ANÁLISE: LEGO Piratas do Caribe: O Videogame

ANÁLISE: LEGO Piratas do Caribe: O Videogame

Jogos da marca dinamarquesa de brinquedos LEGO jÁ se tornaram bastante populares hoje em dia. As quatro versões recentes, todas produzidas pela Traveller's Tales e distribuídas pela Disney Interactive, alcançaram um público fiel pela simplicidade em reproduzir temas diversificados de grandes séries do entretenimento, como "Indiana Jones", "Batman", "Star Wars" e "Harry Potter".



Distribuído no Brasil pela Arvato, A nova aposta da empresa agora é com o mega sucesso "Piratas do Caribe". Embarcando no lançamento do filme "Navegando em Águas Misteriosas", este novo episódio chega para reunir os acontecimentos das quatro obras do cinema, tentando aprimorar alguns conceitos dos títulos anteriores e reforçar a proposta da produtora em adaptar mundos gigantescos em milhares de pecinhas de montar.



Mas serÁ que a fórmula de utilizar o tema LEGO ainda tem fôlego para continuar a divertir ou a receita jÁ apresenta cansaço por talvez não trazer mais muitas novidades significativas? Leia as pÁginas a seguir e descubra se o capitão "Jack Sparrow" tem talento – ou rum – suficiente para satisfazer os gamers de PC menos exigentes.

{break::História}A história de "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" é bastante simples e linear. Ao longo do jogo você irÁ controlar mais de 70 personagens diferentes, todos saídos dos quatro filmes do cinema. Os que mais empolgam, contudo, certamente são os protagonistas Jack Sparrow (o bêbado pirata lendÁrio), Will Turner (o ferreiro bobalhão) e Elizabeth Swann (a princesa que se rebela por causas diversas).



O enredo é contado de maneira bastante peculiar: não hÁ diÁlogos nem legendas. Isso, de uma certa maneira, é uma propriedade um tanto aceitÁvel. Afinal, as pecinhas de montar naturalmente não falam, o que reforça a característica do mundo de brinquedos da marca LEGO sem forçar nenhuma inovação aparente.

De outra, é bastante inapropriada, pois como é possível contar uma história tão cheia de rebuliços e desencontros, como a de "Piratas do Caribe", se os bonequinhos apenas se comunicam por gestos, expressões faciais ínfimas e alguns gemidos aleatórios?



De qualquer forma, embora possa parecer difícil saber o que se passa na tela, os que jÁ assistiram aos filmes não encontrarão barreiras, pois facilmente irão se lembrar de todos os momentos marcantes e decisivos apenas pelas ações das pecinhas e da sua desenvoltura bastante similar aos atores reais.



Ainda assim, não espere por algo glorioso e cheio de detalhes: o jogo em nenhum momento tem essa pretensão. O foco aqui é a na simplicidade em trazer diversão com momentos mais engraçados, desviando totalmente da seriedade dos títulos mais modernos.

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{break::Jogabilidade}Um dos pontos mais altos do título, a jogabilidade de "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" é de fÁcil assimilação e muito intuitiva. No nosso caso, ignoramos mouse e teclado e adaptamos o joystick do Xbox 360 para controlar todas as ações do game. Assim, as alavancas analógicas foram de grande ajuda na movimentação dos personagens (esquerda) e câmera (direita). Em nenhum momento houve falha ou mÁ adaptação dos comandos por problemas na posição dos botões.

O foco do gameplay é certamente os quebra-cabeças: estão espalhados por todos os cantos das fases e exigem a coleta de itens específicos para poder completÁ-los. O interessante é que, como o jogo tem muitos personagens – e muitos embarcam na aventura junto aos personagens principais ao mesmo tempo -, cada um deles possui uma habilidade específica que ajuda na solução desses quebra-cabeças.



Assim, é possível selecionar, entre os personagens que jÁ estão acionados na partida e aparecem para controle na tela, qual deles é o mais apropriado para a situação que o jogo propõe, ao mesmo tempo em que desmonta barreiras de pecinhas e remonta outras para ir abrindo novos caminhos.



Em outras palavras, pode-se escolher livremente em que hora e situação optar pelos personagens,  jogando de maneiras diversas apenas através de único aperto de botão. O mais legal fica mesmo para o modo cooperativo para dois jogadores offline. As possibilidades de interação entre os dois controladores e a ajuda mútua nos combates ganham outro nível de profundidade com a adesão de um novo player.

Os desafios, contudo, é que não parecem acompanhar muito o ritmo da aventura. Eles se tornam repetitivos com o passar do tempo, mesmo que as réplicas das ações dos quarto filmes do cinema sejam diferentes e variadas. Tudo é bastante fÁcil e de simples execução. Não é preciso pensar muito para resolver os quebra-cabeças. O próprio jogo dÁ indicativos bem claros de como realizÁ-los o que, além de reduzir o tempo gasto para tentar desvendÁ-los, não deixa a partida esfriar.



Para quem gosta de colecionar itens, então, "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" é um prato cheio. São centenas de objetos: uns muito bem enterrados, outros posicionados em locais menos visíveis e mais improvÁveis dos cenÁrios, outros requerem apenas seguir alguns passos de acordo com a bússola de Jack Sparrow. De qualquer forma, é mais do que recomendado para quem busca os 100%.

{break::GrÁficos}Outro ponto forte do game, os grÁficos de "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" convencem justamente por não tentar levar nada a sério demais em termos de algo muito rebuscado ou texturas altamente definidas. O lance aqui é simplicidade em reproduzir o mundo dos piratas com descontração visual.



Sabendo disso, o que mais tem no game em termos de grÁficos são reproduções dos ambientes e momentos marcantes dos filmes de forma bastante cartunesca, que remete exatamente ao mundo de plÁstico das pecinhas de montar. Tudo é desenhado de forma um tanto sutil, sem exageros nos contornos ou na utilização de cores.



Ainda assim, é fÁcil reconhecer que a Treveller's Tales buscou apresentar algo mais realista para os cenÁrios. Efeitos de Água (reflexo e ondulação), as paisagens ao fundo, as composições de areia, muros, Árvores, madeira e fogo ganharam uma atenção maior e correspondem a um visual bastante propício à temÁtica. Não é nada que se compare a títulos modernos que detém o apelo grÁfico como uma das prioridades. Mas a atenção dada a esse segmento surpreende em diversos momentos.



Além disso, as animações dos personagens convencem e demonstram a caracterização da personalidade de cada um deles. Mesmo sem nenhuma fala, legenda e se comunicando apenas por gestos e grunhidos, os maneirismos de cada um são facilmente repassados à tonalidade da trama e o jogador logo se identifica com os mesmos acontecimentos e estado de espírito dos heróis do cinema. É quase certo um envolvimento durante toda a aventura.

{break::Áudio}Outro ponto forte do game, o Áudio de "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" é recheado das trilhas originais escritas por Hans Zimmer. Grande parte das composições do autor feitas para os quatro filmes do cinema estão aqui reproduzidas exatamente nos momentos idênticos aos da telona.



Quer ver então quando uma luta de espadas em grupo entre piratas e vilões começa sobre um navio qualquer e a música tema da franquia toca ao fundo: as sensações de jogar ou ver a cena no filme, nesse ponto, são um tanto semelhantes e revigoram o clima de aventura épico, porém menos sério, transmitido pelo game.

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Alguns efeitos de som também são interessantes e complementam a jogatina. Embora sem muita variedade, hÁ animais feitos com as pecinhas LEGO, fogo queimando estruturas, passos, ondas do mar, chuva, entre outros, reproduzem barulhos diversos e complementam o envolvimento do jogador.



Além disso, as dublagens são inexistentes. Por motivos óbvios, as pecinhas não falam. Apenas emitem alguns gemidos, risos e grunhidos que acentuam os acontecimentos e a importância dos personagens para o entendimento das cenas. Nada anormal. Essa diferenciação até ajuda a dar um tom mais descontraído ao título.

{break::Conclusão}Mesmo que sem muitas modificações em relação aos outros games da série de pecinhas de brinquedo, "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" é uma boa opção para quem procura por um jogo de aventura para jogar em modo multiplayer (até 2 jogadores) ou para quem busca um divertimento single player mais descompromissado, mas que, ainda assim, emplaca pela vasta quantidade de itens para coletar.



Somado a isso, temos a passagem pelo enredo dos quatro filmes da série homônima de sucesso de cinema e, com a perspectiva do mundo de LEGO, temos uma combinação engraçada de momentos caricatos com personagens que, mesmo não falando, gesticulam e dão um toque especial às cenas pela simplicidade e descontração embutidas.



Opções variadas na jogabilidade, como a opção de controlar vÁrios personagens ao mesmo tempo, cada um com próprias características e habilidades ampliam o leque de possibilidades de interagir e pensar em formas de resolver os quebra-cabeças. Chamar um amigo, ou a (o) namorada (o), para ajudar também pode ser uma boa pedida para matar o tédio.



Assim, "LEGO Piratas do Caribe: O Videogame" agrada justamente por não ter a pretensão de ser um dos maiores games do ano, divertindo conforme a temÁtica de ser um jogo baseado em filme, mas que destoa do clichê quase obrigatório de ser ruim de natureza por recriar o mundo das pecinhas de montar da famosa marca dinamarquesa de brinquedos. Isso tudo sem contar a nostalgia que bate ao ver todas aquelas pecinhas formando objetos complexos, que o faz lembrar o quanto você penava para conseguir montar uma simples parede, enquanto a caixa explicava em mil passos como montar um carro, por exemplo.

Créditos de imagem: IGN e GameSpot.

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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