ANÁLISE: Dead Rising 2 (PS3)

ANÁLISE: Dead Rising 2 (PS3)

O que esperar de um jogo que começa com motociclistas com motosserras presas em suas motos estraçalhando zumbis indefesos diante de uma plateia ensandecida, tudo isso num programa de TV transmitido em rede nacional?

Imagino que sua resposta seja algo como sangue, humor negro e muita violência gratuita. E Dead Rising 2 realmente traz muito disso tudo. É uma terrível injustiça, porém, pensar que a experiência de jogo se resuma a coisas tão rasas e jÁ banalizadas no mundo dos games.

Seu objetivo em Dead Rising 2 é, obviamente, aniquilar os mortos vivos que vagam pelas ruas de Fortune City - uma caricatura de Las Vegas - e isto não podia ser diferente. No entanto, ele vai muito mais longe. Durante a saga de Chuck Greene para salvar sua filha - e sua pele - o jogo ainda propicia momentos de intensa e profunda reflexão sobre a maneira mais bizarra, grotesca e cruel de fazer isto.


{break::Enredo}Dead Rising 2, a sequência do hit lançado em 2006 para XBox 360 que coloca o jogador no corpo de Chuck Green. Ex-motociclista, Chuck é um cara cuja mulher foi morta por zumbis e cuja filha estÁ infectada e precisa de uma dose diÁria de Zombrex - o remédio caríssimo que mantém o vírus sob controle em seu corpo.

Chuck participa de um reality show chamado "Terror is Reality" onde os participantes matam zumbis por dinheiro. Algo como uma versão pós-apocalíptica e de gosto bastante duvidoso de alguns quadros dos programas de Luciano Huck, Celso Portioli, Silvio Santos e outras figurinhas carimbadas da TV aberta brasileira.

Após um de seus shows, hÁ uma fuga em massa de zumbis da arena onde é filmado o "Terror is Reality". Chuck e alguns sobreviventes se trancam em um lugar seguro e esperam o exército, que virÁ em três dias para limpar toda a bagunça.

O grande problema é que uma repórter veicula um vídeo em que alguém com a roupa que Chuck usava no show liberta os zumbis. Agora, ele tem de conseguir encontrar Zombrex para sua filha e ainda limpar seu nome.

Para isto, ele tem de vagar por uma Fortune City invadida por uma multidão - e a escolha da palavra não é um exagero - de zumbis famintos, descolar algum Zombrex para salvar a pequena Katey enquanto tenta descobrir quem foi o verdadeiro responsÁvel pela fuga.

Cabe a Chuck também encontrar sobreviventes pelo mapa e levÁ-los ao abrigo em segurança.

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{break::Personagens}A Blue Castle Games, empresa criadora do jogo, apostou forte nos personagens em Dead Rising 2. E acertou.

Imagine Duke Nukem alguns anos mais velho, some alguma maturidade e boas doses de instinto paternal e você terÁ Chuck Greene.

É verdade que o senso de humor de Duke é insuperÁvel. Chuck é muito mais calado e não esbanja piadas por aí, mas não espere muita seriedade de alguém que mata zumbis com um motosserra, vestindo apenas uma cueca com corações vermelhos, um sapato social e com um penteado moicano.

Sim, você pode trocar as roupas, sapatos e penteados de Chuck. As opções de indumentÁria são mais do que vastas e vão de terno a vestidos florais. Tênis e sapatos de vÁrios tipos também estão disponíveis, além de tinturas e penteados para o cabelo.

A lista de acessórios também é vasta, com bonés, chapéus e até bolsas - que podem, convenientemente, serem usadas para arrancar sangue de seus inimigos.

{break::Gameplay}A variedade nas formas de combater os inimigos é um dos pontos altos de Dead Rising 2. Assim como na primeira versão do jogo, de 2006, quase tudo pode ser usado como arma contra os mortos-vivos. Algumas poderosas - como pistolas, rifles, espadas, motosserras e martelos - e outras nem tanto.

Na hora do aperto, colares, ursinhos de pelúcia, cartas de baralho e até ketchup se tornam armas - não muito letais, é verdade -  nas mãos de Chuck.

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Os requintes de crueldade possíveis em Dead Rising 2 são realmente impressionantes. Arrancar cabeças a base de marteladas, serrar corpos ao meio e furar olhos com uma tesoura são rotina no jogo, que ainda oferece mais para quem não se satisfaz com pouca bizarrice.

HÁ agora as armas combo, ausentes na versão de 2006, que tornam a matança ainda mais grotesca. Para criÁ-las você precisa das cartas combo, que são obtidas vencendo as missões. Com elas, você pode combinar dois ítens nas salas de manutenção espalhadas pelo jogo e criar armas ainda mais cruéis.


Bastões de baseball com pregos na ponta, duas motosserras presas por um bastão de ferro, flechas explosivas e lança-chamas (feito com base em uma pistola d'Água, é conveniente frisar) são só alguns dos 28 monstros que podem ser criados com as cartas combo.

Estas armas, além de normalmente provocarem um derramamento de sangue maior do que as armas normais, ainda têm uma durabilidade maior - todas as armas do jogo quebram depois de algum tempo - e dão mais pontos de experiência.

{break::Gameplay - Parte 2}É, Dead Rising 2 também quer ser RPG. Com o acúmulo de pontos, chamados Prestige Points, Chuck sobe de nível, seus ataques ficam mais fortes, ele aprende novos movimentos, ganha mais pontos de vida e slots para guardar ítens. Inclusive, DR2 é um daqueles jogos em que os ítens não aparecem no personagem. Chuck consegue tranquilamente sair por aí com 5 machados, um arco, um cheeseburger e uma garrafa de vodka, vestindo apenas a jÁ citada cuequinha de coração.

Vale ressaltar que o cheeseburger e a vodka realmente estão presentes no jogo. Para recuperar a energia de Chuck, você deve procurar comida pelo cenÁrio. As bebidas também servem, mas só com moderação. Caso exagere, Chuck sente os efeitos do Álcool e passa a andar devagar, com as mãos no estômago e, em mais um acréscimo respeitÁvel à atmosfera grotesca que paira sobre o jogo, vomita.

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Detalhe interessante é o fato de você poder comer tranquilamente um cachorro quente no meio de 30 zumbis famintos sem ser atacado. Pode parecer um defeito do jogo, mas levando em conta que a quantidade de monstrinhos é absurdamente exagerada em alguns momentos, parece a única solução para que Chuck não morra com uma frequência irritante.

Em vÁrios momentos do jogo você pode pegar motos, carros, carrinhos de golfe, cadeiras de rodas e outros veículos mais ou menos convencionais para atropelar os inimigos.


Como no jogo Chuck só tem três dias para cumprir todos seus objetivos, o relógio as vezes é seu maior inimigo. As missões têm um tempo definido que não pode ser estourado. É comum que haja vÁrias missões concomitantes e se torna obrigatório escolher entre uma delas apenas, sob o risco de não completar nenhuma a tempo.

A corrida contra o cronômetro é uma das maiores características negativas de Dead Rising 2. Como hÁ muitos inimigos e a tentação de deixar as missões de lado e dar atenção total para a diversão pura simples que hÁ em explodir cabeças é grande, o relógio incomoda. Muitas vezes é necessÁrio passar correndo e tentando ignorar os zumbis - o que frequentemente não dÁ certo e Chuck é surpreendido com uma mordida no pescoço - ou Katey fica sem seu Zombrex e Game Over.

{break::Gameplay - Parte 3}Os cenÁrios também são enormes e com muitos elementos para interagir. Além das armas inusitadas, o jogador ainda pode tentar descolar alguns trocados nas mÁquinas de caça-niquel, seja jogando ou, em uma maneira menos civilizada, detonando-as com um bastão.

Pelo menos na versão para PlayStation 3, utilizada na review, o jogo sofre com uma quantidade exagerada de loadings demorados. A cada vez que se muda de Área no mapa, surge um, com algo em torno de 20 segundos. A cada cut-scene, temos mais um loading. É o ponto mais irritante da experiência de jogo.


Mapa de Fortune City

Para salvar o jogo, o jogador deve se dirigir a um dos banheiros espalhados pela cidade (e marcados com um S no mapa acima). É conveniente salvar o jogo com frequência, jÁ que morrer aqui não é algo muito raro, especialmente enquanto o personagem ainda estÁ nos níveis iniciais.

É possível jogar Dead Rising 2 online no modo cooperativo, em que outro Chuck aparece no jogo e passa a dividir as missões, limitado a dois jogadores. Até quatro pessoas podem participar da jogo no modo no modo competição, mas aí o jogo se limita a mini-games que simulam o Terror is Reality. Nada de substancial é acrescentado ao gameplay em nenhum dos modos online, mas o modo de competição dÁ prêmios em dinheiro que podem ser usados no modo single-player.

Com relação aos grÁficos, Dead Rising 2 não impressiona. O jogo é razoavelmente bem feito, mas tem alguns defeitos como screen-tearing frequente e objetos ou personagens mal modelados. Nada que desabone o jogo, afinal, quem o joga quer sangue, e ele estÁ lÁ em abundância, sujando as roupas de Chuck. Em pouco tempo ele some, é verdade, e as roupas voltam a ficar limpas, mas sempre hÁ zumbis em volta dispostos a sujÁ-las.

{break::Conclusões}Diversão é a palavra-chave de Dead Rising 2. Para quem quer distribuir pancadas e não pensar muito, ele é uma ótima pedida.

Muitos inimigos, sangue e surpresas a cada nova arma combo descoberta são os destaques dele. A variedade de inimigos também impressiona. HÁ vÁrios tipos de zumbis e não são muitas as vezes que se tem aquela clÁssica impressão de "poxa, acabei de matar esse cara lÁ atrÁs".

Um ótimo jogo para o final de um dia estressante, afinal, depois de aguentar o chefe mala ou o professor carrasco  por horas, nada melhor do que explodir algumas cabeças – virtuais, é claro.

O enredo também não decepciona, apesar de não chegar a ser brilhante. A história até que é envolvente e desperta a curiosidade do jogador. Mas o verdadeiro  mérito de Dead Rising 2 é levar o absurdo a níveis poucas vezes atingidos antes. Se você duvida, jogue-o e veja Chuck serrando zumbis com uma motosserra, usando um vestido com estampa de flores todo manchado de sangue. Aposto que sua opinião mudarÁ.

 

PRÓS
- Quantidade de armas e combos
- Variedade de inimigos
- Humor negro e abundância de momentos totalmente nonsense
CONTRAS
- Tempo apertado as vezes atrapalha a jogatina
- Muitos loadings longos
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  • Redator: Alexandre Lunelli

    Alexandre Lunelli

    Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre é um entusiasta da fotografia, música, e demais áreas que não cansem muito. Fã da comunidade opensource, e sonha com um mundo mais bonito, igualitário e sem o trabalho, mal que corrompe a humanidade.

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