ANÁLISE: Rayman Origins (Xbox 360)

ANÁLISE: Rayman Origins (Xbox 360)

Estamos em uma boa fase para os fãs dos jogos de plataforma, com a chegada do game Trine 2 e, especialmente para os nostÁlgicos, a volta de franquias muito fortes, como Donkey Kong, Sonic Generations e, assunto da nossa anÁlise aqui, o Rayman Origins.

Como o nome sugere, Rayman volta às origens, o que significa que saem de cena a infinidade de coelhos fazendo "dahhhhhhhhh" e temos novamente o bom e velho estilo plataforma side scrolling, que junto com as belas artes e o gameplay cativante, formavam as principais características do saudoso game de 1995.

Vejamos, no restante da anÁlise, se a Ubisoft consegue corresponder à expectativas dos nostÁlgicos e, de quebra, ganhar novos fãs para a fraquia.

{break::Enredo}Em geral, os games de plataforma não costumam se destacar em seu enredo, comparado com games de outros gênero como RPG ou até mesmo alguns games de FPS recentes. Com um protagonista que não abre a boca, a história de Rayman Origins não é muito aprofundada, apesar de algumas reviravoltas interessantes.

A história começa com um pesadelo do Bubble Dreamer, uma criatura suprema que realiza sua criação através de seus sonhos. Como é de se imaginar, um ser capaz de mudar a realidade enquanto dorme traz sérios problemas a todos quando tem pesadelos.


Cada vez que esse personagem sonha, é uma surpresa nova

Assim como no primeiro game, fica a encargo de Rayman, uma criatura de luz criada pelas ninfas para salvar o mundo do primeiro pesadelo do Bubble Dreamer, salvar o mundo idílico da "Clareira dos Sonhos".

A história não chega a ser um grande destaque, com um enredo bastante simples e direto, suficiente para cumprir o papel de dar o sentido à jogatina. Ainda assim, o enredo guarda algumas surpresas, especialmente para os jogadores de outros games da série, que possivelmente não esperavam por quem realmente enfrentam, neste jogo. Vou parar por aqui e deixar a surpresa para quem decidir encarar o game.

{break::Gameplay}Este é, provavelmente, o quesito mais importante em um jogo de plataforma. É na jogabilidade que estÁ a graça de um bom game do gênero, pois controles responsivos, ação e uma boa variedade de movimentos e combinações são indispensÁveis para um game do estilo side scrolling ter sucesso. E Rayman Origins tem isto.

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A Ubisoft manteve boa parte das habilidades do protagonista "joão-sem-braço", como usar o cabelo como um helicóptero para planar (!?), o soco à longa distância quando "concentrado" e a capacidade de encolher ao entrar em determinados locais. Além desses movimentos, em Origins o Rayman ganha uma série de novos golpes, como bater com uma série de golpes no ar, uma rasteira e, seguindo a escola Megaman de jogos de plataforma, ele consegue deslizar por paredes, para frear a queda, além de chutÁ-las para ganhar impulso e subir.

Ao longo do jogo o protagonista também passa por diferentes terrenos, mergulha na Água ou passa por locais com muito vento, sendo que todos esses fatores modificam seus movimentos e alteram a jogabilidade. Isso ajuda a evitar que o jogo fique monótono, além de adicionar mais dificuldade pois, em vÁrias fases, é preciso alternar rapidamente entre um ambiente e o outro, e se adaptar à mudança que isso causa no gameplay para sobreviver.

O jogo oferece três personagens, além do próprio Rayman, para que o jogador utilize nas fases. Apesar de algumas diferenças sutis em seus movimentos, em geral a principal diferença é mesmo estética, sendo quase imperceptível as mudanças entre jogar com um, ou com outro.

Dois fatores tornam o jogo divertido: a dificuldade das fases e a precisão dos comandos. Em vÁrios momentos, é preciso passar rapidamente por locais estreitos, ou fazer um movimento exato, para conseguir avançar ou pegar itens extras. Os controles no game são muito responsivos, evitando que o jogador se frustre por causa de um comando que falhou (algo que, considerando a dificuldade do jogo, significa que você vai morrer...).

A dificuldade, por sinal, estÁ na medida certa, sem necessidade de escolher um nível ao começar a jogar. Para aqueles que não têm muita habilidade é possível passar o jogo sem maiores estresses. Agora um ponto chave faz a diferença para os gamers hardcore de jogos de plataforma: pegar os itens extra, pois quem quiser buscar todos os itens pelos cenÁrios vai encontrar um desafio e tanto pela frente, no melhor estilo Donkey Kong, garantindo entretenimento para quem gosta de sobreviver a um desafio dificílimo em duas dimensões.

{break::Áudio}As boas trilhas estavam entre as virtudes do game original, lÁ de 1995. Um exemplo eram as trilhas do mundo musical, o "Band Land" (um alerta antes de ouvir: o nível de nostalgia estÁ "OVER 9000!")

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Trilhas do "Band Land", no game original

As trilhas eram muito marcantes, tanto que é pouco provÁvel que alguém que jogou o game não associe esta música ao trecho em que ela toca, por exemplo. A boa notícia é que novamente a Ubisoft caprichou: o Rayman Origins tem uma fantÁstica trilha musical, com mesclas de estilos, composições orquestradas e leve doses de humor e excentricidades.

A biblioteca musical do game é vasta, com uma alternância entre estilos ao longo dos mundos, o que dÁ ritmo a jogatina. Algumas composições puxam para músicas antigas, Rock 'n Roll, enquanto outras misturam o estilo dos "filmes de bang-bang macarrônicos" com as vozes engraçadas dos personagens. Bastion fica com o título de melhor música de 2011 mas, na minha humilde opinião, Rayman Origins tem o melhor conjunto de trilhas do ano passado (e uma das melhores da história dos games!)




Trilha em fases do "Land Of Dead World"

Os demais efeitos sonoros, ao longo da jogatina, mantêm a qualidade presente nas trilhas musicais, tornando a experiência com o game, na parte auditiva, muito rica e harmônica com os grÁficos. As (poucas) falas mantêm o clima divertido do jogo, e apesar de estarem em inglês, o game jÁ conta com as legendas e todo o restantes dos textos do jogo traduzidos para o português brasileiro. Destaque para os nomes engraçados para as fases, como "O que o vento não levou".

{break::GrÁficos}Como o game traz a proposta de voltar às origens, neste mundo onde temos DirectX 11 e Tessellation, Rayman volta ao bom e velho 2D. O game usa novamente o estilo cartunesco para cenÁrios e personagens, abusando em cores vivas, contrastes, expressões faciais e caretas.

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Muito dos cenÁrios e vilões tem um estilo de pinturas à mão


Novamente notamos um capricho muito grande a produtora, neste aspecto do game. As cores são muito vivas, com cenÁrios detalhados que parecem pinturas. Junto com a trilha "meio indie", temos mais um exemplo de jogo que justifica os games serem considerados peças de arte. O esmero em tornar a experiência com o game agradÁvel, tanto na parte visual quanto auditiva, é algo que enriqueceu muito o jogo. É sempre bom ver que uma empresa se dedicando para entregar este tipo de produto, sendo que muitas vezes só encontramos isso com produtoras independentes, com games como "Trine 2", "Machinarium" e "Bastion".

Os protagonistas não são muito falantes, mas em compensação são cheios de "caras e bocas". Todos são muito expressivos, seja na forma de caminhar, olhar ou, especialmente quando se machucam, fazem caretas.

{break::Multiplayer}Uma das novidades em Rayman Origins é a possibilidade de jogar de forma cooperativa, diferente da maioria dos jogos anteriores do personagem, que se limitavam à jogatina solitÁria.

O modo multijogador em Origins não traz grandes mudança em relação ao jogo no modo single player, sendo que única alteração é que até quatro jogadores podem correr pelos cenÁrios, simultaneamente. Os personagens interagem entre si, com direito a "friendly fire", quando um acaba acertando o outro e o derrubando (não raro, quem cai acaba se dando mal...).

A interação entre os jogadores, no modo cooperativo, também torna possível pegar alguns itens em locais de difícil acesso, com um jogador empurrando o outro e ajudando a alcançar algo em um local muito alto, por exemplo.

O jogo perde um pouco da dificuldade quando jogado de forma cooperativa, pois cada vez quem um jogador "morre", ele fica perambulando pela tela, inflado como um balão. Se o outro jogador conseguir estourÁ-lo sem morrer, o jogador que estava inflado volta ao jogo. Isto torna bem raro perder jogando no modo cooperativo, jÁ que, com o devido cuidado, é difícil que dois ou mais jogadores morram ao mesmo tempo.


Apesar desta reduzida no desafio do game, o modo cooperativo é muito promissor para quem quer se divertir com os amigos, especialmente naqueles momentos em que um soco de Rayman acaba lançado um dos companheiros na lava, por exemplo. Fica difícil resistir à tentação de ficar batendo um nos outros, ainda mais com as caretas que os personagens fazem a cada golpe que tomam, algo que deixa tudo ainda mais divertido.

{break::Conclusão}Confesso que dar uma nota alta a um produto sempre me causa um pouco de hesitação, ainda mais quando falamos de um produto de entretenimento e, como humano, posso cair no erro de me empolgar demais com algo e superestimar sua qualidade.

Mas, me baseando nas impressões minhas e de todos aqui da redação que jogaram o game, não é nenhum exagero a nota do de "Rayman Origins". Com certeza, a Ubisoft entregou um game de plataforma com muita qualidade no gameplay, e com muita dedicação na parte grÁfica e no Áudio, com o cuidado de quem quer transformar um produto em uma obra de arte.

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No mundo do DirectX 11, Rayman mostra que desenhos à mão ainda podem "encher os olhos", e mostra que o gênero plataforma ainda tem muito a oferecer aos gamers que querem um jogo desafiante e interessante. Melhor ainda se considerar que o game chega ao Brasil fugindo dos famigerados R$ 139 ou, pior, R$ 199, cobrados na maioria dos games pra consoles. E ele ainda sai por ótimos R$ 59 para PC.

Para uma review receber o "selo imparcialidade", eu precisaria marcar um contra. Mas não dÁ para ficar procurando defeito só para dizer que achei um. Se vocês acharem, coloquem nos comentÁrios. Eu não achei.


PRÓS
Áudio e GrÁficos ótimos
Jogabilidade muito bem feita
Desafiador
Chega com preço competitivo
Não consegui achar nenhum contra
CONTRAS
Aluga-se este espaço
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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