ANÁLISE: Intel planeja lançar SSD de 34nm de 320GB

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Por 25/10/2010 15:38 comentários Reportar erro

Aos fãs incondicionais de "Castlevania", principalmente dos balados episódios "Simphony of the Night" e "Dracula X", um ressalva logo de cara: a série definitivamente mudou, abandonou a perspectiva 2D consagrada hÁ mais de 20 anos e agora pouco lembra o saudoso espírito transmitido pelos seus games anteriores.


Dessa vez, embora ainda contenha elementos de plataforma, traga o personagem central com o sobrenome Belmont, monstros, vampiros e lobisomens loucos para destroçar o herói, o fato é que "Castlevania: Lords of Shadow" se inspira totalmente em uma dinâmica 3D de jogos mais atuais conhecida como hack ‘n slash, subgênero de títulos de ação em terceira pessoa muito bem empregado em exemplos como "God of War III" e "Dante's Inferno".

E essa mudança de conduta da franquia de forma alguma é ruim ou incômoda. Muito pelo contrÁrio, pois mesmo em tom de cópia de outras franquias, o game possui identidade própria, corresponde às expectativas como um envolvente jogo de ação/aventura composto com uma lista abundante de golpes, trilha sonora emocionante, história interessante e desafios diversos.



Com uma duração de quase 20 horas (que varia dependendo da dificuldade selecionada antes do início da partida), "Castlevania: Lords of Shadow" é digno desse tempo gasto. Mas qual quesito se sobressai mais sobre os outros e que pode fazer você comprar o jogo? É isso que você vai descobrir nas pÁginas a seguir, com a descrição dos principais detalhes, defeitos e problemas, que felizmente são poucos, mas presentes.

{break::O cavaleiro honorÁrio}A trama de "Castlevania: Lords of Shadow" pode inicialmente parecer simples e clichê. E embora os dois adjetivos possam ser muito verdade, é certo que o jogador se sente envolvido sobre o comando do cavaleiro honorÁrio da Irmandade da Luz (Brotherhood of Light), Gabriel Belmont, cuja motivação inicial é reencontrar-se com sua falecida esposa Marie.

Marie foi morta por criaturas extremamente cruéis pertencentes à legião maligna Lords of Shadow, espalhada por um aterrorizado mundo medieval caótico onde a esperança restante de salvação da Terra agora habita pouquíssimos corações desiludidos.



Um mistério, contudo, ronda a morte da moça. No momento do falecimento, sua alma ficou presa entre o mundo dos humanos e a morte (no chamado Limbo) devido a um feitiço lançado pelas forças das trevas para tentar impedir a ida do mÁximo de almas possíveis ao julgamento.

Ela descobre que é exatamente por estar morta, e de não poder ficar em paz, que pode se comunicar com Gabriel e oferecer pistas utilíssimas ao ex-companheiro. Essa possibilidade certamente irÁ ajudÁ-lo na jornada Árdua de ter que reverter a terrível situação e, de quebra, cogitar a ressurreição da sua amada. Mas isso só serÁ possível se ele for merecedor mÁximo de tal. Sendo assim, terÁ que derrotar o próprio Satan. E a tarefa não serÁ das mais fÁceis.



A narrativa não é posta forçadamente diante dos olhos do jogador, e se desenvolve de uma maneira dinâmica, sem pressa. Primeiro que produtora Mercury Steam (sob supervisão da Kojima Productions e distribuição nacional da Konami) não utilizou cenas de computação grÁfica para enfatizar os acontecimentos. Em vez disso, apenas cenas computadorizadas construídas com a própria engine do jogo.

Sem firulas, essa decisão foi bastante acertada. A simplicidade contribuiu para um clima mais sombrio e sério da história sem a necessidade de utilizar o recurso de CGs para fantasiar animações exageradas a fim de forçar o entendimento do enredo.


Além disso, em cada início de novo capítulo (são 12, no total) ou de nova Área dentro de um mesmo capítulo, hÁ um interlúdio escrito em um livro que aparece na tela e é lido pelo narrador do jogo, que majoritariamente recapitula ações do passado e indaga sobre o que Gabriel pode – e vai – encontrar pela frente.


Detalhes mais rebuscados da trama são contados em documentos espalhados pelos cenÁrios do jogo. Arquivos estes que guerreiros e soldados mortos deixaram escritos em papiro de época durante suas perigosas jornadas para alertar os futuros visitantes de que algo muito ruim se encontrava na região, podendo ser inimigos letais, armadilhas ou até mesmo conselhos de percursos menos perigosos. 

{break::Visual convincente}Se você procura por uma aventura duradoura com grÁficos decentes, "Castlevania: Lords of Shadow" é sério candidato a rodar no seu Playstation 3 com muito gosto. O que mais chama a atenção assim que se fixam os olhos sobre as coisas reproduzidas na tela são as texturas.

Geralmente bem trabalhadas, dão tom de realidade a objetos e superfícies diversos, como pedras, paredes, madeiras, troncos, limo, penugem das bestas, umidade, gelo, armadura de Gabriel e fenômenos climÁticos como chuva e neve. Ainda, partes com densas florestas, ruínas antigas, calabouços em cavernas e lagos congelados complementam a onda de deslumbramento visual.


Contudo, é perceptível que os grÁficos não foram programados para apresentarem tal beleza a todo instante. Essa inconstância é regularmente presente e o que se percebe durante a jornada é que apenas alguns trechos de maior importância no enredo e regiões de maior calmaria entre os acontecimentos contêm tal capricho grÁfico, ao passo que muitos dos outros elementos espalhados pelos cenÁrios foram deixados de lado em favorecimento de não prejudicar o desempenho da engine do game. Aparecem, assim, em baixa resolução, rodeados de borrões e linhas de definição imperfeitas (serrilhados). A Água é um ótimo exemplo desse descuido, sendo pouco real e sem vida.

Sombra e iluminação dos caminhos também são um dos destaques. Em Áreas de florestas, é revigorante observar o trabalho da produtora em caracterizar a passagem dos raios solares por entre galhos e folhas, direcionando o percurso da luz exatamente conforme sua angulação de incidência.

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Além disso, a modelagem de Gabriel e das feras cumpre seu papel, de modo a deixar sentir seu peso e presença nos ambientes através do brilho e reflexo da armadura (no caso do herói) e de pelo e diferentes composições de pele dos corpos dos bichos malignos.

Os cenÁrios, por sua vez, têm vida e bem representam o clima de um período antigo da História humana rondado por lendas de lobisomens e vampiros. Só que nesse caso, as lendas são todas verídicas, e a composição medieval dessa ambientação reproduz exatamente essa sensação.


O maior entrave fica para a repetição de design desses mesmos cenÁrios. Por vezes, é fÁcil pensar que, em níveis diferentes de um mesmo capítulo, tudo estÁ se repetindo, e os fatores novidade e diferenciação de trechos de percurso se perdem, impondo uma certa monotonia e cansaço visual de transição de uma Área para outra. A sensação é do tipo "denovo esse lugar?!" e acontece principalmente em trechos com florestas fechadas (pântanos) e locais onde tempestades de neve não cedem.

{break::Amplo sistema de combate}A jogabilidade de "Castlevania: Lords of Shadow" definitivamente é um dos seus pontos fortes. Embora sejam de fÁcil assimilação, leva-se um tempo até decorar o posicionamento de todos os comandos possíveis do personagem, que são aprendidos aos poucos e somam variedade à lista total de ações que o cavaleiro pode executar.

Falando em listas, a de golpes possíveis de serem executados com a cruz Combat Cross Body combinada com o chicote Spiked Chain é vasta. No início, apenas alguns ataques mais simples e combos bÁsicos estarão disponíveis. Progredir no game significa matar muitas criaturas horrendas e, com isso, acumular pontos por cada uma delas destroçada.


É com esses pontos que novos golpes, combos e habilidades específicas são compradas, e Gabriel poderÁ usÁ-las a todo vapor. Cabe somente ao jogador estar atento às combinações, decorar todos os comandos e utilizÁ-los nas horas mais propícias, jÁ que cada um deles tem um alcance próprio e poder de dano correspondente.

Assim, estrategizar os ataques, principalmente contra hordas de inimigos que costumam aparecer frequentemente, é importante. E isso é facilitado com a ajuda do botão específico para esquiva (que também serve para defesa) e com a aquisição de magias. Estas são divididas em dois tipos: 1) as de luz (cor azul) servem para ativar certos tipos de mecanismos e para recuperar a energia quando Gabriel atingir os inimigos, além de prevenir envenenamento; 2) as das trevas (cor vermelho), que também acionam os mesmos mecanismos e infligem muito mais danos quando ativadas.



Além disso, existem algumas armas (facas e mini fadas mÁgicas) e habilidades (cristais de poder e deslocamento mais rÁpido) secundÁrias que, apesar de não poderem ser selecionadas como arma principal, ajudam muito na aventura em ocasiões mais especiais, como no afastamento ou distração de um grupo de inimigos letais, vulnerabilizando-os a ataques devastadores. São, na verdade, opções de ação que complementam a dinâmica do sistema de combate.


Ainda, os ataques sensíveis ao contexto (QTE – Quick Time Event), aqueles em que se deve apertar um determinado botão que repentinamente aparece na tela para desferir um golpe mais poderoso, têm presença confirmada. Em clara referência à franquia "God of War", "Castlevania: Lords of Shadow" utiliza abundantemente desse recurso, o que traz opções de finalizações que complementam o espetÁculo sanguinÁrio de algumas mortes.

{break::'Plataformeando' + chefes colossais}A jogabilidade de "Castlevania: Lords of Shadow" também inclui momentos de pura plataforma. Mesmo que reformulada e readaptada ao subgênero hack ‘n slash em terceira pessoa, a série não perdeu esse elementos tão presentes nas suas versões em 2D. E isso é essencial para gerar o clima de aventura que o game traduz ao intercalar, com sabedoria, combates com exploração.

Explorar os cenÁrios no jogo é garantia de idas e vindas para saber que caminho seguir. Isso porque a não linearidade dos ambientes faz com que o jogador busque novas opções dos caminhos à procura de itens e auxílios na resolução de puzzles simples.

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Nos percursos, pular e transcorrer de uma Área para outra instiga a característica plataforma. E elas existem aos montes e acontecem a todo momento. Portanto, prepare-se para agarrar em muitas beiradas, usar seu chicote para se prender em pontos específicos e escalar paredões de alturas variadas e equilibrar-se sobre tÁbuas para atravessar alguns abismos e poços mortais.



Além disso, algumas criaturas inimigas são passíveis de serem controladas. Ou seja, desferir golpes irÁ enfraquecê-las com o tempo, torando-as aptas de serem montadas. A partir daí, é só alegria, pois além de colaborarem no ataque a outros adversÁrios na tela, ajudam na resolução de enigmas, podem escalar superfícies e saltam distâncias maiores, acessando locais antes inalcançÁveis por Gabriel.

Entretanto, um dos pontos mais marcantes do título são os confrontos com os chefes. Alguns são tão absurdamente altos que provocam uma inevitÁvel sensação de inferioridade e vulnerabilidade perante sua grandeza em relação ao herói. E adivinha como esses colossos são derrotados? Escalando-os em ritmo de jogos do gênero plataforma e atingindo seus pontos fracos localizados em extremidades estratégicas.


O esquema lembra muito "Shadow of the Colossus", jogo lançado para Playstation 2 em 2005 e considerado obra de arte por críticos por fazer aflorar sensações genuínas no jogador, sem que perceba o total envolvimento por parte deste. "Castlevania: Lords of Shadow" não tem todo esse cacife e nem a conotação de arte, mas é inegÁvel a sensação de poder e força bruta ao derrubar qualquer um dos gigantes.


Esses encontros com os chefes são definitivamente responsÁveis pelo quesito diversão do game e possivelmente vão fazer os mais engajados a repetir a seção só para curtir o momento quantas vezes for necessÁrio.

{break::Envolvimento musical}É impossível jogar "Castlevania: Lords of Shadow" sem notar a grandeza estética auditiva de sua trilha sonora. Antes mesmo da partida começar, a tela de Press Start jÁ faz o jogador se envolver só de ficar escutando a composição ao esmero. Embalado por trechos de orquestras sinfônicas, a melodia tem peso sentimental e agrega um valor genuíno típico de uma aventura épica e contagiante.



As outras composições durante a jogatina também são pomposas e trazem muitos elementos sensoriais de emoções como angústia, medo, melancolia, tristeza, desesperança e dramaticidade, que são elevados a um outro patamar com o suporte de vozes de coral no background. Variam conforme a utilização de instrumentos musicais propícios aos momentos e muito contribuem para o clima medieval da obra como um todo.


Sobre os efeitos sonoros, não são uma característica  marcante ou que fiquem gravados na memória do jogador. Na verdade, são bastante simplórios e o que realmente mais se destaca nessa modalidade é a sonoridade dos ambientes. Sempre vai haver grilos, animais, barulhos de folhas se mexendo às correntes de ar, cachoeiras ao longe e estalos de galhos e construções feitas de madeira.


As dublagens, por sua, vez, embora tragam muitas variedade de sotaques – o que complementa na personificação de todos os personagens envolvidos na trama – são um tanto monótona e sem vida. Muitas vezes dão a impressão de que faltou interpretação adequada dos dubladores que emprestaram a voz, faltando certa emoção e demonstrando que os diÁlogos foram pronunciados somente por terem que ser falados, sem muito empenho teatral ou naturalidade de cena.

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Esses detalhes barram o completo envolvimento do jogador com o jogo fomentado pela ótima trilha sonora, principalmente porque a história demanda um grau de seriedade que por vezes é perdido por tal descuido.  

{break::Conclusão}"Castlevania: Lords of Shadow" é um bom jogo de ação e aventura que confortavelmente se enquadra no subgênero hack ‘n slash e traz uma gama bastante vasta de trechos de plataforma, cuja premissa agrega boa dose de exploração e interação com cenÁrios diversificadamente sombrios e insólitos.


A jogabilidade é de fÁcil assimilação, bastando o jogador se acostumar (decorar) às muitas variações de golpes e combos para aplicar as investidas que melhor se encaixem ao contexto. Além disso, é essencial intercalar com a utilização de armas secundÁrias e magias específicas para se tornar craque no uso do chicote sagrado de Gabriel e não padecer quando hordas de inimigos poderosos atacarem o herói em massa.

Completam o clima de envolvimento e satisfação pessoal como jogador os bons grÁficos, com texturas refinadas e design caprichado de ambientes visualmente um pouco repetitivos, e uma respeitosa musicalidade instrumental digna de épicos aventureiros do cinema.



Assim, o título é recomendado para aqueles que buscam por rÁpida diversão e que gostam de desafios que exigem idas se vindas pelos cenÁrios, seja para coletar itens ou para adquirir cada um dos upgrades dos equipamentos. Vale, pelo menos, um teste prolongado e você verÁ que "Castlevania: Lords of Shadow" agrada com boa dinâmica e desafios constantes, mesmo que não seja lÁ muito original.

O game também estÁ disponível para Xbox 360.

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