ANÁLISE: Starcraft II

ANÁLISE: Starcraft II

Após sete anos de espera, eis que surge finalmente a sequência de um dos maiores sucessos da história, em se tratando de games de estratégia em tempo real: StarCraft II.
Com uma produção milionÁria e caprichada, o game era um dos mais aguardados de todos os tempos, desde quando foi anunciado em 2003, e porque não dizer, desde que foi lançado a primeira versão, em 98.

O destaque, sem sombra de dúvidas, é a dedicação total da Blizzard aos fãs brasileiros da franquia. Algo inédito no mercado brasileiro, mas isso eu explico mais adiante.

Enfim, StarCraft II chegou e serÁ que valeu a pena todos esses anos de espera? Veremos.

História
StarCraft II: Wings of Liberty se passa quatro anos após a última expansão lançada para a primeira versão do game, chamada de StarCraft: Brood War.
Após Brood War, muita coisa aconteceu, a principal, que move toda a história de StarCraft II, é uma traição ocorrida por parte de Arcturus Mengsk, que governa os terranos, governo cesse onhecido como "A Supremacia". Ele traiu seus próprios homens de confiança, incluindo Jim Raynor, o protagonista de todo o jogo, que hoje é acusado de ser um "fora da lei" e de liderar um grupo de "terroristas" contra A Supremacia.

É difícil contar a história do game aqui sem percorrer o estreito caminho, e perigoso, dos spoilers. O fato é que a história se desenrola de uma maneira especial, onde vai se descobrindo muita coisa que ficou meio obscura no primeiro game e suas expansões. Quem conhece a história de StarCraft, sabe que ela daria um belo livro, senão um filme ou série de Ficção, tamanha as conspirações, reviravoltas, surpresas, arrependimentos, enfim, tudo que um bom roteiro precisa para prender a atenção até o fim.

Para atiçar a curiosidade, serÁ que Raynor estÁ realmente lutando afim de ajudar e salvar os Terranos da tirania de Mengsk, ou isso tudo é uma desculpa para ele se vingar da traição e, até então, da morte de uma amiga do passado - ou serÁ um amor do passado? - chamada Sarah Kerrigan, que mais tarde descobre-se ser a Rainha dos Zergs?

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{break::Jogabilidade #1}O velho ditado que diz que não se mexe em time que estÁ ganhando, se mantém intacto em StarCraft II. Definitivamente seria uma burrice mexer na jogabilidade de sucesso de um game clÁssico como StarCraft.

Claro, pequenas adições são sempre bem vindas, e uma delas, dentre vÁrias, é uma pitada de RPG no modo single-player. Na verdade a Blizzard transformou os famosos upgrades, tanto de unidades quanto de bases, em uma fórmula que lembra um pouco RPG. Ou seja, antes de carregar a fase e entrar no jogo, você pode conversar com sua tripulação, seja na Ponte, no Laboratório, no refeitório ou no Arsenal. Em todos esses locais sempre existem coisas pra se fazer, seja um Upgrade em unidades ou bases, seja compra de armamentos, seja pesquisa baseado numa das duas raças alienígenas, seja assistir transmissões de TV, seja contratar mercenÁrios, etc.
Pode-se até jogar Fliperama! Isso mesmo, no Refeitório hÁ uma maquina de fliperama com o clÁssico game The Lost Vikings, aqui chamado de O Viking Perdido.

Bom, as missões possuem uma infinidade de objetivos, dos mais variados possíveis. Desde defender uma determinada Área, assaltar trens afim de obter um certo objeto, passando por invadir transmissão da TV local chamada UNN, até libertar presos em um tipo de presídio espacial. Enfim, no total são 26 missões, com vÁrias delas podendo demorar mais de 3 horas pra se terminar, dependendo do nível de dificuldade.

{break::Jogabilidade #2}É bom que se diga que em algumas delas, dependendo da sua escolha, as missões seguintes sofrem pequenas mudanças, principalmente no tipo de unidade que você poderÁ usar e nas alianças que poderÁ fazer. Por exemplo, em determinado momento o jogador terÁ que escolher entre proteger a colônia da Dra. Hanson, ou purificar a colônia matando todos os infestadas ajudando os Protoss, e assim tornando-se seus aliados com ajuda em tecnologia.

Isso também ocorre em outros momentos, quando por exemplo, você terÁ que decidir se ajuda Tosh na libertação das Aparições, ou se ajuda a Nova destruir as Aparições. Tudo isso afeta as missões seguintes.

Em todo caso, a velha fórmula dos games de estratégia em tempo real, de coletar recursos, construir sua base, montar defesa e construir soldados - não necessariamente nessa ordem -, se mantém intacta. É certo que esse tipo de jogo não é para qualquer um. Depois de algumas fases, o início de cada missão pode se tornar maçante, porque é praticamente sempre a mesma coisa, apenas algumas mudam algo, mas acabam indo pelo mesmo caminho: começa com sua Central de Comando e seis VCE's, que são os construtores. Daí tem que esperar eles coletarem algo e em seguida construir a usina, e assim vai.

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Nos jogos fora da Campanha, pode-se escolher o mapa e os seus inimigos, que serão controlados pelo computador. Nesse caso o nível de dificuldade parece um tanto desproporcional. Se colocar em um modo acima do médio - existe ainda Difícil, Muito Difícil e Insano - , não dÁ nem tempo de coletar algo e a sua base jÁ estÁ sendo atacada, e o jogo acaba em alguns minutos.
De fato, se o jogador gosta de montar sua base completa, com proteção, toda organizada, tem que jogar no mÁximo em modo Normal.

Alem desses modos de jogo, ainda existe outro chamado Desafio, onde o jogador escolhe missões exclusivas que variam de BÁsico, Avançado e Especialista. Normalmente são missões de tempo e tÁtica, que servem para aprimorar as habilidades do jogador.

{break::GrÁficos #1}Os grÁficos de StarCraft II mantém a velha fórmula de games isométricos, que marcou época em jogos de estratégia em tempo real, até mesmo a primeira versão.

Claro que hoje, apesar de serem isométricos, eles são totalmente em 3D, inclusive podendo girar um pouco pra esquerda ou direita com as teclas "end" e "insert", e ainda zoom com o scroll do mouse. Confesso que senti falta de uma função mais "livre", onde o jogador pudesse girar a vontade a câmera.

De fato, o visual de StarCraft II não é de uma beleza estonteante como muito se esperava, embora sejam bons. A idéia aqui, me parece ser usar uma fórmula eficaz, para que a grande maioria das pessoas possam jogar o game sem maiores problemas, ou seja, um equilíbrio que faz com que o jogo rode bem em praticamente qualquer PC mediano, mas sem perder a qualidade da sua jogabilidade que vimos anteriormente.

Fica claro que o foco da Blizzard não era brindar os jogadores com grÁficos de última geração, até porque se fosse assim, até mesmo os PC mais poderosos, iriam suar pra rodar o game no mÁximo durante uma batalha campal gigantesca, como ocorre varias vezes durante a jogatina.

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{break::GrÁficos #2}Percebe-se claramente que vÁrias texturas não estão em alta-definição, principalmente algumas do piso. Fica mais visível ainda as diferenças de qualidade entre os mapas do game. Enquanto uns possuem texturas bem definidas, outros possuem uma qualidade um tanto ridícula para os padrões da Blizzard. Uma coincidência que se nota é que em fases onde hÁ muita batalha, muita movimentação e até mesmo por usarem mapas bem maiores do que o normal, as texturas não são de uma qualidade satisfatória. JÁ em outras missões onde o jogo se torna mais estratégico, sem muito combate, nota-se que as texturas melhoras bastante. O que se pode concluir é que tudo isso é proposital, afim de deixar o game bem mais suave seja em que situação for. HÁ um equilíbrio do visual em determinadas missões e mapas, afim de compensar os imensos combates presentes nelas, para que o game não fique lento, pesado e arrastado. Embora não confirmado, isso parece ser um artifício interessante.

O que mais chama atenção no visual de StarCraft II é o fato da ambientação dos cenÁrios estarem acima da média. É possível se deparar com dezenas de animais criativos, mas um tanto esquisitos - claro, afinal são de outros planetas. Além disso, alguns cenÁrios possuem uma vasta floresta, que ai sim, possuem uma qualidade ótima, principalmente as cachoeiras e desfiladeiros.

Apesar dos grÁficos parecerem simples em relação ao que se esperava, as animações são estupendas. Com toda certeza é a velha Blizzard voltando à sua melhor forma, principalmente na questão de CG's, que embora exista uma certa pixelização em alguns momento, ainda mantém a assinatura Blizzard.

{break::Áudio #1}HÁ de se louvar o trabalho fenomenal da Blizzard em relação a versão brasileira de StarCraft II: Wings of Liberty, com a dublagem completa do game. Pela primeira vez na história, uma grande produtora se dÁ ao trabalho de "prestar atenção" realmente aos consumidores brasileiros.

Você deve estar pensando: "mas jÁ houve alguns games dublados". Sim jÁ houve e uns três no mÁximo. Mas o fato é que esses games foram localizados, ou seja, transformados em português após o lançamento em inglês, e ainda sem nenhum cuidado especial, sem emoção alguma, chegando a ser ridícula a qualidade. Talvez a única plausível seja a narração da série FIFA Soccer, que é bem diferente do que narrar e dublar uma história.

Enfim, em StarCraft II a Blizzard jÁ havia decidido fazer o game todo em português do Brasil desde o início da produção em 2003. Não foi algo apenas "localizado", mas sim programado também para nosso idioma. Usando como exemplo, e prova, estÁ o fato dos movimentos labiais serem condizentes com o português, ou seja, foram criadas animações e CG's especificas para o Brasil, com sincronismo total. Isso sem falar nas piadas voltadas para o público brasileiro, até porque ninguém merece piada pra americano ver.

{break::Áudio #2}A qualidade da dublagem estÁ excepcional. Produzida por um dos estúdios mais competentes do mundo, a Herbert Richers, reconhecida mundialmente como a melhor empresa de dublagem de filmes, desenhos e seriados, todas as vozes usadas no game são conhecidas pelo grande público. A principal, de Jim Raynor, é dublado por Tata Guarnieri, dono da voz de Kiefer Sutherland na findada série 24 horas. Imaginou Jack Bauer no espaço?

Como tudo no game é dublado, não poderia deixar passar as frases usadas pelas unidades nos campos de batalha. Frases como "TÁ afim de treta, moleque?", "Quem quer levar porrada?", "Você vai me dar ordens?!?", "Saquei!", "beleza!", são todas claramente voltadas para o público brasileiro, usando inclusive gírias que se escutam pelas ruas.

 Bom, é meio óbvio que tudo soa "estranho" no início, mas com meia hora de jogatina jÁ dÁ para se acostumar com as dublagens, e até preferí-las. O grande problema é o fato de sermos obrigados a "engolir" tudo quanto é jogo no idioma inglês com gírias e expressões "pra americano ver". Isso sem falar nas piadas sem sentido para nós, brasileiros. E aí quando aparece um game com tamanha qualidade, 100% dublado e inclusive adaptado com nossas gírias e expressões, achamos estranho.
É louvÁvel o imenso trabalho que a Blizzard teve para com os Brasileiros, e hÁ de se respeitar e aplaudir a iniciativa, mesmo aqueles que preferem jogar em inglês. Afinal é questão de gosto.

Se fossemos respeitados por todas as produtoras desde o início, como a Blizzard nos respeita, garanto que ninguém iria reclamar, ou no mínimo, achar estranho as dublagens.

{break::Multiplayer #1}O multiplayer de StarCraft II é baseado na Battle.net, que agrupa todos os dados e jogos online do game, e existe uma variedade enorme de jogos, que podem ter até 8 jogadores, sendo 4x4.

Para quem é marinheiro de primeira viagem, sugiro jogar bastante o tutorial e completar os 50 jogos propostos contra a IA, para ai sim, partir para um jogo com pessoas de verdade, e não ser que jogue com algum amigo seu que seja do mesmo nível que você. Digo isso, porque chega a ser ridículo jogar com viciados de plantão, porque você não terÁ a mínima chance.

Para não ter esse problema, o jogo tem um sistema que avalia sua performance para, ai sim, colocar você sempre em partidas onde hÁ somente pessoas do seu nível.

O jogo permite criação de um grupo, onde você adiciona seus amigos online no Messenger presente dentro do game, para que conversem em chat comum à todos, e assim definir o que vão jogar. É interessante porque o jogador estarÁ sempre rodeado de amigos, ao invés de jogar com pessoas que não conhece.

{break::Multiplayer #2}É bom lembrar que esse Messenger fica disponível em qualquer parte do game que o jogador estiver. Seja jogando o modo Single-player ou multiplayer. E ainda tem mais, se algum amigo seu tiver o Real ID e você também, poderão conversar até mesmo se estiverem em jogos diferentes, como por exemplo, seu amigo no World of WarCraft e você no StarCraft 2. Bem interessante.

Todas as partidas online se mantiveram estÁveis, sem lag algum, até mesmo aquelas completas, com oito pessoas jogando. Isso de deve ao sistema da Blizzard, Battle.net, que gerencia tudo automaticamente, que mesmo um jogador sendo o Host do jogo, ele não concentra todas as conexões em seu PC, como ocorre normalmente na grande maioria dos jogos. Nesse caso o Host apenas possui o poder de escolher os mapas, tipo de jogo, etc.

Isso se torna interessante porque mesmo pessoas com conexões não tão poderosas, podem jogar sem problema. AliÁs, esse é justamente o intuito do sistema da Blizzard: ser acessível à todas as pessoas.

Durante todo o jogo, existe recompensas e realizações que o jogador vai recebendo durante a jogatina, dependendo do que fizer nas missões. No multiplayer também é assim, o jogador ganha as realização dependendo da sua performance nas batalhas, e também na quantidade de jogos que ele participa. O curioso é que, como prova de que a Blizzard pensou na durabilidade de StarCraft, existem realizações que o jogador ganha ao completar 500 - isso mesmo, quinhentas! - partidas em determinado nível, ou com determinada raça e por aí vai. Por baixo, se alguém se propor a ganhar todos as realizações e recompensas do game, ele precisarÁ no mínimo jogar cerca de 5.000 vezes!  Incrível, não?

{break::Conclusão}Um game definitivamente para entrar para a História devido a sua qualidade, jogabilidade e imersão, principalmente por ser 100% "abrasileirado".
A  Blizzard estÁ de parabéns, inclusive pelos modos de venda, que apesar de muita gente não entender, vieram para ajudar aqueles que não são tão viciados a ponto de jogar um mesmo jogo por meses e meses, e talvez anos. Um lançamento custar "apenas" R$49,00, mesmo que por 6 meses, não é sempre que se vê por ai.  E se você for daqueles que ficam viciados em um game, hÁ ainda uma versão de tempo ilimitada custando R$105,00. Portanto, existem versões para todo gosto no mercado brasileiro.

StarCraft II: Wings of Liberty é um jogo obrigatório, um marco nos games lançados no Brasil. E é bom lembrar que em breve vem mais um por aí, jÁ que StarCraft II é uma trilogia, onde cada game lançado contarÁ a história de cada uma das três raças presentes no game: Terrano, Protoss e Zergs.

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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Jé escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrida

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