ANÁLISE: Star Wars: The Force Unleashed II (XBox 360)

ANÁLISE: Star Wars: The Force Unleashed II (XBox 360)

Existe algo melhor do que ser um cavaleiro Jedi: receber treinamento do Darth Vader em pessoa, manipular dois sabres de luz ao mesmo tempo e usar a Força a torto e a direito como se desviar naves de suas rotas fosse a coisa mais fÁcil do mundo. E isso você vai fazer MUITO em Star Wars: Force Unleashed 2, sequência do sucesso da LucasArts lançado em 2008.



Assim como o primeiro título, o game se passa entre os acontecimentos dos filmes "Episódio III: A vingança dos Sith" e "Episódio IV: Uma nova esperança". Novamente, você entra na pele de Starkiller, o jovem aprendiz de um dos vilões mais notórios da história do cinema, com um grande dilema existencial. Supostamente morto no primeiro jogo, Starkiller volta como um clone do verdadeiro. Ao menos é o que Vader diz...

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Agora, desmemoriado e sem saber quem é de verdade, o guerreiro parte em busca de Juno, a piloto por quem é apaixonado. Uma jornada repleta de stormtroopers, naves inimigas, muitos tiros e coisas de sobra para destruir. Ao longo da aventura, se você for fã de Star Wars, reconhecerÁ vÁrios cenÁrios e personagens. E, é claro, se quiser sobreviver a tantos inimigos loucos para transformÁ-lo em poeira cósmica, vai precisar relembrar suas habilidades e usar a Força com todos os exageros aos quais só alguém muito bem assessorado por Darth Vader pode ter direito.

{break::Batalhas enjoativas} Sua saga começa em Kamino, planeta que abriga uma fÁbrica de clones. O que quer dizer que provavelmente seu "mestre" te sacaneou. Você morreu. Não... seu original morreu. Você é uma "cópia". SerÁ  mesmo? Darth Vader tenta convencer você disso, mas, como qualquer bom vilão, é melhor não confiar tanto assim. De qualquer forma, é hora de sacudir a poeira, empunhar seus sabres e sair fazendo o que você sabe de melhor: bater. Muito.

Não espere fazer nada muito além disso. Rapidamente, o jogo jÁ coloca você em uma situação hostil lotada de inimigos e seu personagem precisa recuperar a memória pouco a pouco para relembrar como usar a Força adequadamente. Com isso, o game segue o típico esquema andar – matar - acumular pontos – fazer upgrades nos poderes. Nada de se arrancar os cabelos.



Os combates são, inicialmente, interessantes. Usar dois sabres de luz amplia as possibilidades de ataque e faz Luke Skywalker parecer um carneirinho. Você pode, inclusive, desmembrar robôs sem dó. Existem agarrões, úteis demais em inimigos que cismam em se defender, e alguns combos, mas nada que se possa considerar de uma variedade absurda. Na verdade, após alguns minutos desferindo os primeiros golpes, você percebe que pouca coisa vai mudar ao longo do jogo inteiro.

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Os comandos não são difíceis de aprender e, de qualquer forma, o game joga isso na sua cara o tempo inteiro, caso em algum momento você esqueça. No entanto, nem sempre os controles respondem tão bem. Em situações com uma grande quantidade de inimigos, os comandos precisam ser executados muito rapidamente e são tantas as combinações de botões que, eventualmente, Starkiller pode acabar fazendo algo diferente do que você tinha imaginado.

E por falar em quantidade, sempre são muitos inimigos para matar e, como era de se esperar, dezenas e dezenas de stormtroopers – alguns com boa mira, inclusive. Outros mais irritantes flutuam com jetpacks e são uma esquisitice que jamais se viu nos filmes. Logo você descobre o que fazer para matÁ-los e nunca mais vai precisar pensar nisso de novo. Outros inimigos um pouco maiores carregam um escudo e é preciso neutralizar a defesa antes de atacÁ-lo efetivamente. Quando você consegue infringir um bom dano na criatura, é preciso apertar uma sequência de botões no estilo God of War para derrotÁ-lo. O problema é que o game, ao contrÁrio do título protagonizado por Kratos, não consegue usar o recurso de forma criativa. O que acontece, na verdade, é que você precisa derrotar muitos oponentes usando a mesma tÁtica, tornando a sequência de Force Unleashed um bocado repetitiva no que diz respeito aos combates.


Até mesmo a última luta, aquela para a qual normalmente nós guardamos todas as nossas forças e que rende momentos de emoções intensas, conseguiu se transformar em uma dolorosa e entediante sequência de procedimentos manjados. Seu inimigo não é nem um pouco intimidador, se move lentamente e foge de você igual um gatinho assustado, o que irrita profundamente. Não é nada difícil matÁ-lo, apenas MUITO DEMORADO e... chato. De verdade!

Ao menos, é possível customizar seus sabres, em uma tentativa de minimizar o tédio das batalhas repetitivas. E, ao longo do game, você vai ganhando mais possibilidades. É possível equipar, por exemplo, dois sabres vermelhos e dois azuis, ou alternÁ-los, sendo que cada um traz uma característica adicional, como incrementar a recuperação de energia, por exemplo.

{break::A Força estÁ mesmo com você}Seus sabres servem para muita coisa, mas você não seria O CARA se não pudesse fazer de tudo sem fazer muita força. Neste caso, você precisa usar A Força. Isso significa mover objetos, empurrar oponentes, abrir portas, tudo isso de um jeito nada convencional, que faria David Copperfield morrer de inveja.

Isso inclui, é claro, usar seus poderes para o mal. Um ataque de raios potentes é o suficiente para acabar com vÁrios stormtroopers de uma só vez e a única arma eficiente contra os robozinhos flutuantes. Com o Mind Trick, você confunde os inimigos e faz com que eles passem para o seu lado, atirando uns nos outros. Isso sem contar o Force Push e o Repulse, perfeitos para dar um "chega pra lÁ" em quem tentar atrapalhar seus planos.

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Uma das coisas mais legais de se fazer é mover objetos grandes. E sim, isso inclui naves. Não raro você vai precisar usar a Força para desviar naves de suas rotas, antes que elas acertem você em cheio. SerÁ preciso também usar o poder para destruir estruturas ou, pelo contrÁrio, consertÁ-las, colocando enormes fusíveis no lugar certo. Starkiller é um grande preguiçoso e nunca usa a força física pra levantar nada, o que pode ser muito eficiente na hora de carregar as sacolas de compras da Juno.

Fazendo jus ao título, o game entrega uma ótima experiência de uso da Força aos fãs de Star Wars. Com certeza, é o forte do jogo e garante os momentos mais divertidos, jÁ que o gameplay é extremamente linear e não oferece nenhum obstÁculo ao raciocínio do jogador. Os únicos momentos nos quais é preciso pensar um pouco aparecem na hora de enfrentar certos chefes. Aí sim, é necessÁrio elaborar uma estratégia de uso da Força para cumprir cada etapa da derrota dos grandes inimigos.

Se a pancadaria desenfreada rola solta ao longo do caminho, na hora de combater alguém realmente grande, a coisa muda de figura. Não vai adiantar pular com tudo em cima da criatura tentando dilacerÁ-la com os sabres: é preciso observar o cenÁrio e detectar quais elementos podem ser utilizados a seu favor.

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É isso que falta ao game. O ritmo frenético dÁ pouco refresco e não é preciso queimar os neurônios em momento algum. Nem mesmo para descobrir qual caminho seguir, uma vez que basta usar a Força para que Starkiller indique o rumo. Mesmo se não houvesse essa possibilidade, seguir para o lugar correto não seria nada desafiador, jÁ que os cenÁrios não oferecem praticamente nenhuma possibilidade de exploração.

O jogo, aliÁs, oferece uma campanha extremamente curta, embora leva cerca de cinco horas para zerar um game tão repetitivo não seja necessariamente um problema. O pior mesmo é a pouca variedade de extras: apenas uns desafios que, no final das contas, se resumem a descer a pancada de novo em um monte de stormtroopers; a possibilidade de rever as cutscenes; algumas artworks e os perfis dos personagens. Nada de um modo multiplayer, nada online (a não ser compartilhar os tempos atingidos nos challenges)... Force Unleashed II é, definitivamente, um jogo de vida curta.

{break::Boas lembranças permeiam um roteiro fraco}Force Unleashed II tinha tudo para ser um jogaço. O primeiro game foi muito bem recebido e colocar Starkiller em crise existencial, manipulado por Vader e com a incerteza de ser ou não um clone parecia ser um prato cheio para uma boa e envolvente história. Mas só parecia.

Na verdade, esse aspecto é pouco explorado no game e o roteiro ficou confuso e mal explicado, prejudicado pelos "enxertos" que fazem referência à trama cinematogrÁfica. Nosso herói volta e meia se depara com situações familiares para os fãs do filme, mas os produtores do game não conseguiram encaixÁ-las no enredo de uma forma convincente.



Além disso, as referências são rÁpidas e diretas, criando mais um efeito de nostalgia nos fãs do que acrescentando algo à trama. Em determinado momento, por exemplo, Starkiller decide ir para Dagobah, planeta do grande mestre Yoda. O motivo para isso não ficou nem um pouco claro e não hÁ efetivamente nada para fazer por lÁ, a não ser ouvir pouquíssimas palavras do velho Jedi.



Os diÁlogos são pobres e alguns personagens chegam a ser irritantes, como o General Kota, que age como uma donzela em apuros, gritando para você fazer logo alguma coisa enquanto você jÁ estÁ dando o sangue para acabar com monstros como o imenso Gorog. Tudo bem, vamos dar um desconto só porque o sujeito ficou cego.

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O problema é que o roteiro não transmite a sensação de que você precisa mesmo fazer tudo aquilo. Ao invés de explorar o drama do herói em torno da sua suposta clonagem, o jogo se perde e se preocupa mais em entregar cenas e mais cenas de pancadaria. Além disso, só ir atrÁs da Juno não me parece uma justificativa plausível e todos nós sabemos o que aconteceu quando o Anakin Skywalker tentou fazer algo parecido.


Cair num poço de lava e passar o resto da vida respirando esquisito não deve ser nada legal


De qualquer forma, os elementos jÁ conhecidos da série garantem um pouco de diversão para quem é fã. E a trilha sonora ajuda muito nesse aspecto: as músicas complementam todo o clima do game e não decepcionam nem um pouco. O silêncio é bem aproveitado e, nos momentos certos, a música denota perigo e suspense, além de adornar perfeitamente as batalhas mais ensandecidas. Ponto para a LucasArts!

{break::Um visual que compensa}Se a experiência de jogo não é lÁ essas coisas, ao menos de uma coisa o Force Unleashed II pode se orgulhar. Seus grÁficos são realmente bonitos e, embora não tragam muitos aprimoramentos em comparação ao primeiro game, continuam enchendo os olhos do gamer com efeitos especiais de primeira, cenÁrios detalhados e profundos e com expressões faciais bastante realísticas.



O trabalho de transformar o ator Sam Witwer em um personagem totalmente digital deu ótimos resultados, deixando Starkiller com um aspecto muito realista. Não posso dizer o mesmo da mocinha Juno, que aparece pouquíssimas vezes e, mesmo assim, com expressões faciais que pouco refletem o horror a qual ela foi submetida. Starkiller, ao contrÁrio, vez ou outra aparece em closes super próximos nas batalhas, exalando ódio. Perfeito!

Esse mesmo requinte pode ser visto nos inimigos, especialmente o grande Gorog (repito: o ponto alto do game). Yoda também aparece com todas as suas ruguinhas e até mesmo a princesa Leia dÁ as caras em determinado momento.

Os cenÁrios, apesar de bem detalhados e fieis ao universo Star Wars, acabam se tornando repetitivos assim como o gameplay. É pouca a variedade de ambientes em que se pode andar e hÁ muitos momentos em locações internas, algo que não ameniza em nada a sensação de extrema linearidade do jogo. Vou ser bem sincera: às vezes, a impressão que fica é que a equipe que desenvolveu o game quis "encher linguiça" para quebrar o tédio do game. Sem sucesso, é claro. Alguém realmente gostou de ficar uma eternidade pulando em plataformas que pareciam não ter fim para, finalmente, encontrar Darth Vader?



Pelo menos, os efeitos especiais estão impecÁveis. Explosões, rajadas de fogo e gelo, muita quebradeira e estilhaços... tudo isso você vai encontrar de sobra neste Force Unleashed II. É o que pode, pelo menos, tornar um pouco mais divertida a experiência de sair dando pancada desenfreadamente com sabre de luz por aí, algo que provavelmente Obi-Wan Kenobi não aprovaria.

{break::Conclusão}Star Wars: Force Unleashed II é uma sequência que tinha tudo para dar certo, mas não conseguiu justificar-se e nem atender à expectativa gerada após o primeiro título. Starkiller é um personagem forte, inserido em um universo que tem se sustentado por décadas, desde a criação dos primeiros filmes por George Lucas. Tantas possibilidades a serem exploradas e colocaram o personagem em uma situação boba, com pouca motivação para o jogador.

A jogabilidade é razoÁvel, mas as combinações de botões são confusas, o que prejudica ainda mais os combates no decorrer do jogo, que são chatos por natureza. Inimigos repetitivos, golpes ainda mais repetitivos, poucas novidades ao longo da aventura e um chefe final ridículo de tão fÁcil tornam Force Unleashed II uma sequência decepcionante e desnecessÁria.

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O grandão aí jÁ teve dias melhores e mete banca só nas cutscenes


Algumas coisas que poderiam ter sido abordadas com mais profundidade foram deixadas no ar, em especial a questão sobre a clonagem de Starkiller. O próprio general Kota chega a citar que um Jedi não pode ser clonado. Apesar disso, Vader joga diversos Starkillerzinhos em você, além de afirmar que você mesmo é um clone. A verdade, com todos os detalhes que merece (ou não), só saberemos se existir um Force Unleashed III.

Se você é muito fã de Star Wars, pode sim se divertir um pouco. No entanto, ainda recomendo para quem quer um bom game da franquia procurar os títulos do Nintendo 64, como Shadows of the Empire e o Rogue Squadron, este último especial para quem gosta de pilotar. Ou então o Jedi Academy, para PC, que tem uma boa quantidade de missões em ambientes bem diversificados. Se for perseverante para terminar Force Unleashed II (que, felizmente, leva apenas umas cinco horas para acabar), faça um favor a si mesmo e escolha o final do lado negro da Força se quiser ter uma mínima dose de emoção e surpresa. Até porque, depois de mandar o general Kota e todo o universo plantar batatas por achar sua paquera mais importante, não tem nem sentido terminar o game como um legítimo Jedi.


PRÓS
GrÁficos bonitos com ótimos efeitos
Referências aos filmes da série
Possibilidade de usar dois lightsabers e customizÁ-los para ganhar atributos
Trilha sonora envolvente
CONTRAS
História e enredo extremamente fracos
Inteligência artificial ridícula
Batalhas repetitivas
Poucas novidades ao longo do game
Batalha final decepcionante
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  • Redator: Risa Lemos Stoider

    Risa Lemos Stoider

    Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e gamemaníaca desde os 4 anos de idade. Já experimentou consoles de várias gerações e atualmente mantém uma ainda modesta coleção. Aliando a prática jornalística com a paixão pela tecnologia e os games, colabora com a Adrenaline publicando notícias e artigos.

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