ANÁLISE: Medal of Honor (PS3)

ANÁLISE: Medal of Honor (PS3)

Quando você pensa em "Medal of Honor", qual é a primeira coisa que vem à sua mente? Se não são as nostÁlgicas – e ótimas – lembranças dos excelentes primeiros games da série, a desconfiança certamente reina quando se pensa nas últimas – e fracas – edições "Airbone", "Vanguard" e "Heroes".

Não é mistério para ninguém que a franquia de tiro em primeira pessoa da Electronic Arts vinha capengando ao longo dos anos. Perdeu prestígio e praticamente caiu no esquecimento. Na tentativa de reatar a moral com os fãs e de conquistar parcela significativa do bilionÁrio mercado dos FPS, a empresa optou por correr riscos: abandonou a cansada temÁtica da Segunda Guerra Mundial e investiu nos combates contemporâneos regados à tecnologia de ponta.



Adianto que o resultado, para além de toda a campanha de marketing e dos empolgantes trailers apresentados, deve agradar alguns e deixar outros um tanto decepcionados. Por mais que o estúdio Danger Close tenha se esforçado em recriar – com certo mérito – os recentes conflitos militares do Oriente Médio, "Medal of Honor" patina para corresponder a todas as expectativas criadas. 



Mesmo assim, jÁ vendeu mais de quatro milhões de unidades mundo afora. Mas o que de fato pode ser elogiado e o que deve ser criticado? Nas pÁginas a seguir, você confere a anÁlise completa da versão para Playstation 3 do jogo que, mesmo após mais de três meses de estreia, causa curiosidade e interesse naqueles que não hesitam em perfurar crânios virtuais.  

{break::Enredo em perspectiva falha}Nos moldes dos atuais jogos de guerras modernas (sobretudo nos games da popularíssima série "Call of Duty"), a história de "Medal of Honor" é contada a partir de diversas perspectivas de um mesmo acontecimento fictício que tende a se completar com o passar das missões.

O palco da vez é o Oriente Médio. Mais exatamente o Afeganistão, que foi invadido pelos Estados Unidos. Quente e seco, o país estÁ sob vigia norte-americana e é palco da discreta intervenção do Tier 1, a força secreta de elite da superpotência econômica e militar.



Esses militares são especializados em combates em terrenos Áridos e pedregosos, cuja visibilidade dos ambientes muitas vezes é zerada pelas tempestades de areia e o bem-estar dos soldados é comprometido pelas altas temperaturas, ausência de Água e falta de cobertura antifogo.

À primeira vista, o enredo parece empolgar. Existem alguns momentos de pura ação ofensivamente incontrolÁvel do tipo suicida e outros defensivos com infiltrações em aldeias hostis de guerrilheiros afegãos. Encontros do tipo fogo cruzado são constantes e chamam atenção pela violência com que algumas operações militares são realizadas. 



Mas tudo para por aí mesmo. Os eventos principais da narrativa não demonstram se relacionar de maneira muito sólida ou complementar, como geralmente se espera de histórias narradas em perspectivas não lineares com bifurcações momentâneas.

O que se percebe, na verdade, é a falta de uma amarra mais intrínseca de pontos isolados e de detalhes pioneiros na trama. Com o decorrer da partida, isso pode confundir o jogador, caso o interesse na campanha principal seja totalmente baseado na intenção de entender o que acontece na conturbada região.

 

O que realmente abala a motivação de avançar neste modo é a falta de momentos verdadeiramente emocionantes (épicos) que justifiquem a invasão aos locais de embate ou toda a destruição provocada. Aliado a isso, carisma é algo de que os personagens (incluindo o principal) de "Medal of Honor" carecem. Não espere por atuações inovadoras ou de destaque, que transmitam seriedade bélica nas cenas de computação grÁfica ou nas entrelinhas dos acontecimentos.

São, definitivamente, fatores que enfraquecem o envolvimento pessoal do jogador com o game, fazendo-o seguir na campanha solo voluntariamente mais pelos tiroteios e explosões do que pela narrativa ou representação histórica do confronto propriamente ditas.

{break::Controles facilmente adaptÁveis}Um dos quesitos que notavelmente colaboram para melhorar essa situação – e o envolvimento do jogador – é a jogabilidade. De fÁcil adaptação e sem muitos mistérios na configuração dos botões, os controles de "Medal of Honor" agradam pela agilidade e pela naturalidade com que as ações militares são executadas.

Sendo assim, invadir vilarejos lotados de guerrilheiros sedentos por destruir norte-americanos e agir taticamente empolga. Principalmente quando você estÁ num helicóptero e deve explodir habitações construídas em barro e madeira, sendo que no telhado os inimigos estão equipados com lança mísseis que podem derrubÁ-lo a qualquer momento.



Ou ainda quando se estÁ dirigindo um quadriciclo barulhento por planícies pedregosas e escuras; para-se, alça-se uma sniper super potente e decepa afegãos desavisados localizados em torres e pequenos edifícios ao longe, nos limites do cenÁrio. Sem falar na possibilidade de explodir tanques e outros veículos de guerra com mortares teleguiados ou uma chuva programada de mísseis semi-automÁticos que percorrem a direção que você desejar no solo. A sensação de poder nessa hora, devido à destruição em massa, surpreende e diverte.

- Continua após a publicidade -


Tudo isso pode ser feito sem o menor problema na maneira como se aperta os botões. A resposta dos comandos é rÁpida, suave e sem qualquer tipo de atraso ou entrave que confunda. É uma mecânica muito característica dos jogos de tiro em primeira pessoa da atualidade.



Um dos poucos problemas dessa parte, entretanto, são as armas e alguns itens secundÁrios, como granadas e a faca de apoio. Mesmo que causem a destruição desejada e que tenham suporte à mais poderosa tecnologia, todos passam a impressão de que são menos poderosos e eficientes do que realmente parecem ser. Pecam em personalidade e no realismo de apresentação.

A principal causa disso é a sensação de peso irreal que os equipamentos transmitem quando empunhados. Em outras palavras, o manuseio de uma espingarda, de uma bazuca ou de uma sniper difere muito pouco. Além disso, a maneira como são recarregadas também é pouco característica ou inovadora, o que abala a intenção do jogo em contribuir na inserção do jogador aos conflitos do Afeganistão. 

{break::Visual convicente, mas irregular}Antes mesmo do lançamento de "Medal Of Honor" jÁ se percebia que o game traria um visual acima da média. Dito e feito: a EA, junto à sueca DICE, entregam um belo game aos apreciadores de batalhas modernas. A principal responsÁvel pela beleza virtual: a atualização 2.0 da engine Frostbite, mais conhecida pelas vastas possibilidades de destruição imensurÁvel dos cenÁrios.



Pedregulhos, muretas, Árvores, casas, lajes, lonas e alguns veículos são bons exemplos do trabalho das duas companhias em reproduzir o problemÁtico Afeganistão para a telinha. Principalmente quando o sol "estÁ de rachar": hÁ a acentuação de texturas apuradas devido ao bom trabalho de iluminação e sombra com que os objetos reproduzem e se comportam. Alguns trechos realmente chegam a impressionar e são dignos de elogios.

Falando assim, soa como se o jogo fosse uma referência em primor grÁfico na geração. Ledo engano: pelo menos na versão para Playstation 3, existem problemas técnicos em detalhes teoricamente simples que visivelmente mereciam mais capricho de produção.

O primeiro deles é sobre o elemento indispensÁvel à vida. HÁ dezenas de jogos muito mais antigos no mercado – como "Uncharted: Drake's Fortune" e "BioShock" (ambos de 2007) – que possuem Água muito mais bem feita e realista do que a de "Medal of Honor". Nos dois títulos, além de dinâmicas, saltam aos olhos pela beleza inegÁvel. Aqui, mesmo quase dois anos após o lançamento do segundo, é quase que completamente estÁtica. Quando estÁ congelada, então, mais parece um espelho inanimado refletor das superfícies ao redor. Em suma, não é característica e nem realista. É apenas comum.



Serrilhados, madeira e vegetação de "papel", lama que mais parece cobertura de bolo de chocolate, neve pixelada e o design muito repetitivo das localidades e dos soldados são outros elementos que poderiam ter recebido mais atenção. Sobretudo porque hÁ muitos outros concorrentes de mesmo gênero cuja produção esbanja capricho técnico nos grÁficos. Não consegue pensar em nenhum? Dois nomes: "Killzone 2" e "Call of Duty: Modern Warfare 2" (ambos de 2009).

Lembra das tais armas e dos equipamentos secundÁrios? Deixam a desejar em iluminação de material (ferro e aço) e seriedade visual bélica quando destroem qualquer tipo de estrutura. Os efeitos de explosão figuram como o ponto mais fraco do quesito: são um tanto falsos. Para ter uma ideia, as granadas nem mesmo levantam camadas próprias de areia ou movem objetos mais próximos causados pelo impacto (vÁcuo) de ar.



Mas não era para a Frostbite Engine contribuir com a movimentação de partículas destruídas diversas, tornando os tiroteios mais reais e empolgantes? Pois é... Era. O que é brilhantemente empregado em "Battlefield: Bad Company" – a excelente franquia carro-chefe da DICE –, aqui interfere apenas em alguns pequenos objetos, como garrafas, tÁbuas jogadas pelo chão e alguns pedregulhos. E só. A frustração, na hora de notar esses detalhes, é inevitÁvel.

{break::Orquestras e explosões em alto tom}Um dos pontos mais fortes de "Medal of Honor" é no Áudio. Nada de algo absolutamente inesquecível ou épico que rodeie sua cabeça por semanas a fio, depois de ter debulhado a campanha principal. Mas o game tem sólidos méritos no que diz respeito ao apoio musical na ambientação e nos recursos sonoros.

- Continua após a publicidade -


Durante as missões, é comum uma orquestra militar sinfônica ao fundo guiar as ações dos soldados do Tier 1. As melodias variam de acordo com cada situação. Numa operação de tumulto armamentista, espere por fortes batidas de tambores, cornetas, caixas e trombones em altíssimo volume e tom. Em objetivos cuja infiltração é o foco, o silêncio absoluto reina e atiça o jogador a tentar descobrir o posicionamento dos guerrilheiros afegãos apenas por ouvir passos aleatórios pelos arredores.

Os efeitos sonoros, nesse momento, colaboram muito na inserção do jogador no game. Mesmo que sejam pouco variados, é comum escutar madeiras rangendo, garrafas de vidro rolando pelo chão, pedregulhos descendo ladeiras, ventos uivando raso nas gélidas noites locais e até mesmo balas raspando a orelha do seu soldado.



Nesse momento, é comum sentir-se em um paredão de fuzilamento. A diferença é que aqui você estÁ em uma planície aberta rodeada de planaltos e montanhas onde combatentes inimigos estrategicamente posicionados aguardam os invasores ocidentais para dizimÁ-los.

A aparição surpresa de caças de apoio aéreo norte-americanos, explosões de granadas e lança mísseis, mortares e ataques teleguiadas complementam com louvor o apuro sonoro de "Medal of Honor". Experimente usar bom par de headsets HD (fones de ouvido bloqueadores de ruídos externos) ou um sistema de Home Theater para se sentir em um verdadeiro conflito moderno. 



O que realmente peca são as dublagens e a maneira como a narrativa é contada. Sem muita personalidade ou profundidade digna de jogos de tiro em primeira pessoa, os diÁlogos são apenas expostos ao jogador sem muita dinâmica ou impacto emocional. A própria maneira como os soldados falam e interagem entre si não demonstra que estão realmente envolvidos nos conflitos ou drasticamente preocupados com o que pode acontecer a seguir.

{break::Multiplayer robusto}O que é aquilo que os gamers mais buscam em um jogo de tipo em primeira pessoa nos dias atuais? Se não uma sólida campanha solo, o multiplayer online certamente aparece em primeiro lugar nas listas de preferências. Afinal, não hÁ nada mais divertido do que fuzilar jogadores de outras partes do mundo a partir de estratégias bem definidas e de ataques em conjunto bem planejados.



Para quem busca pela segunda opção, "Medal of Honor", oferece robustos confrontos em rede, com muitos níveis e equipamentos específicos de cada um para destravar, oito mapas interessantes e três classes de soldados selecionÁveis (riflemen, special ops e snipers).

Sendo assim, o gosto de quase todos é suprido pela variedade de modalidades online disponíveis. A principal delas se chama "Combat Mission": as forças de coalizão devem realizar uma série de cinco objetivos seguidos enquanto os insurgentes tentam impedir que cada uma dessas mini missões sejam completadas.



"Sector Control" significa que você e o seu time devem dominar pelo menos três objetivos-base que decidem o andamento da partida. O esquema é bastante similar ao "Conquest Mode" da série "Batlefield: Bad Company", cujo foco é defender Áreas marcadas com bandeiras estÁticas. O lado que dominar o maior número de objetivos por maior período de tempo vence a rodada.



No decorrer das partidas, inevitavelmente sobe-se de ranking e se destravam ações bônus de ataque e de defesa que podem modificar e decidir e o rumo de uma rodada aparentemente ganha. É possível, por exemplo, escolher entre acionar uma onda devastadora de mortares na Área de concentração inimiga ou ativar um sistema que temporariamente mostra o posicionamento do time oposto no radar de apoio, facilitando a busca por alvos desprevenidos.

Pela diversidade de missões, recursos armamentistas e pelos desafios, é fÁcil compreender o por quê do multiplayer online ser um dos pontos mais altos do título.

- Continua após a publicidade -

{break::MoH Frontline estÁ de volta!}EstÁ pensando que só porque terminou a campanha solo e que jÁ alcançou o nível mÁximo do multiplayer online o tiroteio acabou? Muito pelo contrÁrio: a versão de "Medal of Honor" para Playstation 3 traz, como conteúdo exclusivo ao console da Sony, a saudosa edição "Medal of Honor: Frontline", o primeiro jogo da série a estrear nos sistemas da geração passada.



Totalmente remasterizado em HD (grÁficos e som), o game é um belo presente para aqueles que querem reviver a épica batalha do Dia D e dos acontecimentos seguintes à chegada massiva dos Aliados à Europa. Melhor ainda para os que não dispensam bons desafios na hora de vasculhar todos os cantos em busca de itens, documentos e de objetivos secundÁrios – mais ainda assim importantes – na intenção de aumentar a coleção de troféus.

E acredite: são muitos. Alguns realmente difíceis, que certamente vão testar sua pontaria e agilidade perante controles hoje em dia jÁ um pouco defasados e inimigos que possuem inteligência artificial rebuscada. JÁ imaginou terminar uma fase no nível mÁximo de dificuldade, abater 95% dos inimigos e restar, pelo menos, 75% da energia do seu soldado? Nada fÁcil, com certeza.



Ou quem sabe conquistar todas as três medalhas de desempenho possíveis de aquisição em cada nível? Terrorismos psicológicos à parte, prepare-se para suar a camisa. Ou melhor, as mãos e o joystick. Mas vale o desafio e a nostÁlgica diversão aos dedicados caçadores de tais prêmios virtuais e aos adoradores da história da Segunda Guerra Mundial. 

{break::Conclusão}"Medal of Honor" chega aos consoles e ao PC na clara tentativa de abocanhar uma fatia da bilionÁria indústria dos jogos de tiro em primeira pessoa. Mais do que isso, fazer frente a franquias de peso, como a popularíssima série "Call of Duty".

Pelo o que a Electronic Arts e a Danger Close mostraram, claramente ainda falta aperfeiçoarem uma bagatela de elementos. A começar pela narrativa: quase sem pontos realmente atrativos e baseada em dublagens e momentos inexpressivos, empolga em poucos trechos. No visual, o que realmente faltou foi constância e capricho. Enquanto alguns objetos, formações de cenÁrios e texturas são totalmente dignas de elogios, as outras demais variações e apresentações grÁficas deixaram a desejar e não se comparam a outros jogos atuais do gênero.



O que realmente faz valer a compra de "Medal Of Honor" é o multiplayer online. Repleto de variações, equipamentos destravÁveis e missões com objetivos épicos, a modalidade é o grande chamariz do game. Não estranhe se você passar muito mais horas fuzilando guerrilheiros em rede do que na campanha principal.

Além disso, o fato de a versão para Playstation 3 ter exclusivamente "Medal Of Honor: Frontline" totalmente remasterizado em alta definição faz com que haja um acréscimo inigualÁvel de nostalgia ao título. E isso não estÁ presente em nenhuma das outras versões. A inclusão do clÁssico episódio é definitivamente um belo presente das produtoras.



Por fim, "Medal of Honor" é um FPS que agrada pela proposta por repaginar a série com uma temÁtica mais contemporânea. Contudo, não traz novidades muito expressivas e não chama muita atenção quando jogado. Considerando que existe uma penca de outros jogos do mesmo gênero no mercado melhor polidos e mais atrativos, é mais provÁvel que você acabe optando por algum deles para gastar suas economias.

Assuntos
Tags
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

O que você achou deste conteúdo? Deixe seu comentário abaixo e interaja com nossa equipe. Caso queira sugerir alguma pauta, entre em contato através deste formulário.