ANÁLISE: Duke Nukem Forever

ANÁLISE: Duke Nukem Forever

Finalmente o jogo mais adiado da história foi lançado! Estamos falando do, até então lendÁrio, Duke Nukem Forever, que depois de ser vÁrias vezes "cancelado", a 2K Games junto com sua produtora GearBox resolveu comprar o projeto da 3D Realms e lançar o game.

Obviamente que não teria tempo hÁbil para que o jogo fosse refeito do zero reaproveitando apenas a história. Então o que se vê é um jogo que, durante a jogabilidade, fica claro que foi feito por duas empresas distintas e o pior, feito em duas épocas completamente diferentes.

Na verdade, o lançamento de Forever foi mais uma questão de honra do que um puro e simples lançamento de um game. Para fazer presença perante os jogadores, a 2K bancou o projeto e lançou o game, adquirindo assim certo respeito por essa atitude.

Afinal, Duke Nukem Forever tinha que ser lançado. E de fato foi. Mas com muitos problemas.


{break::História}A história por trÁs de Duke Nukem Forever é um tanto banal e segue a mesma linha do último game lançado, Duke Nukem 3D de 1996. Objetivo? Apenas combater alienígenas de forma desenfreada.

Com sÁtiras a games famosos - Dead Space é um deles - e situações um tanto chulas além das piadas infames, Duke volta a destruir alienígenas em cenÁrios mais atualizados, como Las Vegas. No início percebe-se que Duke é um ídolo mundial após ter acabado com uma invasão alienígena ocorrida no game anterior. O curioso é que o jogo começa com Duke jogando um videogame baseado nele mesmo.

Após isso, ele é convidado a participar de um programa de TV e é nesse meio tempo que tudo volta a acontecer. Simples assim. Não precisou de nenhum tipo de criatividade para se criar a história de Duke Nukem Forever. Quem estava esperando objetivos mais elaborados, enredo mais interessante e até mesmo alguma novidade, esqueça.


{break::Jogabilidade}A melhor coisa do game é a sua jogabilidade que se manteve no mesmo nível do jogo anterior. Com movimentação rÁpida, sem slows, respostas precisas e o inconfundível toque de humor, por vezes negro e pesado, de Duke Nukem.

No geral, a jogabilidade de Duke Nukem Forever recebeu uns toques atuais, como por exemplo, a possibilidade de se levar apenas duas armas diferentes, uma mais pesada e outra mais leve. Em Duke Nukem 3D podia-se levar praticamente todas que o game oferecia.

Outro detalhe que foi mudado é o "MedKit", ou seja, as energias que aparecem no meio das fases. Isso foi retirado, e seguindo a tendência atual, foi adicionado um modo de "descanso" ao game, no qual basta recuar e se esconder por uns segundos para que a energia se recupere, sem necessidade de "MedKits" espalhados pelos mapas.

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No game original, por vÁrias vezes o jogador era obrigado a voltar uma boa parte do mapa a fim de procurar "MedKits" deixados pelo caminho. Afinal, era a única forma de recuperar energia. Isso obrigava ao jogador a usar uma tÁtica para saber exatamente a hora de atacar os inimigos. JÁ no Duke Nukem Forever, como isso foi retirado, basta se esconder atrÁs de algum objeto e aguardar a energia ser restabelecida.

Isso torna o jogo incrivelmente fÁcil, bastando o jogador ter paciência. Frustrante para os mais saudosistas, mas bacana para os jogadores mais novos que não viveram a época de outro de Duke Nukem.

Além dessa jogabilidade em primeira pessoa, o game também traz opções de controlar veículos. A jogabilidade nesse caso ficou ótima, sem nenhum tipo de problema mais grave. Até mesmo o uso de carrinho de controle remoto ficou bem intuitivo e agradÁvel.

Embora muitas partes do game sejam bastante amadoras, ele traz aperfeiçoamentos interessantes como o uso da física na grande maioria dos objetos. Praticamente tudo no cenÁrio pode ser mexido, inclusive "coisas" bastante duvidosas que poderiam ter sido evitadas, como possibilidade de pegar fezes com as mãos e "sujar" o ambiente todo. Precisa disso?


{break::GrÁficos}Julgar os grÁficos de Duke Nukem Forever é o mesmo que julgar dois jogos diferentes. Isso porque o jogo literalmente é dividido em duas partes, embora não sejam em sequência.

No decorrer da jogatina fica evidente que o jogo foi feito em duas épocas distintas. A GearBox deve ter mantido intactas as fases criadas pela antiga 3D Realms.

Alguns fases do game remetem a jogos de praticamente dez anos atrÁs, sem vida, com texturas lavadas, sem animação alguma, efeitos realmente ruins, iluminação inexistente e tudo absurdamente quadrado e com falhas de colisão onde pixels ficam uns por dentro de outros. Até mesmo modelagens de inimigos e objetos do cenÁrio mudam radicalmente em algumas fases.


Alguns mapas usam esse tipo de visual, que por vezes chega a assustar de tão ruim. Se para época que ele foi anunciado teria sido mediano, hoje em dia é quase que inadmissível.

Embora vÁrias fases sejam ridiculamente feias, outras são lindas, como por exemplo, dentro de cavernas e no deserto. O visual nessas Áreas muda completamente. Podia jurar que era outro jogo e, inclusive, com outra engine.

Os efeitos de luz, de chuva, reflexos, texturas em alta definição, além de física aprimorada, se fossem usados em todas as fases, Duke Nukem Forever poderia ser um game infinitamente superior.

O fato é que não teria tempo hÁbil para se recriar o game do zero, então a GearBox optou por usar o que jÁ estava pronto, produzido pela antiga 3D Realms. O resultado é esse que vocês podem ver nas imagens. Algumas ótimas, outras péssimas para os padrões atuais.


{break::Áudio}Falas originais e sons de tiros clÁssicos. Tudo que envolve o universo do lendÁrio game Duke Nukem estÁ presente nessa sequência. Embora o Áudio tenha se mantido fiel, o que é muito bom, a qualidade também se manteve. E isso é um péssimo sinal.

Qualquer game relativamente atual, mais ou menos de cinco anos pra cÁ, usa e abusa de tecnologias que aprimoram os efeitos sonoros. Sejam efeitos de ambiente, 3D, até mesmo efeitos que tornam o Áudio mais puro e cristalino, podendo se perceber a mais alta frequência até a mais baixa.


Em Duke Nukem Forever tudo é padronizado por baixo, ou seja, não hÁ nenhum momento durante a jogatina em que o Áudio tenha recebido alguma melhoria, ou que tenha algum destaque. A qualidade é mediana e a separação de canais é medíocre. Testei em um sistema 5.1 a não percebi essa diferenciação entre os canais.

Embora não seja o melhor Áudio que um game pode apresentar, ele estÁ dentro do aceitÁvel. Mas obviamente podia ser bem melhor.


{break::Multiplayer}O Multiplayer de Duke Nukem Forever traz modos de jogo clÁssicos, mas com pequenas novidades, como a possibilidade de se customizar o personagem. Óculos, chapéus, roupas e acessórios, dentre outras coisas, podem ser comprados com os pontos que se consegue no decorrer da jogatina Multiplayer.

Além disso, conforme vai jogando as partidas, o jogador ganha bônus e sobe de nível e assim pode destravar vÁrios objetos na mansão de Duke. Alguns são interativos como mÁquinas de Pinball, mesas de sinuca, etc.


Os modos de jogo, como dito acima, são clÁssicos. Nada de novidade. Apenas os nomes foram alterados para um padrão "a lÁ Duke Nukem" e, claro, alguns objetos foram modificados, como por exemplo, o modo Capture The Babe, um Capture The Flag onde a bandeira é uma ninfeta em trajes sumÁrios. Mais Duke Nukem que isso, impossível!

Outros modos de jogo são DukeMatch, Team DukeMatch e Hail to the King, que ao todo possuem dez mapas.

É curioso destacar que esse modo Multiplayer foi feito por outra empresa, a Piranha Bytes, e não pela GearBox que fez todo o resto do game, tirando as partes jÁ prontas da 3D Realms.

Dentre os dez mapas presentes, percebe-se que alguns deles sofrem do mesmo mal do modo Single Player, ou seja, são extremamente pobres em termos grÁficos, levando a crer que também foram criados originalmente pela 3D Realms e mantidos intactos.

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{break::Conclusão, Pros & Contras}Duke Nukem Forever demorou mais de uma década para ser lançado e agora que chegou ao mercado, percebe-se que era melhor ter deixado-o apenas no imaginÁrio das pessoas.

Embora o game tenha seus momentos legais, com certa qualidade, isso não altera o fato de que ele foi lançado com partes tão ruins e amadoras, que beiram o ridículo.

Mesmo com problemas, hÁ de se respeitar a 2K e a Gearbox por ter bancado o projeto e lançado o game. Afinal, Duke Nukem é Duke Nukem!

Se você vivenciou a época de ouro de Duke Nukem, ficou horas jogando o Multiplayer com apenas um amigo através de uma placa de Fax-modem 14.400/28.800 durante as madrugadas, talvez você não se importe com os problemas graves que o game tem. A nostalgia valerÁ muito mais a pena.

Agora, se você não teve muito contato com o game original, esqueça. Duke Nukem Forever não vale o valor que é cobrado. Talvez em uma mega promoção, colocando o game por cerca de 20 ou 30 reais, valha uma olhada.

Uma pena o game ter sido lançado assim. Mas para quem esperou 15 anos por ele, provavelmente terÁ esperanças de no futuro ser lançado um Duke Nukem que faça jus à "reputação" de Duke.

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PRÓS
Finalmente foi lançado
Uso de veículos é bem legal
Dez mapas multiplayer e modos clÁssicos
Bastante extras
É Duke Nukem!
CONTRAS
História banal
Apenas duas armas por vez
Cadê os MedKits?
GrÁficos por vezes ridículos
Algumas fases com design bem amador
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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