ele. É possível até mesmo casar com algum NPC do mundo.

{break::E o multiplayer...?}

Quem não conhece a franquia The Elder Scrools certamente estranharÁ a falta de um modo multiplayer online, tão comum dos games atuais, sendo, inclusive, um dos grandes atrativos, mesmo em medalhões como é o caso da série Call of Duty.

Entretanto a Bethesda nunca escondeu o fato de que o game tem como foco único, a relação entre a imersão total na jogabilidade com o mundo. Na verdade, dada à imensa riqueza dos jogos da série The Elder Scrools, a falta do multiplayer passa meio que desapercebido.

Ainda assim, caso o jogador deseje compartilhar suas experiências com outros amigos, poderÁ, de forma alternativa, instalar um mod criado recentemente por um fã, que adiciona a modalidade cooperativa em rede.

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{break::A Parte Técnica}

Graficamente falando, Skyrim apresenta uma ótima qualidade, embora não tenha trazido a mesma primazia na época do lançamento de Oblivion. Ainda assim os grÁficos do jogo são de tirar o fôlego, embora uma ou outra textura fique devendo, não por ser de todo ruim, mas por destoar do porte da obra.

Os céus estão perfeitos, as nuvens passam de um ponto a outro como na Terra. Se o jogador prestar atenção enquanto explora o mapa, pode notar a variedade de cores e formas, tanto no nascer quanto no pôr do sol. Além disso, hÁ nevascas, tempestades de neve, chuvas brandas e dias ensolarados.

Com o recém lançamento do High Resolution Texture Pack, a qualidade grÁfica ficou sensivelmente mais apurada. Ainda assim, estÁ longe do que vimos da apresentação de Todd Howard, Diretor de Criação da Bethesda Games Studios, na Game Jam 2011, onde incluía efeitos grÁficos surpreendentes, como pegadas, Água mais realista, iluminação melhor, efeitos de clima, mudanças das estações do ano, dentre outras coisas.

Ao que parece, a produtora resolveu "sacrificar" da plenitude da parte grÁfica, em favor de uma maior jogabilidade. Com isso, uma placa mediana, como é o caso de uma Radeon HD 5770 consegue rodar o game em condições satisfatórias, mesmo sob regime de uma alta configuração de resolução e filtros.


Em relação à física, The Elder Scrolls V dÁ algumas "escorregadas". O principal defeito talvez seja com um dos principais destaques do game, o shout. Um dos efeitos desta nova habilidade, capaz, por exemplo, de empurrar para longe um gigante, é incapaz de mover uma cadeira ou pequeno objeto inanimado. Outro ponto negativo estÁ no cabelo dos personagens, com aspecto sólido.

Os efeitos sonoros de Skyrim são simplesmente perfeitos! Tanto os dos monstros, como de animais, som das cachoeiras, do combate etc. Tudo estÁ bem imersivo, vibrante e bem captado, trazendo o mundo à vida na mente do jogador, com muita emoção e sentimentos diversos.

A trilha sonora é fantÁstica, empolgante ao extremo, dando a impressão em certos momentos que estamos assistindo à um filme do que simplesmente "jogando". Além da excepcional qualidade, hÁ uma imensa variedade. Umas mais longas, e outras curtas, só entrando em cena em momentos cuidadosamente escolhidos pelos desenvolvedores do game, para que você sinta que estÁ ali, vivo naquele mundo de aventuras.

{break::Conclusão}

Demorou, mas valeu a pena! A Bethesda mais uma vez honra com a fama e tradição da série The Elder Scrolls de ser talvez o maior e melhor RPG da indústria dos jogos eletrônicos, com o lançamento do quinto episódio. Cabe à Skyrim, todo e qualquer adjetivo de qualidade. Grandioso, épico, fenomenal. Basta escolher um.

Nem mesmo os bugs (presentes em maior ou menor escalar em todos os jogos) foram capazes de tirar o brilho do game. Isto porque a Bethesda rapidamente estÁ disponibilizando patchs de correção.

Não bastasse a primazia produzida pelo estúdio, com o lançamento do programa de construção do jogo, qualquer fã poderÁ criar e disponibilizar melhorias (incluindo novos desafios e mapas) à Skyrim. Somando-se isto com o fato do sistema de construção de história do game, o replay de TES V é praticamente infinito. Ou seja, você terÁ um jogo que seguramente te darÁ muitos e muitos meses de divertimento.


{break::Mais imagens}









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PRÓS
- Imersão total ao ambiente;
- Liberdade de ação;
- Som arrasador;
- Um mundo praticamente infinito de aventuras;
- Batalhas envolventes;
- Adição de novos desafios, como dragões, mamutes, gigantes, dentes de sabre...;
- Leve para a qualidade do jogo.
CONTRAS
- Navegação dos itens é um pouco "travada";
- Alguns pequenos bugs chatos;
- Pouco domínio na criação e evolução do personagem.
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  • Redator: Filipe Braga

    Filipe Braga

    Filipe Braga é um cearense extremamente simpático formado em Ciências da Computação e apaixonado por computadores e tecnologia em geral. Também participa de reviews de hardware, especialmente placas de vídeo, processadores e placas mãe.

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