ANÁLISE: Driver: San Francisco

ANÁLISE: Driver: San Francisco

Driver: San Francisco é o quinto jogo da série Driver lançada em 1999 para Playstation. O então Driver: You are the Wheelman, foi responsÁvel por um dos maiores sucessos do estilo no primeiro console da Sony.

Doze anos depois, o game parece ter finalmente reencontrado a estrada que o tira das lojas e o leva para as casas dos gamers mundo afora. O novo Driver tem potencial para mais uma vez fazer história.

E falando em história e sucesso em games, de uma coisa a Ubisoft não pode ser acusada: de não ter tido criatividade na produção do jogo e em seu enredo. Que diga a Activision, que alegou haver uma carência de criatividade na indústria dos jogos e ainda culpou os próprios jogadores por isso. Veja abaixo como anda a capacidade de abstração dos produtores ubisoftianos.

{break::Enredo}A história se passa pouco tempo depois dos acontecimentos do terceiro game da série (Driv3r), onde o protagonista John Tanner busca capturar o mafioso Charles Jericho. As cutscenes mostram Jericho conseguindo escapar de um furgão da polícia, rendendo os seguranças e tomando a direção do veículo, iniciando assim a perseguição entre Tanner e ele. Depois de cruzar metade da cidade de São Francisco - nos Estados Unidos - Tanner se vê em um estreito beco, com Jericho em sua cola. A partir daí o protagonista é "empurrado" vÁrias vezes para frente até colidir de frente com um reboque.

 

É agora que começa o enorme poder de abstração dos produtores do jogo. Eu falei abstração, e é quase que exatamente isso que acontece. Tanner é então levado às pressas para o hospital por ninguém menos do que ele mesmo. Exatamente, enquanto estÁ em coma na parte de trÁs da ambulância, Tanner descobre que tem o "poder" de entrar na mente de qualquer um dos motoristas da cidade, e como ele é o melhor piloto disponível por perto, nada melhor do que salvar sua própria vida, e ele confia essa tarefa a você, portador do sagrado joystick.

Obviamente que ele chega a tempo de salvar sua própria vida, mas o coma ainda não é revertido. Enquanto isso, visões mostram a John Tanner que ele precisa usar seu poder de super-herói para ajudar os outros. Então, ele começa a ajudar pessoas a cumprirem seus afazeres, como policiais a capturarem bandidos, mocinhos a passarem no exame da auto-escola com métodos, digamos, pouco ortodoxos e, por que não, também ajuda bandidos a fugirem da polícia - afinal super-herói de verdade não tem pré-conceito com parte alguma.

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É com Tanner em coma no hospital que se dÁ todo o desenrolar do jogo, com missões principais e secundÁrias, sempre com o intuito de ajudar motoristas a cumprirem seus objetivos e, de quebra, ganha pontos para comprar carros e descobre um pouco mais sobre o paradeiro de Jericho.

Um detalhe um pouco frustrante é a possibilidade de zerar o jogo muito rÁpido. Com cerca de 5 ou 6 horas de gameplay, você consegue realizar todas as missões principais (44 pequenas missões) e finalizar o game, embora, claro, ainda tenha a possibilidade de fazer vÁrias outras secundÁrias, isso sem contar que o game é do tipo "sandbox" (mundo aberto), te permitindo gastar horas a fio zanzando pelas ruas, trocando de carros e ganhando pontos por manobras arriscadas, saltos ou drifts.

 

Missões principais:

  • 16 missões de Jonh Tanner - São as principais missões e contam toda a história do jogo, levando tanner nos caminhos da investigação sobre o paradeiro de Jericho

  • 28 missões da cidade - São missões tipo "premium", são ligeiramente relacionadas com a história do jogo e são obrigatórias para a liberação das missões de Tanner

Missões secundÁrias:

  • 31 Challenges - Realizar missões que comprovem sua habilidade em dirigir, sem poder usar o shift, por exemplo

  • 50 Atividades - Missões parecidas com as principais mas que não têm ligação direta com a história do jogo

  • 50 Dares - Focados nas habilidades de dirigir (como pular grandes distâncias, números de ultrapassagens por segundos, se manter em alta velocidade por muito tempo e assim por diante)

  • 120 itens colecionÁveis - São itens espalhados por toda cidade, algusn em locais de difícil acesso ou difíceis de encontrar. A cada 10 itens coletados são desbloqueados Movies Challenges

  • Felony - A qualquer momento e em qualquer lugar da cidade você pode incorporar policiais ou bandidos, realizando assim missões de captura ou fuga
{break::Personagens}
Conheça um pouco dos protagonistas da história:

  •  John Tanner
    É um detetive policial veterano de 38 anos e exímio motorista. Tanner é charmoso e focado, porém, sua obsessão com seu último caso o leva a seus limites, afetando seus relacionamentos, sua saúde e sua capacidade de discernimento. Suas ambições são: justiça para o povo de São Francisco, capturar Jericho e dirigir tão veloz quanto possível.
    Seu carro: Dodge Challenger RT - 1970

  • Tobias Jones
    é o parceiro de John Tanner na polícia e seu melhor amigo.Aos 36 anos, age como um contra-balanço para seu amgio, lhe dando calma e razão. Ele também almeija a captura de Jerich, mas não deixa o caso ultrapassar seus limites assim como Tanner. Suas ambiões: justiça, Jericho atrÁs das grades e a sobriedade de seu parceiro. Seu carro: Chevrolet Camaro - 2010

  • Jericho
    é o chefe da rede criminosa que domina São Francisco. É o inimigo número um de Tanner e representa tudo aquilo que ele odeia na cidade. Ele tem 42 anos e uma personalidade mÁ e uma história cheia de violências, mas os policiais nunca conseguiram levÁ-lo à prisão por muito tempo. Jericho deseja mais poderes, escapar da prisão e se livrar de Tanner, além de manter suas conquistas a salvo.
    Seu carro: Dodge Ram SRT10 - 2006

Tudo o mais que for dito jÁ pode ser considerado spoiler, então, por hora pararemos por aqui.

{break::São Francisco}A verossimilhança da versão virtual da cidade californiana com a verdadeira São Francisco é impressionante. É surpreendente o empenho tido pela Ubisoft em recriar vÁrios pontos chaves da cidade, ao invés de se contentar apenas com a famosa ponte Golden Gate, cartão postal de incontÁveis filmes, jogos e músicas mundo afora.

Os produtores tanto acreditam no trabalho que fizeram, que juntamente com o jogo enviado para anÁlise veio um interessante kit, com o jogo, uma camiseta do game, um manual para reviews e um mapa da cidade de São Francisco, com fotos de pontos turísticos e orientações culturais do local. Deixando mais claro ainda que a ideia era retratar o mÁximo possível da cultura e arquitetura local, ao invés de apenas (?) a incrível semelhança dos mapas.

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{break::Jogabilidade}Testamos as versões de PC e Xbox 360, e em ambas a jogabilidade foi uma grata surpresa. O comportamento do carro surpreendeu bastante, respondendo muito bem aos comandos, além de mostrar uma física de estabilidade e controle do carro a níveis muito além de jogos com a mesma proposta. Chegando até a uma possível comparação com jogos que objetivam a simulação de corrida propriamente dita, que não é exatamente o caso de Driver.


A cada carro controlado você vai descobrindo novas sensações no dirigir, diferenciando minuciosamente o peso e a agilidade do carro de acordo com as características peculiares a ele. Falar disso pode soar um pouco óbvio demais. Pode parecer como se estivéssemos contando que um caminhão é mais pesado que um New Bettle. É simples, mas não é. Uma coisa é o controle do carro ficar mais lento, usando como pressuposto o peso e o tamanho do carro. Outra é balancear estas características de modo a proporcionar uma sensação que condiz com a de realmente dirigir aquele carro, colocando elementos como gravidade, força centrífuga e centrípeta, aceleração, velocidade, timing de frenagem e etc. Juntos, estes elementos - assim como diversos outros - te dão percepções mais semelhantes à realidade, não se limitando apenas à sensação de um carro ser mais lento ao fazer as mesmas manobras que outros. Só jogando para saber.

Um aspecto interessante percebido na versão para computadores é que mesmo que tenha sido anunciado pelos produtores que não haveria suporte a volantes, descobrimos que é possível sim utilizÁ-los, e o jogo traz as possibilidades de configurações para otimizar o uso, como o force feedback.

A respeito dos elementos inseridos para dar mais dinâmica ao jogo, como o shift (que é a troca de carros pela "possessão" da mente dos motoristas por tanner, a seu bel prazer), o ram (uma espécie de empurrão de ataque) e o tradicional turbo (limitado, assim como o ram), a discussão pode gerar controvérsias. A meu ver, o conjunto destes itens se mostrou satisfatório, embora não tenha ido muito com a cara do tal "empurrão" (onde o carro acumula potência, brecando ligeiramente o carro, até que você solte o botão e libere o carro de uma vez e ele literalmente empurre com força tudo que estiver imediatamente à sua frente). Mas, no geral, estas novidades acabam criando situações em que a estratégia individual farÁ a diferença, te deixando optar por qual "artimanha" você lançarÁ mão em determinado momento. Desta maneira, cada missão passa a ser potencialmente diferente da outra dependendo de quem a jogue e de qual estratégia utilize. Especialmente no modo multiplayer.

{break::Multiplayer}No multiplayer em split screen (offline), existem 8 modos de jogo, alguns mais clÁssicos e outros que só são possíveis graças ao louco enredo criado, são eles:

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Co-Operativos:

  • Clean the Streets - Salvem a cidade de criminosos inutilizando seus carros antes que cheguem ao destino final

  • Survival - Sejam os bandidos e cheguem a seu destino "vivos"

  • Go the distance - Mantenham-se na trilha de um carro para manter a gasolina dos carros cheias e assim chegar ao destino

Competitivos:

  • Tag - Bata no seu adversÁrio para roubar a "bandeira", ele a tomarÁ de volta batendo em você. É possível trocar de carro infinitamente para alcançar o carro (fixo) com a bandeira. Ganha quem encher uma barra de tempo com a bandeira primeiro

  • Trailblazer - siga a trilha deixada por um carro. Quem ficar encher a barra mais rÁpido, por ficar mais tempo imediatamente atrÁs do carro vence

  • Sprint GP - Pequenos circuitos, ganha quem for melhor de três rounds

  • Classic Race - Ganha quem alcançar a linha de chegada primeiro

  • Checkpoint Rush - Corrida com checkpoints. Ganha quem alcançar o último primeiro

Apenas lendo a descrição destes modos pode parecer que são meio bobos. Mas ao jogar você verÁ que eles são bastante divertidos, principalmente quando você se familiariza com a troca de carros (shift) e surpreende o adversÁrio de diversas maneira, como por exemplo aparecer vindo da contra mão, do nada, para roubar-lhe a bandeira.

As opções no multiplayer online são quase que exatamente as mesmas, com a diferença óbvia de que é possível jogar com mais jogadores ao mesmo tempo (8 players), o que dÁ uma dinâmica muito maior, e claro, muito mais diversão.

VÁrias pessoas me falaram que o Driver: San Francisco tem os melhores modos de jogo multiplayer que jÁ viram em jogos de corrida.

A diversão no multiplayer do game é garantida, mas ao jogar em modo online, hÁ uma certa dificuldade. Não do jogo em sí, mas sim pelos adversÁrios. A Ubisoft jÁ imaginou que isso viria acontecer, e assim criou um modo de treino onde explica tudo que se pode fazer no multiplayer. Isso é fundamental porque ao jogar online a dificuldade complica dependo das pessoas com quem você for jogar. Um exemplo: jogando uma simples corrida com vÁrios competidores, bastou dar o sinal da largada e 5 segundos depois alguém usa Shift e joga um carro na sua direção e sua corrida ja era. Ou seja, é preciso muita prÁtica para se jogar contra pessoas que sejam viciadas. E isso ocorre em qualquer modo de multiplayer. O uso do Shift "desenfreado" é fundamental para se vencer uma partida e quem não tiver prÁtica nisso, ja era.

{break::GrÁficos}Existem quatro pontos a se analisar graficamente em Driver: São Francisco na minha opinião. A modelagem dos carros, a textura dos prédios e objetos inanimados de um modo geral, a qualidade das cutscenes e a semelhança da cidade fictícia criada para o jogo com a São Francisco de fato - como o nível de detalhes de ruas e lugares famosos, por exemplo.

Carros
O primeiro ponto é, sem dúvida nenhuma, uma das principais qualidades deste jogo. A perfeição da modelagem dos carros impressiona e muito. Todos são muito bem feitos, com licenças das marcas, nomes e ricos em detalhes. Pode ser considerado com um dos melhores jogos existentes até hoje neste quesito.

Prédios e objetos
Nada demais. Nem ruim, nem bom demais. Pode ser considerado na média. Diante das outras características presentes no jogo, assim como a própria proposta do game, você não se preocuparÁ tanto com isso, a não ser que seja exigente demais.

Cutscenes
As cenas em computação grÁfica que aparecem de vez em quando para dar mais "vida" ao enredo do game quase sempre têm uma qualidade grÁfica muito boa. Uma vez que é muito mais fÁcil enriquecer os detalhes de um pequeno filme do que de toda uma cidade "jogÁvel" e que terÁ de ser carregada em tempo real. Desta maneira, jÁ era de se esperar que estas cutscenes fossem muito bem feitas. E assim são. Até dÁ para puxar um pouco o saco e dizer que elas estão um pouco acima da média, com movimentos e expressões faciais bem condizentes com a de pessoas de verdade.

Detalhes da cidade
Como visto no início da review, este é outro ponto forte do game. Os pontos turísticos famosos de São Francisco, como a ponte Golden Gate, a Lombard street, a própria orla marítima da cidade, assim como a arquitetura dos prédios e sua disposição na cidade, dão uma grande sensação de que você realmente estÁ conhecendo a cidade (levando em conta o mapa enviado junto com o jogo, com fotos e descrições de pontos chaves da cidade), e uma grata relação saudosista a quem jÁ esteve na própria Califórnia e pode ver tudo aquilo de perto, ratificando a impressionante semelhança com cidade virtual, conforme relatos de pessoas que me assistiam jogar e se impressionavam com a perfeição dos detalhes, o que sempre acaba por gerar testemunhos divertidos como "olha, eu jÁ estive ali!" e "nossa, que massa...".


{break::Áudio}Embora o Áudio não seja uma parte tão fundamental assim para jogos de carros, principalmente os de ação, após uma certa quantidade de horas gastas em gameplay - se os produtores do jogo não tiverem tido o mínimo de zelo com este quesito - o game começa a ficar cansativo, e ai você começa a perceber a importância de uma trilha sonora e sonoplastias bem feitas.

Não é só a variedade das músicas que importa, mas também a escolha delas, assim como os estilos e quando cada um irÁ aparecer. No Driver, estas alternância acontecem quando você usa o shift, com cada tipo de carro estando mais associado a determinado tipo de música, te dando, claro, a opção de trocÁ-las numa espécie de estações de rÁdio, como você jÁ deve estar acostumado de outros jogos que utilizam o mesmo sistema.

Além das músicas, a qualidade sonora de um game também estÁ associada à sonoplastia, que é, a grosso modo, os sons emitidos pelos elementos presentes no jogo. Podem ser atribuídos a este quesito, por exemplo, o ronco dos motores, barulho de batidas, sirene da polícia, pneus fritando em uma curva e assim por diante.

Confesso que não sou nenhum especialista nesta Área, mas a minha opinião de leigo é bastante positiva em relação aos sons do jogo. A maioria deles parece ser bem realista, e te dão uma ótima sensação de ambientação à medida que o jogo passa. Os roncos dos motores são bem diferentes a cada carro, e parecem ser bem parecidos com os poucos carros do jogo os quais jÁ os vi (e ouvi) pessoalmente.

A dublagem, outro ponto importante a se considerar em uma anÁlise deste tipo em um jogo, tem ritmo, volume e profundidade estão bem arranjados e bem coordenados com os elementos do jogo, proporcionando uma boa experiência audio-visual com a jogatina.

{break::Conclusão}Driver: São Francisco é sem dúvida alguma um ótimo jogo e um excelente passa tempo. A boa jogablidade e a perfeição na modelagem dos carros, compensam o enredo totalmente psicodélico criado pela Ubisoft. O fato de a duração do jogo ser curta (considerando o tempo total que você leva para zerar o game), pode fazer com que ele se torne cansativo rapidamente, mesmo sendo do tipo mundo aberto.

Os modos multiplayers seguem a mesma tendência. São bem divertidos por algumas horas, mas duvido que você gaste mais horas neles do que você pode contar nos dedos da sua mão direita. Obviamente que levo em conta apenas as pessoas que possuem vida social fora de seu quarto e que não são obcecadas por este título.

Em resumo este jogo é sim uma boa aquisição, mas não espere que ele vÁ te fazer virar a noite para não ter que largar o controle.


PRÓS
- Jogabilidade realista
- Modos multiplayer melhores do que a maioria dos games do estilo
- Modelagem dos carros impressionante
- Sistema de "shift" cria situações bastante inusitadas
- Boas músicas e sonoplastia convincente
CONTRAS
- Enredo meio "forçado" demais, dÁ a sensação de ter sido criado para justificar os elementos do jogo e não o contrÁrio, como deveria ser
- Ram (empurrão de ataque) mais surreal ainda que o resto do jogo
- Poucas missões principais, dÁ para zerar em 5 ou 6 horas de gameplay
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  • Redator: Pedro Lima

    Pedro Lima

    Graduando de Jornalismo e Ed. Física, Pedro cresceu jogando videogames e futebol. Dividiu sua infância e adolescência com master-system, super nintendo, 486, k6-2, playstations e outros eletrônicos. Com eles aprendeu, além de gostar de games, tecnologia e ciência, a idolatrar Homer Simpson e Jaiminho, do Chaves.

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