ANÁLISE: Motorola Atrix

ANÁLISE: Motorola Atrix

Um "superfone", capaz de se transformar em um notebook e funcionar como uma ferramenta de produtividade praticamente completa. Esse é o Atrix, smartphone da Motorola revelado durante a CES 2011, em Las Vegas, nos Estados Unidos. Turbinado por um processador dual-core NVIDIA Tegra 2 de 1GHz e com 1GB de memória, o aparelho promete uma ampla experiência multimídia e traz uma novidade, pioneira no segmento: o dock em formato de laptop.

O "lapdock" tem uma tela de 11.6 polegadas com resolução de 1366x768 pixels e um teclado QWERTY completo, além de um trackpad comum e duas portas USB 2.0. O acessório ainda conta com uma bateria de 36Wh, que permite o carregamento do smartphone quando a tampa estÁ fechada.

E não fica só nisso: a Motorola ainda disponibiliza um dock multimídia, para transformar o Atrix em uma central de entretenimento que pode ser conectada à televisão através de uma saída HDMI.

Suporte e carregador veicular completam o pacote do celular mais versÁtil jÁ lançado. Divulgado pela Motorola como o smartphone "mais poderoso do mundo", o aparelho promete desempenho e recursos de sobra. Mas serÁ que esse "canivete suíço" é mesmo tudo isso? Confira na nossa review!

{break::Especificações e conteúdo da embalagem}Tamanho: 117,8 x 63,5 x 11 mm
Peso: 135 g
Tipo de bateria: Li-polymer 1930 mAh
Frequências GSM: 850 / 900 / 1800 / 1900 
GPRS: Sim
3G: Sim
HDSPA: Sim
Processador: NVIDIA Tegra 2 de 1GHz
Cores disponíveis: Preto
Tamanho do display: 4 polegadas
Resolução: 540 x 960 pixels
Resolução da câmera: 5 megapixels
Resolução da câmera frontal: VGA
Flash: Sim (LED)
Gravação de vídeo: Sim (720p @30fps)
Formatos de Áudio: MP3/WAV/WMA/eAAC+
Formatos de vídeo: 1080p MP4/H.263/H.264.WMV/Xvid/DivX
RÁdio FM: Não
Entrada de fone de ouvido: 3.5mm
Memória interna: 16GB
Expansão de memória: Sim (até 32GB)
Infravermelho: Não
Bluetooth: Sim
Wi-Fi: Sim
USB: Sim
HDMI: Sim
GPS: Sim
Sistema operacional: Android 2.2 (Froyo)

 

Conteúdo da embalagem

  • Motorola Atrix
  • Carregador
  • Cabo de dados USB
  • Cabo HDMI
  • Fones de ouvido
  • Dock multimídia
  • Controle remoto
  • Manual do usuÁrio

{break::Design e tela}À primeira vista, o Atrix não parece nenhuma novidade: tem um visual sóbrio e simples, com cantos arredondados, que lembra um pouco o Defy.  A parte da frente é toda brilhante e lisa, o que confere um ar sofisticado ao aparelho. JÁ a traseira é fosca, estampada com um discreto padrão em cinza escuro. O detalhe é elegante e nada espalhafatoso. No geral, o Atrix é um smartphone bonito, embora não seja nada exepcional.



De qualquer forma, o celular é muito mais moderno do que ambas as versões do Milestone, com aquele visual "quadradão". Também é muito mais confortÁvel na hora de segurar, graças às bordas arredondadas e à leveza do aparelho: apenas 135g, assim como o Xperia X10, que nós também jÁ analisamos aqui. O aparelho ainda é bem fino, com 11mm de espessura. Nada tão incrível como o Samsung Galaxy S II e seus 8,5mm, mas ainda assim é um dispositivo bem magrinho. É impressionante notar como um dispositivo que reúne características de fazer inveja ao que era um bom PC hÁ anos atrÁs pode ser tão leve e caber no bolso.


Atrix em comparação ao primeiro modelo do Milestone


O smartphone aposta no design clean. Sem teclado físico, tem apenas os botões capacitivos típicos da plataforma Android, os botões de volume (dispostos de uma forma que os faz parecer apenas um) e mais um para ligar o aparelho, posicionado em um lugar um tanto diferente: entre o topo e a traseira, em uma posição um pouco estranha para se acostumar.



Na lateral esquerda, estão as saídas USB e micro HDMI, infelizmente ambas sem proteção, o que facilita o acúmulo de poeira e transmite a sensação de fragilidade. Acima, o plug para fone de ouvido de 3,5mm. A traseira traz o alto-falante e a câmera com seu flash duplo LED.



A tela complementa o design do aparelho: com 4 polegadas, não é a maior do mercado, mas tem uma resolução de respeito: 540 x 960 pixels. E, assim como o Milestone, tem um "plus": a proteção do Gorilla Glass, que realmente funciona. Ou seja, apesar de fino e leve, o smartphone não deve em nada no que diz respeito à resistência.

Como toda tela sensível ao toque, sofre com marcas de dedos constantes, mas ao menos a resposta é muito boa. As telas e menus deslizam sem problemas, com movimentos suaves dos dedos no display e não é preciso nenhum tipo de "insistência" para ativar os ícones, o que com certeza também tem uma bela ajuda do processador do aparelho.



As cores são vivas e tanto as fontes quanto os ícones e imagens apresentam ótima nitidez e contraste. Não é nem um pouco difícil enxergar qualquer elemento na tela e as pÁginas da web são facilmente visualizadas. É uma pena que algumas imagens, nas telas iniciais do smartphone, apareçam pixeladas, como é o caso das fotos dos perfis do Twitter exibidas nas últimas atualizações do MotoBLUR. Quem é muito exigente com o visual pode ficar desapontado e querer desativar o widget – o que, aliÁs, não é uma mÁ ideia.

{break::Câmeras e multimídia}Fotografia nunca foi o forte da Motorola em sua linha de smartphones. No Atrix, não é muito diferente: a câmera traseira tem 5 megapixels, assim como a do Milestone 2, com duplo flash LED e foco automÁtico. E ela também filma em HD. Ao contrÁrio do "quadradão", porém, o Atrix não tem botão físico para o disparo – botão, aliÁs, que costumava descascar na primeira versão do Milestone. Ao invés disso, o usuÁrio precisa acionar o comando na tela para tirar a foto ou gravar o vídeo.



Em boas condições de luminosidade, a câmera tem qualidade satisfatória, com cores vibrantes, nitidez e pouco nível de ruído. Em ambientes fechados com pouca claridade, as fotos ficam decentes e o flash funciona bem no escuro na hora de fotografar um objeto próximo. A coisa muda quando a ideia é capturar um ambiente ou uma cena mais ampla: o ruído aumenta consideravelmente, a nitidez diminui... enfim, a foto fica "morta". Não é uma boa ideia usar o Atrix nessas condições... no final das contas, sua câmera se comporta da mesma forma que a de outros modelos da Motorola.


Ambiente com boa iluminação


Fotografias noturnas com flash


A câmera frontal deixa a desejar. É VGA e suas imagens têm um bocado de granulação e pouco contraste, além de cores com baixa saturação. Claro que ela quebra um galho para conversas em vídeo, mas para tirar aquelas fotos "egocêntricas" ela não vai servir, se você for exigente. Para fazer videochamadas, aliÁs, é preciso registrar-se no Qix - o aparelho não inclui um app nativo para isso, como ocorre com o tablet Samsung Galaxy Tab, por exemplo.



A gravação de vídeos segue o mesmo esquema da câmera fotogrÁfica: configurações simples e qualidade satisfatória, mas nada excepcional. A filmagem em HD apresenta algumas granulações, mas nada que comprometa significativamente a qualidade final.



Quanto à reprodução de músicas, nenhuma novidade. O player é o padrão do Android 2.2, que inclui os recursos sociais do TuneWiki, como jÁ comentamos na review do Milestone 2. Isso é muito legal, porque dÁ pra ver quais são as músicas mais tocadas em cada país, ouvir rÁdio online com uma enorme variedade de estilos para escolher e ainda compartilhar o que você estÁ ouvindo.



A interface é simples e fÁcil de usar, mas o player é bem bÁsico e existem opções bem mais completas no Market. Os fones de ouvido que acompanham o kit são bons, mas nada de especial, além de não serem intra-auriculares, isolando muito pouco os ruídos externos.



Ligando o telefone à TV através de um cabo HDMI, é possível visualizar vídeos e fotos, além de ouvir músicas. No entanto, infelizmente, não hÁ como espelhar a imagem do celular na televisão. Ou seja, nada de jogar Angry Birds em uma telona.

A reprodução de vídeos decepciona. Apesar de o Tegra 2 ser capaz de exibir vídeos em FullHD, com aceleração por hardware, o Atrix simplesmente se recusa a abrir os arquivos. Foi necessÁria uma extensa busca no Android Market e muitas tentativas e erros para encontrar um app que, ao menos, reconhecesse o formato (neste caso, mp4). Um deles conseguiu, mas o resultado foi péssimo, com travadas o tempo inteiro.


Ou seja, apesar do hardware robusto e da saída HDMI, não dÁ para ver vídeos em 1080p no aparelho e existem vÁrias reclamações na Internet a respeito disso. Pelo menos com 720p o smartphone se saiu bem, sem problemas de incompatibilidade, abrindo até mesmo no player padrão. Uma atualização de software deve incluir o suporte tanto para a visualização quanto gravação a 1080p. É esperar pra ver...

{break::Funcionalidades e desempenho}O que se espera de um smartphone que se vende como "o mais poderoso do mundo"? Muito desempenho, é claro. É certo que modelos muito interessantes foram revelados por outras empresas após o anúncio da Motorola, como a Samsung e seu Galaxy II S e a LG com o Optimus 3D (que, além de dual-core, é também dual-memory e dual-channel). Mas em relação ao que jÁ analisamos aqui no site e ao que existe no mercado brasileiro hoje, o Atrix é um ótimo aparelho.

Uma das suas características é a identificação do usuÁrio pelas impressões digitais. Sabe aquele botão liga/desliga, que fica em uma posição "esquisita"? Ali também é o sensor que vai desbloquear o celular ao passar o dedo indicador. Para ativar essa opção, basta ir ao menu "localização e segurança", nas configurações do aparelho, e preparar-se para alisar o aparelho umas cinco vezes, no mínimo.



Ao mesmo tempo, o usuÁrio deve escolher uma senha numérica de quatro dígitos para o caso do aparelho não reconhecer a impressão digital. É uma decisão altamente acertada e recomendada, uma vez que – ao menos comigo – a identificação pelas digitais falhou na maioria das vezes. O jeito que se deve passar o dedo é tão específico que é difícil acertar de primeira e, muitas vezes, é melhor optar pela senha mesmo. O dispositivo parece frÁgil e facilmente "estragÁvel" e, como coincide com o botão de liga/desliga, deixa dúvidas quanto à sua durabilidade.

O aparelho inclui funcionalidades interessantes, como um gerenciador de arquivos e um monitor de desempenho, que permite ao usuÁrio fechar aplicativos que ele não quer mais utilizar no momento.

Além disso, o Quick Office vem incluso, app muito útil para criar e visualizar planilhas e documentos de texto - sem o qual o lapdock seria praticamente inútil.



É uma pena que, por trÁs de tudo isso, o sistema operacional que comanda o Atrix ainda seja o Android 2.2 (Froyo) – um tiro no pé da própria Motorola, que instala um sistema operacional jÁ defasado no smartphone pretensamente "mais poderoso do mundo". Até o Xperia X10, que chegou de fÁbrica com Android 1.6, recebeu o Gingerbread. Por que não o Atrix?

Além disso, ainda não é possível tirar proveito completo dos dois núcleos de processamento do aparelho, pois isso depende de cada aplicativo. Nem todos se beneficiam dessa tecnologia ainda e, na verdade, ainda falta um bocado para que tenhamos uma vasta gama de apps que realmente explorem todo o poder dos dispositivos dual-core. Mesmo assim, o Atrix se sai bem no desempenho, especialmente em jogos: o Tegra 2 faz realmente um ótimo trabalho, fazendo com que os games rodem de maneira fluida e bem mais agradÁvel.


Outro ponto negativo é o MotoBLUR – a Motorola não desiste mesmo. Sua personalização para o Android é pesada, alvo de críticas constantes. Para quem é viciado em redes sociais, pode ser uma boa solução, embora existam alternativas melhores. No entanto, o MotoBLUR é extremamente intrusivo e se atrela ao aparelho de tal forma que acaba se "sobressaindo" aos serviços do Google, o que pode irritar um bocado.



A vantagem é a convergência dos dados online e os contatos no celular, mostrando todas as informações possíveis sobre eles, desde endereços de e-mail até perfis em redes sociais. No entanto, isso pode tornar a agenda um bocado bagunçada, jÁ que pega da Internet todas as pessoas com as quais você jÁ manteve contato. Para organizar a confusão, é possível criar grupos diferentes, adicionando contatos específicos em cada um e alternando o modo de exibição.



O MotoBLUR ainda é um comedor de bateria e, neste caso, nem os 1930mAh do Atrix são suficientes. Não espere uma autonomia de vÁrios dias: no final das contas, fica na média de qualquer outro smartphone. Em um uso mais "light", o aparelho pode se sair um pouco melhor que o Milestone 2, mas usuÁrios hardcore provavelmente não vão notar grandes diferenças.

{break::A transformação em notebook}Até agora, o Atrix parece mais um smartphone comum, apesar do seu processador dual-core. Mas o aparelho tem algo que, até então, é exclusivo: o dock em formato de laptop, apelidado de "lapdock". Trata-se de uma "carcaça" de notebook com uma tela LCD de 11.6 polegadas e teclado QWERTY completo, além de uma bateria extra.

Extremamente leve, com 1,9Kg e fino, com 1,4cm, o lapdock é prÁtico e portÁtil o suficiente para ser melhor de carregar do que um netbook. Além disso, tem dimensões na medida certa para um uso bem mais confortÁvel. A construção é boa, com um material resistente, e bem acabada, com bordas arredondadas e uma tampa que esconde os conectores para o celular.

O teclado é menos completo do que poderia, trazendo apenas as teclas essenciais. Nada de "Print Screen", por exemplo. As teclas são espaçadas demais e pequenas, o que acaba causando alguns erros enquanto o usuÁrio não se acostuma. No entanto, a digitação é suave, silenciosa e a resposta é boa.



O trackpad deixa um pouco a desejar. Apesar de grande e bem posicionado, carece de um recurso eficiente de scroll, obrigando o usuÁrio a manter um botão pressionado enquanto rola a tela com o dedo. O botão, aliÁs, tem a resposta bem ruim e é um pouco duro, exigindo alguns cliques a mais. Às vezes, ele simplesmente não responde aos comandos.



Conectar o Atrix ao dock é fÁcil, basta encaixÁ-lo através das portas micro HDMI e USB. O procedimento só requer um pouco de cuidado e delicadeza pra não prejudicar os conectores. Rapidamente, o notebook ganha vida e exibe o sistema operacional Webtop, baseado em Linux.



A interface é limpa e intuitiva, sem grandes dificuldades para quem não estÁ familiarizado com as distribuições Linux – especialmente porque todos os aplicativos utilizados e as pastas para guardar arquivos ficam no próprio smartphone. Na parte inferior hÁ um dock, parecido com o do Mac OS X, com atalhos importantes, como telefone, contatos, Facebook e o navegador Firefox.

É possível adicionar novos atalhos ao dock, desde que sejam web apps ou favoritos do browser. Aqui, fica uma questão: não teria sido melhor optar pelo Chrome, que jÁ conta, inclusive, com uma loja de apps baseados no browser? O Firefox roda pesado e lento no Webtop, em uma experiência bem aquém da oferecida por desktops ou notebooks convencionais. O navegador roda Flash normalmente, mas as transições não são fluídas e algumas animações rodam de maneira travada.


Em uma janela separada, o Webtop exibe exatamente a tela do smartphone. Por ali, dÁ para acessar tudo, inclusive configurações. Por exemplo, quando não houver uma rede Wi-Fi disponível, você pode ativar a conexão de dados do smartphone e utilizÁ-la no notebook. DÁ até para jogar Angry Birds, embora a experiência não seja das melhores com o trackpad. Um mouse pode ser conectado na USB traseira para melhorar esse aspecto. Caso receba uma ligação, não precisa correr para desconectar o smartphone e atender: basta fazer isso pelo próprio lapdock, embora a pessoa do outro lado da linha possa ter alguma dificuldade para ouvir.



É no telefone que se deve acessar também as aplicações para trabalhar no notebook (quando não se quer utilizar web apps). O Quick Office, por exemplo, é uma solução legal para digitar textos compatíveis com o Word e desenvolver planilhas do Excel. Apresentações de Power Point, porém, só podem ser visualizadas – não é possível criar novos arquivos. Com apenas um clique, o usuÁrio pode maximizar a telinha para trabalhar com o documento em tela cheia. Quando terminar, basta escolher o lugar para salvar, que pode ser o armazenamento interno ou o cartão SD.



Um atalho no dock leva o usuÁrio para a interface multimídia. O visual é bem diferente, em um estilo que lembra o famigerado "Cover Flow" da Apple, com aquela cara típica de HTPCs. Os arquivos de Áudio, imagem e vídeo do smartphone podem ser acessados através dessa interface, para exibir todo o conteúdo na tela do lapdock.



Não se empolgue, porém, com o hardware do Atrix. Embora funcione muito bem no modo celular, no notebook acaba decepcionando. A performance estÁ longe de ser digna de um dual-core e você provavelmente vai se frustrar ao tentar realizar vÁrias tarefas ao mesmo tempo.

Travamentos ocorrem ocasionalmente e tanto o navegador quanto os atalhos demoram a abrir. Resta saber se é um problema do Froyo ou do próprio Webtop que, aliÁs, não se sabe se receberÁ atualizações no futuro. No final das contas, a experiência não é muito diferente da oferecida pelos netbooks que, ainda por cima, são bem mais completos.

{break::Experiência multimídia expandida}O dock multimídia é o acessório que mais vale a pena. Pequeno e leve, ele oferece muitas possibilidades, a começar a principal delas: a de funcionar como central de entretenimento. Basta ligar o cabo HDMI no dock e na TV para acessar a interface de HTPC, assim como ocorre no lapdock. O controle das funções pode ser feito tanto no próprio smartphone quanto através do controle remoto. Outras opções ainda incluem conectar um mouse e um teclado USB na traseira do acessório.



Assim, fica fÁcil visualizar fotos, vídeos e ouvir músicas em uma tela grande. O Atrix funciona como uma alternativa versÁtil e compacta para os HTPCs, mas necessita de alguns cuidados. Nem todos os formatos de vídeo e codecs são reconhecidos, o que torna a experiência mais trabalhosa e às vezes até um pouco frustrante em relação a um PC que serve como central multimídia.



Além disso, como jÁ foi dito na review, o aparelho sofre para reproduzir vídeos em FullHD – a tarefa é praticamente impossível. Se é isso que você espera de um centro de entretenimento, é melhor procurar outra alternativa.



Uma boa surpresa acontece quando se conecta o dock na tomada através do cabo de energia. Surge outra opção no Atrix: utilizÁ-lo com o sistema webtop. Isso mesmo! DÁ para transformar o aparelho em um mini-gabinete e até espetar um pendrive e utilizar os arquivos. Nessa hora, o lapdock parece bem menos atrativo, jÁ que basta um monitor ou TV com HDMI para usufruir da interface "desktop-like" do Atrix. Para testar as possibilidades, fizemos até um "combo" com o produto de outra review: o Veho Air Keyboard Conqueror, utilizando seu acelerômetro para controlar o webtop.



Infelizmente, jogar nesse modo não é uma boa ideia. Apesar de os jogos rodarem e ficarem até bons na tela grande, o controle não é otimizado pra esse tipo de interface – não hÁ como "simular" uma touchscreen direito. Mas quebra um tremendo galho na hora de digitar documentos, navegar na Internet e utilizar aplicações leves. Se você queria transformar o Atrix em um computador, nem precisarÁ do lapdock para isso – se você não exigir mobilidade.

{break::Conclusão}Não hÁ como negar que a Motorola inovou ao conceber o Atrix. Não tanto pelo aparelho em si, que não traz nenhuma novidade e que tem um design relativamente comum. Mas sim pelas funcionalidades possíveis com o uso dos seus acessórios, que nos fazem ver o Atrix como algo além de um smartphone.

Na teoria, a ideia de transformÁ-lo em um notebook é tentadora. Mas acaba sendo algo mais "cool" do que um recurso que realmente justifique o investimento. O preço do acessório é salgado (em torno de US$499 nos Estados Unidos, o mesmo preço de um iPad de entrada). Por aqui, ainda não se sabe o valor: a Claro comercializa só o kit completo por R$999, com um detalhe: mediante a aquisição de um plano de R$220 mensais. Sem contrato, o kit sai por R$2.699 e, aliÁs, não existe a possibilidade de comprar o lapdock separadamente, ao menos por enquanto. Faça as contas... com um netbook ou até mesmo um tablet, você gasta menos e ganha mais desempenho e recursos.

Se você desconsiderar isso e quiser usar o Atrix só como smartphone, a escolha é boa. O aparelho tem um bom desempenho, autonomia satisfatória e uma saída HDMI que, por si só, possibilita seu uso como central multimídia. Lembre-se apenas de que é preciso dedicação para converter os vídeos corretamente, para não sofrer nenhuma frustração ao tentar vê-los na tela grande. FullHD, por enquanto, nem pensar também.

Logo, o Atrix não entrega o suficiente para que concordemos com a Motorola e digamos que ele é o smartphone mais poderoso do mundo. Mas dÁ para dizer numa boa que o aparelho é o mais versÁtil. Pena que pareça um pouco "incompleto": de nada adianta ter um ótimo conceito e não executÁ-lo direito. O webtop é legal, o lapdock é inovador, mas não justifica a escolha diante de opções mais interessantes e que funcionam melhor.


PRÓS
Ótimo desempenho como smartphone
Acessórios e funcionalidades de sobra
Saída HDMI transforma o aparelho em central de entretenimento
Periféricos funcionam muito bem nos docks
Dock multimídia serve como "mini desktop"
CONTRAS
Câmera apenas mediana
Reprodução de vídeos engasga muito em FullHD
Não permite o espelhamento da tela do smartphone na TV
Acessórios incríveis, mas caros
Nada de Gingerbread, por enquanto
Assuntos
Tags
  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.