+ Responder o Tópico
Mostrando resultados 1 até 7 de 7
  1. Avatar de raul100
    raul100 é offline Usuário Registrado raul100 tem sua reputação desconhecida nesse ponto
    Data de Entrada
    Oct 2003
    Local
    Rio de Janeiro - RJ
    Mensagens
    1.101

    Por que a crítica, hoje, não é bem-vinda

    Por que a crítica, hoje, não é bem-vinda

    Julio Daio Borges

    A crítica nunca esteve tão desacreditada como nos dias de hoje. Entre leigos, a crítica é aquela de cinema, que sempre enche de “estrelinhas” os filmes difíceis de entender, ao mesmo tempo em que desqualifica a escolha da audiência. Para os artistas, é aquela senhora mal-humorada, que não compartilha do desbunde em relação à “obra”, chegando às vezes ao requinte de esculhambar seu realizador. E, para os críticos, a crítica é pura nostalgia, de um tempo em que eles ditavam o gosto, destruindo ou construindo reputações.

    Lamentavelmente, hoje, a crítica é, em geral, vista como “elitista” (no sentido que as esquerdas conferiram ao termo). Numa época de “democracia” reinante (mesmo que fictícia), não se admite que uma “minoria” intelectual decida por uma “maioria” consumista. Para a indústria, aliás, não interessa que haja um padrão de qualidade mínimo, pois isso implicaria numa “exclusão” automática de quem (ou o quê) não atingisse os (pré-)requisitos.

    Ao encontro de uma necessidade mercadológica (vender o que quer que seja – mesmo que ruim) e de um imperativo ideológico (igualdade, liberdade, fraternidade), toda uma nomenklatura veio neutralizar qualquer pensamento crítico a partir do século XX. A começar pela idéia de nobrow.

    Quem é mais ou menos versado sabe que highbrow corresponde, aproximadamente, à “alta cultura” (erudita, clássica, considerada inatingível) e lowbrow corresponde à “baixa cultura” (popularesca, primitivista, sem sofisticação). Como ninguém vive só de Bach, Mozart e Beethoven, e como é preciso sobreviver na “cultura pop” (para não se isolar do resto do mundo), inventaram o middlebrow. Era, nos 1900s, uma maneira de conciliar Shakespeare com Lennon&McCartney, Picasso com o universo das HQs, Villa-Lobos com Agatha Christie. Até aí, uma coisa razoável. Digo, até surgir o nobrow.

    O nobrow é a ausência de brow, ou seja, é o fim das classificações entre alta, baixa e média culturas. É o “vale tudo”. É o “qualquer maneira de amor vale a pena”. É o “cada um na sua”. É o tal (do) “gosto [que] não se discute” – que, para a crítica, foi um tremendo de um golpe.

    Gosto se discute, sim, por vários motivos. Se não há crítica, não se avança. Ficamos sempre na estaca zero. Afinal, o crítico é aquele que, supostamente, conhece o assunto que aborda e vai dizer se determinada manifestação artística é válida ou se deve ser descartada. A partir do momento em que o crítico não consegue trabalhar (ou por que não lhe oferecem trabalho ou por que a crítica caiu em desuso), vive-se o caos. Como estamos vivendo agora: universitários assistindo a reality shows e gostando; governantes semi-analfabetos que não sabem quem são os colunistas da principal revista semanal (porque não lêem nem essa); as telenovelas como única forma de ficção a ser consumida, enquanto o mercado editorial míngua tiragens de alguns milhares (num País de muitos milhões); a imposição de um língua ortografica e gramaticalmente errada, uma vez que a “certa” seria considerada impopular e opressiva (já que a ignorância é dominante). Entre outras coisas.

    Crítica é, também, falar mal – algo que o “politicamente correto” coíbe do início ao fim. Com eufemismos, e só com eufemismos, não há como fazer crítica. E, na era dos superadvogados e dos megaprocessos jurídicos, abrir a boca pode ser um perigo. No Brasil, ainda persiste o péssimo hábito da unanimidade. Assim, criticar uma figura unânime não é apenas uma maneira de ir rumo ao tribunal, é igualmente uma forma de declarar guerra a um “fã clube” (cujo radicalismo beira o dos fundamentalistas islâmicos).

    A crítica, na verdade, está tão contida que só “passa” em forma de piada. Não admira que os mais populares colunistas da imprensa, hoje em dia, sejam os humoristas que – de uma maneira ou de outra – fazem... crítica. Crítica séria nem pensar. Vira ofensa. E os “ofendidos” são cada vez em maior número, embora sejam ainda considerados, eufemisticamente, “minorias”. Se você, por exemplo, tem uma opinião formada sobre um determinado grupo, e aplica sua opinião a um membro desse grupo, é logo chamado de “preconceituoso”.

    Há muito tempo, eu digo que não tenho “preconceitos” mas “conceitos”. Se eu tenho uma opinião sobre determinado tipo de pessoa, e aplico essa mesma opinião a uma pessoa que – a meu ver – cabe nesse “tipo” específico, sou logo tachado de “preconceituoso”. Por quê? Ela tem penas, bota ovos e cria pintinhos que depois viram frangos... Digo de uma vez: “É uma galinha!”. Ao que alguém me responde: “Imagine que é uma galinha. Como você está sendo preconceituoso!”. (Claro, pode ser um elefante... Ou uma mosca...)

    Felizmente, com a internet, parece que a crítica está voltando. Infelizmente, porém, prolifera nela o crítico amador, que é quase o anticrítico. Na maioria das vezes (há exceções), a critiquinha que vemos surgir na Web é aquela de alguém que começou ontem, tem centenas de opiniões (infundadas) sobre diversos assuntos e acredita estar fazendo jornalismo da melhor qualidade. É um erro. E você não pode falar nada, porque está sendo contra, por exemplo, a “liberdade de expressão”. (Contra os blogs...) Sinceramente, não acho que qualquer pessoa pode ser um crítico; como qualquer pessoa não pode ser um médico, um astronauta, um cientista – apenas porque quer; apenas porque, certo dia, acordou com vontade de “criticar” alguém ou alguma coisa.

    Sou a favor da crítica e sou contra a “crítica” bem-comportada de hoje. Mas não apóio a crítica irresponsável. Exibida. Intolerável. Doutrinária – fingindo, digamos, “criticar” as ideologias em geral, mas, no fundo, impondo (nas entrelinhas) sua própria ideologia. Crítica pode ser manipulação também, e o desejo de transmitir “juízo crítico” a quem lê pode se converter em uma maneira de, aí sim, transmitir “preconceitos”, idéias e pensamentos preconcebidos. Portanto, os critiquinhos deveriam desistir do ofício.

    A crítica, contudo, deve, de alguma forma, voltar. O público clama por orientação – e isso é nítido. Desde a popularidade dos manuais de auto-ajuda até o fanatismo religioso ressuscitado, todo mundo se sente destituído de certezas e não agüenta mais essa realidade relativística onde “tudo é válido”. A crítica não é determinismo e não vai obrigar ninguém a seguir por essa ou por aquela via – vai, simplesmente, iluminar o caminho. Aprendi o que sei com críticos; e não apenas jornalistas – mas gente que assumiu a tarefa de separar o joio do trigo. Você, aliás, pode até discordar de mim, mas garanto que, em algum momento, precisou igualmente de orientação. E de crítica.

    Julio Daio Borges
    São Paulo, 25/6/2004



  2. Avatar de Jabubu
    Jabubu está online agora Adrena User Jabubu está em um caminho distinto
    Data de Entrada
    May 2006
    Mensagens
    1.271
    Nem li.......

  3. Data de Entrada
    Jan 2004
    Local
    Belo Horizonte - MG
    Mensagens
    335
    sempre que esse jabubu postar, pode esperar que ele vai responder algo assim
    mas dessa vez concordo com ele

    nem li²¹²²

  4. Avatar de Baygon
    Baygon é offline 1, 2, 3...4!!! Baygon está em um caminho distinto
    Data de Entrada
    Mar 2005
    Mensagens
    2.560
    Essa ficou difícil de ler mesmo, mas eu não gosto desses críticos de filmes...o Omelete tem umas críticas muito inúteis!
    | What if I got it wrong |
    And no poem or song
    | Could put right what I got wrong |
    Or make you feel I belong

    (What If - Coldplay)

  5. Data de Entrada
    Nov 2006
    Mensagens
    170
    Muito boa essa frase =)

    Sou a favor da crítica e sou contra a “crítica” bem-comportada de hoje. Mas não apóio a crítica irresponsável. Exibida. Intolerável. Doutrinária – fingindo, digamos, “criticar” as ideologias em geral, mas, no fundo, impondo (nas entrelinhas) sua própria ideologia.

  6. Avatar de Panda
    Panda é offline Impeckable Panda está em um caminho distinto
    Data de Entrada
    Aug 2005
    Local
    Sombrio - SC
    Mensagens
    2.226
    Citação Postado originalmente por Dark Blow Ver Mensagens
    sempre que esse jabubu postar, pode esperar que ele vai responder algo assim
    mas dessa vez concordo com ele

    nem li²¹²²
    Pior... Dessa vez...

  7. Avatar de Comdek
    Comdek é offline Telecomunicações S/A Comdek está em um caminho distinto
    Data de Entrada
    May 2002
    Local
    Curitiba - PR
    Mensagens
    3.228
    Citação Postado originalmente por Panda! Ver Mensagens
    Pior... Dessa vez...
    heuaheuaheauhuhauehauhuahuhuah
    Intel E4400@2.00Ghz | Asus P5N-E SLI | 2GB DDR2-667 Kingston | ATI Radeon HD4830 512MB 256 bits PCI-E | HD 250GB Seagate SATA2/16MB | NET Vírtua 12MB/800kbps

Informações do Tópico

Usuários Navegando no Tópico

Existem atualmente 1 usuários navegando nesse tópico. (0 membros e 1 visitantes)

     

Tópicos Similares

  1. Vinda do Papa Bento XVI
    Por Dimirs no fórum Geral
    Mensagens: 13
    Última Mensagem: 13/05/2007, 01:24
  2. bem vinda - Vivizoka
    Por sonny no fórum Geral
    Mensagens: 127
    Última Mensagem: 23/02/2007, 13:57
  3. É HOJE! É HOJE!! Façam a festa moçada!!!
    Por xXxJustusxXx no fórum Geral
    Mensagens: 40
    Última Mensagem: 22/12/2006, 22:03
  4. adeus Asus, vinda longa a ABIT :p
    Por caldas no fórum CPU´s, Placas-mãe e Memórias
    Mensagens: 4
    Última Mensagem: 09/06/2003, 13:13
  5. Alguma ajuda seria bem vinda!
    Por Anonymous Inc. no fórum Placas de vídeo
    Mensagens: 7
    Última Mensagem: 06/11/2002, 00:29

Permissões

  • Você não pode criar novos tópicos
  • Você não pode responder mensagens
  • Você não pode anexar arquivos
  • Você não pode editar suas mensagens