ANÁLISE: Motorola Xoom

ANÁLISE: Motorola Xoom

Quando o iPad surgiu, em janeiro de 2010, começou uma nova era da computação, na qual empresas apostam todas as suas fichas na mobilidade. No entanto, o portÁtil da Apple foi alvo de duras críticas - apesar de seu inegÁvel sucesso: hardware mediano (apenas 256MB de memória, por exemplo), falta de câmeras e até mesmo o uso do iOS. Houve quem esperasse o anúncio de um tablet com Mac OS...

Alguns meses depois, surgiu o Galaxy Tab, da Samsung, com uma proposta um pouco diferente: um aparelho ainda menor (com 7 polegadas, contra 9.7 do iPad), baseado em Android, com a capacidade de fazer vídeos, tirar fotos, realizar chamadas em vídeo e - na versão brasileira - até mesmo com uma TV digital e analógica. Mesmo assim, o aparelho também causou alguma estranheza, especialmente por embarcar um sistema operacional próprio de smartphones, enquanto o próprio Google declarava que a plataforma não era adequada.

No início deste ano, surgiu alguém disposto a mudar esse cenÁrio: a Motorola. Criando alarde em torno de seu primeiro tablet, que marcaria também a estreia do Honeycomb, versão do Android especial para tablets, a companhia chegou a divulgar um vídeo alfinetando as concorrentes.



O produto foi apresentado na CES 2011, em Las Vegas (Estados Unidos) e a nossa equipe teve a oportunidade de fazer um hands-on. Com especificações poderosas, incluindo um processador dual-core NVIDIA tegra 2, 1GB de memória e duas câmeras, uma traseira e uma frontal, o aparelho chegou em fevereiro aos Estados Unidos.

No Brasil, o Xoom aterrisou no final de abril, prometendo fazer frente ao iPad, que chegou recentemente por aqui com sua segunda versão . Confira nas próximas pÁginas se o portÁtil da Motorola é mesmo tudo isso.

{break::Hands-on, especificações e conteúdo da embalagem}

Especificações
Tamanho: 25x16,7x1,3cm
Peso: 730g
Tipo de bateria: Li-Ion 25 Wh
Processador: NVIDIA Tegra 2 dual-core de 1GHz
Memória RAM: 1GB
Cores disponíveis: preto
Tamanho do display: 10.1 polegadas
Resolução: WXVGA (1280x800 pixels)
Resolução da câmera traseira: 5 megapixels
Flash: Sim (LED)
Gravação de vídeo: Sim (720p @30fps)
Resolução da câmera frontal: 2 megapixels
Formatos de Áudio: MP3/WAV/WMA/AAC+
Formatos de vídeo: P4/WMV/H.263/H.264
Sistema operacional: Android 3.0 (Honeycomb)
Memória interna: 32GB, expansíveis em mais 32GB via cartão MicroSD
Conectividade: Bandas 850/900/1900/2100 WCDMA e 850/900/1800/1900 GSM GPRS/EDGE Class 12, HSDPA 10.1 Mbps, HSUPA 5.76 Mbps
Wi-fi: Sim
GPS: Sim (AGPS)
Bluetooth: Sim
USB: Sim (micro-USB)
HDMI: Sim (micro-HDMI)



Conteúdo da embalagem
1 tablet Xoom
Carregador
Cabo USB
Manual de instruções

{break::Design e tela}O Motorola Xoom, diferente do Samsung Galaxy Tab, faz parte da família dos tablets "grandes", com 10.1 polegadas, próximo do iPad, que tem 9.7. A diferença entre os dois fica no formato que, no Xoom, é widescreen, enquanto o gadget da Apple é mais quadrado. Isso faz diferença na hora de visualizar pÁginas web na vertical, assistir a filmes e também na ergonomia na hora de segurar.


Primeira versão do iPad sobre o Xoom



Digamos que o Xoom tem um formato mais adequado e cansa menos, embora seja um pouco mais pesado que ambas as versões do iPad. O tablet da Motorola pesa 730g, enquanto os iPads 1 e 2 têm, respectivamente, 712g e 600g. O peso do Xoom, às vezes, incomoda um pouco em longos períodos de uso.

Por falar em ergonomia, o Xoom tem uma leve curvatura na traseira e suas laterais são mais finas, o que dÁ um pouco mais de conforto. O problema é que a traseira é lisa e um bocado escorregadia – dÁ um pouco de medo manusear o aparelho. Mesmo na case, é bom tomar cuidado com quedas. Um acidente assim jÁ acometeu o Xoom de um dos membros do nosso site, que resultou em um pedaço faltando. Felizmente, o tablet e o seu dono passam bem. Quanto a acessoria da Motorola, podem ficar tranqüilos: a vítima foi o tablet adquirido por ele, e não o que vocês mandaram para review.



E jÁ que citei a traseira, é nela que fica a câmera com flash duplo e os alto-falantes, que ficam abafados quando se usa uma case de proteção.  O botão liga/desliga também estÁ ali, em uma posição não muito intuitiva. Quem estÁ acostumado com smartphones Android e outros modelos de tablet provavelmente vai se perder na primeira vez até encontrar o dito cujo. Esses recursos estão localizados acima, sobre uma espécie de faixa preta que as separa do restante da traseira do tablet, em um tom grafite fosco com um discreto logo da Motorola centralizado. Uma escolha acertada e original, bastante diferente da concorrência.



Na parte inferior, a mais espessa do portÁtil, estão as conexões micro-USB e micro-HDMI. Na superior, hÁ apenas o conector para o carregador de bateria e o slot para micro-SD protegido por uma lingueta que pode ser facilmente retirada. Felizmente, a Motorola não utilizou aqueles protetores emborrachados, como os presentes em alguns modelos de smartphones, que ficam "pendurados" quando abertos.



Por fim, a lateral esquerda do tablet acomoda os botões de volume. À frente, na lateral direita, hÁ uma luz branca que pisca suavemente quando o aparelho estÁ com a tela apagada. Acima, centralizada, estÁ a câmera frontal de 2 megapixels.



O display do Xoom tem uma boa resolução, superior à do iPad 2, com 1280x800 pixels contra 1024x768. No entanto, tem a desvantagem de não ser oleofóbico como o do concorrente, ou seja, acumula manchas de dedos mais facilmente e a limpeza não é tão fÁcil como no tablet da Apple. Além disso, a tela é muito reflexiva (praticamente um espelho), o que atrapalha demais a visualização do conteúdo dependendo do ângulo de visão.

A resposta aos comandos, felizmente, é muito boa, embora a tela ainda me pareça muito lisa e "escorregadia", o que, particularmente, me incomoda um pouco. A rolagem entre telas, porém, é suave e os ícones respondem prontamente ao toque, sem grandes dificuldades. Nesse aspecto, o Xoom se sai melhor que os smartphones da companhia, mas o manuseio e a "pegada" da tela são levemente mais agradÁveis no Galaxy Tab.


As telas do Xoom e do iPad 1


No mais, a tela se comporta bem e tem um tamanho e proporção ideais para navegar na web e desfrutar de conteúdos multimídia. Fontes e ícones aparecem com nitidez, assim como as imagens, embora a exibição não seja nada excepcional como um retina display ou a tela do Galaxy SII. Levando em conta os demais tablets do mercado, podemos dizer que o Xoom estÁ praticamente em pé de igualdade nesse quesito. O tamanho da tela é confortÁvel e não exige malabarismos como alta densidade de pixels por polegada.

{break::E com vocês... o Honeycomb!}O grande mérito do Xoom é o de marcar a estréia do Honeycomb, ou seja, a versão 3.0 do Android desenvolvida especificamente para tablets. Isso significa que, a partir de agora, tablets baseados no sistema do Google não precisarão usar a mesma interface do smartphones, aproveitando ao mÁximo o tamanho da tela com visuais otimizados. SerÁ?

O Honeycomb estÁ bem adaptado ao display de 10.1 polegadas do tablet da Motorola. A tela de unlock é bonita, com um relógio com fonte estilizada e um círculo deslizante para desbloquear a tela. Passar o dedo pela esfera revela a homescreen do sistema, com seus ícones e widgets, assim como nos smartphones.



O legal é que o Google conseguiu otimizar a interface sem perder a "cara" do Android que os usuÁrios jÁ conhecem. Ao mesmo tempo, não se trata só de uma home "maximizada", mas sim de uma maior liberdade para dispor ícones e widgets. Esse último recurso, aliÁs, é um trunfo do Honeycomb contra o iOS, que exibe apenas um monte de ícones na tela.

Assim como nos celulares, hÁ vÁrias homescreens (cinco, neste caso). PersonalizÁ-las com papeis de parede e widgets ficou bem mais fÁcil e prÁtico: basta segurar o dedo por alguns segundos na tela, que automaticamente as homescreens aparecem em miniatura na parte superior, enquanto as opções de customização surgem na inferior.



A partir daí, é só arrastar os atalhos ou widgets para a tela desejada, sem precisar ficar segurando o ícone por um tempão no canto da tela até que as homescreens se alternem, como acontece nos smartphones. O recurso das miniaturas de homescreens é muito útil e uma ótima escolha na hora de adaptar o Android para telas maiores.

Outra inovação do Honeycomb é o sistema de multitarefa. Não é exatamente algo dinâmico como no PlayBook, no qual é possível ver uma miniatura de vídeo rodado em tempo real enquanto se executa outra tarefa, mas estÁ levemente aprimorada em relação aos celulares. Com qualquer app aberto ou na tela inicial, basta pressionar o terceiro botão da barra inferior para exibir miniaturas dos últimos cinco aplicativos utilizados.

A alternação entre eles é fÁcil e rÁpida, mas é uma pena não poder escolher aplicativos executados antes desses cinco. A versão 3.1, quando chegar aos Xooms brasileiros, resolverÁ essa questão, transformando as miniaturas em uma lista rolante com um número maior de apps.



Além disso, assim como nos smartphones, não é possível fechar um app, o que considero um erro. Se até mesmo o iPad possui essa função (vale lembrar que, no sistema da Apple, a queda de desempenho é imperceptível mesmo com uma grande quantidade de apps recentemente abertos), por que não introduzi-la num Android? O Xoom perde performance dependendo da quantidade e da complexidade dos apps abertos e seria muito bom poder fechÁ-los – e hÁ uma forte demanda por isso por parte dos usuÁrios. Por enquanto, a solução é ficar com apps de terceiros para realizar a tarefa.

E por falar em apps de terceiros, agora respondo o questionamento do primeiro parÁgrafo deste capítulo da review. Embora o Google tenha feito um ótimo trabalho ao adaptar sua plataforma para os tablets, o restante do serviço fica por conta dos desenvolvedores. É uma postura diferente da Apple, que fecha o cerco e tem uma rígida regulamentação, garantindo uma grande quantidade de apps otimizados para o iPad bem na ocasião do seu lançamento.

No Android, a coisa funciona mais na tÁtica "cada um por si", o que significa que adaptar interfaces para o Honeycomb pode demorar um bocado ainda. Além disso, no Market, não hÁ nenhuma aba para distinguir quais softwares são para Honeycomb e quais são para as versões 2.x. Ou seja, prepare-se para baixar vÁrias apps ainda não-otimizadas, exibindo um visual tosco na tela.



É o caso, por exemplo, do "GoWeather". É um aplicativo de previsão do tempo que fica lindo em celulares, exibindo um vídeo em HD de acordo com as condições climÁticas da região. No Honeycomb, ele não ocupa nem metade da tela, perdendo completamente o seu apelo visual. O próprio widget do aplicativo, quando inserido na homescreen, fica pequeno demais, tipicamente ajustado para funcionar bem apenas em smartphones.



É diferente do que ocorre com outro app com o mesmo propósito, o "WeatherBug". Embora o widget pudesse ser melhor e explorar mais a Área útil da tela, a interface principal do app é muito bonita e permite, inclusive, exibir informações climÁticas de diversas regiões selecionadas pelo usuÁrio. Aí, basta rolar entre elas horizontalmente. Muito prÁtico!



Uma dica é, no Market, pesquisar sempre por "Honeycomb". Nos nossos testes, encontramos pouco mais de 500 resultados (muitos incluem temas e novos ícones para o sistema), e é possível que existam outros apps otimizados que não especifiquem isso no próprio nome. De qualquer forma, dÁ para achar alguma coisa. Resta esperar que os desenvolvedores acelerem a adaptação de seus aplicativos para aproveitar todo o potencial do novo sistema.

{break::Câmeras e multimídia}Como é tendência dos novos tablets, adotada até mesmo pela Apple (que privou o primeiro iPad de câmeras e, como de costume, foi bastante criticada por isso), o Xoom inclui duas câmeras: a traseira, com 5 megapixels e flash LED duplo, e a frontal, com 2 megapixels. Mas a qualidade não é nada revolucionÁria: a impressão é que é a mesmíssima câmera dos smartphones da Motorola.


Foto em sala iluminada e imagem feita com uso de flash em quarto escuro


As fotos ficam OK em ambientes bem iluminados, especialmente de objetos próximos. Nas cenas externas, falta nitidez e sobra ruído. Quem esperava algo superior ao padrão de outros modelos, como o Milestone 2 e o Atrix, vai ficar decepcionado. Felizmente, o Honeycomb inclui algumas opções a mais para incrementar as fotos, como 12 modos de cena (entre eles, automÁtico, ação, paisagem, retrato, praia e fogos de artifício), cinco efeitos de cor, além de quatro opções de balanço de branco. HÁ também um xoom - ops... zoom digital de até 8x, mas nem pense em usÁ-lo. O resultado é desastroso.



A câmera frontal, ao menos, tem uma resolução maior que a VGA do Atrix. Mas isso não se traduz em grandes ganhos de qualidade – só auxilia a visualização de uma imagem decente na tela maior. O resultado final apresenta cores mortas e a nitidez deixa a desejar, mas é o suficiente para conversas em vídeo. Os efeitos também estão presentes aqui, assim como o zoom – além de ruim, também desnecessÁrio neste caso.



A gravação de vídeos fica um pouco melhor, mas nada impressionante. O dispositivo captura vídeos em HD (720p) e também os exibe sem problemas, além de contar também com alguns efeitos interessantes, assim como nas fotografias.


Mas se tem algo em que o Xoom arrebenta é o som. Os alto-falantes são altos e potentes, pena que mal posicionados. Ou seja, se você usar uma case de proteção, vai ter o Áudio bastante abafado pelo acessório. Mesmo assim, ouvir músicas no tablet é uma ótima experiência.

A interface de navegação entre os Álbuns ficou muito bonita no Honeycomb, infinitamente melhor que a adotada pelas versões de smartphones. É como se fosse um "cover flow" (famoso nos gadgets da Apple e na interface do iTunes), mas com um aspecto "3D". Ficou bem mais agradÁvel e bonito navegar pela biblioteca musical do Android.



Só acredito que a tela poderia ser melhor aproveitada na hora de exibir a música tocada no momento. O Honeycomb mostra apenas a arte do Álbum, algumas informações e os controles de playback. Com um espaço tão grande, dava pra incluir muito mais coisas, quem sabe até mesmo um "atalho" para os outros Álbuns, ou faixas facilitando a troca de músicas. No mais, dÁ para criar playlists, embora o processo seja meio chato: é preciso abrir música por música e mandar o sistema adicionÁ-lo à lista de reprodução.



Quem também recebeu uma bela repaginada no visual foi o app nativo do Youtube. Aqui, surge uma interface baseada em uma grade semelhante à do Chrome. O conceito, que também aparece no navegador Opera, é o de exibir diversos links em miniaturas, facilitando a visualização rÁpida do conteúdo. No caso do Youtube no Honeycomb, ficou a cara do Top Sites do Safari, uma ideia muito bem vinda em um dispositivo como um tablet.



Nessa interface, o Youtube mostra o que seria a sua tela inicial no navegador, com os vídeos mais vistos e recomendados, por exemplo. Quando o usuÁrio decide visualizar um único vídeo, mais uma vez o app mostra a maravilhosa adaptação para a tela do tablet: é possível escolher um vídeo entre diversas categorias e, durante a exibição, vÁrios dados extras aparecem na tela, como os comentÁrios e os conteúdos relacionados. A opção de assistir em tela cheia também estÁ lÁ.



Faltou um esmero na adaptação da Galeria, que, basicamente, estÁ a mesma coisa dos smartphones. Apenas imagens e vídeos separados por thumbnails, sem a possibilidade de, por exemplo, separÁ-los por categorias criadas no próprio tablet. DÁ vontade de procurar alguma solução alternativa no Market...

Uma funcionalidade muito interessante é o espelhamento do display, algo que faltou no Atrix. É só ligar um cabo micro-HDMI no tablet (que, infelizmente, não vem incluso no pacote) e na TV, para ver exatamente o conteúdo do display na telona. DÁ até para jogar "Angry Birds" assim. Sem contar que é ótimo para assistir a filmes em HD.

{break::Funcionalidades e desempenho}O grande mérito do Xoom é o de marcar a estréia do Honeycomb, ou seja, a versão 3.0 do Android, O tablet da Motorola vem com alguns apps interessantes jÁ instalados. O mais legal deles é o Estúdio de Filmes, que quebra um galhão na hora de fazer pequenas edições em vídeos. Nele, você pode adicionar os vídeos que criou com a câmera do Xoom na timeline e mesclar com fotografias da câmera, além de fazer pequenos cortes e alterar sequências de cenas.



Ainda é possível adicionar alguns efeitos, como Sepia, "anos 50", panorâmica e zoom, além de transições como fading e deslizar. Por fim, o software dÁ a opção de incluir caracteres, como títulos e frases, nas cenas selecionadas. À primeira vista, o aplicativo não é muito intuitivo, mas após alguns minutos fuçando, tentando, errando e dando uma olhada no resultado, logo dÁ para aprender a explorar todas as funcionalidades.



O Xoom também vem com um app de agenda, muito bem adaptado para o display de 10.1 polegadas. O calendÁrio exibe as tarefas agendadas, permite a inserção de novos eventos e, o melhor de tudo, fica sincronizado com o calendÁrio do Google. DÁ para adicionar múltiplas contas e gerenciar vÁrios calendÁrios, mantendo tudo muito bem organizado.



O tablet também vem com o Google Tradutor, uma verdadeira mão na roda. Pena que só funciona online. Ainda por cima, a interface (ao contrÁrio dos demais apps do Google) não ficou grande coisa na tela do Xoom. As caixas de texto são distantes umas das outras, assim como os poucos botões, e existe um vasto espaço em branco que dÁ ao app uma cara de "visual esticado", assim como o do Facebook, que deve ser baixado no Market.



No mais, o Xoom vem com os jÁ conhecidos Mapas, Latitude, Locais, além de calculadora e uma prÁtica agenda de contatos, que permite ao usuÁrio enviar e-mails diretamente pelo perfil de cada amigo. Ela puxa automaticamente as informações dos contatos do Google, mas, em nossos testes, nem todas as fotos apareceram. Seria legal se o tablet se integrasse ao Facebook e exibisse as fotos que faltaram, como ocorre em alguns smartphones, mas no Xoom isso não aconteceu.



Faltam algumas soluções nativas, como algum app para videochamadas (jÁ que os tablets Android tanto se gabam de suas câmeras frontais) e um leitor de e-books, imprescindível em um dispositivo com essas dimensões. Até mesmo o Galaxy Tab de 7 polegadas vinha com esses recursos, o que dava a impressão de um aparelho mais completo, apesar do sistema operacional, de certa forma, "inadequado".

O slot para cartão SD ainda não é funcional, condição que depende de atualizações futuras. Nem mesmo o Honeycomb 3.1 resolve o problema. O mesmo ocorre com o carregamento via USB: só dÁ para carregar a bateria do tablet através da tomada. E, por falar em USB, a versão 3.1 promete compatibilidade com dispositivos como joysticks, por exemplo. Só que é preciso um adaptador para Micro-USB. Coisa que não ocorre no Asus Transformer.

Pelo menos o Xoom tem um ótimo desempenho que, infelizmente, cai um pouco na medida em que mais e mais apps são abertos. Isso também ocorre quando o aparelho fica ligado por bastante tempo: após alguns dias, o sistema começa a engasgar um pouco. Nada muito grave, mas, nesse aspecto, o tablet da Motorola perde para o iPad, mesmo o primeiro.

A autonomia é excelente e cumpre o prometido pela Motorola: até dez horas contínuas de vídeo. Isso significa que, em stand-by, o aparelho se mantém funcionando por dias. Com um uso moderado, também. É um companheiro perfeito para longas viagens, jÁ que você pode curtir músicas, filmes e jogos sem se preocupar em recarregar a bateria depois de umas duas ou três horas de uso.

{break::Conclusão}O Xoom é um bom tablet? Sim. Mas nada revolucionÁrio. Isso depende, porém, mais do sistema operacional do que do próprio hardware, que dÁ conta muito bem do recado. Acontece que o Honeycomb ainda é um sistema que precisa amadurecer muito e boa parte disso depende da sua comunidade de desenvolvedores, responsÁveis por otimizar seus aplicativos para as telas maiores e os hardwares mais potentes dos equipamentos que estão chegando por aí.

Infelizmente, o Xoom não aproveita de imediato todo o seu hardware. Sejamos justos: quando a Apple anunciou o iPad, não escondeu de todo o mundo que era impossível expandir a memória. Não hÁ slot para cartão SD e pronto. No Xoom, ele existe. Mas ainda não serve para nada. Não acho pertinente incluir um recurso que só serÁ completamente funcional após atualizações que não se sabe ainda quando chegarão.

As câmeras não empolgam muito também. Ainda não vejo sentido, aliÁs, em uma câmera traseira em um tablet. No caso específico do Xoom, ainda por cima, sem grandes aprimoramentos em relação aos celulares da marca. Por uma questão de praticidade e qualidade final da imagem, é melhor optar por uma câmera digital comum mesmo, ou ficar com o smartphone.

Mas é claro que o Xoom tem suas vantagens. Tem um ótimo desempenho em games, tem uma saída HDMI que possibilita o espelhamento do display na televisão e roda bem vídeos em HD (720p). Com a atualização para a versão 3.1, o aparelho fica ainda mais promissor, com a compatibilidade com dispositivos USB (como joysticks) e o aprimoramento da multitarefa, permitindo ao usuÁrio alternar entre mais do que apenas cinco apps.

O preço estÁ dentro das expectativas. Sai um pouco mais caro que a versão bÁsica do iPad, com 16GB e apenas Wi-Fi por R$1.649, mas oferece um pouco a mais (especialmente o dobro da memória interna), o que acaba compensando o valor adicional. Mas não é novidade para ninguém que qualquer tablet continua caro no Brasil. Para muita gente, esses preços ainda não compensam a escolha de um dispositivo desse tipo.


PRÓS
Ótimo hardware
Saída HDMI permite espelhamento na TV
Som para ninguém botar defeito
Pioneiro no Android Honeycomb
CONTRAS
Funcionalidades "capadas", como a incapacidade de recarregar por USB
Tela extremamente reflexiva e difícil de limpar
Câmera fraca
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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