ANÁLISE: Battlefield 3

ANÁLISE: Battlefield 3

Finalmente ele está entre nós! Essa é a frase que dez em cada dez jogadores de FPS devem ter pensado há dois dias, no lançamento mundial do aguardadíssimo Battlefield 3.

Foi um hiato de seis anos desde a última edição, que foi Battlefield 2. Há quem confunda a série Battlefield: Bad Company com Battlefield. Na verdade a série Bad Company, originada nos consoles, apenas leva a assinatura Battlefield, nada mais além disso.

Bom, o game tá aí. Foi um alarde sem precedentes desde que foi oficialmente mostrado ao público no início do ano. Desde então não se falou em outra coisa, chegando até a ofuscar a série concorrente da Actvision. O fato é que a cada imagem divulgada, cada vídeo mostrado, gerava mais expectativas devido à qualidade absurda dos mesmos. Chegando ao ponto das pessoas não acreditarem se seria de fato uma imagem do jogo.

Na E3 deste ano a Electronic Arts levou uma cópia jogável do game e mostrou em primeira mão uma fase, quase que completa, chamada de Thunder Run. Mesmo assim algumas pessoas mais céticas não acreditavam que poderia ser mesmo o game, ou a jogabilidade real.

Enfim, ele foi lançado, mas Battlefield 3 é de fato tudo aquilo que foi anunciado, prometido e mostrado? E é isso que você vai conferir aqui nesta review.

{break::História}Como todo jogo, a história de Battlefield 3 é puro clichê em que o objetivo é salvar o mundo dos terroristas. Mas é o que funciona nesse tipo de jogo. E para piorar, é apresentada de uma forma nada original: começa com uma cena de ação e na hora "H", a cena é cortada e volta no tempo para mostrar como tudo chegou naquele ponto.

Bom, a história é toda contada em terceira pessoa, como uma narrativa onde o Sargento Henry Blackburn é interrogado em uma sala secreta - na verdade, não tão secreta assim - localizada em Nova York. Ele é questionado sobre o que aconteceu no mundo nos últimos dias, com a ameaça de terroristas por todo Planeta.

Essas lembranças que Blackburn tem durante o interrogatório são o ponto de partida para cada missão do game. Não cabe mais contar sobre ela aqui, justamente porque há muitas surpresas pelo caminho, e que falando mais da história, iria virar spoiler. O interessante é que a história leva os jogadores a locais reais como Paris, Teerã e Nova York em plena Times Square.

Mas no geral, a História de Battlefield 3 não tem nada de muito especial e de original. Basta observar a mecânica do último jogo da franquia Call Of Duty. Exatamente a mesma.

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{break::Jogabilidade #1}Não há muito que se dizer sobre a jogabilidade de Battlefield 3. Ela continua intacta e isso é um ótimo sinal. Todas as características elogiáveis dos games anteriores foram mantidas nessa terceira edição.

A precisão da mira ao usar o mouse, a resposta rápida de acordo com o comando dado no teclado - ou controle - e a fluidez de todas as animações, estão impecáveis.

O que pode atrapalhar um pouco essa premiada jogabilidade é o equipamento que o jogador estiver usando. Realmente para se ter algo prazeroso de se jogar será necessário ter um PC relativamente top de linha.


Usando máquinas mais modestas, esse prazer tende a cair. Não pela qualidade, mas sim pela fluidez, que é obrigatória nesse tipo de game mais frenético. Imagina em meio a um caos, o jogo começa a dar travadinhas irritantes ou falhas nos gráficos, impedindo o jogador de fazer movimentos bruscos. Pois é, isso acontece bastante com quem tem máquinas medianas.

Battlefield 3 exige bastante recurso da máquina, principalmente no quesito física, que não pode ser desativada. Em algumas missões da Campanha o uso da física beira ao absurdo como, por exemplo, em uma cena dentro de um banco onde, em meio ao caos por causa do tiroteio, voam cédulas e papéis diversos pra todo lado, pedaços de reboco caindo das paredes, partes das pilastras sendo destruídas, além de muita poeira e fumaça. É uma cena surreal, digna dos melhores filmes de ação. Realmente sensacional.

{break::Jogabilidade #2}A mesma coisa acontece em muitas outras missões, como uma dentro de uma garagem onde há inclusive o acionamento do dispositivo anti-incêndio jorrando água do teto, enquanto carros voam pelos ares, e outras coisas mais.

Mas isso não pára por aí. Praticamente tudo no cenário pode ser destruído ou interagido e usando uma física extremamente convincente. Até mesmo um prédio inteiro pode ser derrubado.

Isso tudo afeta a jogabilidade, porque podem ser usados objetos destruídos para se proteger e/ou atingir o inimigo. Além disso, como quase tudo pode ser destruído, tem que se pensar muito bem onde se esconder já que bastam alguns tiros e essa sua proteção já era, e assim ficando vulnerável.

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A jogabilidade de Battlefield 3 seria digna de nota 10. Seria perfeita se não fossem esses pequenos problemas de performance que acabam atrapalhando bastante na hora da jogatina. Eu mesmo morri várias vezes por causa de pequenas falhas e slows durante o jogo. A Electronic Arts já estava ciente disso, afirmando que seria lançado um Patch de 140 megas no mesmo dia do lançamento do game. Mas isso ainda não aconteceu. Resta esperar.


{break::Gráficos #1}Os gráficos de Battlefield 3 são os maiores destaques do game. E isso desde quando foram divulgadas as primeiras imagens, deixando muita gente de queixo caído. A engine é uma versão diferente da Frostbite, que já foi anteriormente usada nos games Battlefield: Bad Company - exclusivo para consoles -, Battlefield 1943 e Battlefield: Bad Company 2, mas na versão 1.0 e 1.5. Além desses jogos, Medal of Honor também usou a Frostbite 1.5 na parte Multiplayer, diferentemente da single-player que usou Unreal Engine 3.

Já Battlefield 3 usa a Frostbite 2, bem mais moderna e com recursos avançados de DirectX 11. Além disso, ela usa uma ferramenta de destruição mais complexa chamada Destruction 3.0, que recria a elogiada física presente no game.

O curioso é que a engine não é a Frostbite 2.0 como muita gente pensa, mas sim Frostbite 2. Isso foi dito várias vezes por Johan Andersson, Arquiteto Sênior da equipe que criou a engine. O motivo? Há muitas mudanças na engine para ser apenas uma "simples versão melhorada". Vale lembrar que mais dois jogos usarão a Frostbite 2: Need for Speed: The Run e Mirror's Edge 2.

O resultado disso tudo é que Battlefield 3 pode ser considerado um divisor de águas. Tudo que for lançado daqui pra frente vai ser comparado ao seu visual estrondoso. O visual realista é o melhor já visto em um game. Os efeitos de iluminação são de tirar o fôlego chegando ao ponto de partículas de poeira serem vistas ao se olhar diretamente para a fonte de luz.

Além disso, há o principal detalhe que faz com que Battlefield 3 tenha um realismo nunca antes visto em termos de visual: a sua paleta de cores.


{break::Gráficos #2}Muita gente não se dá conta que usar uma paleta de cores correta muda completamente o visual de um game, sendo a principal diferença entre algo real e algo artificialmente criado. Em Battlefield 3, a DICE, produtora do game, usou uma paleta de cores com tonalidade pastel, que é a que vemos na vida real e que o olho humano enxerga naturalmente. Nenhum outro jogo chegou ao tom certo de cor, mas Battlefield 3 mudou isso.

Se repararem em qualquer jogo lançado anteriormente, verão que ele possui cores um pouco artificiais, por vezes exageradas demais, por vezes fracas demais, o que elimina qualquer possibilidade de se criar algo realmente realista.

Além do tom de cor usado, outra característica foi fundamental para Battlefield 3 ser um jogo com visual realista. Trata-se das animações, recriadas minuciosamente desde a movimentação dos personagens até a animação do rosto gerando expressões faciais autênticas.

A perfeição nas faces dos personagens é tanta que é possível fazer leitura labial e saber o que estão falando. A tecnologia usada lembra muito a usada no game L.A. Noire da Rockstar, que possui essa mesma característica de recriar com perfeição a movimentação labial.

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Já a movimentação dos personagens é algo nunca antes visto. Tudo no jogo foi criado com captura de movimentos, mas com mais complexidade no processo todo. Ou seja, dificilmente você verá repetição constante de movimentos, como acontece na maioria dos jogos que usam a mesma técnica. Aqui se percebe que foram criadas inúmeras animações diferentes para um mesmo movimento. Por exemplo, correr e se esconder atrás de uma parede ou pilastra, na maioria das vezes terá uma movimentação diferente, o que gera um realismo maior.

Isso acontece com todas as animações presentes no game. Desde um simples andar, até um agachamento ou o pulo por cima de algum obstáculo como um muro, por exemplo. Tudo foi cuidadosamente recriado de diversas formas para que não fique algo repetitivo e artificial.

Obviamente que para ter toda essa qualidade, incluindo também texturas em alta definição, é necessário um PC de ponta. Por isso o quesito Gráfico padece do mesmo problema da Jogabilidade: várias vezes são geradas falhas visuais, lentidão e travamentos do sistema inteiro. Como dito anteriormente, a Electronic Arts já sabia desses problemas e está providenciando um patch.

Em todo caso, no geral, o visual de Battlefield 3 é digno de exagerados elogios. Com certeza absoluta a história dos videogames será dividida entre antes e depois de Battlefield 3.


{break::Áudio #1}Outro destaque de Battlefield 3 é o som proporcionado pelos intensos tiroteios e pelos diversos ambientes que o jogo possui. A variação é gigantesca, chegando ao ponto de se ouvir em detalhes moscas perto de lixo ou no mato, galhos de árvore batendo com o vento, insetos voando por entre a vegetação, entre outros. Os detalhes são incríveis, com uma fidelidade digna de filmes de Hollywood vencedores de Oscar.

Quem viu os vídeos do game divulgados pela Electronic Arts ao longo deste ano, deve se lembrar da trilha sonora usada para se criar um clima de suspense e combate. Aquela trilha "distorcida", que paira na cabeça de todos que viram esses vídeos, está presente durante toda a jogatina. De fato essa trilha cria uma atmosfera feroz e assustadora, que deixa qualquer um em alerta. Em vários momentos do jogo, antes de acontecer algo grande, ela ecoa com mais força de tal forma que gera uma tensão enorme.


Há quem diga que um bom filme necessita de uma trilha marcante, inconfundível, de qualidade acima da média, que bastam os primeiros acordes para que já se saiba do que se trata. É o caso de Superman, Indiana Jones, E.T. O Extraterreste, Guerra nas Estrelas, entre outros. São filmes que sem a trilha sonora marcante, não seriam o mesmo.

Isso é o caso de Battlefield 3. A trilha, presente nos vídeos, já ficou marcada na memória de todos. Qualquer um que tenha visto um dos vídeos, já associa a trilha ao jogo, tamanha qualidade sonora e de impacto que ela produz. A Electronic Arts conseguiu criar um jogo que só a trilha sonora já leva nota máxima. Nada menos do que isso.

{break::Áudio #2}Além dessa trilha, o jogo possui efeitos sonoros espetaculares que variam de ambiente para ambiente. O som de impacto dos tiros são completamente diferentes uns dos outros. Quem já viu reportagens na TV feitas em zonas de guerra, como Líbia e Iraque, já deve ter ouvido som de tiros ao fundo. O jogo reproduz isso com maestria a ponto de parecer tão real que chega a assustar.

As dublagens foram produzidas de acordo com cada personagem, ou seja, a voz encaixa perfeitamente, tanto o som em si quanto a entonação usada pelo mesmo. Por exemplo, medo, angústia, felicidade, entre outros sentimentos, são percebidos claramente pelo tom da voz.


Foi usado na review um Kit de som 5.1 com um subwoofer potente colocado ao chão. A separação de canais é surpreendente, com tiros vindo de todos os lados. Mas o mais curioso é que com o Subwoofer no chão - local obrigatório -, ao usar um blindado pesado de combate, o chão treme, dando a nítida sensação que o blindado está do seu lado. Tudo isso acontece devido ao excelente uso do grave no jogo, proporcionando efeitos espetaculares que poucos jogos proporcionam.

Tudo isso vem com uma variedade de configurações de som no painel de opções. Tem desde um simples som Stereo, passando por som Hi-FI e chegando ao War Tape, claramente "copiado" do concorrente que já usa esse efeito de guerra há alguns anos.

{break::Multiplayer #1}Battlefield 3 inova no quesito Multiplayer. Ele usa o Battlelog, que nada mais é que um sistema baseado em redes sociais como Facebook e MySpace. A Dice pegou o melhor de cada uma delas e criou a rede do Battlefield.

Nela pode-se fazer de tudo, até mesmo adicionar amigos, saber o que estão fazendo naquele momento, saber o que cada um já fez no jogo, em que servidor estão jogando, criar comunidades - conhecidas como Platoons -, postar comentários, entre outras coisas.


Além disso, o Battlelog é o ponto de partida do game. Assim que Battlefield 3 é executado, o browser padrão é aberto com as opções da página do jogador. É necessário atualizar o Browser e/ou instalar um Plugin caso o jogador não tenha. A partir dai o jogador pode escolher o modo Campanha (single-player), o modo cooperativo ou o aguardado modo Multiplayer.

Vale lembrar que se o jogador tiver off-line, ao abrir o jogo ele entra direto no modo Campanha. Ou seja, não é obrigatório estar conectado sempre.

Bom, o modo Cooperativo possui seis grandes missões, sendo que no início apenas duas estão abertas: Operation Exodus e Fire From The Sky. Talvez a notícia ruim seja a quantidade de jogadores suportados para esse modo: apenas dois. Até um tempo atrás, especulava-se que seriam até quatro jogadores, mas isso não se confirmou.

Já o modo Multiplayer é dividido em seis tipos. São eles:

  • Conquest Large
  • Conquest
  • Rush
  • Squad Rush
  • Squad DM
  • Team DM

{break::Multiplayer #2}Os mapas são nove, mas a DICE já anunciou a expansão Back to Karkand que trará mapas lendários do Battlefield 2 adaptados para a nova engine Frostbite 2. Por enquanto os mapas são:
  • Operation Métro
  • Grand Bazaar
  • Tehran Highway
  • Caspian Border
  • Canals
  • Damavand Peak
  • Operation Firestorm
  • Seine Crossing
  • Kharg Island

O ideia da DICE ao criar o Battlelog era que todos os amigos do jogador tivessem conectados entre si e pudessem sempre se encontrar em algum servidor ou na própria página. E isso de fato funciona. É bem legal você abrir a sua página e saber onde seus amigos estão jogando e ainda poder se juntar a eles com apenas alguns cliques. Além disso, a página tem chat em tempo real como um Messenger, inclusive podendo enviar mensagens off-line e quando o destinatário conectar, terá as mensagens no rodapé do browser.


Toda a configuração do Multiplayer é feita no Battlelog. Desde a criação do Profile - que é feita na primeira vez que é aberto o Battlelog -, até a escolha do tipo de jogo, do mapa e do servidor que for jogar. Feito isso, basta clicar em Join Server e o jogo já abre direto no mapa escolhido. A quantidade de servidores é absurda, provavelmente centenas, já que a lista não para de crescer conforme desce a barra de rolagem. Mais fácil que isso, impossível.

Nos testes feitos, não houve lags nas partidas. Testei com 64 jogadores e tudo fluiu perfeitamente bem, com respostas imediatas, inclusive com uso de veículos junto com outros jogadores.

A ressalva fica com o modo Cooperativo, onde vi vários relatos de problemas de conexão, que inclusive aconteceram durante a review impossibilitando de se jogar. Uma pena.

No geral, a criação do Battlelog foi muito bem-vinda, até porque nem precisa estar no jogo para poder interagir com outros jogadores, já que é uma rede social. Embora tenha um probleminha ou outro, que geram erros no browser, a funcionalidade está acima da média. Superior aos lobbys presentes em games Multiplayer que tornava o convívio com outros jogadores muito limitado.


{break::Conclusão}Apesar dos seis anos, a espera valeu a pena. Battlefield 3 chegou e provou que a Electronic Arts e a produtora DICE estavam certas: que o game seria um estrondoso sucesso de vendas, e que traria um visual estarrecedor a ponto de mudar a visão de muita gente em relação à gráficos de games eletrônicos.

Além disso, um Multiplayer robusto que traz modos de jogo para todo tipo de gosto, um áudio de tirar o fôlego e com a ajuda da poderosíssima engine Frostbite 2, Battlefield 3 já pode ser considerado um dos melhores games da história. Realmente Imperdível!


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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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