ANÁLISE: LittleBigPlanet 2 (PS3)

ANÁLISE: LittleBigPlanet 2 (PS3)

Mascotes costumavam liderar as atenções na acirrada disputa dos consoles da década de 90. De um lado, "Mario" representava a Nintendo. De outro, "Sonic" a Sega. O Playstation nunca teve personagens únicos muito definidos ou marcantes. Foram sempre temporÁrios: "Crash Bandicoot" e "Spyro The Dragon" tornaram-se multiplataforma com o passar dos anos.

Eis que em outubro de 2008, o estúdio inglês Media Molecule, sob responsabilidade da Sony Computer Entertainment Europe, apresentou ao mundo o primeiro mascote realmente exclusivo dos videogames da Sony com "LittleBigPlanet". SackBoy conquistou pelo menos 3 milhões de fãs ao redor do globo e tornou-se protagonista do principal título de plataforma do Playstation 3.

"LittleBigPlanet 2" agora chega para tentar elevar o conceito do gênero plataforma a outro nível. Mas o quão realmente melhor e inovadora estÁ a sequência? O que de fato poderia ter sido melhorado e melhor polido? Leia as próximas pÁginas e descubra o que os carismÁticos bonequinhos de pano, tricô e areia trazem de mais marcante e divertido nesta nova versão.

Assista a entrevista com um membro da equipe de desenvolvimento do game, direto do estúdio

{break::História}Jogos de plataforma com um enredo profundo, cheios de reviravoltas e detalhes praticamente não existem. Games desse estilo são feitos para serem divertidos sob o pretexto de um evento simples acontecer aleatoriamente para seguir jogando. "Mario" e sua eterna odisseia em salvar Peach é uma prova disso.

O mesmo ocorre com "LittleBigPlanet 2". Mas, nesse caso, nada de princesas bobinhas que não cansam de ser raptadas. Aqui o mundo é subitamente sugado para uma dimensão paralela por uma força maligna chamada Negativitron, que ameaça o equilíbrio natural do planeta e, consequentemente, a vida dos habitantes. 

Algumas dessas pessoas compõem a gama de personagens que ajudam SackBoy na sua jornada em tentar devolver a normalidade ao ciclo da vida. O interessante é que tudo é contado de maneira extremamente simples, deixando a ação mais Ágil e sem perdas demasiadas de tempo assistindo a cenas animadas ou lendo textos longos.

Com isso, é fÁcil se apegar aos acontecimentos que se desenrolam a partir de bonecos carismÁticos com personalidades bem marcadas. É engraçado e ao mesmo tempo sentimental vivenciar os desafios por que cada uym deles passa durante a – não muito longa – jornada de SackBoy. Simplicidade é a palavra-chave da divertida e cômica trama.

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{break::Jogabilidade}É aqui onde "LittleBigPlanet 2"mostra sua força e a maior evolução em relação ao primeiro game. O que era jÁ bom, responsivo e dinâmico, agora se tornou um imenso mundo de possibilidades de interação entre objetos e mecânicas de jogos de diferentes estilos.

Não se confunda: as tradicionais plataformas estÁveis e móveis, alavancas, itens colecionÁveis e inimigos que morrem com um pulo sobre a cabeça continuam. A diferença é que pequenos – porém complexos – jogos estão estrategicamente espalhados pelas 30 fases do título. Em outras palavras, existem outros jogos incluídos dentro da própria estrutura de programação de "LittleBigPlanet 2".

O estúdio Media Molecule levou muito a sério quando anunciou que o game seria uma vasta plataforma de criação inserida em um jogo de plataforma. Com isso, por exemplo, é possível que você esteja sendo elevado em uma plataforma durante a partida e, de repente, o esquema de jogo mude repentinamente para aqueles games de "navezinhas" tão populares nos sistemas de 8 e 16 bits. No melhor estilo "River Raid", é necessÁrio atirar e acertar as ameaças que aparecem pelo caminho. Pura nostalgia revivida e aprimorada de maneira bastante caprichada, graças à novas engine de física que o jogo traz. 

Da mesma forma, pode-se acionar uma alavanca aparentemente inofensiva e ativar um jogo de tiro em primeira pessoa, cuja mira é livre e você deve acertar o mÁximo de alvos possíveis para completar os objetivos requisitados no momento. A posição e o ângulo da tela em relação ao jogador podem também ser repentinamente modificados para acionar corridas em minicarros controlados por até quatro Sackboys diferentes. É um processo suave e natural de transição entre a jogatina padrão de plataforma e esses novos elementos.

O que realmente empolga é que, com o passar dos estÁgios, o desafio aumenta e o game se mostra um verdadeiro centro de entretenimento em termos de plataforma. Existem diferentes itens de equipamentos que podem ser empunhados e utilizados para facilitar a passagem do mascote pelos cenÁrios. Arremessar itens em locais específicos para destravar passagens, voar, dirigir naves em forma de animais e deslocar objetos são apenas algumas das dezenas de possibilidades.

Controlar animais-robôs, então, para além de um curto processo de adaptação dos controles, é absurdamente divertido e revigorante. Primeiro porque as fases estão mais longas e melhor estruturadas em termos de desafios. Como a dificuldade é crescente, usar tais robôs é imprescindível para prosseguir no modo campanha.

Ainda, mais para o final do game, o uso dessas mÁquinas é usada de maneira bastante inteligente, testando as habilidades motoras de percepção de tempo e espaço do jogador para tomar decisões e ir avançando aos poucos.

O único revés do modo história fica para a falta de algo realmente inovador e substancial. Não me leve a mal: as estruturas de transição e elementos de plataforma foram definitivamente aprimorados e melhor utilizados em conjunto pela produtora. Mas parece que é um "mais do mesmo" refinado com algumas ideias bacanas – porém não muito marcantes – com o intuito único de mostrar o que as ferramentas do modo Create podem fazer.

{break::Comunidade Online}"Play. Share. Create". O jargão de marketing apresentado pela Sony antes do lançamento do game retorna ainda mais amplo e robusto. A começar pela gigantesca comunidade online: transportadas do primeiro game, "LittleBigPlanet 2" jÁ começa com mais de três milhões de fases criadas por jogadores do mundo inteiro.

Claro que a maioria é puro besteirol mal confeccionado. Por isso, a Media Molecule elaborou um sistema de detecção que filtra e seleciona os melhores estÁgios criados, facilitando em muito a busca pelas aventuras mais bem produzidas, significativas e desafiantes. E acredite: hÁ muitas, de todos os estilos, tipos de elementos de plataforma utilizados, temas, assunto, modalidade de veículos, quebra-cabeças, minijogos, etc. É só escolher e começar a se divertir com até outros três jogadores simultâneos.

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Uma das características mais marcantes da comunidade, assim como no primeiro LBP é a possibilidade de avaliar e criticar cada estÁgio. O sistema é facílimo de ser usado: basta terminar a fase jogada que um menu logo irÁ pipocar na tela com as opções de classificação. O mais legal fica para a troca de experiência entre os jogadores que deixam as críticas. É bastante comum ler/receber/deixar feedbacks com sugestões de melhorias a cada nível. É dessa forma que as grandes produções são finalizadas e então selecionadas pela produtora.

Entretanto, o multiplayer online tem alguns contras. Na verdade, parece que não foram totalmente corrigido desde a versão anterior: os servidores, embora melhores e mais estÁveis, estão um tanto engasgados. Sendo assim, continuam os chatos e irritantes problemas de sincronização entre jogadores de diferentes regiões do globo.

Não raro a conexão se perde sem explicação aparente. Por mais que todas as configurações estejam corretas e o serviço de internet livre de operações sanguessugas secundÁrias, tudo pode retornar ao menu principal por falta de vinculação adequada. 

É um processo que pode acabar cansando os menos pacientes, fazendo-os deixar de aproveitar um dos pontos mais altos do título. Principalmente se quatro amigos combinam de jogar competitivamente ou cooperativamente e são impossibilitados por esses motivos. A melhor opção, nesse caso, definitivamente fica para o multiplayer local, fora da rede.

{break::Modo Create}O modo de criação de estÁgios, por sua vez, estÁ absurdamente maior e mais complexo. Os mais dedicados e atraídos pelas vastas ferramentas de invenção não terão do que reclamar, pois poderão soltar a imaginação e criar inimigos, chefes, armas e estÁgios inteiros com dezenas de mecânicas de plataformas totalmente diferenciadas e complementares.

Dois pré-requisitos são essenciais para encarar os desafios: paciência e dedicação. Como tudo é muito detalhado e cheio de variações de resposta dos comandos solicitados, é necessÁrio um período de aprendizado de, no mínimo, duas horas, que pode variar de um jogador para outro. 



HaverÁ vezes, por exemplo, em que você estarÁ construindo algo, mas se esqueceu do comando correspondente de ativação da ação de inteligência artificial e do caminho pré-programado da nova estrutura. Por isso, terÁ que voltar aos tutoriais para reaprender a fazer o que tiver em mente. É um longo processo de adaptação e de criatividade mental.



Mas uma vez finalizada sua criação (o que pode levar semanas de trabalho Árduo, conforme a sua imaginação), você se sentirÁ exatamente como um produtor de jogos eletrônicos, consciente de que precisa surpreender e fazer bonito. E suas habilidades de conhecimento em física estrutural de programação serão postas à prova a mais de dois milhões de jogadores assim quando você fizer o upload para a comunidade e outros jogadores tiverem acesso imediato à sua obra.

{break::GrÁficos}Colorido estilizado e simultaneamente realista é a melhor definição para o visual de "LittleBigPlanet 2". Basicamente, as texturas estão melhores definidas (mais apuradas) que as do primeiro game. Superfícies metÁlicas, gelo, penugem, fogo, cinzas, isopor, Água, cimento, areia, folhagem, madeira, panos e bordados são o grande destaque.

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As cores, mais intensas e melhor distribuídas ao longo dos cenÁrios, dessa vez muito mais complexos e cheios de variações e diversos tipos de superfícies, complementam a composição dos ambientes. De acordo com o que acontece na história, esses ambientes possuem temÁticas próprias, bem definidas e mescladas com diversas possibilidades de caminhos e poderes para SackBoy se divertir.

Contudo, todo esse estilizado por vezes pode acabar confundindo e prejudicando o jogador pelo excesso de objetos e elementos vistos na tela ao mesmo tempo. Isso porque o mascote pode repentinamente se camuflar entre algumas plataformas de coloração semelhante: se houver um abismo ou uma armadilha próxima, jÁ era. TerÁ que voltar ao último checkpoint para refazer o trecho anterior. Ainda bem que esses momentos são raros de acontecer e quase nunca prejudicam a dinamicidade da divertida jogatina.

{break::Áudio}A parte sonora de "LitteBigPlanet 2" segue a mesma tendência adotada pelo título anterior: músicas variadas com diferentes tipos de ritmos e instrumentos musicais que seguem o ritmo da história e configuram com maestria momentos de paz, tensão, alegria, tristeza, perigo e solidão.

Dessa vez, entretanto, não hÁ canções cantadas que geram um toque de descontração mais profundo no gameplay. Além disso, quase nenhuma das faixas disponíveis é realmente tocante ou marcante, daquelas que ficam dias rondando na cabeça. A não ser que você esteja no menu principal ou no modo multiplayer, que trazem tanto músicas inéditas criadas pelos próprios jogadores quanto as do primeiro LBP, não prestarÁ muita atenção na trilha sonora, que passarÁ um tanto despercebida  até o final do game.



JÁ os efeitos sonoros estão bastante dignos das tradicionais aventuras de plataforma. Parecem ter saído de um desenho animado, onde o barulho de uma explosão ou de gotículas pingando recebem tratamento diferenciado e não tão dramÁtico. O que encaixa perfeitamente com o divertido e não tão sério enredo.

Mas o que realmente chama atenção em "LittleBigPlanet 2" neste quesito são as dublagens. Agora os personagens realmente falam, seja em uma simples apresentação de cenas animadas ou durante o progresso pelos estÁgios. Nada mais de "embromations" ou trava línguas com sons irreconhecíveis.

E como cada um dos protagonistas têm voz e sotaques distintos, é fÁcil se apegar a pelo menos um deles e sentir emoções diferenciadas de acordo com os acontecimentos que ocorrem na tela, tamanho o capricho da Media Molecule em escalar dubladores experientes com tons de voz hilÁrios e incomuns.  É um trabalho bem feito.

{break::Considerações finais}"LittleBigPlanet 2" chegou para se consagrar o rei dos jogos de plataforma do Playstation 3. Mais do que isso, o game de SackBoy agora serve de plataforma de criação para outros tipos de jogos, com direito robusto sistema de criação composto por ferramentas inteligentes o suficiente para simular física apurada e calcular comportamentos diversos.

Quem se aventurar pela campanha para um jogador terÁ em mãos 30 fases para explorar. No geral, tudo estÁ renovado e melhorado. Os inéditos gadgets, os estÁgios variados e os animais-robôs fornecem uma boa dose de divertidos desafios que progridem e se tornam mais complicados com o transcorrer da jogatina, exigindo mais agilidade e precisão nos comandos.



No multiplayer, as palavras-chaves são diversão ilimitada. HÁ pelo menos 4 milhões de estÁgios disponíveis na rede online (três do primeiro game e um do atual) com temÁticas e tipos de aventuras bastante balanceadas e diversificadas. Combinar partidas cooperativas e competitivas (até mesmo offline) entre até quatro amigos rende muita risada e momentos de pura descontração.

O visual estÁ mais refinado; a trilha sonora, por sua vez, menos impactante e marcante, do mesmo modo que a campanha principal. "LittleBigPlanet 2" derrapa para trazer algo de realmente novo e significante o suficiente para não parecer apenas uma expansão do título anterior. Não que não seja bom o bastante para receber o número 2 (dois) correspondente ao seu título. É que enquanto se joga, tem-se a nítida impressão de que "jÁ vi isso aqui antes" e algo parece estar faltando.

Mas isso é praticamente nada comparado à diversão com que o game proporciona. Por isso, é altamente recomendado para aqueles que querem dar um tempos nos superpopulares tiroteios em primeira pessoa e desvendarem um gênero não muito lembrado nesta geração. "LittleBigPlanet 2" é divertido, engenhoso e consistente.

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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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