ANÁLISE: Deus Ex: Human Revolution

ANÁLISE: Deus Ex: Human Revolution

Quase 8 anos após o lançamento do episódio "Invisble War", a série "Deux Ex" finalmente estÁ de volta. E para a diversão geral de todos e dos fãs da franquia, a espera certamente valeu a pena. Produzido pela Eidos Montreal e distribuído pela Square Enix, "Human Revolution" não só retorna com a conhecida mecânica em primeira pessoa que mistura vÁrios gêneros, como também agrega algumas características novas.



A expectativa em torno do título antes da estreia era grande. As duas primeiras edições foram bem elogiadas e alcançaram sucesso comercial bastante satisfatório. Quando revelado, "Human Revolution" foi visto com alguns olhares de desconfiança, principalmente porque jÁ trazia um clima ciber-renascentista um tanto exagerado logo nos primeiros vídeos e imagens divulgados.



Assim que lançado, contudo, caiu no gosto da crítica e público de maneira geral, recebendo as maiores notas e cativando grande parte dos jogadores. Quer entender o porquê de uma recepção tão calorosa e saber quais os atrativos que o game traz para valer a compra? Leia as próximas pÁginas e descubra.

*Agradecemos à Arvato Games pelo envio da versão PS3 do game para anÁlise*

{break::História}Num futuro não muito distante (2027), a tecnologia evoluiu tanto que agora jÁ é possível redesenhar e modificar qualquer parte da cadeia proteica que envolve os genes e, com isso, reforçar suas características genéticas trazendo benefícios vitais às pessoas.

Mas é com a implantação de próteses mecânicas (espécie de armadura) que essas melhorias ficam mais estampadas. Por exemplo, é possível obter raciocínio mais Ágil, força física mais avantajada, velocidade maior e funções multitarefas nunca imaginadas.



Como o mundo estÁ passando por um momento de crise global, é comum que as pessoas se deixem levar pelos testes em busca de dinheiro fÁcil e, caso funcionem, recebam esses incrementos sem pagar nada pelo adicional. Acontece que, como tudo teoricamente surge para fazer o bem, também pode ser usado para o mal.

Com esse esclarecimento, o jogo foca, a todo momento, num questionamento constante: as novidades tecnológicas podem ser consideras um novo passo na evolução do ser humano? Ou seriam apenas mais um recurso que suprime o instinto humano, apagando parte dos seus sentimentos e modificando-o aos poucos?



É a partir daqui que o jogador tem a chance de conhecer a história do protagonista Adam Jansen, um ex-policial hacker da SWAT altamente treinado. Empregado atualmente no centro de pesquisa científico comandado por David Sarif, fica à beira da morte quando o grupo terrorista Tyrants invade o local, destroi grande parte das instalações e mata seus companheiros de serviço, cientistas e civis.



Recuperado em cirurgia, a única maneira de salvÁ-lo é com a implantação dos Augmentations, as tais próteses que ampliam as habilidades corporais. Mas no caso de Adam, ele não teve chance de escolher se queria implantÁ-las. Era a única solução para salvar sua vida. Esse é mais uma das discussões que o enredo põe na cabeça do jogador, que fica totalmente atiçado na trama e quase sempre curioso para saber o que vai acontecer na próxima cena.

Itens espalhados pelos cenÁrios, como jornais e revistas eletrônicos, arquivos de textos em leitores portÁteis e e-mails de computadores pessoais são a oportunidade perfeita de conhecer mais a fundo a rica história do game.  

{break::Jogabilidade}Certamente o ponto mais alto do jogo, a jogabilidade de "Deus Ex: Human Revolution" mescla, de maneira bastante competente, quatro gêneros diferentes: tiro em primeira pessoa, ação, espionagem e RPG.

O primeiro porque é possível apontar e mirar na visão de primeira pessoa, como se fosse um tradicional FPS. Comandos bastante parecidos com jogos específicos desse gênero estão ali, apenas modificados com outras configurações de botões. No começo, até pode parecer confuso. Mas uma vez acostumado, é viciante.



Ação e espionagem trabalham juntas aqui. Ao mesmo tempo em que anda pelos cenÁrios e cumpre as missões, pode-se executar ações referentes a cada um desses estilos. Sair andando pela cidade, mover objetos, hackear computadores, andar sorrateiramente e eliminar inimigos, encostar-se na parede para checar a próxima Área, explorar edifícios e subir em construções para ganhar acesso a outras são apenas algumas das possibilidades dessa combinação.

Mas a parte que mais ganha atenção aqui são os elementos de RPG. No melhor estilo ocidental do gênero, pontos de experiência são ganhos quando cada ação é feita. Seja derrubando os adversÁrios, invadindo computadores, desarmando alarmes ou cumprindo missões paralelas, são essenciais para evoluir as habilidades de Adam.



E são muitas. Cada uma delas remete a uma parte do corpo modificado do herói: braços, tronco, abdômen, pernas, ombro e cabeça, basicamente. E cada uma dessas possui vÁrias ramificações de evolução, o que permite configurar e desenvolver as características da maneira que desejar, dependendo da necessidade para seguir na aventura.

Habilidades secundÁrias, como inteligência, força física, velocidade, tempo de corrida e esperteza de invasão a sistemas de segurança também podem ser melhorados como bem entender. O mesmo pode ser feito com as armas e os equipamentos militares de suporte. E todas elas influenciam drasticamente na mecânica geral do game, dependendo da ocasião envolvida.

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O mais legal é que esses momentos são todos muito bem intercalados. Em nenhum momento o foco passa a ser o tiroteio em detrimento da espionagem, da ação ou do RPG. E vice-versa para todas as possibilidades. Tudo é bem dosado, na medida certa, e previne o jogador de exageros na maneira como a ação desenrola, seja em horas de infiltração ou de puro papo com outros personagens.

Falando em papo, as conversas são de suma importância na trama de "Deus Ex: Human Revolution". Durante as falas, é possível escolher algumas opções de respostas Elas não moldam o roteiro de maneira completamente diferente, mas dão pitacos na hora de resolver missões, seja pacificamente ou na base da violência extrema. O relacionamento entre personagens é influenciado da mesma maneira.

{break::GrÁficos}O visual de "Deus Ex: Human Revolution" é outro quesito que chama bastante atenção. Não na produção dos efeitos grÁficos propriamente ditos, que podem ser considerados até normais para os padrões atuais. Mas é na direção de arte e na apresentação que o game mostra do que é capaz.



Em suma, os grÁficos não podem ser considerados um primor de programação. É fato que foram desenvolvidos com certo cuidado, mas em poucos momentos fazem o jogador ficar boquiaberto (exceto as construções mais abertas) ou surpreso com efeitos extras que poderiam trazer uma dinâmica de luz e cores ainda maior à tela.

Na verdade, foram modelados para se adaptarem à temÁtica de ficção futurística robótica em que o game se situa. Sendo assim, é mais do que comum percorrer pelos ambientes e visualizar mÁquinas de todos os tipos, como robôs, equipamentos militares de última geração, veículos de diversos tipos e estruturas que remetem ao contexto histórico do game, onde tudo é tecnologicamente super avançado e a robótica jÁ é capaz de se fundir ao ser humano.


Comparação grÁfica entre PC e consoles. Crédito: IGN


É nesses ambientes que é possível perceber mais detalhes nos cenÁrios, principalmente quando se tem acesso às ruas da cidade norte-americana de Detroit. A quantidade de detalhes é grande: vai desde poeira, lixo, ferragem e outros objetos corriqueiros de grandes metrópoles, até goteiras, canos quebrados, caixas de papelão, entre outros, todos com boa definição de texturas. Esse capricho ajuda na identificação do jogador com o clima cibernético da aventura.

A paleta de cores do visual, por sua vez, se apóia em três tonalidades: marrom, laranja e cinza. Por um lado, é uma combinação que acentua a atmosfera de espionagem e repressão à sociedade desencorajada pela crise global e pelas novas incertezas da fusão entre homem e mÁquina. Por outro, pode cansar pela monotonia de algumas partes. Mas não é algo que incomoda profundamente.



Além disso, a modelagem dos personagens, excetuando o protagonista e outros que se envolvem diretamente no enredo, são um tanto sem graça. Parece que não ganharam atenção suficiente, pois não trazem muitas expressões faciais, movimentam de maneira não-natural, seu design é simplório e bem repetitivo, sem muita variedade de trajes e acessórios.

{break::Áudio}A parte sonora de "Deus Ex: Human Revolution" também é um dos destaques do game. No geral, as trilhas sonoras são épicas e trazem batidas eletrônicas que se misturam a vozes e diversos instrumentos musicais. A música de introdução, por exemplo, é muito empolgante e mostra como um jogo que envolve diversos gêneros pode melhorar ainda mais quando tem o tom de fundo certo.



Cada um dos ambientes e situações trazem melodias próprias. Nas horas de infiltração, é comum um tom bem mais calmo se impor, ao passo que nos momentos de frenesi dos tiroteios, as batidas ficam bem mais pesadas e barulhentas. Os interiores de locais e suas Áreas externas ganham o mesmo tratamento, dependendo da ocasião em que se encaixam.


"Icarus"
(Jogo: Deus Ex: Human Revolution | Multi | 2011)


(Trilha de abertura do game)

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Mas um ponto que não é tão digno de elogio assim foram as dublagens. A própria voz de Adam não é tão impactante assim: é serena demais, demonstra uma calmaria que não condiz com a realidade do personagem como humano obrigatoriamente modificado pela robótica e parece não se encaixar muito bem com a proposta.



Algumas vozes de outros personagens aleatórios, quando em contato com o herói, também não agradam muito. São, às vezes, mecânicas demais. Em embora vÁrias das situações sejam de emoção na busca por pistas do que aconteceu com algum familiar mais próximo durante os ataques terroristas da trama, não transmitem tanta preocupação assim. Ainda mais porque as expressões faciais também não são muito boas, deixando tudo ainda menos envolvente.

{break::Conclusão}"Deus Ex: Human Revolution" chega para fazer jus à abstinência da série no mercado desde 2003. O novo episódio consegue seguir a mesma mecânica das edições anteriores, mesclando quatro gêneros simultaneamente de maneira bastante balanceada, sem transpassar os limites de cada um e focar demais em um deles.



O gameplay deve ser lembrado como um dos mais interativos da atualidade. As possibilidades da jogabilidade, aliado ao ganho de experiência e ao sistema de evolução permite configurar Adam Jensen da maneira que desejar, dependendo das necessidades dos acontecimentos na tela.

O jogador se sente envolvido em quase todos os momentos. Isso porque a trama traz possibilidades de interação entre personagens aleatórios, cujas missões paralelas permitem um maior entendimento do mundo futurista devido ao grande leque de detalhes apresentados.



Com isso, somam-se pelo menos 20 horas para fechar a campanha principal – e mais de 35 horas para fazer todos os extras, incluindo achievements/troféus – e você verÁ que a aventura vale o investimento pela rara combinação de estilos e quesitos muito bem executados.

"Deus Ex: Human Revolution" é um dos melhores games do ano, tanto que jÁ vendeu quase 1.3 milhões de cópias e vem sendo bem recepcionado pela crítica especializada.

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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