ANÁLISE: Wolfenstein 3D

ANÁLISE: Wolfenstein 3D

Dando continuidade às reviews retrô, iniciada com o Rock'n Roll Racing, vamos fazer agora a anÁlise do game considerado o avô dos jogos de tiro em primeira pessoa, os FPS: Wolfestein 3D. E a responsabilidade não é pouca, jÁ que estamos falando de um precursor de um gênero que hoje tem séries de muita importância, como Call of Duty e Battlefield.

O game foi desenvolvido pela ID Software, empresa que reunia em seus time de produção, lendas como John Carmak e John Romero. Foi lançado para DOS em 1992, mas ganhou versões para diversas plataformas ao longo dos anos, inclusive para os consoles da geração atual. É uma boa mostra da força deste clÁssico, que continua ganhando espaço mesmo 19 anos depois de seu lançamento (sem brincadeira, tem versão até pra calculadoras...). É importante destacar que aqui fizemos a review do Wolfenstein à moda antiga, jogando o do DOS. Aspectos como enredo e jogabilidade podem variar de acordo com a plataforma.

VÁrios clones do game surgiriam nos anos subsequentes, inclusive o bizarro Super Noah's Ark 3D, que fez uma aparição em nosso Top 10: piores jogos. O game também influenciou outros games importantes da época, como Duke Nukem 3D e Doom (também da ID Software). Curiosamente, os games do gênero FPS ficaram conhecidos por vÁrios anos como "Doom like", algo que em português soaria como "no estilo do Doom".

O jogo foi criado inicialmente com 3 episódios, com 10 níveis cada, mas pouco tempo depois foram adicionados mais três episódios, conhecidos como "missões noturnas", deixando as coisas um pouco fora de ordem. Vamos entender isto melhor vendo a fundo a história de Wolf3D.

{break::Enredo}O game é ambientado na Segunda Guerra Mundial, sendo que você encarna o espião americano William Joseph Blazkowicz, ou "B.J." Blazkowicz. Filho de descendentes de poloneses, o que explica seu sobrenome impronunciÁvel, Blazkowicz participou de 14 missões antes de ir parar no castelo de Wolfestein. Para quem jogou o jogo original, e estÁ se perguntando de onde saiu tudo isto, estÁ tudo descrito na segunda pÁgina do manual do game "Return to Castle Wolfenstein". Isto, e também que ele tem 1,93m de altura e pesa 95 Kg, ou seja, ele não é uma figura discreta.

O jogo começa com B. J. preso no castelo Wolfenstein, logo após ele abater um guarda e roubar uma faca e uma pistola com oito balas. Esta foi a contribuição dele, agora guiÁ-lo por 10 níveis para escapar do castelo, cheio de nazistas loucos pra te furar à bala, é por sua conta. Por sinal, fugir do castelo é a sua missão neste primeiro episódio. Aqui temos uma curiosidade: Castle Wolfenstein é o nome de um game lançado em 1981 pela Muse Software, onde o protagonista precisa se infiltrar nos bunkers alemães, com o objetivo de roubar os planos secretos, algo que pode ter servido de inspiração para os produtores da ID Software.

Os três primeiros episódios culminam no capítulo "Die, Fuhrer, Die!", no qual você precisa matar nada menos que o próprio Hitler. Aí temos uma confusão temporal: os episódios 4, 5 e 6 são eventos que aconteceram antes da fuga do castelo Wolfenstein e do assassinato de Hitler. Na hora de jogar, a coisa aparece assim mesmo, fora da ordem cronológica, o que pode confundir muitos jogadores.

Estes episódios "prólogo" mostram Blazkowicz em uma missão para destruir o programa de armas químicas do governo alemão. Ao longo dos episódios você busca matar o responsÁvel pelo projeto, o general General Fettgesicht, o que acontece no último episódio, o "Confrontation". JÁ que falamos de tantos inimigos, vamos nos aprofundar em cada um deles.

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{break::A trupe nazista}Vamos começar a nossa lista com os "peixes pequenos", partindo dos soldados rasos, alguns oficiais para então irmos para os figurões do jogo. A pÁgina fica com uma cara meio "anos 90", mas achei legal por vÁrias gifs dos personagens, mesmo assim.

Guarda: Também conhecido como soldado nazista, é o inimigo mais repetido ao longo do jogo e também o mais frÁgil dos soldados. Você começa o jogo na frente do cadÁver de um destes, do qual Blazkowicz roubou a pistola e uma faca. Só tem uma frase no jogo: Halt! (Pare).
Arma: pistola  /  Resistência: 25 hit points  /  Pontos: 100

Cão: É o inimigo mais rÁpido, porém o mais frÁgil do jogo. São substituídos por ratos, em algumas versões.
Arma: mordida  /   Resistência: 1 hit point    /    Pontos: 200


Schutzstaffel: Conhecido como soldado da SS, força de elite nazista, é um inimigo resistente e capaz de grande dano com sua metralhadora. Sempre em trajes azuis, grita "Schutzstaffel" (esquadrão de proteção) ao te ver, e quando abatido, "mein Leben" (minha vida).
Arma: sub-metralhadora   /   Resistência: 100 hit points  /   Pontos: 500

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Oficial: Armado com uma pistola, se diferencia do guarda por ser muito mais rÁpido, tanto no deslocamento quanto no gatilho, e por ter o dobro de resistência. Grita "spy" (espião) ao ver o protagonista, e morrem falando: "Nein, so was!" (Não, isto não!)
Arma: pistola  /   Resistência: 50 hit points  /  Pontos: 400

Mutantes: Também chamados de zumbis ou mortos-vivos, são resultado de experiências do Dr. Schabbs. Possuem uma pistola alojada no peito, que dispara mais rÁpido que o oficial. São um dos inimigos mais mortais do jogo. Dão lugar a morcegos em outras versão do game.
Arma: pistola (alojada no peito!) /   Resistência: 45-65 hit points   /   Pontos: 700

Fantasmas de Hitler: Chamado também de fake hitler, são muito parecidos com o fuhrer e compõem sua guarda de elite. Só aparecem no último nível do terceiro episódio, formando uma espécie de sub-chefe, por serem muito resistentes. Gritam "Tot hund!" (cão morto) ao te ver, e morrem soltando uma gargalhada.
Arma: bolas de fogo /  Resistência: 200-500 hit points  /   Pontos: 2000

{break::Os chefões}Cada episódio tem um seu big boss, sempre figuras-chave nas missões de Blazkowicz. Com muito HP, e armas potentes, derrotar os chefões quase sempre resultam em batalhas requerem destreza para vencer em níveis mais difíceis.

Hans Gross: Chefe do primero episódio, é preciso derrubÁ-lo para poder fugir da prisão no castelo Wolfenstein. Por isto é conhecido também como Wolfenstein, afinal, ele é o chefão do castelo! Ao lhe ver, fala "Guten Tag!" (Bom dia!) e morre gritando Mutti! (Mamãe). É irmão de Gretel Grosse, big boss do quinto episódio. Faz outras aparições, mas como "inimigo comum", em outros episódios.

Arma: duas metralhadoras giratórias  /   Resistência: 850-1200  /  Pontos: 5000


Doutor Schabbs: O responsÁvel pelos mutantes é o chefão do segundo episódio. Atira em B.J. seringas com químicos letais. Ao te ver no jogo, recebe com uma longa risada, e morre exclamando "Mein Gott im Himmel" (Meu Deus do Céu!)

Arma: seringas   /   Resistência:  800-2400 hit points   /   Pontos: 5000

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Adolf Hitler: A confusão cronológica faz com que você enfrente "o cara" jÁ no final do terceiro episódio, e a batalha é épica! Primeiro ele te ataca vestindo uma roupa cibernética, no estilo mecha. Aqui a estratégia é explorar a lerdeza do conjunto, além de ser possível ouvir claramente os passos de seu inimigo no traje. Depois de derrubÁ-lo, vem a parte mais difícil: fora do robô, Hitler tem a agilidade de um oficial, mas com o poder de fogo de Hans Gross. Se prepare para uma briga longa, e é preciso pegar todas as vidas e munições diponíveis para fechar o jogo. Ao te ver, grita "Die, Allied Schweinehund!" (algo como: Morra, escória aliada! Escolhendo palavras mais... rebuscadas), e resmunga alguns "Shit" e "Neim" (merda e não) até ser abatido. Ao morrer, solta o lamento "Eva, auf Wiedersehen!" (Eva, adeus!), e se desmancha de uma forma um tanto dramÁtica, como se fosse feito de ketchup... Este é, cronologicamente, o fim do game, apesar dos outros três episódios disponíveis para jogar. Em outras versões, Hittler perde o tradicional bigode, de acordo com a censura da plataforma ou do país.

Mech  -  Arma: quatro metralhadoras giratórias  /   Resistência:  800-1200
Fora do traje - Arma: duas metralhadoras giratórias  /  Resistência: 500-900    /   Pontos: 5000

Otto Giftmacher: O doutor é o responsÁvel por tocar "Giftkrieg project", projeto de armas químicas alemão que B. J. busca desmantelar nas missões noturnas (episódios 4, 5 e 6). Ao lhe ver, fala "Ein kleiner Amerikaner!" (um pequeno americano!) - ué... o personagem não tem 1,93m de altura? - e morre exclamando "Donnerwetter!" (Céus!).  Seu lança-foguetes causa um dano alto, mas é fÁcil de esquivar.

Arma: lança-foguetes /   Resistência:  850-1200   /   Pontos: 5000

Gretel Grosse: Guarda os planos secretos do projeto de armas químicas dos nazistas. É irmã de Hans, e compatilha com ele o gosto por metralhadoras giratórias e armaduras gigantescas. Também não traz grande dificuldade para ser derrotada.

Arma: duas metralhadoras giratórias  /   Resistência:  850-1200   /   Pontos: 5000


General  Fettgesicht ("cara gorda"): O diretor do projeto Giftkrieg é o boss do último episódio do game. Parece uma "versão rechonchuda" e com roupas beges de Otto Giftmacher, equipado com uma lança-foguetes, mas também carrega uma metralhadora giratórias.

Arma: metralhadora giratórias e lança-foguetes  /   Resistência:  850-1200   /   Pontos: 5000

Quem quiser ver os figurões em ação, pode ver este vídeo aqui com seus "melhores momentos".

{break::GrÁficos e Áudio}JÁ vou deixar claro que, quando analiso estes aspectos do jogo, busco recuperar o contexto do game, tentando avaliar os avanços deste título para a indústria, e não ver com "os olhos de 2011" um game de 1992. E não faltam títulos importantes neste ano! Em agosto, seria lançado a dupla MK: "Mortal Kombat" e "Mario Kart". Entre os títulos em três dimensões, a Sega lançou o "Virtua Racing", e os principais lançamentos para PC são "Ultima VII" e "Dune II", além do próprio Wolfenstein 3D.


Lançamentos de 1992, em sentido horÁrio: Mortal Kombat, Dune II, Mario Kart e Virtua Racing

Neste contexto, vemos que a modelagem dos personagens em Wolf3D fica em desvantagem em relação ao conjunto de fotos usadas nas sprites de Mortal Kombat, e acabam perdendo comparados a qualidade até mesmo de jogos dos anos anteriores, como "Street Fighter II". O mundo tridimensional em "Virtua Racing" também parece mais complexo. Isto esta relacionado à limitação dos computadores, frente aos consoles e aos arcades, jÁ que se você comparÁ-lo apenas aos outros games de PC, verÁ que estÁ bem situado.

O game usa a "Wolfenstein Engine", que cria um efeito "pseudo-tridimensional". Ele funciona formando uma linha reta para cada pixel e calculando em qual objeto ela "colide" primeiro. Assim que calculado o local e qual objeto, a engine redimensiona os sprites de acordo com a posição, gerando uma imagem final que, na verdade, é plana. Apesar de levar o nome do jogo, esta engine estÁ presentes em dois games lançados em 1991, pela Id Software: "Hovertank 3D" e "Catacomb 3-D".

Isto traz alguns efeitos interessantes, jÁ que este método chega a ser convincente para objetos planos, como paredes, mas falha com outras formas. Os soldados têm sprites para apenas oito ângulos, substituídos de forma brusca à medida que você gira em torno dele. Em outros casos, foi feito apenas um sprite, então você tem a impressão de que o objeto gira constantemente, ficando sempre com o mesmo lado para sua direção. Isto acontece muito com objetos inanimados como lustres e pilares, e até alguns que "deixaram de ser animados", caso dos cadÁveres de seus inimigos.


Img 1. Sprites dos guardas de Wolfenstein 3D
Img 2.  O mesmo guarda e mesa, observados de ângulos diferentes

Na parte do Áudio, Wolfenstein não tem trilhas marcantes, sendo, em geral, composições discretas apenas para compor cenÁrio. Algumas músicas são baseadas em hinos do partido nazista, o que traria problemas para a franquia em outras plataformas. Os efeitos sonoros das portas de metal sendo abertas e dos disparos são convicentes, jÁ os gritos dos inimigos são tão enigmÁticos quanto o "traque traque truqueti" do Ryu, no Street Fighter. Além de ser em alemão, o som é tão abafado que fica difícil entender o que é dito. Se por um lado, ninguém faz a mínima ideia do que era dito, o jogo ganhou pontos no quesito "realismo".


As trilhas do game agrupadas, iniciando com Horst Wessel Lied, música tema do jogo

{break::Jogabilidade e armas}O jogo tem um padrão de jogabilidade identificado na hora por um jogador moderno, com a perspectiva em primeira pessoa, na qual você vê apenas sua arma e as coisas que você pretende matar com esta arma (o resto é cenÁrio). Mas o estranhamento surge jÁ na primeira curva: em Wolfenstein 3D, ou você usa o mouse, ou o teclado.

A tradicional jogabilidade que combina os dois só surge no game Quake, também da ID Software, tornando este gameplay um padrão da indústria. Antes disto, a ID Software implementou um modo de se deslocar parecido com "dirigir um carro", com as setas laterais girando o personagem, e as para cima e para baixo, movendo ele para frente e para trÁs.

Se você quiser se deslocar na lateralmente, algo que os comandos para esquerda e para a direita fazem nos jogos de hoje, é preciso pressionar a tecla "alt" e então se mover para os lados usando o mouse ou o teclado. Caso contrÁrio, o personagem fica girando no próprio eixo. Simplificando: é o maior rolo, só jogando pra entender.


Diferente dos siris, Blazkowicz tem dificuldade de andar de lado

Tirando isto, não hÁ segredo. Basta avançar por inúmeros labirintos, matando nazistas, pilhar seus pertences e chutar a bunda dos chefões. Por isto o game é considerado cansativo, para muitos, principalmente por não mostrar um mapa do cenÁrio, algo que faz você se perder nas fases. Mas se serve de consolo, é ótimo para treinar sua memória espacial.

Um mecanismo interessante é o dos gritos dos guardas. Sempre que você atira, ou caso um guarda te veja, ele solta uma exclamação. Assim como os vilões de filme que precisam contar seu plano antes de matar o mocinho, ou personagens japoneses que sempre gritam o nome do golpe antes de realizÁ-lo, os inimigos em Wolfenstein 3D sempre exclamam em voz alta que perceberam sua presença, algo bastante útil para não ser pego de surpresa.

Outro truque do jogo é usar as portas para enfrentar grupos maiores de inimigos. Ao invés de entrar na sala, e enfrentÁ-los em um espaço mais amplo, o melhor e recuar e esperar que passem pela porta. Assim todos ficam alinhados, e você pode derrubÁ-los sem maiores dificuldades.

Para abater seus inimigos, o jogo possui quatro armas: a faca e a pistola, que fazem parte do seu armamento inicial, uma sub-metralhadora e uma metralhadora giratória, que são encontradas ao longo das fases. A faca não é muito útil, servindo apenas para abater um guarda pelas costas, situação rara, ou matar um cão. Aqui tem uma curiosidade: a ID pretendia pegar mais elementos dos games Wolfenstein originais, com espionagem e assassinatos "na surdina". No final, desistiram da ideia por achar que "complicava muito" o gameplay.


As imagens das armas na status bar e nas mãos de B. J.

Assim que você encontra a primeira metralhadora, a pistola torna-se obsoleta. Apesar de ser mais poderosa, a metralhadora giratória é mais efetiva em grupos grandes, à média distância. Por consumir muita munição, não compensa em inimigos isolados, ou muito longe de você. Nestes casos, a sub-metralhadora é uma opção melhor. Como só é possível acumular 99 balas, é importante ir com calma na hora de gastÁ-las. JÁ para os chefões, chegar com a metranca giratória é "procedimento de praxe".

Errata: O primeiro game a usar a combinação mouse+teclado, no estilo como os FPS usam hoje, foi Quake, e não Doom, como estava anteriormente no texto. Obrigado pelo aviso, Camilo!

{break::Controvérsias}Assim com o Mortal Kombat, lançado no mesmo ano, Wolfenstein 3D causaria polêmica pela violência, jÁ que não poupa sangue e gritos de dor em seus inimigos assassinados. Com Hitler então... parece até que o corpo dele era feito de molho de tomate. O resultado é que o game sofre restrições em outras plataformas, como por exemplo no SNES.

No console da Nintendo, por conta de restrições impostas pela própria big N, o sangue dos inimigos assassinados foi substituído por algo azul, fazendo parecer que é suor. Os cães deram vez os "ratos gigantes", o que leva a pergunta: matar pessoas e ratos mutantes pode, mas cães não?


Nada de suÁsticas nas bandeiras e ratos ao invés de cães.

Símbolos nazistas também perderam espaço, e Hitler perdeu o bigode (não precisa mais que isto para descaracterizÁ-lo, creio). O único lugar onde pode ser visto sangue, no Wolf3D do SNES, é quando vocês estÁ com pouca vida. Aí Blazkowicz aparece com o nariz sangrando. Nem parece mais um jogo ambientado na Segunda Guerra Mundial.


Todo o sangue de Wolfenstein no SNES

Também por problemas relacionados aos símbolos nazistas, o game seria proibido na Alemanha, em 1994. Até hoje, se você acessar o site oficial e tentar comprar, verÁ a mensagem: "por restrições judiciais, este jogo não pode ser comprado por residentes na Alemanha".

Até a trilha trouxe mais polêmica para o jogo, pois incluía a músicas do regime totalitÁrio alemão, como a Horst Wessel Lied, hino oficial do partido nazista, sendo a música tema do game. Outra mudança são os guardas, jÁ que, na versão do Super Nintendo, todos falam inglês.

Uma das modificações não teve como objetivo reduzir a violência: em uma fase secreta do terceiro episódio, você joga uma versão Wolfenstein do Pacman, ou seja, em primeira pessoa. Não é possível matar os fantasmas, e eles tiram a vida de B. J. rapidamente, caso te encostem. Por um problema de patentes, em outras plataformas os fantasmas tradicionais do Pacman surgem com outras cores ou são substituídos pelos fantasmas de Hitler.


Ué? Abri o jogo errado?

{break::Conclusão}Apesar dos controles diferentes, um jogador de hoje que gastar 10 minutos em Wolfenstein 3D vai reparar como o jogo, de 1992, jÁ tem muitos dos elementos bÁsicos dos jogos de tiro de hoje. A visão em primeira pessoa, no estilo "mira e atira", armas adicionais, vida e munição limitada estão muito presentes nos FPS de hoje.

Seus principais defeitos são o deslocamento estranho com os controles, jÁ que o padrão que conhecemos como hoje só surgiria em Doom, e o gameplay um pouco repetitivo. Um mapa para as fases também seria bem-vindo, evitando que você se perca nos longos labirintos que são os níveis.


Blazkowicz felizão no final do primeiro episódio, quando foge do castelo Wolfenstein

Para quem quer ter uma ideia de como era o game, mas não quer passar por todo o processo de configurar algum emulador para rodar, pode jogar este game online feito em flash que, apesar de não ser idêntico ao original, tem vÁrios elementos semelhantes, como a jogabilidade e as sprites originais dos personagens .

Por fim, adicionei um novo critério de avaliação, em nossas Reviews Retrô: "Poder de Replay". O objetivo é dizer se o game tem algo que o torne atrativo para ser jogado novamente, ainda hoje. Sem dúvida, Wolfenstein 3D é um jogo que vale a pena ser revisitado ou, para quem não o conhece, descoberto. É interessante para fazer o comparativo com o que temos hoje, e pensar o quanto os FPS evoluíram (ou não) desde então. Numa época em que a maioria dos jogos te possibilitavam assassinar apenas alienígenas, mostros ou participar de torneios de lutas entre personagens ficcionais, em Wolf 3D você desce a bala em pessoas, e sem sutilezas, entra no clima da Segunda Guerra Mundial. Com direito a Hitler e tudo mais.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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