ANÁLISE: Sony Playstation Move

ANÁLISE: Sony Playstation Move

O Playstation Move apareceu pela primeira vez em público na coletiva da Sony na E3 2009. Com a clara intenção de abocanhar uma parcela do mercado de controles por movimento, amplamente dominado pelo Nintendo Wii , a empresa precisava de uma resposta tecnológica para fazer frente não só ao sistema rival, mas também ao Project Natal (hoje conhecido como Kinect), que havia sido anunciado pela Microsoft na mesma época.

Na apresentação, o aparelho não chamou muita atenção. Na verdade, deixou algumas dúvidas. O design demonstrado pela Sony apresentou a pretensão de seguir o padrão de gestos adotado pela Nintendo e seu Wii Remote: através de controles empunhados, os jogadores poderiam interagir diretamente com os games, bastando apenas apontar o PS Move para tela para que a estranha bola luminosa na ponta fosse rastreada pela câmera reconhecedora.  



O diferencial apresentado pela Sony para enfatizar e justificar o desenvolvimento do PS Move foi a sua utilização em jogos com grÁficos em alta definição, além de uma precisão bastante superior à concorrência. Agora, pouco mais de um ano após o evento, o acessório chegou ao mercado e jÁ contabilizou mais dois milhões de unidades vendidas no primeiro mês de lançamento.

Mas serÁ que o PS Move é realmente tudo isso que prometeram e trazer alguma novidade em relação ao Wii Remote? SerÁ que a Sony vai conseguir despontar no mercado de jogos casuais? Veja nas pÁginas a seguir, a review completa das funcionalidades do acessório, suas especificidades, características principais, teste do jogo que acompanha o pacote e algumas demos que utilizam o recurso.

{break::Especificações técnicas}Abaixo, as características técnicas do Starter Pack, o pacote de iniciantes do Playstation Move:

Os botões do Playstation Move têm localização própria e diferente dos do DualShock 3. A novidade começa com um botão localizado bem no centro frontal do Motion Controlller: o "Move Button" serve para confirmar escolhas de maneira geral, como opções de menu do Playstation 3 e também dos jogos.

Na traseira, o inédito botão "T" tem forma de gatilho e funciona como tal. Diferentemente do dos gatilhos do DualShock 3, é mais anatômico e confortÁvel de ser apertado. Tem extrema importância por ser frequentemente acionado em qualquer jogo, seja para atirar, lançar um disco, sacar, empunhar objetos.   



No mais, os botões X, O, quadrado, triângulo, PS, Start e Select também estão presentes, mesmo que algumas singelas modificações nos seus posicionamentos convencionais. Esses dois últimos, entretanto, é que merecem destaque. Ambos se localizam nas laterais, fincados na altura exata da estrutura do Motion Controller.

Sem qualquer tipo de relevo nas suas superfície de toque, torna-se uma desafio apertÁ-los sem precisar olhar diretamente para o aparelho, gerando desconforto para os dedos que se localizam próximos a eles e insatisfação a curto prazo. A Sony poderia ter trabalhado melhor esse detalhe.

{break::Instalação + primeiros movimentos}Iniciar o Playstation Move é muito fÁcil: o acessório vem quase descarregado na embalagem. É recomendado deixar carregar por cerca de uma hora, o suficiente para reproduzir os primeiros movimentos. Após a conexão via USB da Playstation Eye (câmera rastreadora dos movimentos que deve ser posicionada sobre ou à frente do televisor) no Playstation 3 e inserir "Sports Champions" (jogo esportivo que acompanha o pacote) no console, é hora de sincronizar o aparelho.

Para isso, basta apontar o Motion Controller para a tela enquanto aperta e segura simultaneamente os botões "Move" e o gatilho T que você jÁ estarÁ habilitado a jogar. Na sequência, é necessÁrio calibrar o acessório para funcionar da maneira possível, de acordo com as dimensões corporais de cada jogador. É uma ação bem rÁpida e prÁtica.



Após esse processo, o que primeiramente chama atenção, para além da bola luminosa localizada na ponta superior do acessório, é a alta sensibilidade dos comandos. Apontar para a tela significa perceber que o cursor de movimento responde ao mínimo de movimento do jogador de maneira instantânea. Pequenos solavancos para os lados o fazem mover consideravelmente para o lado correspondente, a ponto de ter que se acostumar com a resposta de reconhecimento do movimento executado.

O próprio PS Move, aliÁs, pode servir de controlador da XMB, o menu principal do PS3. Para isso, basta segurar o botão-gatilho botão T, localizado na parte posterior do aparelho. Ao mesmo tempo que permitir utilizar outro controle além do DualShock 3, é essa mesma alta sensibilidade que atrapalha no percurso das opções.



Um leve movimento pode fazer o cursor deslizar mais que o pretendido, alcançando opções inesperadas e ter que refazer o caminho inverso, que também pode chegar a um local inesperado. A ideia, como se vê, não é muito proveitosa. Nesse caso, é preferível manter o uso do joystick, que cumpre sua função mais bÁsica (navegação) com maestria.

{break::Debulhando "Sports Champions"}É jogando "Sports Champions" que o Playstation Move mostra ao que realmente veio. O periférico impressiona pela precisão absurda dos movimentos, com a reprodução fiel não apenas da movimentação do braço do jogador, mas da profundidade do ambiente, do deslocamento corporal lateral e de giros das mãos em torno do próprio eixo.

O título traz seis mini-games: tênis de mesa, vôlei de praia, arco e flecha, duelo de gladiadores, lançamento de disco e bocha. As três primeiras modalidades definitivamente são as que mais chamam atenção. Existem momentos onde o jogador se sente tão envolvido com a tecnologia que parece que realmente estÁ praticando as modalidades do lado de fora da telinha.     

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A partir desse momento, é difícil não se empolgar. A sensação de controle total sobre o que se faz e vê ser reproduzindo na tela com precisão faz com que todas as modalidades esportivas do game tenham que ser testadas com mais afinco justamente para descobrir até que ponto os desenvolvedores do projeto e os produtores do game (SCEA) trabalharam na adaptação da tecnologia.

Quem acha que é tudo muito fÁcil se acostumar com as atrações, por ser algo mais voltado à rÁpida diversão casual, pode "quebrar a cara". Não adianta ficar chacoalhando ou sacudindo o Motion Controller loucamente para todas as direções para vencer. Você certamente vai se dar mal se insistir na ideia. A reprodução dos comandos é extremamente fiel e exige que você pense na trajetória com que vai lançar um objeto, a força de velocidade nele empregado, a angulação de impacto entre mão e bola, física de colisão entre objetos e elementos externos dos ambientes, como o vento, por exemplo.

Além disso, cada um dos esportes possui desafios e dificuldades distintas. É possível jogar partidas convencionais de rÁpida degustação, apenas para um divertimento mais descompromissado. O desafio mesmo começa quando se iniciam os campeonatos para cada modalidade. Basta escolher o esporte, a dificuldade desejada e iniciar as partidas.



Maior a dificuldade selecionada, mais habilidade na precisão das ações é exigida, o que torna as competições realmente desafiantes, forçando o jogador a se acostumar com a fluidez da movimentação para encarar jogadas mais difíceis e efeitos mais rebuscados de lançamento de discos e rebatida na bolinha do tênis de mesa, pontaria no arco e flecha, trajetória do saque e passe no vôlei de praia e inimigos mais fortes no embate entre gladiadores.

O que também agrega um ar mais sério ao PS Move são os grÁficos em alta definição do games que utilizam o recurso. Nada de visual bobinho, alegre demais ou muito colorido, típico dos jogos casuais do Wii. A seriedade aqui é levada em conta e a promessa da Sony em produzir e disponibilizar títulos em HD foi cumprida logo de cara com "Sports Champions", que traz texturas sólidas na representação de Água, florestas, folhas caindo, areia da praia, madeira e avatares com corpos devidamente completos e vestimentas diversificadas.

{break::Pontos fracos}O Playstation Move renova, de fato, a maneira como se joga através de controles sensíveis a gestos. Contudo, alguns entraves precisam ser ressaltados. O primeiro deles é que, embora traga maior precisão e reproduza os movimentos com mais exatidão e fidelidade, a tecnologia não é totalmente inovadora assim.

A Nintendo iniciou essa tendência de controles sensíveis a gestos em novembro de 2006 com o lançamento do Wii. Por isso, o PS Move não tem a conotação própria de ser algo totalmente novo no mercado. O brilho não é o mesmo de quatro anos trÁs, e certamente fica aquele sentimento de que jÁ se viu isso antes, mesmo com o visível aprimoramento da tecnologia.



A necessidade de ter que recalibrar o Motion Controller toda vez que uma nova partida é iniciada em "Sports Champions" também é um ponto fraco relevante. Mesmo que nada tenha mudado entre uma transição de tela e outra, chega a ser um pouco irritante ter que refazer isso de tempos em tempos. Testa, na verdade, a paciência dos mais apressados, que têm a nítida sensação de que essa obrigatoriedade poderia ter sido retirada ou melhor adaptada.

Além disso, é necessÁrio estar a uma distância quase obrigatória de cerca de 2.5 m em relação ao televisor (e consequentemente à câmera) para o acessório funcionar corretamente. Embora haja variação de zoom no foco com que a Playstation Eye captura os movimentos, ambientes menores com pouca mobilidade no espaço físico de deslocamento, como salas e quartos pequenos, podem ter rendimento prejudicado.



Ainda, o pacote de iniciantes do PS Move (contém o Motion Controller, a Playstation Eye e o jogo esportivo) não traz o Navigation Controller, uma espécie de Nunchuck do Wii. A decisão da Sony em vender este periférico secundÁrio não pode ser considerada de todo acertada. Isso porque, embora não seja obrigatório, alguns dos mini-games de "Sports Champions" exigem o acessório para complementar o grau de realismo e colaborar envolvimento do jogador com o que é reproduzido na tela.

O Navigation Controller é vendido separadamente por US$ 30. 

{break::Impressões de demos}Aos donos do Playstation 3 que querem ter o gostinho de outros games com a perspectiva do Playstation Move, saibam que existem 12 demonstrações disponíveis na Playstation Store, a loja online do console. Fizemos o download de três delas – quase que – aleatoriamente e as impressões você acompanha a seguir.

Heavy Rain
Escolhemos o título exclusivo do Playstation 3 lançado no início de 2010 para sentir a real diferença entre a edição convencional – jogada com o DualShock 3 – e àquela dedicada aos recursos do Playstation Move.

Logo de cara, o jogo demanda um tempo mínimo de adaptação de cerca de meia hora com os novos comandos. Isso porque o acessório agrega novas possibilidades de movimentação que antes estavam mais restritas à utilização dos analógicos e de alguns botões digitais do controle.

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O que se percebe, entretanto, é que nem tudo estÁ devidamente adaptado. Algumas ações realizadas no game definitivamente ganharam maior fidelidade na maneira como são executadas na realidade, como abrir portas, engatar marcha, distribuir alguns sopapos, bastando apenas repetir tal movimento característico.



Outras, como pegar a carteira do bolso, esquivar-se e comandos que exigem que vÁrios botões sejam apertados simultaneamente ou em sequência cadenciada demonstram uma certa vulnerabilidade do jogador perante às possibilidades do PS Move. Tudo pode ir por Água abaixo pela sensibilidade e precisão que certos movimentos exigem, obrigando a repetir os mesmos movimentos até dar certo.

É algo que corriqueiramente frustra. Mas o drama interativo da Quantic Dream vale a pena ser jogado com o PS Move pelo fator novidade e pela diferença de jogabilidade em comparação à versão padrão.  


The Shoot
Um point ‘n click com objetivo bem simples: aponte e atire nos bandidos que aparecem incansavelmente pelo cenÁrio, desvie seus tiros das mocinhas raptadas, elimine o mÁximo de capangas possíveis e acumule pontos para avançar de nível.

Para tanto, basta mover o Motion Controller para deslocar a mira que aparece na tela e estourar os miolos de quem aparecer pela frente. Alguns objetos posicionados em pontos estratégicos como barris de TNT e dinamites permitem combos na divertida matança casual. Urubus também podem ser abatidos para contabilizar ainda mais pontos e trazem recompensas conforme a longevidade da sequência obtida.



Os comandos são bastante intuitivos; a sensibilidade, alta. É preciso ter certo pudor ao mirar em itens específicos – que rapidamente passeiam pelos ambientes – para não deslocar demais a mira pelo ângulo com que o periférico é apontado para a tela.

Embora perca a graça em menos de trinta minutos, vale pela breve diversão descompromissada, com direito a duelos entre pistoleiros onde o mais rÁpido no gatilho segue vivo.


R.U.S.E
Certamente o menos atrativo dos três em termos de possibilidades, "R.U.S.E" é, na verdade, uma – quase – total perda de tempo. Embora apontar para tela e mover o curso para selecionar tropas militares e movê-las para pontos específicos de combate seja proveitoso, não sobra mais nada de realmente interativo que justifique o uso do Playstation Move.

Achou radical demais? TÁ legal, escolher algumas opções de comando de jogo com o cursor também incrementa a jogabilidade. Mas isso é exatamente a mesma coisa de antes; ou seja, nada muda de verdade e permanece eternamente na simplicidade entediante. Pelo menos na demo. 

{break::Futuro promissor}O Playstation Move certamente veio expandir o modo como o entretenimento eletrônico é experimentado no Playstation 3. A leva de jogos iniciais é até certo ponto atraente, mas peca pela simplicidade e pelo foco majoritÁrio nos público casual. Mas o melhor mesmo é o que vai chegar nos próximos meses.

Segundo a Sony, todas as superproduções produzidas pela empresa e algumas desenvolvidas e distribuídas por estúdios third-party receberão o PS Move como recurso opcional de jogabilidade. E essa tendência jÁ começa a partir do próximo dia 24 de novembro com o lançamento mundial de "Gran Turismo 5", aguardo jogo de automobilismo que levou seis anos para ficar pronto.



Outros títulos que estão no calendÁrio fiscal de 2010/2011 da Sony para ganhar o suporte são "Killzone 3" (nova edição do FPS futurista da Guerrilla Games), "LittleBigPlanet 2" (aventura inédita do Sackboy sobre plataformas), "Socom: Special Forces" (tiroteio em terceira pessoa da Zipper interactive), "Sorcery" (aventura mÁgica de um bruxo adolsecente), "Playstation Move Heroes" (aventura cooperativa com quatro mascotes da Sony) e "TV Superstars" (minigames que simulam desafios de programas de auditório na TV).

Das distribuidoras terceirizadas, destaque para o badalado "Crysis 2" (alguns rumores indicam a adaptação pela Electronic Arts ), "The Lords of the Rings: Aragorn's Quest" (Ubisoft) e "NBA 2K11" (2K Sports).


Além disso, produtoras como Activivion ("Call of Duty"), Capcom ("Resident Evil"), Namco Bandai ("Tekken"), Square-Enix ("Final Fantasy"), Konami ("Metal Gear"), Sega ("Sonic") e Tecmo Koei ("Ninja Gaiden") demonstraram interesse e afirmaram que irão integrar as funcionalidades do periférico nos seus próximos lançamentos.

{break::Disputa acirrada de consoles}O Playstation Move chega à indústria dos jogos eletrônicos para por mais pilha na indústria de jogos dedicados a controles sensíveis a movimentos. Com a concorrência do Wii e a Microsoft com o seu Kinect, a Sony terÁ que mostrar serviço se quiser competir num mercado hoje totalmente dominado pela Nintendo.



Como atração principal, o acessório surpreende e empolga pela alta precisão dos comandos reproduzidos na tela, sobretudo em movimentos que exigem deslocamento lateral e de profundidade dos ambientes, bem como o giro sobre o próprio eixo da mão. O foco do aparelho não é de todo voltado aos gamers casuais, embora sua premissa seja a de atrair esse tipo de público ao console.

Além disso, o fato do PS Move ser utilizado para jogos com visual mais rebuscado dos que apresentado pela concorrência também jÁ chama mais atenção. Afinal, o jogador entusiasta que comprar o aparelho certamente quer vislumbrar grÁficos decentes que complementem a experiência de jogo. Quanto mais sério, melhor. E as superproduções do Playstation 3 que estão para chegar irão levar a experiência a outro nível.

É vÁlido ressaltar, no entanto, que o periférico é mais indicado para quem possuir um espaço deslocamento em casa maior do que 2,5 m de diâmetro. A necessidade desse espaço, para o melhor funcionamento do conjunto, pode barrar aqueles que querem experimentar, mas cujas salas ou quartos são menores e apertadas.

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Resta-nos saber, enfim, como a Sony irÁ trabalhar a popularização do seu mais novo hardware com propagandas de marketing, além do apoio com jogos especialmente desenvolvidos para utilizar as capacidades sensoriais do acessório de maneira inteligente e coerente. Isso pode decidir se a companhia vai conseguir mostrar o seu diferencial no mercado de consoles com sensores de movimento.

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  • Redator: Alexandre Lunelli

    Alexandre Lunelli

    Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre é um entusiasta da fotografia, música, e demais áreas que não cansem muito. Fã da comunidade opensource, e sonha com um mundo mais bonito, igualitário e sem o trabalho, mal que corrompe a humanidade.

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