ANÁLISE: Assassins Creed 2

ANÁLISE: Assassins Creed 2

O primeiro jogo da franquia Assassins Creed foi praticamente um marco na indústria de games, tanto pela qualidade quanto pela originalidade, que misturava histórias reais e ficção. Agradou em cheio os jogadores e a crítica.
Passados alguns meses, a Ubisoft anunciou sua segunda edição, prometendo muito mais desafios, grÁficos aprimorados, ambientação mais realista, muito mais personagens e mais carismÁticos, e ainda cidades históricas com uma arquitetura baseada nas cidades reais.

Toda essa promessa gerou uma grande expectativa sobre Assassins Creed 2, com muita gente elogiando e arriscando dizer que seria o jogo do ano. Exagero ou não, é o que veremos nessa review.

História
O jogo começa literalmente após o fim do primeiro game, quando Desmond e Lucy tem que fugir das instalações onde fica o laboratório. Após essa fuga, Lucy leva Desmond ao esconderijo dela, onde voltam a trabalhar com uma nova equipe e um novo mecanismo mais aprimorado, chamado Animus 2.0.

Quando Desmond usa a mÁquina nova, baseado no Animus 2.0, ele acaba indo parar cerca de 300 anos depois dos acontecimentos do primeiro game. Na história propriamente dita, Assassins Creed 2 é todo em cima da vingança do protagonista, Ezio Auditore da Firenze, sobre os que julgaram e executaram seu pai e mais dois irmãos em praça pública.

E digo uma coisa: a história de Assassins Creed 2 é uma das mais originais jÁ vista num game -  lembrando as conspirações das histórias de Dan Brown, que escreveu O Código Da Vinci. Ou seja, segue a mesma idéia: misturar fatos e personagens reais com acontecimentos fictícios e daí tirando idéias mirabolantes, que no final das contas, combinam tanto, que acabam fazendo as pessoas acreditarem que elas são reais.

É bom que se diga que o jogo fala de crenças e religiões, cleros, conspirações para assassinatos, politicagem, reviravoltas e um final surpreendente. Um prato cheio para aqueles que apreciam uma boa história.

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{break::Jogabilidade}A jogabilidade bÁsica de Assassins Creed 2 continua intacta, tal como a primeira versão. Você pula, corre pelos telhados, sobe em construções, luta com diversas armas usando golpes "reais", etc. O fato é que, como diz o ditado, não se mexe em time que esta ganhando. E a Ubisoft fez exatamente isso.

Manteve a jogabilidade de sucesso do primeiro game e adicionou algumas coisinhas novas pelas cidades presentes nessa segunda edição, como, por exemplo, contratar ladrões, guerreiros e "prostitutas" para distrair os guardas; possibilidade de nadar, comprar armas novas, comprar vestimentas novas e até mapas e quadros, sendo que alguns são famosos e reais.

Falando em reais, todo o jogo conta com trechos reais da história renascentista italiana do século XV, inclusive com personagens reais, como Leonardo Da Vinci, que mostra vÁrias de suas folclóricas invenções, e que acaba se tornando o melhor amigo de Ezio Auditore. AliÁs, Da Vinci é parte crucial do jogo, porque acaba ajudando Ezio em quase tudo durante a jogabilidade, desde decifrando manuscritos, até usando-os como cobaia das suas invenções -  por exemplo, como as asas de madeira e até mesmo a primeira arma de tiro da história. E tudo baseado em fatos reais com um toque de ficção. Mais interessante que isso, impossível.

Além de Da Vinci, outros personagens reais aparecem no game e, claro, são importantes.  Como Niccolò Machiavelli, fundador do pensamento e da ciência política moderna e Lorenzo de' Medici, conhecido também como Lourenço, o Magnífico em Florença, e foi um diplomata, político e patrono de acadêmicos, artistas e poetas.

Todo esse clima de curiosidade com o que estar por vir, deixa o jogo mais interessante e praticamente impossível de parar de jogar. Você sempre vai querer saber o que vai acontecer depois ou, quem sabe, qual serÁ a próxima artimanha de Da Vinci.

Mas vale ressaltar que o game não é tão fÁcil quanto parece. Por muitas vezes, eu morri apenas por ser notado, jÁ que acabei cercado por vÁrios guardas fortemente protegidos com suas armaduras imponentes. É praticamente impossível matar alguns desses guardas, a não ser que se treine bastante antes de ir à luta. Mas mesmo assim, é um tanto difícil.  Devido a essa dificuldade, tive que aprender um pequeno truque quando tentaram me cercar: fugir!! Isso mesmo, fugir pro local mais alto possível e/ou se esconder em montes de fenos ou um tipo de "cabana" que fica no telhado de algumas construções.

O fato é que jogar Assassins Creed 2 com todas as novidades que o game oferece, ainda mais nas cidades novas - em Veneza é algo único -, com uma qualidade acima da média e ainda em um mundo aberto, não tem igual. E vale lembrar que o jogo tem pitadas da jogabilidade de Prince of Persia em vÁrias partes "internas", como catacumbas e cavernas espalhadas pelo caminho.

{break::GrÁficos}A melhora dos grÁficos em relação ao primeiro game é bastante perceptível, desde texturização, efeitos especiais como fumaça e névoa, animação dos personagens, e até na caracterização de Ezio Auditore.

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A melhoria foi grande realmente, principalmente na adição de Água nos cenÁrios, que dÁ um outro clima ao game, principalmente nas cidades rodeadas por rios e, claro, dentro da própria cidade, como em Veneza.

O visual no geral agrada bastante. Tudo foi melhorado, e pequenos detalhes dão mais vida a jogabilidade, como sujeira na roupa de Ezio ao sair de uma caixa de feno, ou os pingos e aspecto "real" de molhado após sair de dentro d'Água. São coisas que muita gente nem nota durante a jogatina. É bom que se diga que os efeitos de HDR foram incrivelmente melhorados, fazendo com que o jogador pare para pensar se o primeiro game possuía tal efeito, de tão bacana que ele estÁ agora.

Um detalhe interessante é que, como o jogo é passado na ItÁlia do século XV- o primeiro foi no século XII -, as vestimentas são todas diferentes do game anterior, e claro, bem mais caprichadas, variando bastante de cidade para cidade. Em Veneza, por exemplo,  - talvez a cidade mais bonita do game -, a variação de pessoas pelas ruas é enorme, principalmente nas épocas festivas, como o carnaval, onde se vê pessoas fantasiadas pelas ruas, dançando, brincando em barraquinhas etc. Realmente os detalhes quanto às roupas de cada um é um trabalho elogiÁvel, até porque foram todas baseadas em vestimentas reais da época.

Claro que nem tudo são flores. O único defeito "visível" na parte grÁfica do jogo é a qualidade do visual a uma certa distancia, que chega a ser bastante baixa em alguns momentos, principalmente nas montanhas. Explica-se: Conforme você passeia pelo cenÁrio, dÁ para perceber que os objetos, construções e transeuntes vão melhorando graficamente assim que você se aproxima. Ou seja, fica claro que as texturas vão se definindo conforme se aproxima de alguma coisa. Isso as vezes incomoda bastante, principalmente quando se estÁ andando pelos telhados ou no topo de alguma torre. A impressão que se tem nesses momentos é de que todas as construções são iguais, possuem as mesmas texturas, o que não é verdade.

Fica óbvio que isso é para não pesar no jogo, até porque ficaria difícil de jogar com tantos detalhes visíveis ao mesmo tempo, não importando a distância.

Mas é bom lembrar que esse problema só foi percebido aqui quase no final do jogo, que aí sim passou a incomodar. O clima do game e ambientação deslumbrante compensam os problemas, e ajudam a não se perceber esses defeitos, o que jÁ é ótimo.

{break::Áudio}Rico em detalhes é o que se pode dizer, principalmente quando se anda pelas ruas e vielas das cidades. As conversas entre as pessoas nas ruas são de uma qualidade incrível, e de extrema variedade. Não me lembro de ouvir coisas repetidas durante o jogo. Trabalho impecÁvel. Experimente usar um sistema 5.1 então. Por vÁrias vezes o jogador vai dar aquela espiadela para trÁs, achando que tem alguém se aproximando dele.

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E é bom que se diga que a Ubisoft não se contentou em diversificar as falas e sons das ruas não. Ela queria mais realismo. Então fez tudo isso em dois idiomas: inglês e, claro, Italiano, que é o idioma das cidades onde se passa o game. Mas também é bom dizer que mesmo usando idioma Inglês para as falas, de vez em quando os personagens soltam algumas "pérolas" em italiano, mas com um sotaque um tanto esquisito. Mas o bom é que para quem não é muito acostumado com inglês, nem vai notar a diferença de sotaque.

A qualidade sonora é cristalina, digna de grandes filmes, principalmente durante as lutas, seja de espada, facas ou outra arma qualquer. Tudo possui um Áudio extremamente realístico e, claro, particular, criando uma atmosfera mais real. O som de um punhal entrando na carne de alguém é no mínimo repugnante.

As dublagens de todos os personagens envolvidos na trama, direta ou indiretamente, foram criadas nos mínimos detalhes, chegando ao ponto de se usar interpretação de voz característica de filmes de animação de Hollywood. Desde uma simples tosse, uma engasgada, ou um "ar" de medo ou qualquer outro sentimento são facilmente percebidos na dublagem. E diga-se de passagem, todas as vozes combinam com cada personagem, coisa um pouco rara de se ver em games que possuem muitos personagens importantes. ElogiÁvel!

{break::Conclusão}Assassins Creed 2, com toda certeza, é bem superior ao primeiro game em praticamente tudo. De grÁficos à jogabilidade, o game se mostra como um dos melhores do ano até agora. Os principais defeitos do primeiro, como missões chatas e cenÁrios repetitivos, foram corrigidos nesse.

Mas hÁ um ponto em questão que pode afugentar muita gente: a tal da nova DRM, que obriga os usuÁrios a ficarem conectados 100% do tempo que tiverem jogando. Depois que foi testado aqui, percebeu-se que essa DRM possui mais benefícios do que malefícios. Sendo que a única coisa "ruim" para algumas pessoas (aquelas que não possuem banda larga) é ter de ficar conectado. Fora isso, ela se comporta bem. Vocês terão mais detalhes sobre ela no artigo que estou escrevendo para minha coluna aqui na Adrenaline.

Enfim, Assassins Creed 2 é um ótimo jogo, que surpreendeu bastante pela diversidade e qualidade técnica, com uma história envolvente e reviravoltas incríveis. É bom lembrar que ele levou classificação 18 anos, principalmente pelas cenas fortes e realistas de violência, como, por exemplo, enforcamentos em praça pública.

Curiosidade
Assassins creed 2 entrou para o livro dos recordes (Guinness World Records) como o jogo que mais estampou capas em todo o mundo. No total foram 127 capas de revistas!

{break::Screenshots} Abaixo mais uma série de screenshots.


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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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